quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Sobre como escolher bons amigos


Há três espécies de companheiros: os bons, os maus e os que não são totalmente maus, mas nem são bons. Com os primeiros podeis entreter-vos e tirareis proveitos; com os últimos, tratai quando houver necessidade, sem contrair nenhuma familiaridade. Quanto aos maus, esses devemos absolutamente evitar. Mas quais são esses maus companheiros? Prestai atenção e ficareis a saber quem são.   

Todos os jovens que na vossa presença não se envergonham de ter conversas obscenas, de dizer palavras equívocas ou escandalosas, murmurações, mentiras, juramentos vãos, imprecações, blasfémias, ou, então, procuram afastar-vos das coisas da Igreja, os que vos aconselham a roubar, a desobedecer aos vossos pais ou a transgredir algum dever vosso, todos esses são maus companheiros, ministros de satanás, dos quais deveis fugir mais do que da peste e do diabo em pessoa.         

Ah, meus caros, com as lágrimas nos olhos suplico-vos que eviteis e aborreçais tais companhias. Ouvi o que diz Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele. Foge do mau companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a fácie cólubri (Ecl 21, 22).           

Em suma, se andardes com os bons, garanto-vos que ireis com os bons ao Paraíso. Pelo contrário, frequentando companheiros perversos, perverter-vos-eis também vós, com o perigo de perderdes irremediavelmente a vossa alma. Dirá alguém: são tantos os meus companheiros, que seria preciso sair deste mundo para evitá-los todos. Bem sei que são muitos numerosos os maus companheiros e é por isso mesmo que vos recomendo com empenho que fujais deles.            

E se, para não tratar com eles, fosseis obrigados a ficar sozinhos, felizes de vós, porque teríeis na vossa companhia Jesus Cristo, a bem-aventurada Virgem e o vosso Anjo da Guarda. Poderemos encontrar companheiros melhores do que esses?   

Contudo, pode-se também ter bons companheiros e serão os que frequentam os Santíssimos Sacramentos da Confissão e da Comunhão, os que frequentam a igreja, os que com as palavras e com o exemplo vos incitam ao cumprimento dos vossos deveres e vos afastam da ofensa de Deus. A estes deveis frequentar e tirareis muito proveito. Desde que David, quando jovem, começou a frequentar um bom companheiro chamado Jónatas, tornaram-se ambos bons amigos com proveito recíproco, porque um animava ao outro na prática da virtude.            

S. João Bosco, in O jovem instruído na prática dos seus deveres religiosos

Dom Bosco explica como disciplinar uma criança



Uma das coisas mais desafiantes para pais e professores é saber como e quando tomar atitudes mais exigentes na hora de disciplinar uma criança. São João Bosco sabia exactamente qual era o tamanho desse desafio, já que dedicou a vida toda a formar meninos rebeldes. Não apenas ajudou centenas de jovens desfavorecidos a tornarem-se homens de bem que servissem à sociedade, como também formou formadores para multiplicar o efeito educador.                    

Nas suas cartas, estabelece um “sistema preventivo” que dispõe “os alunos a obedecerem não por medo, mas por convicção. Neste sistema, a força deve ser excluída: no seu lugar, a caridade deve ser o principal propulsor da acção”. Aqui vão 7 dicas de São João Bosco aos seus professores para orientarem as crianças no caminho da virtude:                  
1. A punição deve ser o último recurso          
Muitas vezes é fácil perder a paciência e ameaçar uma criança em vez de educá-la. Até São Paulo tinha essa tentação: lamentava-se de como alguns convertidos à fé retornavam facilmente aos hábitos inveterados; no entanto, suportava esses desafios com paciência tão zelosa quanto admirável. Este é o tipo de paciência de que precisamos ao lidar com os mais jovens.      

2. O educador tem que se esforçar para ser amado pelos alunos caso deseje obter o seu respeito       
O amor mostra-se nas palavras e, mais ainda, nas acções, com todos os cuidados direccionados ao bem-estar espiritual e temporal dos alunos.

3. Excepto em casos raríssimos, as correcções e as punições não devem ser dadas em público      
Somente casos graves de prevenção ou reparação de escândalos justificam correcções ou punições públicas. Em todos os demais casos, deve-se preservar a privacidade. Afinal, trata-se de educar, não de humilhar.          

4. Violência? Castigos físicos? Devem ser absolutamente evitados         
Em vez de educar, magoam e não só fisicamente, para além de rebaixarem a reputação e a respeitabilidade do suposto educador.          

5. As regras de disciplina, bem como as suas respectivas recompensas e punições, devem ficar bem claras para o educando, de modo que ele não possa alegar que não sabia           
Por outras palavras, as crianças precisam de limites claros. Ninguém se sente seguro se estiver a voar de olhos tapados.                

6. Seja exigente nas questões de dever, firme na busca do bem, corajoso na prevenção do mal, mas sempre gentil e prudente          
A impaciência expande o descontentamento até entre os melhores. A caridade triunfa onde a severidade encontra o fracasso. A caridade é a cura, embora possa parecer e ser lenta. Daí a necessidade, de novo e sempre, de paciência, paciência e paciência. Não se trata de ser frouxo, leniente, conivente. Já foi dito que é preciso estabelecer regras e limites claros. A paciência não consiste em tolerar a indisciplina, mas em educar na disciplina com respeito, apesar da tentação de explodir e partir para os gritos, castigos e até para punições físicas.               

7. Para ser verdadeiros pais e mestres, não devemos permitir que a sombra da raiva escureça o nosso semblante        
A serenidade deve brilhar nas nossas mentes e na nossa fronte, dispersando as nuvens da impaciência. O autocontrolo deve governar todo o nosso ser: mente, coração, lábios, mãos. Se alguém está errado, esse alguém precisa de ajuda e acompanhamento.        

Fundamental para acompanhar todos estes conselhos:         
A humilde oração a Deus é imprescindível e fará uma diferença notável, que edificará e iluminará!           

Adaptado de Philip Kosloski

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Lares cristãos e famílias santas!



Fazei que as vossas casas sejam casas cristãs. Que nela o Rei seja o Sagrado Coração de Jesus. Que a imagem de Jesus Crucificado e da Virgem Maria tenham postos de honra, para ser manifesto aos olhos de todos que no vosso lar se serve a Deus.     

Papa Pio XII

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Testemunho de um bispo exorcista



Sempre lamentei que na reforma da Missa se tenha tirado aquela oração a São Miguel, que Leão XIII, não sem inspiração do alto, quis que fosse recitada no fim de cada celebração. Muitas vezes, o demónio, pela voz dos possessos, fez saber que gostou muitíssimo dessa abolição! O que é que sugeriu e sugere evitar-se o mais possível, nos textos litúrgicos, a menção a Satanás, às suas nefastas intervenções, às consequências da sua acção destrutiva? Quem possa, que me responda. E com argumentos válidos, por favor. Hoje, a obra assassina do demónio é mais evidente do que nunca. Então, não somente não era o caso de expurgar as fórmulas deprecatórias e imprecatórias, mas de multiplicá-las e reforçá-las. Porém, infelizmente não foi assim.                    

D. Andrea Gemma, bispo emérito de Isernia-Venafro, in Eu, bispo exorcista         

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Um regime diabólico



“Este regime só pode ser explicado como um caso de possessão diabólica colectiva”, foi desta forma que Andrey Sheptytsky, Arcebispo Metropolitano da Igreja Greco-Católica Ucraniana, através de uma carta à Santa Sé, aquando do início da II Guerra Mundial, definiu o comunismo, regime pelo qual foi perseguido, tendo pedido ao Papa Pio XII que sugerisse a todos os sacerdotes do mundo que exorcizassem a Rússia. Actualmente, um dos males com a que a Santa Igreja é confrontada é precisamente a falta de fidelidade por parte de membros do Clero que pactuam com este tipo de ideologias perversas e diabólicas, sendo disso exemplo a teologia da libertação, nascida na América Latina após o Vaticano II e que encontrou em D. Hélder Câmara, bispo brasileiro, um acérrimo defensor. Rezemos por todos os cristãos perseguidos por esta ideologia diabólica e peçamos perdão por todos aqueles que, servindo-se da Santa Igreja, a ela se rebaixam! 

Sobre a Confissão



Ó minha Mãe querida, com que solicitude me preparastes, quando me explicastes que não era a um homem, mas ao Bom Deus, que iria contar os meus pecados. Disto estava tão convicta, que fiz a minha confissão com grande espírito de fé, e cheguei até a perguntar-vos se não seria mister referir ao Padre Ducellier que o amava de todo o meu coração, pois que na sua pessoa era ao Bom Deus que ia falar. Fiz a minha confissão, como se fosse uma menina grande, e recebi a sua bênção com grande devoção, porque me havíeis explicado que, nesse momento, as lágrimas do Menino Jesus purificariam a minha alma. Lembro-me de que a primeira exortação que me foi feita incitava-me, principalmente, a ter devoção à Santíssima Virgem, e prometi a mim mesma redobrar a minha ternura para com ela. Ao sair do confessionário, estava tão contente como jamais sentira tamanha alegria na alma.    

Santa Teresinha do Menino Jesus sobre a sua primeira confissão

domingo, 27 de janeiro de 2019

Exterminadora de todas as heresias, rogai por nós!



São muitas as invocações atribuídas à Virgem Maria, sobretudo as presentes na Ladainha de Nossa Senhora, que rezamos no final do Terço. Neste momento de profunda crise no seio da Igreja, devemos intensificar a nossa oração e recorrer à Santíssima Virgem para que, uma vez mais, venha em nosso auxílio. Como católicos, principalmente nestas ocasiões de perversidade, devemos dar bom exemplo de perseverança e, diante das heresias com que somos confrontados, inclusive por membros do Clero, invocar a Mãe de Deus com um título por muitos desconhecido: exterminadora de todas as heresias! Conta-se que esta invocação mariana tem origem nos ensinamentos de São Pio X, através da Carta Encíclica Ad diem illum laetissimum, de 2 de Fevereiro de 1904, em que o Pontífice afirma que a Santíssima Virgem “exterminou todas as heresias do mundo”. Invoquemos, pois, com muita confiança, Nossa Senhora, exterminadora de todas as heresias, para que venha em auxílio do povo cristão!        

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Conversão de São Paulo


A conversão de São Paulo, por Caravaggio

«Não nos anunciamos a nós mesmos, mas anunciamos Jesus Cristo; somos vossos servos por causa de Jesus» (2Cor 4, 5). E quem é esta testemunha que anuncia Cristo? É aquele que outrora O perseguia. Que maravilha! Eis que o perseguidor de antigamente anuncia Cristo. Porquê? Terá sido comprado? Mas ninguém poderia persuadi-lo desta maneira. Terá sido a visão de Cristo neste mundo que o cegou? Mas Jesus já tinha subido ao Céu. Saulo saíra de Jerusalém para perseguir a Igreja de Cristo, e três dias depois, em Damasco, o perseguidor transformara-se em pregador. Sob que influência? Há quem cite, como testemunhas a favor dos seus amigos, partidários seus. Eu, ao invés, apresento como testemunha um antigo inimigo.   

Ainda duvidas? Grande é o testemunho de Pedro e João, mas eles eram gente da casa. Quando a testemunha é um antigo inimigo, um homem que mais tarde morrerá pela causa de Cristo, quem poderá duvidar do valor do seu testemunho? Admiro o plano do Espírito Santo: Ele concede que Paulo, o antigo perseguidor, escreva nada menos que catorze epístolas. Como os seus ensinamentos não eram passíveis de contestação, permitiu que aquele que fora outrora o inimigo e o perseguidor escrevesse mais do que Pedro e João; e assim, a fé de todos nós saiu fortalecida. Com efeito, todos ficaram estupefactos com Paulo: «Não é aquele que nos perseguia? Não terá vindo aqui para nos prender?» (Act 9, 21). Não fiqueis surpreendidos, diz Paulo. Eu percebo-vos; para mim, «é duro revoltar-me contra a espora» (Act 26, 14). «Não sou digno de ser chamado apóstolo porque persegui a Igreja de Deus» (1Cor 15, 9); mas «Ele foi misericordioso para comigo: o que eu fazia, fazia-o por ignorância». «A graça de Deus superabundou em mim» (1Tim 1, 13-14).                   

São Cirilo de Jerusalém, in Catequese baptismal n.º 10

A Liturgia de sempre na JMJ do Panamá







Segundo informou a Juventutem, uma associação internacional católica formada por jovens ligados à Liturgia de sempre, durante a Jornada Mundial da Juventude do Panamá, que decorre até ao próximo domingo, foram várias as celebrações organizadas. Na passada quarta-feira, houve Santa Missa Cantada, na Capela da Conferência Episcopal dos EUA. Já ontem, dia de S. Timóteo, na Igreja de Nuestra Señora del Carmen, dos Frades Carmelitas Descalços, houve Missa Cantada com uma pregação de D. Alexander Sample, Arcebispo de Portland, nos Estados Unidos. Por fim, hoje, dia da Conversão de São Paulo, às 14h30 locais – 19h30 em Portugal –, haverá Missa Cantada na Capela da Conferência Episcopal dos EUA. Laus tibi Christe!

[Fonte das fotografias: Juventutem]

1 milhão de Terços da Terra Santa para a JMJ no Panamá



Cada um dos participantes da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, que teve início a 22 de Janeiro, recebeu uma mochila e, no seu interior, encontrou um tesouro: um Terço! De acordo com a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, foram distribuídos 1 milhão de Terços, exclusivamente produzidos para esta ocasião por cerca de 200 famílias cristãs de Belém, na Terra Santa.         

Através deste gesto, são duas as grandes mensagens que se pretende transmitir: a importância da oração diária do Terço, conforme pedido por Nossa Senhora; através deste apostolado, segundo o director da AIS de Itália, Alessandro Monteduro, os cristãos que produziram os Terços “receberam uma ajuda determinante de apoio à presença cristã na cidade onde Jesus nasceu”.       

De acordo com as informações avançadas pela Fundação AIS, desde 1948, cerca de 350 mil cristãos abandonaram Belém por causa do elevado nível de desemprego e, por conseguinte, dadas as tremendas dificuldades de subsistência económica. Somos convidados, nesta ocasião, a rezar pelos cristãos da Terra Santa e pelos bons frutos da JMJ do Panamá, invocando, para isso, a protecção de Santa María la Antigua, Padroeira do Panamá!  

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Perdoai, Senhor!



Perdoai, Senhor, todas as Santas Comunhões indignamente recebidas.
Perdoai, Senhor, todas as profanações ao Santíssimo Sacramento do Altar.
Perdoai, Senhor, todos os sacrilégios eucarísticos.
Perdoai, Senhor, todas as irreverências na Igreja.
Perdoai, Senhor, todas as profanações, desprezos e abandono dos Sacrários.
Perdoai, Senhor, todos os insultos ao Vosso Santo Nome.
Perdoai, Senhor, toda a frieza e indiferença contra o Vosso amor redentor.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O que provoca medo aos santos?


O célebre Padre Henri Lacordaire, dominicano, estava a pregar em Lion. Nunca se tinha visto semelhante sucesso, era um delírio. Certa noite, após uma das suas mais belas conferências, estando o Pe. Lacordaire num humilde aposento, onde costumava retirar-se para rezar e ficar sozinho, tocou para a refeição e ele não apareceu. Esperaram bastante tempo e, ao ver que não aparecia, um sacerdote subiu ao quarto para chamá-lo.   

E, como ninguém respondeu, entrou e viu o Pe. Lacordaire aos pés do crucifixo, com a cabeça entre as mãos, absorto numa oração entrecortada de soluços e gemidos. O sacerdote aproximou-se e, abraçando-o, perguntou-lhe:    


— Padre, o que tendes? 
— Tenho medo, respondeu o pregador.                     
— Medo? Medo de quê, Padre? 
— Tenho medo deste sucesso!  

Rezemos pelas vocações!



V. Senhor, dai-nos sacerdotes.
R. Senhor, dai-nos sacerdotes.

V. Senhor, dai-nos santos sacerdotes.

R. Senhor, dai-nos santos sacerdotes.

V. Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes.

R. Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes.

V. Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas.

R. Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas.

São Pio X, rogai por nós!

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Uma ficção chamada Francisco


Durou pouco. De facto, o actual pontificado goza de certa sobrevida apenas por inércia. É uma espécie de vida vegetativa que persiste apenas em não morrer. Mas o povo não se engana mais.                       

Os escândalos sexuais nos Estados Unidos, o desconforto dos europeus com a obsessão migratória do pontífice, a derrota das esquerdas nos países mais importantes do Ocidente, tudo isso e mais um pouco são sinais mais que eloquentes de um pontificado autista, incapaz de interagir com a realidade, totalmente alienado.           

Mesmo entre os bispos, cujo assanhamento bajulatório chega a níveis de excitação verbal indecentes, tudo não passa apenas de papagueamento de oficialidades, enfim, um discurso vazio de prática. Na verdade, a Igreja de Francisco é um projecto nado-morto e os seus maiores propagandistas são aqueles mesmos que a abortam, relegando-a apenas ao cárcere das palavras, sem qualquer possibilidade de encarnação.

Por outro lado, o povo segue o seu instinto de ovelha, dessas mesmas ovelhas cujo cheiro o Papa Francisco alega carregar, mas das quais se afasta nas suas obras, aliando-se a toda a elite financeira que se quer servir do catolicismo apenas como outdoor para as suas ideias libertárias. Obviamente, nada disso seria possível sem o rebaixamento da Igreja ao nível de uma mera sociedade humanística embrulhada de aparência religiosa.      

Justiça social, paz mundial, ecologia integral, diplomacia multilateral e outros, são termos do léxico bergogliano, um dialecto pastoral cujo acento se torna não apenas incompreensível ao católico das ruas, mas que são, sobretudo, palavras quiméricas, esvoaçantes, que auto-denunciam uma perda total do contacto com o mundo concreto, com problemas reais. E as pessoas vão-se. Na Europa, tornam-se agnósticas; nas Américas, protestantes, pois ninguém suporta mais a cacofonia psicológica dos discursos nos quais as palavras são desconexas das coisas.  

O problema do catolicismo hodierno é eminentemente cognitivo. Não se trata só de uma linha teológica ou de um estilo de governo Papal. Os eclesiásticos estão a flutuar em nuvens cor-de-rosa, as suas palavras são meros pastéis de vento, cheias de nada. Os progressistas percorreram o mesmo caminho dos frankfurtianos, especialmente Lukács, e trocaram o povo real por um “povo possível”, existente apenas nas suas mentes intoxicadas por mundanismo. É com este povo imaginário que conversam, é para ele que escrevem, é a eles que pregam e, como estes não existem, o povo real assiste perplexo ao diálogo entre o padre e o fantasma teológico, percebe que o religioso está doido e, caminhando pelas ruas, encontra-se com o pastor pentecostal que toca na sua cabeça, escuta os seus problemas reais e ajuda-o a activar a sua Fé: um católico a menos na Santa Missa, um protestante a mais no culto.      

Como foi possível chegarmos a este nível de ruptura entre os eclesiásticos e o homem normal? Desde o início do século XX, a Igreja Católica passa por um sequestro, que se foi intensificando até o papado de Paulo VI e que chegou ao nível de completa hegemonia neste pontificado. Trata-se do total predomínio da diplomacia vaticana sobre a totalidade da Igreja Católica.     

São os diplomatas que governam a Cúria Romana, são eles que administram as nunciaturas e trabalham dentro das mesmas, são eles que escolhem os bispos e fazem-no sempre dentro do critério mais diplomático que existe: homens inócuos, privados de opinião, que deslizam pelos conflitos no clero com o rebolado de uma enguia, suficientemente ineptos para não terem nenhum tipo de ideia formada, politiqueiros que pensam apenas em adular os superiores, gente sem Fé e que não apresenta nenhum tipo de convicção religiosa forte que pudesse ser interpretada como fanatismo ou fundamentalismo, enfim, sujeitos completamente neutros, sem força de personalidade, e que sabem administrar muito bem as finanças de uma diocese, porque, ao fim e ao cabo, é por aí que se lhes mede o sucesso pastoral.      

Os diplomatas, porém, são apenas burocratas que precisam de se promover através da legitimação mútua. Vivem num teatro cujos espectadores são eles mesmos. A sua finalidade é apenas subir na hierarquia interna da diplomacia vaticana.

Estes senhores consagraram-se aos papéis e não desconfiam sequer que existe um mundo real por detrás deles. Interagem, portanto, apenas consigo mesmos e transitam por ideias puras, órfãs de substância. Não é de se admirar que tenham lançado a Igreja nas nuvens, como um papagaio de papel numa tarde de verão.      

O próprio Papa Francisco, aliás, é em engodo mal percebido. Mesmo a ideia de que seja um “papa pastoral” é um absurdo. Para percebê-lo, basta ler a sua biografia. Nunca foi pároco, nem sequer por um dia. Passou a vida inteira a cuidar de afazeres internos da Companhia de Jesus ou de colégios da mesma Ordem. Foi estudar para a Alemanha, mas não conseguiu notas suficientes para prosseguir os estudos. Sempre em conflito com os seus confrades jesuítas, denunciado pelo Padre Kolvenbach como ambicioso, conseguiu ser nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires, depois arcebispo e, por fim, papa.       

O papa argentino não tem uma base filosófico-teológica, nem tampouco suficiente conhecimento pastoral. Não lhe resta nada senão aquele romantismo idealista, cafona e irreal acerca de um povo que existe apenas nos papéis, nos livros sobre a “teología del pueblo”, nos discursos apaixonados e delirantes de quem nunca se confrontou seriamente com a realidade.           

Cativo nas mãos de burocratas perdidos, entregue aos cuidados de bispos que se comportam como figuras formais, guiado por um papa que compagina autoconfiança omnipotente com incompetência multidisciplinar, não é de se admirar que o povo siga na direcção oposta à completa desorientação dos seus dirigentes. Por outras palavras, não é exactamente o povo que está desorientado, são os pastores. O povo aprendeu simplesmente a ignorá-los.            E o povo ignora-os porque entendeu quem são eles, ou, melhor, quem eles não são.    

Sobre este aspecto, Bergoglio personifica bem o momento actual. Um papa pastoral que nunca foi pastor, o homem que quer mudar a história da Igreja mas é ignorante em teologia. Assim como o semi-analfabeto Lula, no Brasil, se dignou assinar um decreto de reforma ortográfica, Francisco é tão-somente o subscritor daquilo que os burocratas lhe dizem, enquanto eles mesmos vão lançando a Igreja num oceano de balões e de papagaios de papel. O caos eclesial para que este pontificado nos está a atirar é fruto mais da incapacidade intelectual destes senhores que de outra coisa: eles acham que estão a caminhar rumo à Igreja de Jesus, mesmo! Mas estão a delirar entre balões coloridos.                

Francisco é um nome vazio, o título de uma ficção, o apelido de um sistema fracassado; para os bons católicos, um pesadelo do qual anseiam acordar para que se lhes devolva a vida, a doutrina, a Igreja, para que retornem ao caminho de Deus, do Deus que sustenta a realidade, do Deus que alegra a nossa juventude.          

G. M. Ferretti    

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Martírio de Santa Inês


Santa Inês em chamas, por Ercole Ferrata
Descendente de uma poderosa família nobre do seu tempo, Inês nasceu em Roma, no ano 291, e, desde muito pequena, foi cristãmente educada pelos seus pais, tendo decidido consagrar a sua pureza a Deus. Com treze anos, Inês foi muito cobiçada por Fúlvio, filho de Semprónio, Prefeito de Roma, mas recusou e, por isso, foi julgada e obrigada a prestar culto a Vesta, a deusa romana do lar e do fogo, tendo rejeitado, ao afirmar: «Se recusei o teu filho, que é um homem vivo, como podes pensar que eu aceite prestar honras a uma estátua que nada significa para mim? O meu esposo não é desta terra!». Apesar das insistências, prosseguiu: «Sou jovem, é verdade, mas a fé não se mede pelos anos, mas pelos sentimentos. Deus mede a alma, não mede a idade. Quanto aos deuses, podem até ficar furiosos, mas eu não os temo. O meu Deus é amor». Por causa desta grande prova de fidelidade à Santa Religião, a jovem Inês foi condenada e exposta nua no Circo Agnolo, na actual Praça Navona, onde se encontra a Basílica de Santa Inês in Agone, ou seja, Santa Inês em Agonia, que conserva a cabeça da mártir Inês. Após duas tentativas falhadas, Inês acabou por ser decapitada, corria o ano 304.

Em favor da Santa Missa de sempre!



Eu conservo a Missa Tradicional, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V, no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o Novus Ordo Missae. Porquê? Porque, na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa Paulo VI, e que se reveste, momentaneamente, da máscara do Ordo Missae de 3 de Abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.           

Se aceitarmos este rito, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois Cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos, sem tardar, de uma Missa ambivalente (como, de facto, o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e, portanto, nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá a sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?            

Perguntar-me-iam: mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor reflectiu naquilo a que se expõe? Sim. Eu exponho-me, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade ao meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho do meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de cepticismo ou de desespero. De facto, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-Reforma, permitirá aos fiéis participar no Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Aliás, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, pela sua parte, para instaurar progressivamente uma Missa falsa, em que a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio; e, por isso mesmo, o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus; enfim, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.      

Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e a Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, é sempre suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranquilamente: “Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salvá-la-á na vida eterna”.         

Reconheço, sem nenhuma hesitação, a autoridade do Santo Padre. Afirmo, no entanto, que qualquer Papa, no exercício da sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI cometeu um abuso de autoridade de gravidade excepcional quando construiu um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. “A Missa”, escreveu ele no seu Ordo Missae, “é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor”. Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Porque na Missa católica não se trata de um memorial qualquer, o memorial é de tal natureza que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo tornam-se realmente presentes por virtude da dupla consagração. Isto aparece, de modo a não permitir engano, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco, no rito fabricado por Paulo VI.   

Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce uma simples presidência; marcado com um carácter divino que o põe à parte por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, delegado dos fiéis para liderar a sua assembleia. O que é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V torna-se dissimulado, senão escamoteado, no novo rito.   

Portanto, não só a simples honestidade, mas, infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem de mim não ter a imprudência de traficar a Missa católica, recebida no dia da minha ordenação. E porque se trata de ser leal, e principalmente em matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que mo possa impedir.        

Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é guardar intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É primeiramente sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz. Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel, até à morte, à Missa católica, verdadeira e sem equívoco. Tuus sum ego, salvum me fac.         

Pe. Roger Thomas Calmel, OP    

domingo, 20 de janeiro de 2019

Resposta surpreendente do Papa Pio X



Conta-se que, certa vez, num encontro com um grupo de cardeais, São Pio X perguntou o que consideravam ser a coisa mais urgente para salvar a sociedade. Um deles defendia que se deveriam criar escolas, mas o Santo Padre disse que não. Um outro propôs a multiplicação de igrejas, ideia com a qual o Papa não concordou. Um terceiro sugeriu que seriam necessários mais sacerdotes, mas o Pontífice disse que também não era isso e, então, decidiu responder, afirmando: “A coisa mais urgente é ter, em cada Paróquia, um núcleo de leigos virtuosos e, ao mesmo tempo, apóstolos esclarecidos, bravos e verdadeiros”.          

sábado, 19 de janeiro de 2019

Três razões para a comunhão na mão acabar



1. Faltam gestos claros de adoração     
Em primeiro lugar, ao comungar com a mão faltam gestos claros de adoração para com Nosso Senhor. É totalmente diferente a atitude de deixar-se alimentar do Pão dos Céus como uma criança, recebendo-O de joelhos – que é o gesto de maior reverência que podemos ter – ou dar-me a mim próprio a Eucaristia com os dedos. Nós não somos Anjos, que não têm corpo. Somos alma e corpo, o corpo também tem valor. Mostremos reverência também com o corpo!                           

2. Quase sempre há perda de fragmentos da Eucaristia         
Os sacerdotes sabem que, ao fazerem a purificação dos vasos sagrados depois da comunhão, a patena onde esteve Jesus Eucarístico tem quase sempre partículas que são o Corpo de Cristo. Vejam, então, o que não será quando se coloca a Eucaristia na palma da mão. A maioria das pessoas não presta atenção se ficaram partículas na palma da mão depois de comungarem. Em quase todas as igrejas hoje em dia não se usa patena no momento da comunhão para evitar a queda dessas partículas no chão. Essas mesmas partículas são depois pisadas e espezinhadas pelas mesmas pessoas que comungaram, sem sequer se aperceberem! Note-se que não se tratam de casos esporádicos, mas de um fenómeno que se dá em massa, regularmente, em quase todas as igrejas.           

3. Fenómeno crescente de furto de Hóstias consagradas      
A comunhão na mão potencia grandemente a possibilidade de serem furtadas hóstias consagradas. D. Athanasius atesta que, em alguns lugares, há até quem o faça de modo sistemático: “Isto é gravíssimo! Um horror! Devemos defender Aquele que se fez, por amor a nós, O mais indefeso, O mais periférico e O mais pobre, que é Nosso Senhor Sacramentado na Hóstia Sagrada, que é pisado no chão e roubado!”.       

D. Athanasius Schneider, por ocasião de uma conferência em Lisboa, em 2015, acerca da arte de celebrar. Artigo adaptado de Senza Pagare.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Santa Missa, no Japão, na II Guerra Mundial


“Se compreendêssemos na terra o que é um padre,
morreríamos não de susto, mas de amor!”   

S. João Maria Vianney

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Civilização católica



Na massa comum da civilização europeia, que, como todas as outras civilizações, e mais do que as outras civilizações, é unidade e variedade ao mesmo tempo, todos os outros elementos combinados e unidos constituem-na em várias, enquanto que a Igreja a torna uma só, e, ao torná-la uma, deu-lhe o seu carácter essencial – deu-lhe aquilo de onde é retirado o que é mais essencial numa instituição: o seu nome. A civilização europeia não se chamava alemã, romana, absoluta ou feudal; sempre foi, e é, chamada civilização católica.   

D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana

Um sacerdote deve ser...



Um sacerdote deve ser… 
muito grande e, ao mesmo tempo, muito pequeno;          

de espírito nobre como se tivesse sangue real          
e simples como um camponês; 

herói, por ter triunfado de si mesmo, 
e homem que chegou a lutar com Deus;       

fonte inesgotável de santidade 
e pecador a quem Deus perdoou;        

senhor dos seus próprios desejos         
e servidor dos fracos e vacilantes;       

alguém que jamais se vergou diante dos poderosos          
e se inclina, porém, diante dos mais pequenos;      

dócil discípulo do seu Mestre   
e caudilho de valorosos combatentes;

pedinte de mãos suplicantes     
e mensageiro que distribui ouro a mãos cheias;     

animoso soldado no campo de batalha         
e mãe terna à cabeceira do enfermo;  

ancião pela prudência dos seus conselhos    
e criança pela confiança nos outros;  

alguém que aspira sempre ao mais alto        
e amante do mais humilde…     

feito para a alegria,         
acostumado ao sofrimento,       

alheio à inveja,      
transparente nos seus pensamentos,  

sincero nas suas palavras,         
amigo da paz,        

inimigo da preguiça,       
seguro de si mesmo.                    

Neste poema sobre o sacerdócio, um anónimo medieval, o copista acrescentou, com grande humildade, as seguintes palavras: “completamente distinto de mim”. Rezemos por muitas e santas vocações para a Santa Igreja!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Passeio dos seminaristas da FSSP








Os seminaristas francófonos, do primeiro ano da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, aproveitaram o abundante nevão para fazerem uma excursão a Bolsternang, perto de Isny, na Alemanha. Foi necessário cortar caminho, evitando as bolas de neve e as quedas dos galhos das árvores, como se poderá ver no vídeo que prepararam e nas fotografias desse passeio memorável.     
     

Carta do Arcebispo Carlo Maria Viganò a Theodore McCarrick



Estimado Arcebispo McCarrick,          

Conforme relatado pelas notícias da Congregação para a Doutrina da Fé, as acusações contra o senhor, por crimes contra menores e abusos contra seminaristas, serão examinadas e julgadas em breve mediante procedimento administrativo.       

Seja qual for a decisão adoptada pela suprema autoridade da Igreja, aquilo que realmente importa, e que magoou aqueles que o estimam e rezam por si, foi que, durante estes meses, o senhor não manifestou nenhum sinal de arrependimento. Encontro-me entre os que rezam pela sua conversão, para que se arrependa e peça perdão às vítimas e à Igreja.           

O tempo está-se a esgotar, mas o senhor ainda se pode confessar e arrepender-se dos seus pecados, crimes e sacrilégios, e fazê-lo publicamente, dado que os mesmos foram tornados públicos. A sua salvação eterna está em risco.  

Mas outra coisa de extrema importância está também em jogo. Paradoxalmente, o senhor tem à sua disposição um imenso dom de grande esperança por parte de Nosso Senhor Jesus Cristo; encontra-se numa condição na qual pode fazer um grande bem à Igreja. De facto, encontra-se numa condição na qual pode fazer pela Igreja algo mais importante que todas as boas obras que tenha feito ao longo de toda a sua vida. Um arrependimento público da sua parte alcançaria uma medida extraordinária de cura a uma Igreja gravemente ferida e sofredora. Está disposto a oferecer à Igreja este dom? Jesus Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores (Rm 5, 8). Ele apenas nos pede que respondamos com arrependimento e façamos o bem que nos é dado fazer. O bem que é capaz de fazer agora é o de oferecer à Igreja o seu sincero e público arrependimento. Fará este obséquio à Igreja?     

Imploro-lhe que se arrependa publicamente dos seus pecados, para que, assim, a Igreja se regozije e o senhor possa comparecer diante do tribunal de Nosso Senhor Jesus Cristo purificado pelo Seu Sangue. Peço-lhe, não faça que, para si, seja em vão o Seu sacrifício na Cruz. Cristo, Nosso Bom Senhor, continua a amá-lo. Ponha toda a sua confiança no Seu Sagrado Coração. E peça a Maria, como eu e muitos outros estamos a fazer, que interceda pela salvação da sua alma.         

“Maria Mater Gratiae, Mater Misericordiae, Tu nos ab hoste protege et mortis hora suscipe” – Maria, Mãe da Graça, Mãe de Misericórdia, protegei-nos dos inimigos e acolhei-nos na hora da morte.          

Seu irmão em Cristo,       
Carlo Maria Viganò 

Domingo, 13 de Janeiro de 2019         
Festa do Baptismo do Senhor               

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Para evitar a impureza


1. De manhã e à noite pede à Mãe da Pureza, a Santíssima Virgem, esta preciosa jóia, saudando-a, para esse fim, com 3 Ave-Marias.        

2. Logo que tiveres algum pensamento impuro, despreza-o imediatamente e diz a Maria: Virgem Santíssima, valei-me e assisti-me.       

3. Aparta-te das más companhias, de bailes e galanteios; nem pelas capas hás-de tocar em livros ou papéis desonestos, não olhes para pinturas, estampas ou outros objectos provocativos, e, sobretudo, guarda-te de fazer acenos ou acções escandalosas.                       

4. Veste com modéstia, come e bebe com temperança, não profiras palavras indecentes, não escutes nem acompanhes más conversas e não dês liberdade aos teus olhos.  

5. Lembra-te que Deus te vê e que tem poder para tirar-te a vida aqui mesmo e lançar-te aos infernos, como já aconteceu a que morreu no acto de cometer um pecado desonesto e, por isso, se condenou.   

6. Frequentar os Santos Sacramentos.          

Sto. António Maria Claret, O Caminho Recto

95% dos médicos irlandeses rejeitam o aborto



Desde o primeiro dia deste ano, as mulheres irlandesas podem abortar livremente até à 12.ª semana de gestação, independentemente do motivo, de acordo com a lei abortista aprovada em referendo no ano passado.        

De acordo com um jornal irlandês, apenas 5% dos médicos estão disponíveis para praticar abortos. Os restantes 95% dos profissionais de saúde recusam-se a cometer este crime, apresentando, para isso, convicções científicas e éticas sobre o estatuto do nascituro como ser humano de pleno direito, e, ainda, alegando que houve um excesso de pressa quanto à promulgação da legislação, o que impediu uma adaptação dos hospitais irlandeses à mesma.       

Para além destes factos, estão em perigo os objectores de consciência, já que não existe nenhuma garantia laboral que proteja os profissionais de saúde que se recusem a pactuar com a prática do aborto.        

Os contribuintes irlandeses são obrigados a financiar a prática de homicídio destes seres humanos indefesos, por meio dos seus impostos; as jovens com 15 ou menos anos de idade poderão abortar livremente sem que, para isso, tenham de pedir autorização aos seus pais e até podem fazê-lo em hospitais católicos, visto que também estes são obrigados a “oferecer este serviço” às pacientes que o solicitarem.          

sábado, 12 de janeiro de 2019

Conselho da Ir. Lúcia



“Nestes tempos de desorientação diabólica,
não nos deixemos enganar por falsas doutrinas”

Ir. Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado

Falsas notícias sobre Pio XII



Um pequeno, mas significativo, novo passo para a verdade histórica da II Guerra Mundial foi dado, na Grã-Bretanha, pela prestigiada BBC. Com um gesto de honestidade intelectual, a transmissora inglesa admitiu que um seu programa televisivo, que acusava a Igreja Católica de ter ficado inerte diante das perseguições aos judeus por parte dos nazis, era baseado em falsas notícias.                               

O programa em questão foi transmitido no passado dia 29 de Julho [de 2016], no telejornal da noite, durante a visita do Papa Francisco a Auschwitz por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. O jornalista que estava a acompanhar o evento, em nome da BBC, comentou: “Osilêncio foi a resposta da Igreja Católica quando a Alemanha nazi demonizou a população judaica e, depois, tentou erradicar os judeus da Europa”.         

Esta narração dos factos foi contestada, com uma denúncia formal, pelo lord David Alton, parlamentar católico dos liberais democratas, e pelo padre beneditino Leo Chamberlain, historiador e ex-director do Ampleforth College. Lord Alton fez presente à BBC que, ironicamente, parte do serviço de acompanhamento da visita de Bergoglio foi transmitido na cela de Auchwitz em que esteve detido São Maximiliano Maria Kolbe, o qual, enquanto sacerdote católico, foi preso pelos nazis por causa da sua obra de acolhimento dos refugiados e feridos, tanto cristãos como judeus, e por ter denunciado as atrocidades do Terceiro Reich na revista que ele mesmo fundou: Il Cavaliere dell’Immacolata.           

O mesmo deputado inglês sublinhou, depois, que diversos historiadores elogiaram o Papa Pio XII pelas suas iniciativas no seguimento da II Guerra Mundial. O historiador judeu Pinchas Lapide escreveu que o Papa Pacelli “foi determinante ao salvar, pelo menos, 700 mil judeus, mas, mais provavelmente, 860 mil judeus da morte certa por parte dos nazis”. O empenho do Pontífice foi também o empenho das instituições vaticanas e das bases católicas. Como é que se pode falar de cumplicidade quando cerca de mil sacerdotes católicos, dos 31 mil presentes na Alemanha, em 1931, foram eliminados pelo regime?          

A pergunta histórica coincide, pois, com uma constatação. A Santa Sé, destaca Alton, ajudou os judeus a fugirem das perseguições na Europa oriental, dando-lhes certificados de Baptismo e acolhimento dentro da Cidade do Vaticano. Além disso, prossegue o parlamentar, mais de 6 mil polacos, quase todos católicos, foram reconhecidos, em Israel, como “Justos entre as Nações” pelo trabalho desenvolvido no seu país com o objectivo de salvarem judeus.            

Judeus, esses, que, depois da guerra, agradeceram publicamente a Pio XII pela ajuda que lhes disponibilizou. Leo Kubowitzki, à época secretário do World Jewish Congress, a 23 de Setembro de 1945, apresentou publicamente a gratidão da associação que representava. No dia 30 de Novembro seguinte, o Osservatore Romano publicou a crónica de um encontro entre o Santo Padre e cerca de 80 sobreviventes judeus que expressaram a grande honra de lhe poderem agradecer “pela generosidade para com aqueles que foram perseguidos no período nazi-fascista”.            

À luz destes e de outros testemunhos, o lord Alton não usou meios-termos para definir o programa da BBC, de Julho de 2016, como: “Um comentário desleixado, preguiçoso, desperdiçado – indicativo do tipo de analfabetismo que pode causar tal ofensa; e parte de um embaçamento entre notícias em directo e o desejo de acrescentar um pouco de melodrama”. Mas “menos caridoso – acrescenta –, o programa da BBC pode ser visto como o mais recente exemplo de uma longa tentativa de reescrever a história”.         

Nos últimos dias, depois de quatro meses após a transmissão do programa e após ter estudado a documentação histórica, fornecida pelo lord Alton e pelo padre Chamberlain, acerca do empenho da Igreja em favor dos judeus durante a II Guerra Mundial, a transmissora britânica fez 
um público mea culpa. Admitiu, numa nota enviada ao lord Alton, que o jornalista autor do programa não deu “o justo peso às declarações públicas dos Papas sucessivos e aos esforços levados a cabo por Pio XII para salvar os judeus da perseguição nazi, e perpetuou, assim, uma visão que contrasta com o equilíbrio das provas”. De resto, como o próprio São Maximiliano Kolbe escreveu no último número de Il Cavaliere dell’Immacolata, “ninguém no mundo pode mudar a verdade”.  
            

[Adaptado de: Zenit]

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Seis conselhos para meditar a Paixão de Cristo



São seis as coisas que se devem meditar na Paixão de Cristo: A grandeza das Suas dores, para nos compadecermos delas. A gravidade do nosso pecado, que é a sua causa, para o detestarmos. A grandeza do benefício, para agradecer. A excelência da Divina bondade e caridade, que se descobre nela, para amá-la. A conveniência do mistério, para se maravilhar dele. E a multidão das virtudes de Cristo, que resplandecem nela, para imitá-las. De acordo com isto, quando vamos meditando, devemos ir inclinando o nosso coração, umas vezes compadecendo-nos das dores de Cristo, pois foram as maiores do mundo, quer pela delicadeza do Seu Corpo, quer pela grandeza do Seu Amor, como também por padecer sem nenhuma forma de consolação, como está dito noutra parte.Umas vezes, devemos ter em atenção o tirar desta motivos de dor pelos nossos pecados, considerando que foram a causa para que Ele padecesse tantas e tão graves dores como padeceu. Outras vezes, devemos tirar dela motivos de amor e agradecimento, considerando a grandeza do Amor que Ele, através dela, nos manifestou e a grandeza do benefício que nos fez, redimindo-nos tão copiosamente, com tanto suor da Sua parte e tanto proveito para nós.                     

S. Pedro de Alcântara