quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Declaração do ano de 1974



Lida por Dom Marcel Lefebvre, no seminário internacional São Pio X de Écône,
a 21 de Novembro de 1974

Aderimos com todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a conservação dessa fé; à Roma eterna, mestra da sabedoria e da verdade.        

Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante, que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e, depois do Concílio, em todas as reformas que dele surgiram.     

Todas essas reformas, com efeito, contribuíram e continuam a contribuir para a demolição da Igreja, a ruína do sacerdócio, a destruição do sacrifício e dos sacramentos, a desaparição da vida religiosa e a implantação de um ensino naturalista e teilhardiano nas universidades, seminários e na catequese, um ensino surgido do liberalismo e do protestantismo, condenados inúmeras vezes pelo magistério solene da Igreja.      

Nenhuma autoridade, nem sequer a mais elevada da hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja durante dezanove séculos.                     

Se eu mesmo, diz São Paulo, ou um anjo do céu vos anunciar um Evangelho diferente daquele que vos ensinei, seja anátema” (Gl 1, 8).                

Não é isso que o Santo Padre nos repete hoje? Mas se certa contradição se manifestar nas suas palavras e acções, bem como nos actos dos dicastérios, escolheremos o que sempre foi ensinado e far-nos-emos de surdos diante das novidades destruidoras da Igreja.                            

Não é possível modificar profundamente a lex orandi sem modificar a lex credendi. À Missa nova corresponde catecismo novo, sacerdócio novo, seminários novos, universidades novas e uma Igreja carismática ou pentecostal, coisas que se opõem à ortodoxia e ao magistério de sempre.          

Esta reforma, por ter surgido do liberalismo e do modernismo, está inteiramente envenenada. Surge da heresia e acaba na heresia, ainda que nem todos os seus actos sejam formalmente heréticos. É, pois, impossível para um católico consciente e fiel adoptar, de qualquer forma que seja, essa reforma e submeter-se a ela.            

A única atitude de fidelidade à Igreja e à doutrina católica, para o bem da nossa salvação, é uma negativa categórica a aceitar a reforma.    

Por isso, sem nenhuma rebelião, amargura ou ressentimento, prosseguimos a nossa obra de formação sacerdotal à luz do Magistério de sempre, convictos de que não podemos prestar maior serviço à Santa Igreja Católica, ao Sumo Pontífice e às gerações futuras.        

Por isso, aderimos com firmeza a tudo o que a Igreja de sempre creu e praticou em matéria de fé, costumes, culto, ensino do catecismo, formação dos sacerdotes e na instituição da própria Igreja e que foi codificado nos livros publicados antes da influência modernista do Concílio, à espera que a verdadeira luz da Tradição dissipe as trevas que obscurecem o céu da Roma eterna.       

Agindo assim, com a graça de Deus, o socorro da Virgem Maria, de São José e de São Pio X, estamos convictos de permanecer fiéis à Igreja Católica e Romana e a todos os sucessores de Pedro e de que somos os fideles dispensatores mysteriorum Domini Nostri Iesu Christi in Spiritu Sancto. Amen.  

Écône, 21 de Novembro de 1974     
† Marcel Lefebvre

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