sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Conversão de São Paulo


A conversão de São Paulo, por Caravaggio

«Não nos anunciamos a nós mesmos, mas anunciamos Jesus Cristo; somos vossos servos por causa de Jesus» (2Cor 4, 5). E quem é esta testemunha que anuncia Cristo? É aquele que outrora O perseguia. Que maravilha! Eis que o perseguidor de antigamente anuncia Cristo. Porquê? Terá sido comprado? Mas ninguém poderia persuadi-lo desta maneira. Terá sido a visão de Cristo neste mundo que o cegou? Mas Jesus já tinha subido ao Céu. Saulo saíra de Jerusalém para perseguir a Igreja de Cristo, e três dias depois, em Damasco, o perseguidor transformara-se em pregador. Sob que influência? Há quem cite, como testemunhas a favor dos seus amigos, partidários seus. Eu, ao invés, apresento como testemunha um antigo inimigo.   

Ainda duvidas? Grande é o testemunho de Pedro e João, mas eles eram gente da casa. Quando a testemunha é um antigo inimigo, um homem que mais tarde morrerá pela causa de Cristo, quem poderá duvidar do valor do seu testemunho? Admiro o plano do Espírito Santo: Ele concede que Paulo, o antigo perseguidor, escreva nada menos que catorze epístolas. Como os seus ensinamentos não eram passíveis de contestação, permitiu que aquele que fora outrora o inimigo e o perseguidor escrevesse mais do que Pedro e João; e assim, a fé de todos nós saiu fortalecida. Com efeito, todos ficaram estupefactos com Paulo: «Não é aquele que nos perseguia? Não terá vindo aqui para nos prender?» (Act 9, 21). Não fiqueis surpreendidos, diz Paulo. Eu percebo-vos; para mim, «é duro revoltar-me contra a espora» (Act 26, 14). «Não sou digno de ser chamado apóstolo porque persegui a Igreja de Deus» (1Cor 15, 9); mas «Ele foi misericordioso para comigo: o que eu fazia, fazia-o por ignorância». «A graça de Deus superabundou em mim» (1Tim 1, 13-14).                   

São Cirilo de Jerusalém, in Catequese baptismal n.º 10

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