terça-feira, 20 de novembro de 2018

Viganò reaparece para animar os Bispos americanos a serem “valentes pastores”



“Queridos Irmãos Bispos dos Estados Unidos”, começa a breve nota do ‘desaparecido’ Viganò dirigida aos prelados norte-americanos, reunidos, em Baltimore, em Assembleia Plenária. “Escrevo-vos para vos recordar o sagrado mandato que recebestes no dia da vossa ordenação episcopal: levar o rebanho a Cristo.  

Meditai as palavras de Provérbios 9, 10: O temor do Senhor é o prin­cípio da sabedoria. Não vos comporteis como ovelhas assustadas, mas como valentes pastores. Não temais levantar-vos e fazer o correcto pelas vítimas, pelos fiéis e pela vossa própria salvação. O Senhor actuará com cada um segundo as nossas acções e omissões”. E, conclui: “Jejuo e rezo por vós”.                      

Se parecia impossível retesar ainda mais a situação entre a hierarquia norte-americana, esta nota, sem dúvida, conseguiu-o. A mensagem do ‘arcebispo em fuga’ surge apenas um dia depois de se ter iniciado uma esperadíssima Assembleia Plenária da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, da qual o Vaticano, apenas 24 horas antes do seu início, obrigou a retirar o assunto central, quase único: a estratégia para responder à crise de abusos e encobrimento de abusos sexuais por parte de clérigos.        

Os Bispos tinham já preparadas duas propostas, uma para fixar as directrizes de conduta dos Bispos neste assunto e outra, ainda mais importante, para criar uma comissão de investigação permanente, liderada por leigos, para tratar das denúncias contra os Bispos por encobrimento. O Cardeal DiNardo, visivelmente contrariado, não pôde deixar de expressar a sua “decepção” por esta ordem de última hora, supostamente emitida pela Congregação dos Bispos, liderada pelo Cardeal canadiano Ouellet.    

Supostamente, o Vaticano prefere que o assunto seja tratado no sínodo ad hoc agendado para Fevereiro, de modo a que seja aplicável à Igreja Universal, mas a surpresa das peremptórias instruções sugere que Sua Santidade não confia no episcopado norte-americano, nem tem o menor desejo de que os leigos tenham voz neste assunto.    

Também se especula que, na Cúria, não tenha caído bem a quantidade de Bispos norte-americanos que tenham testemunhado a integridade de carácter de Viganò, devido à publicação do seu testemunho demolidor, ou tenham feito público o seu pedido ao Vaticano para que se esclareçam as acusações feitas pelo Arcebispo.        


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