segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A estátua no seu nicho



Se uma estátua, que tivesse sido colocada num nicho no meio de uma sala, pudesse falar e se lhe fosse perguntado: “Por que estás aqui?”. Responderia: “Porque o escultor, meu mestre, me pôs aqui”. “E por que não te moves?”. “Porque ele quer que eu permaneça imóvel”. “Para que serves estando aí? Que proveito tiras sendo assim?”. “Eu não estou aqui para meu próprio proveito; estou para servir e obedecer à vontade do meu mestre”. “Mas tu nunca o vês”. “Não – responderá a estátua – mas ele vê-me e é um prazer para ele que eu esteja onde ele me pôs”. “E não gostarias de dispor de movimento para te aproximares dele?”. “De forma alguma, a não ser que ele me mandasse”. “Então, não queres nada?”. “Não, porque eu estou onde me pôs o meu mestre e a sua vontade é o único contentamento do meu ser”.               

Meu Deus, querida Filha, que oração tão boa e que modo mais excelente de manter-se na presença de Deus, de permanecer na Sua vontade e no Seu agrado. A meu ver, a Madalena era uma estátua no seu nicho, quando, sem pronunciar palavra, sem se mover e, talvez, sem sequer olhá-Lo, escutava o que dizia Nosso Senhor, sentada aos Seus pés. Quando Ele falava, ela escutava; quando Ele deixava de falar, Ela deixava de escutar; e, mesmo assim, permanecia ali. Um menino pequenino que está no regaço da sua mãe, enquanto esta dorme, encontra-se verdadeiramente no melhor lugar e no mais apetecível, ainda que ela não lhe dirija palavra, nem ele a ela.                

S. Francisco de Sales, in Carta a Sta. Joana Francisca de Chantal (16/01/1610)

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