quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

«Tenho pena desta multidão»



Diz-nos a Escritura: «Tens compaixão de todos, pois tudo podes e desvias os olhos dos pecados dos homens, a fim de os levar à conversão. Tu amas tudo quanto existe e não detestas nada do que fizeste. Tu poupas a todos, porque todos são teus, ó Senhor, que amas a vida!» (Sab 11, 23). Aquilo que O fez descer do Céu e receber o nome de Jesus foi o seu grande amor pelos homens, a sua compaixão pelos pecadores.    

Porque haveria de consentir esconder a sua glória num corpo mortal, se não desejasse ardentemente salvar os que se tinham afastado, os que tinham perdido por completo a esperança da salvação? Ele próprio declara: «O Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido» (Lc 19, 10). Para não nos deixar perecer, Ele fez tudo o que pode fazer um Deus omnipotente, segundo os seus atributos divinos: deu-Se a Si mesmo. Ele ama-nos a todos de tal maneira, que quer dar a vida por cada um de nós, e de forma tão absoluta e tão plena por cada um, como se não houvesse mais ninguém. Ele é o nosso melhor amigo, o único amigo verdadeiro, e recorre a todos os meios possíveis para conseguir que Lhe devolvamos este amor. Não nos recusa coisa alguma, se consentirmos em O amar.                   

Ó meu Senhor e meu Salvador, nos teus braços estou seguro. Se me guardares, nada terei a temer; se, porém, me abandonares, nada poderei esperar. Não sei o que vai acontecer-me desde agora até à hora da minha morte, não sei o que será o futuro, mas confio-me a Ti. Repouso totalmente em Ti, porque Tu sabes o que é bom para mim, e eu não sei.      

B. John Henry Card. Newman, in Doze Meditações e Intercessões para a Sexta-Feira Santa 9-10

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