terça-feira, 11 de dezembro de 2018

A Beata Maria Pierina de Michelli e a Sagrada Face de Jesus



A Madre Maria Pierina de Michelli nasceu em Milão, Itália, a 11 de Setembro de 1890 e faleceu a 26 de Julho de 1945, aos 55 anos. Foi privilegiada com muitas visões da Virgem Maria e do próprio Jesus para espalhar a devoção à Sagrada Face, em reparação dos muitos insultos que Ele sofreu na Sua Paixão, e sofre ainda nos dias de hoje. Desde criança, a Irmã Pierina praticava actos de reparação, os quais, aos poucos, a levaram a uma imolação completa de si mesma.                      

Os seus restos mortais estão no Instituto Espírito Santo, em Roma. A sua morte não teve as características da morte dos homens em geral, foi uma passagem de amor, como ela mesma escreveu no seu diário, no dia 19 de Julho de 1941: “Sinto um desejo profundo de viver sempre unida a Jesus, para amá-Lo intensamente, porque a minha morte só pode ser um transporte de amor ao meu esposo, Jesus”.     

Maria Pierina tomou o hábito das Filhas da Imaculada Conceição no dia 14 de Maio de 1914. Como noviça, ainda obteve licença para fazer a adoração nocturna e quando, na noite de Quinta-Feira Santa, estava a rezar diante do Crucificado, ouviu as palavras: “Beija-Me!”, a Irmã Maria Pierina obedeceu sem demora e os seus lábios, em vez de pousarem sobre uma face de gesso, sentiram viva a Face de Jesus.

Passou a noite inteira na igreja, porque quando a Madre Superiora ali a encontrou já era de manhã. O coração abalado com o sofrimento de Jesus sentiu o desejo de reparar os ultrajes que Ele recebera na Sagrada Face e continua a receber a cada dia no Santíssimo Sacramento.

Em 1919, a Irmã Maria Pierina foi enviada para a Casa Mãe, em Buenos Aires. No dia 12 de Abril de 1920, quando ela falou a Jesus sobre a dor que sentia, Ele apresentou-se a ela coberto de sangue e com uma expressão de ternura e de dor “que eu nunca vou esquecer”, escreveu ela, e disse: “E eu, o que fiz Eu?”.         

Com o passar dos anos, Jesus manifestava-se-lhe de vez em quando, ora triste, ora ensanguentado, pedindo sempre reparação. E foi por isso que o desejo de sofrer e de se sacrificar pelas almas cresceu mais e mais no coração da Irmã Pierina.           

Em carta ao Papa Pio XII, em 1943, por ocasião de uma visita ao trono de Pedro, a Irmã Maria Pierina escreve: “Eu tinha doze anos quando, na Sexta-Feira Santa, esperava, na minha Paróquia, a minha vez de beijar o crucifixo, e ouço uma voz distinta que diz: ‘Ninguém me dá um beijo de amor no rosto, para reparar o beijo de Judas?’. Acreditei, na minha inocência de menina, que todos ouvissem a voz, e fiquei com muita pena a ver que continuavam a beijar as chagas e que ninguém pensava em beijá-Lo no Rosto. Eu darei o beijo de amor, Jesus, tende paciência. Na minha vez, apliquei-lhe um forte beijo no Rosto, com todo o ardor do meu coração. Eu estava feliz e acreditava que Jesus, agora contente, não sofreria mais aquela pena”.        

Assim, ela conta, na carta a Pio XII: “A 31 de maio de 1938, quando rezava na capelinha do noviciado, uma Bela Senhora apresentou-se a mim; tinha nas mãos um escapulário formado por duas flanelinhas brancas, unidas por um cordão. Numa estava a ‘imagem’ da Sagrada Face de Jesus e a frase: ‘Ilumina Domine Vultum Tuum super nos’ (Fazei resplandecer a sua Face sobre nós) e na outra uma hóstia circundada por raios e com a frase: ‘Mane nobiscum Domine’ (Ficai connosco, Senhor)”. 

A Irmã Maria Pierina encontrou muita dificuldade em conseguir que os seus superiores atendessem ao pedido de Maria Santíssima para fazer este escapulário. Não só se negaram a fazê-lo como também a proibiram de fazê-lo. Tinham-na por louca, desequilibrada e não acreditavam nestas Aparições.

Até que um dia a Madre Superiora do convento foi substituída e a Irmã Maria Pierina, então, foi relatar à nova superiora as Mensagens e o pedido de Nossa Senhora em fazer o Escapulário. No princípio ela não acreditou, mas, depois, tocada pela vida e santidade da Irmã Maria Pierina, convenceu-se da veracidade das Aparições e concordou em ajudar.

Contudo, disse à Irmã Maria Pierina: “Diz a Nossa Senhora que não posso fazer o Escapulário, mas, se Ela aceitar, farei uma Medalha da Sagrada Face com as inscrições que Ela pediu”. A Irmã Pierina, então, perguntou à Santíssima Virgem se Ela aceitaria a Medalha. Nossa Senhora aceitou.           

No dia 7 de Abril de 1943, a Santíssima Virgem apareceu-lhe e disse: “Minha filha, não te preocupes, o escapulário é substituído pela Medalha, com as mesmas promessas e favores. Só resta difundi-las mais ainda. Ora, interessa-me muito a festa da Sagrada Face do Meu Divino Filho. Diz ao Papa que esta festa tanto me interessa”. De seguida, abençoou-a e desapareceu.

Após grandes dificuldades, obteve permissão para cunhar a medalha. A despesa da encomenda das medalhas foi um milagre: a Irmã Pierina encontrou, na sua secretária, um envelope com a quantia exacta de 11.200 liras, o valor necessário para cunhar as primeiras Medalhas.        

O Demónio mostrou o seu desgosto, ódio e raiva ao ver as Medalhas prontas. Este infernal inimigo de Deus atirou as Medalhas ao chão, pelos corredores e pelas escadas, partiu imagens e queimou as imagens da Sagrada Face e bateu na Irmã Pierina. Em vão, porque as Medalhas seguiram o seu destino: os pecadores necessitados da Face do Senhor!

Durante a Segunda Guerra Mundial, o mundo estava em turbulência. Neste período, em Itália, viu-se uma ampla distribuição desta Medalha. A primeira Medalha foi enviada ao Santo Padre e, depois, começou a distribuição e, logo depois, foi reconhecida como miraculosa.

Parentes e amigos dos combatentes enviaram aos soldados, marinheiros e aviadores a réplica da Sagrada Face de Jesus. Homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, sãos, enfermos, cristãos, bêbados e prisioneiros de guerra: todos experimentaram o seu prodigioso efeito. Desde então, a Medalha tornou-se famosa pelos seus milagres e grandes favores espirituais e temporais.         

“Quem Me contempla, consola-Me”      

Durante a oração nocturna da primeira sexta-feira da Quaresma, em 1936, Jesus, depois de tê-la feito participante das dores da agonia do Getsémani, disse-lhe, mostrando a Sua Face coberta de sangue e tomada de grande tristeza: “Quero que a Minha Face, que reflecte a íntima aflição do meu ânimo, a dor do Meu coração, seja mais honrada”. Jesus tornou a dizer-lhe: “Cada vez que se contemplar a Minha Face, derramarei o Meu Amor nos corações, e, por meio da minha Sagrada Face, obter-se-á a salvação de muitas almas”.       

Na primeira terça-feira da Paixão, em 1937, depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus disse-lhe: “Pode ser que algumas almas receiem que a devoção e o culto da Minha Face venha diminuir a do Meu Coração. Diz-lhes que, ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Não é esta a verdadeira devoção ao Meu Coração?”.  

A Madre Pierina de Micheli morreu, no dia 26 de Julho de 1945, na Casa da Santa Face, em Centonara d’Artò, Novara. Foi beatificada, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, no dia 30 de Maio de 2010.       

No dia 10 de Janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos, em Roma, com a aprovação de João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na Terça-Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Podemos dizer que esta devoção já está espalhada pelo mundo inteiro, que é muito antiga, cheia de contemplação, de oração e intercessão.       

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