sábado, 9 de fevereiro de 2019

A protecção das Almas do Purgatório



Mons. Louvet, na sua obra “Le purgatoire d’ápres les revélations des Saints”, narra um facto prodigioso da protecção das Almas aos que as sufragam. Um padre italiano, Luiz Monaci, religioso dos Clérigos Menores, era um fervoroso devoto das Almas. Em toda parte e em todas as ocasiões procurava meios para ajudar as benditas Almas sofredoras. Certa noite teve de viajar e atravessar sozinho uma planície deserta e perigosa, porque, estando infestada de bandidos e salteadores, haviam já tirado a vida a muita gente para roubar. Pelo caminho, o bom padre não perdia tempo: ia recitando piedosamente o Rosário de Maria pelas Almas do Purgatório. Ao avistar de longe o pobre sacerdote sozinho e desprovido de armas, um grupo de bandidos preparou-se para assaltá-lo. Qual não foi o espanto de todos quando ouviram o soar de trombetas e um grupo de soldados que marchava armado ao lado do padre. Aterrorizados, os bandidos esconderam-se; pensaram que os soldados os vinham prender. Viam, entretanto, o padre muito tranquilo a caminhar, recitando o Rosário e entrar numa hospedaria. Enquanto o padre ceava, dois bandidos aproximaram-se e perguntaram curiosos:   

— Que padre é este que anda acompanhado pelas estradas de soldados que o protegem?          

— Aqui não chegou soldado algum e este padre nunca andou assim em viagem…

Os bandidos, furiosos, procuraram entrar em diálogo com o sacerdote e perguntaram-lhe pelo batalhão que o escoltava.          

— Meus filhos, eu ando sozinho pelos caminhos. Só tenho um companheiro, o meu Rosário, que recito sempre pelas santas Almas do Purgatório para que me protejam.       

— Pois bem, meu padre, confessa um bandido, estas Almas salvaram-vos. Somos bandidos e estávamos na estrada prontos para despojar-vos e matar. E só não o fizemos porque um batalhão seguia-vos pela estrada, e, aterrorizados, fugimos e viemos aqui curiosos saber do que se trata. Cremos que as almas das quais sois tão devoto vos tenham salvo da morte. 

Os bandidos, tocados pela graça, ali mesmo de joelhos pediram perdão dos pecados e confessaram-se humildemente.

O P. Rossignoli e outros autores contam inúmeros casos de protecção das santas Almas em favor dos seus benfeitores. Na verdade, mesmo nas coisas temporais, os devotos caridosos que nunca se esquecem de socorrer as benditas Almas do Purgatório, podem contar com uma protecção segura da Divina Providência em todas as circunstâncias difíceis, porque Deus sempre recompensa esta grande caridade.  

Mons. Ascânio Brandão, in Tenhamos Compaixão das Pobres Almas do Purgatório!

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