sábado, 22 de dezembro de 2018

Maria deu graças ao Senhor



O Magnificat — que é um retracto, por assim dizer, da sua alma — é inteiramente tecido com fios da Sagrada Escritura, com fios tirados da Palavra de Deus. Assim se manifesta que Ela se sente verdadeiramente em casa na Palavra de Deus, d’Ela sai e a Ela volta com naturalidade. Fala e pensa com a Palavra de Deus; esta torna-se palavra d’Ela, e a Sua palavra nasce da Palavra de Deus. Além disso, fica patente que os Seus pensamentos estão em sintonia com os de Deus, que o d’Ela é um querer juntamente com Deus. Vivendo intimamente permeada pela Palavra de Deus, Ela pôde tornar-se Mãe da Palavra encarnada.          

Enfim, Maria é uma mulher que ama. E como poderia ser de outro modo? Enquanto crente que, na Fé, pensa com os pensamentos de Deus e quer com a vontade de Deus, não pode ser senão uma mulher que ama. Intuímo-lo nos gestos silenciosos que nos referem os relatos evangélicos da infância. Vemo-lo na delicadeza com que, em Caná, se dá conta da necessidade em que se acham os esposos e a apresenta a Jesus. Vemo-lo na humildade com que aceita ser esquecida no período da vida pública de Jesus, sabendo que o Filho deve fundar uma nova família e que a hora da Mãe chegará apenas no momento da Cruz, que será a verdadeira hora de Jesus (cf. Jo 2,4; 13,1); então, quando os discípulos tiverem fugido, Maria permanecerá junto da Cruz (cf. Jo 19,25-27); e, mais tarde, na hora de Pentecostes, serão eles a juntar-se ao redor d’Ela à espera do Espírito Santo (cf. Act 1,14).     

Papa Bento XVI, in Carta Encíclica Deus Caritas est     

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