domingo, 2 de dezembro de 2018

Camarões, Paquistão, Índia: ainda as perseguições anti-cristãs



De um extremo ao outro do mundo, a perseguição aos cristãos é sempre mais séria e profunda. A China, de que se tem falado constantemente, é apenas a ponta de um iceberg, que agora inclui vastas áreas do planeta.   

Em África, por exemplo, outro sacerdote católico foi assassinado por causa da verdadeira fé: aconteceu na tarde do último dia 21 de Novembro, em Kembong, nas imediações de Mamfe, capital do Departamento, no sudeste dos Camarões. O sangue derramado foi do Padre Cosmas Omboto Ondari, da Sociedade Missionária São José de Mill Hill: o sacerdote de trinta anos morreu por causa dos golpes sofridos em duas agressões violentas de que foi vítima, ambas levadas a cabo por uma patrulha de militares que o interceptaram em frente à igreja de São Martinho de Tours, onde desenvolvia o seu ministério como Vigário.    

O Pe. Cosmas tinha sido ordenado a 26 de Março do ano passado, em Kisii, no Quénia. Tinha sido enviado imediatamente em missão para os Camarões, primeiro para a Paróquia de São Judas Tadeu, em Fundong, e, depois, para a zona de Mamfe.          

É o segundo sacerdote assassinado na região: no dia 20 de Julho foi assassinado o Pe. Alexandre Sob Nougi, de 42 anos, pároco na igreja do Sagrado Coração de Bomaka, na Diocese de Buea; enquanto que no dia 4 de Outubro também um seminarista, Gerardo Anjiangwe, de apenas 19 anos, foi assassinado a tiro por um grupo de soldados diante de outra igreja, a de Santa Teresa de Barnessing, vila nas redondezas de Ndop, no Departamento Ngo-Ketunjia, na zona noroeste dos Camarões.   

Na Ásia, por sua vez, uma advogada cristã, Tabassum Yousaf, apresentou uma denúncia contra as generalizadas e reiteradas violações cometidas contra as minorias religiosas, em particular contra a perseguição cristanofóbica, que significa assassinatos, êxodos obrigatórios, conversões forçadas, abusos sexuais e escravidão, com a cumplicidade da denominada lei sobre a blasfémia, de 1986, quase sempre utilizada como uma arma desleal para infligir cadeia perpétua e condenações capitais sobre qualquer um que seja acusado, inclusive injustamente. Inúteis foram as tentativas para modificar a lei.          

Não obstante a ressonância mundial do caso de Asia Bibi, a jovem cristã acusada de ter blasfemado contra o islão, muitos outros acontecimentos semelhantes e análogos continuam a ocorrer nesses países de maioria muçulmana, sobretudo contra mulheres e crianças. Ainda que a Constituição pregue a plena liberdade religiosa, os cristãos não podem beber das mesmas fontes, nem usufruir das mesmas casas-de-banho utilizadas pelos islâmicos, pois, caso contrário, serão acusados de tê-los deixado impuros; não podem aceder, tampouco, aos mais altos cargos do Estado, do Exército e, menos ainda, do Governo.    

Também na Índia a situação é cada vez mais crítica, como denunciou o Global Council of Indian Christians, que fala de um clima de crescente hostilidade por parte da maioria hindu. Vários casos foram registados, os últimos em Uttar Pradesh e em Maharashtra: em caso de desordem, os cristãos acabam normalmente atrás das grades, porque são acusados de fomentar o ódio e a discórdia.

Estes são apenas alguns exemplos. Na realidade, desgraçadamente há muitas outras situações análogas, em toda e qualquer latitude e longitude. Das vítimas destes massacres, sem dúvida, ninguém fala neste mundo. Muito menos o Ocidente cristão. Um silêncio cúmplice e culpável, como denunciou, com coragem, a advogada paquistanesa Yousaf, fazendo-se, de todos os modos, intérprete de muitos na realidade de todos no mundo.   

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