quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Meditação de Mons. Carlo Maria Viganò sobre a Realeza de Nosso Senhor



O ter beata civitas
cui rite Christus imperat,
quae jussa pergit exsequi
edicta mundo caelitus!

«Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: “Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O”. Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: “Levantai-vos e não temais”. Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos”» (Mt 17, 1-9).   

Permitam-me, caros amigos, partilhar convosco algumas reflexões sobre a Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, manifestada na Transfiguração que hoje [6 de Agosto] celebramos, depois de outros episódios significativos da vida terrena do Senhor: desde os Anjos na gruta de Belém à adoração dos Magos e ao Baptismo no Jordão.                   

Escolhi este tema porque acredito que nele se possa resumir, de alguma forma, o ponto focal do nosso e do vosso compromisso como Católicos; não só na vida privada e familiar, mas também, e sobretudo, na vida social e política.     

Reavivemos, antes de mais, a nossa fé na Realeza universal do nosso divino Salvador.  

Ele é verdadeiramente Rei universal, isto é, possui uma soberania absoluta sobre toda a criação, sobre o género humano, sobre todos os homens, mesmo aqueles que estão fora do seu rebanho, a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.   

Na verdade, cada pessoa é verdadeiramente criatura de Deus. A Ele deve todo o seu ser, tanto no todo da sua natureza, como em cada uma das partes de que essa se compõe: corpo, alma, faculdade, inteligência, vontade e sensibilidade; também os actos destas faculdades, bem como de todos os órgãos, são dons de Deus, cujo domínio se estende até todos os seus bens, enquanto frutos da Sua inefável liberalidade. A simples consideração do facto de que ninguém escolhe ou pode escolher a família a que deverá pertencer na terra é suficiente para nos convencermos desta verdade fundamental da nossa existência.          

Disto deriva que Deus nosso Senhor é o soberano de todos os homens, tanto individualmente considerados como reunidos em grupos sociais, a partir do momento em que, pelo facto de constituírem as várias comunidades, eles não perdem a sua condição de criaturas. De facto, a própria existência da sociedade civil obedece aos desígnios de Deus, que tornou social a natureza do homem. Portanto, todos os povos, todas as nações, desde as mais primitivas às mais civilizadas, das mais pequenas às superpotências, estão todas sujeitas à soberania divina e, em si mesmas, têm a obrigação de reconhecer este suave domínio celeste.         

REALEZA DE JESUS
​​CRISTO     

Como atestam frequentemente as Sagradas Escrituras, Deus conferiu esta soberania ao seu Filho unigénito.    

São Paulo afirma, de um modo geral, que Deus «constituiu herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2) o seu Filho. São João, por sua vez, confirma o pensamento do Apóstolo dos gentios em muitas passagens do seu Evangelho. Por exemplo, quando recorda que «o Pai, aliás, não julga ninguém, mas entregou ao Filho todo o julgamento» (Jo 5, 22). A prerrogativa de administrar a justiça pertence, de facto, ao rei, e quem a possui, a detém, enquanto revestido de poder soberano.    

Esta realeza universal que o Filho herdou do Pai não deve ser entendida apenas como a herança eterna, por isso, com a natureza divina, Ele recebeu todos os atributos que o fazem igual e consubstancial à primeira Pessoa da Santíssima Trindade, na unidade da essência divina.          

Essa é atribuída, de modo especial, a Jesus Cristo enquanto homem, mediador entre o céu e a terra. Com efeito, a missão do Verbo Encarnado foi precisamente a instauração na terra do Reino de Deus. Constatamos que as expressões da Sagrada Escritura relativas à Realeza de Jesus Cristo referem-se, sem sombra de dúvida, à sua condição de homem.          

Ele é apresentado ao mundo como Filho do rei David, por isso vem a herdar o trono paterno, estendido até aos confins da terra e eterno, sem cálculo de anos. Foi assim que o Arcanjo Gabriel anunciou a dignidade do Filho de Maria: «Hás de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim» (Lc 1, 31-33). É, além disso, como Rei que O procuram os Magos vindos do Oriente para adorá-Lo: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?», perguntam a Herodes ao chegarem a Jerusalém (Mt 2, 2). A missão que o Pai eterno confiou ao Filho, no mistério da Sua Encarnação, era a de estabelecer um reino na terra, o Reino dos Céus. Mediante a instauração deste Reino, vai-se concretizando aquela Caridade inefável com que, desde toda a eternidade, Deus amou os homens e os atraiu misericordiosamente para si: «Dilexi te, ideo attraxi te, miserans» (Jr 31, 3).    

Jesus consagra a sua vida pública ao anúncio e à instauração deste seu Reino, ora chamado de Reino de Deus, ora de Reino dos Céus. Seguindo o costume oriental, Nosso Senhor serve-se de parábolas fascinantes para inculcar a ideia e a natureza deste reino que veio fundar. Os seus milagres visam convencer o povo de que o seu reino chegara, encontrava-se no meio do povo. «Si in digito Dei eiicio daemonia, profecto pérvenit in vos regnum Dei», «Mas se Eu expulso os demónios pela mão de Deus, então o Reino de Deus já chegou até vós» (Lc 11, 20).           

A constituição deste seu Reino absorveu a tal ponto a sua missão que a apostasia dos seus inimigos aproveitou tal ideia para justificar a acusação levantada contra Ele diante do tribunal de Pilatos: «Si hunc dimittis, non es amicus Caesaris», «Se libertas este homem, não és amigo de César», vociferavam a Pôncio Pilatos: «Todo aquele que se faz rei declara-se contra César» (Jo 19, 12). Corroborando a opinião dos seus inimigos, Jesus Cristo confirma ao governador romano ser verdadeiramente rei: «É como dizes: Eu sou rei!» (Jo 18, 37). 

REI EM SENTIDO PRÓPRIO       

Não é possível colocar em questão o carácter real da obra de Jesus Cristo. Ele é Rei.      

A nossa fé, todavia, exige que conheçamos bem o alcance e o sentido da Realeza do divino Redentor. Pio XI exclui imediatamente o sentido metafórico pelo qual chamamos rei e real a quanto é de excelente num modo de ser ou de agir humano. Não: Jesus Cristo não é rei neste sentido metafórico. É Rei no sentido próprio da palavra. Na Sagrada Escritura, Jesus aparece no exercício de prerrogativas reais de governo soberano, ditando leis e impondo penas contra os transgressores. No famoso Sermão da Montanha, pode-se dizer que o Salvador promulgou o códice do seu Reino. Como verdadeiro Soberano, exige obediência às suas leis sob pena de nada menos do que a condenação eterna. E também na cena do julgamento, que anuncia no fim do mundo, quando o Filho de Deus virá para administrar a sua justiça aos vivos e aos mortos: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória […] separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos […]. O Rei dirá, então, aos da sua direita: “Vinde, benditos de meu Pai!” […]. Em seguida dirá aos da esquerda: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” […]. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31 e seguintes). Sentença docíssima e tremenda. Docíssima para os bons, pela excelência incomparável do prémio que os espera; tremenda e assustadora para os ímpios, devido ao alucinante castigo a que estão condenados para a eternidade.  

Uma consideração deste tipo é suficiente para perceber como para os homens é de extrema importância identificar bem onde se encontra o reino de Jesus Cristo aqui na terra, porque a ele pertencer ou não pertencer decide o nosso destino eterno. Dissemos “aqui na terra”, desde o momento em que homem merece o prémio ou o castigo além-túmulo neste mundo. Na terra, portanto, os homens devem fazer parte deste inefável reino de Deus, temporal e eterno, visto que se forma no mundo e floresce no céu.   

A SITUAÇÃO ACTUAL         

A fúria do Inimigo, odiento do género humano, desencadeia-se, principalmente, contra a doutrina da Realeza de Cristo, porque essa Realeza encontra-se unida na Pessoa de Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. O laicismo oitocentista, alimentado pela maçonaria, conseguiu reorganizar-se numa ideologia ainda mais perversa desde que estendeu a negação dos direitos reais do Redentor não só à sociedade civil, mas também ao corpo eclesial.                    

Este ataque foi consumado com a renúncia do Papado ao próprio conceito de Realeza vicária do Romano Pontífice, trazendo para dentro da Igreja as demandas de democracia e parlamentarismo já usadas para minar as Nações e a autoridade dos governantes. O Concílio Vaticano II enfraqueceu fortemente a Monarquia papal, como consequência da negação implícita da divina Realeza do Sumo e Eterno Sacerdote, e com isto infligiu um golpe magistral à instituição que até então se apresentava como antemural à secularização da sociedade cristã. Diminuída a soberania do Vigário, conseguiu-se progressivamente também a negação dos direitos soberanos de Cristo sobre o Corpo Místico. E quando Paulo VI depôs ostensivamente o triplo diadema real, quase renegando a sagrada Monarquia vicária, também tirou a coroa a Nosso Senhor, confinando a sua Realeza a um âmbito meramente escatológico. Prova disso são as significativas amputações da liturgia da festa de Cristo Rei e a sua transferência para o fim do ano litúrgico.        

A finalidade da festa, ou seja, a celebração da realeza social de Cristo, ilumina também o seu lugar no calendário. Na liturgia tradicional, era-lhe atribuído o último domingo de Outubro, para que a festa de todos os santos, que reinam por participação, fosse precedida pela festa de Cristo, que reina por direito próprio. Com a reforma litúrgica, aprovada por Paulo VI em 1969, a festa de Cristo Rei foi transferida para o último domingo do ano litúrgico, apagando a dimensão social da realeza de Cristo e relegando-a à dimensão espiritual e escatológica.          

Todos esses Padres conciliares que deram o seu voto a Dignitatis Humanae e proclamaram com Paulo VI a liberdade religiosa, perceberam que, de facto, destronaram Nosso Senhor Jesus Cristo arrebatando-lhe a coroa da sua realeza social? Compreenderam que destronaram muito concretamente Nosso Senhor Jesus Cristo do trono da sua divina realeza sobre nós e o mundo? Compreenderam que, fazendo-se porta-vozes de nações apóstatas, faziam subir ao Seu trono estas execráveis
​​blasfémias: «Não queremos que ele seja nosso rei» (Lc 19, 14); «Não temos outro rei senão César» (Jo 19, 15)? Mas Ele, diante daquele rumor confuso de insensatos, retirava deles o Seu Espírito.     

Não é possível, para quem não está cegado pelo facciosismo, não reconhecer a perversa intenção de redimensionar a festa instituída por Pio XI e a doutrina nela afirmada. Destronar Cristo, não só da sociedade, mas também da Igreja, foi o maior crime de que se poderia manchar a Hierarquia, tendo falhado o seu papel de guardiã do ensinamento do Salvador. Como consequência inevitável desta traição, a autoridade conferida por Nosso Senhor ao Príncipe dos Apóstolos falhou substancialmente, e temos a confirmação disso desde o anúncio do Vaticano II, quando a autoridade infalível do Romano Pontífice foi deliberadamente excluída, para a vantagem de uma pastoralidade que, depois, criou as condições para formulações equívocas e fortemente suspeitas de heresia, se não heréticas tout-court. Encontrámo-nos, portanto, não apenas sitiados na esfera civil, na qual as forças das trevas recusaram há séculos o jugo suave de Cristo para impor às Nações a odiosa tirania da apostasia e do pecado; mas também na esfera religiosa, na qual a Autoridade se destrói e nega que o Rei divino deva reinar também sobre a Igreja, sobre os seus Pastores e sobre os seus fiéis. Também neste caso, o suave jugo de Cristo é substituído pela odiosa tirania dos Inovadores que, com um autoritarismo semelhante ao dos seus leigos solidários, impõem uma nova doutrina, uma nova moral, uma nova liturgia em que a mera menção da Realeza de Nosso Senhor é considerada um incómodo legado de uma outra religião, de uma outra Igreja. Já dizia São Paulo: «Deus manda-lhes uma força que leva ao erro para que acreditem na mentira» (2 Ts 2, 11).

Não admira, portanto, ver que, como na vida civil, os magistrados subverteram a justiça condenando os inocentes e absolvendo os culpados; como os governantes abusam do seu poder para tiranizar os cidadãos; como os médicos negam o juramento de Hipócrates tornando-se cúmplices daqueles que querem espalhar a doença e transformar os enfermos em doentes crónicos; assim como os professores não ensinam o amor pelo conhecimento, mas cultivam nos alunos a ignorância e a manipulação ideológica, também na Esposa de Cristo há Cardeais, Bispos e clérigos que escandalizam os fiéis pela sua conduta moral reprovável, semeiam a heresia dos púlpitos, favorece a idolatria celebrando a pachamama e o culto da Mãe Terra, em nome de um ecologismo de matriz claramente maçónica e perfeitamente coerente com o plano de dissolução desejado pelo globalismo. «Esta é a vossa hora e o domínio das trevas» (Lc 22, 53). O kathèkon parece ter falhado se não tivéssemos a certeza das promessas do Salvador, Senhor do mundo, da história e da própria Igreja.    

CONCLUSÃO      

Apesar disso, enquanto eles destroem, nós temos a alegria e a honra de reconstruir. Felicidade ainda maior: uma nova geração de leigos e sacerdotes participam com zelo nesta obra de reconstrução da Igreja para a salvação das almas e fá-lo com a consciência das próprias fraquezas, das próprias misérias, mas também deixando-se usar por Deus como dóceis instrumentos nas suas mãos. Mãos disponíveis, mãos fortes, mãos do Omnipotente. A nossa fragilidade evidencia ainda mais a obra do Senhor, especialmente onde esta fragilidade humana é acompanhada pela humildade.   

Esta humildade deve levar-nos a instaurare omnia in Christo, partindo do coração da Fé, que é a oração oficial da Igreja: voltemos à liturgia em que a Nosso Senhor é reconhecido o primado absoluto, ao culto que os Inovadores adulteraram precisamente em ódio à divina Majestade e para exaltar orgulhosamente a criatura humilhando o Criador, para reivindicar, num delírio de omnipotência, a rebelião do súbdito contra o Rei, o non serviam contra a adoração devida ao Senhor.      

A nossa é uma guerra: a Sagrada Escritura lembra-nos isso. Mas uma guerra em que «sub Christi Regis vexillis militare gloriamur» e na qual temos armas espirituais muito poderosas, um conjunto de forças angélicas diante das quais nenhum poder terrestre e infernal tem poder algum.         

Se Nosso Senhor é Rei por direito hereditário (por ser de linhagem real), por direito divino (em razão da união hipostática) e por direito de conquista (tendo-nos redimido com o seu Sacrifício na Cruz), não devemos esquecer que ao seu lado, nos planos da divina Providência, este divino Soberano quis colocar como nossa Senhora e Rainha a própria augusta mãe, Maria Santíssima. Não pode haver Realeza de Cristo sem a doce e maternal Realeza de Maria, que São Luís Maria Grignon de Montfort nos recorda ser nossa Medianeira junto do trono da Majestade do seu Filho, como uma rainha intercede ao trono do rei.

A premissa para o triunfo do Rei divino na sociedade e nas Nações é que Ele já reine nos nossos corações, nas nossas almas, nas nossas famílias. Que reine, pois, Cristo em nós e, com Ele, a sua Santíssima Mãe. Adveniat regnum tuum: adveniat per Mariam.      

Marana Tha, Veni Domine Iesu!         

Carlo Maria Viganò

Solacium migrantium?



13 de Agosto de 2020
Nossa Senhora, refúgio dos pecadores

Numa carta datada de 20 de Junho de 2020, memória do Imaculado Coração de Maria, segundo o Novus Ordo, o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, comunicou aos presidentes das conferências episcopais que «o Sumo Pontífice Francisco, acolhendo benignamente as petições que lhe foram dirigidas, quis dispor que, doravante, no formulário das Ladainhas da Virgem Santa Maria, chamadas “Lauretanas”, fossem inseridas as invocações “Mater misericordiae”, “Mater spei” e “Solacium migrantium”». Não deixa de ser bizarro que a primeira invocação seja colocada depois de “Mater Ecclesiae”, uma invocação acrescentada por Paulo VI, e antes de “Mater divinae gratiae”. Ainda que de forma subtil, mais uma vez Bergoglio toma posição, por meio da Sagrada Liturgia, em favor do Concílio Vaticano II e das mudanças emanadas deste conciliábulo. Teoria da conspiração, diriam.

De entre as três novas invocações, perfeitamente dispensáveis, chama-nos à atenção, de modo muito particular, a última, isto é, “Solacium migrantium”, que, em português, significa “Refúgio dos migrantes”. O Pontificado de Bergoglio, desde o seu primeiro dia, tem sido repleto de uma agenda que, para imensa tristura da Cristandade, caminha de braço dado com uma outra agenda, que para efeitos práticos é a mesma, absolutamente globalista. Não olvidemos que, a 8 de Julho de 2013, pouco depois de ter sido eleito, o Papa se dirigiu à ilha italiana de Lampedusa para, no seu dizer, pedir «perdão pela indiferença por tantos irmãos e irmãs» e, mais à frente, pelos que «criaram situações que conduzem a estes dramas». Voltando ao princípio da homilia, é possível ler-se o seguinte: «Desejo saudar os queridos emigrantes muçulmanos que, hoje à noite, começam o jejum do Ramadão, desejando-lhes abundantes frutos espirituais. A Igreja está ao vosso lado na busca de uma vida mais digna para vós e vossas famílias. A vós digo: oshià!». Afinal, em quê que ficamos? Começa por elogiar os maometanos e finda a pedir perdão por aqueles que provocaram e continuam a provocar situações que atentam contra a dignidade do Homem, feito à imagem e semelhança do Criador? Ignoramos, porventura, que a grande maioria dos refugiados foge de países muçulmanos? Por que não recordar todos aqueles cristãos que, ainda hoje, são perseguidos, torturados e mortos por professarem a Fé completa, a Fé Católica, no único Deus verdadeiro? Esta não é, porém, a primeira situação caricata protagonizada pelo Papa Bergoglio. Já a 19 de Dezembro de 2019, ao receber um grupo de refugiados vindo de Lesbos, na Grécia, partilhou que «decidi expor este colete salva-vidas “crucificado” nesta cruz para que nos recordemos que devemos ter os olhos abertos… o coração aberto, para recordar a todos o compromisso imprescindível de salvar toda a vida humana, um dever moral que une os que creem e os que não creem». Assistimos, concomitantemente, a uma quase diminuição do verdadeiro significado da Cruz e a mais uma tentativa de união entre crentes e aqueles que, de forma obstinada, rejeitam o Senhor da Vida e da Morte!

Pode-se, pois, dizer que, através da introdução desta invocação, claramente política, nas Ladainhas Lauretanas, é dada mais uma machadada no casco da barca de Pedro, que é a Santa Igreja. E foi neste ambiente que, ontem, na Cova da Iria, principiou mais uma peregrinação aniversária da aparição da Virgem de Fátima – ainda que em Agosto de 1917 tenha ocorrido no dia 19 e não a 13, pois os Pastorinhos tinham sido presos e levados para Ourém, sendo libertados no dia 15 –, neste mês fortemente marcada pela semana nacional das migrações, devendo mencionar-se a afirmação de uma responsável nacional do sector que, na Igreja Católica, se dedica aos migrantes: «Para reconciliar é preciso escutar o que está por trás de tudo isto e as feridas que existem e entrar num processo de cura, a cura da alma e da memória». Verifica-se, outra vez, que se continua a incrementar a pseudo lógica de que, forçosamente, nos devemos sentir culpados de todos os males que acontecem porque, por legado, somos todos segregadores! É esse o raciocínio que se continua a generalizar e que, de modo infeliz, encontrou eco desde o mais alto Sólio!

Supliquemos a Nossa Senhora, Virgo prudentissima, que nos dê a graça de sermos prudentes na nossa conduta cristã e, a par disso, procuremos n’Ela, que é a Mãe do Verbo de Deus, o refúgio que, em Fátima, prometeu à pequena Lúcia e que, inegavelmente, estenderá àqueles que forem fiéis até ao último suspiro. E a fidelidade também passa pela refutação daquilo que não é bom, nem belo, nem correcto. Assim, rejeitemos firmemente todas as manipulações litúrgicas com que nos pretendem ludibriar e reflictamos naquilo que, em Agosto de 1917, a Santíssima Virgem pediu em Portugal: «Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas».

D.C.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

De Spadaro aos jesuítas: por que Bergoglio apoia Draghi



O que pode ligar o peronista (de simpatias juvenis) Jorge Mario Bergoglio ao globalista Mario Draghi? O que podem ter em comum o campeão argentino dos últimos, dos oprimidos, dos pobres, com o representante italiano dos poderes fortes, da oligarquia financeira, da plutocracia globalista? O que tem a partilhar o Pontífice dos pobres com um dos que se tornou responsável pela carnificina socioeconómica europeia, o que tem a ver o Vigário de Cristo com um proeminente expoente do Pensamento Único, da ideologia do politicamente correcto, do novo humanismo europeu?      

A questão é mais do que lícita, visto que o Papa in persona quis nomear Draghi membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais e considerando que só o encontrou algumas vezes na sua vida.      

A primeira ocasião foi a 19 de Outubro de 2013, durante uma audiência pessoal concedida a Mario Draghi e família, enquanto a segunda ocorreu a 6 de Maio de 2016, quando o Papa recebeu o prestigioso Prémio Internacional Carlos Magno – o máximo reconhecimento europeu – na Sala Régia do Palácio Apostólico. Naquele caso, Mario Draghi estava sentado entre os massivos níveis políticos e económicos da União, juntamente com Angela Merkel, Jean-Claude Junker, Martin Schulz e Donald Tusk. Foi precisamente naquela ocasião que Bergoglio, no discurso de agradecimento pelo prémio recebido, disse expressamente «sonhar uma Europa capaz de fazer nascer um novo humanismo assente em três capacidades: a capacidade de integrar, a capacidade de dialogar e a capacidade de gerar». Quem escreveu o discurso ao Papa esqueceu-se de mencionar Jesus Cristo, mas agora há muitos nos Sagrados Palácios que acreditam que o novo conceito de “humanismo” também possa prescindir da figura do Filho de Deus. 

Qual é, então, o fio vermelho que liga Bergoglio a Draghi? Os bem informados identificam-no com um nome e sobrenome: Antonio Spadaro. Sim, o jesuíta director de Civiltà Cattolica, o homem que sussurra ao Papa, a eminência parda de Francisco I.       

Acontece, de facto, que Mario Draghi se orgulha de ser um ex-aluno do Instituto Massimiliano Massimo, a prestigiosa escola católica romana administrada precisamente pelos jesuítas.       

Não foi por acaso que, a 2 de Novembro de 2019, Civiltà Cattolica, a revista dos jesuítas dirigida por Spadaro, publicou um artigo elogiando Mario Draghi. O artigo, de treze páginas, intitula-se ll contributo di Mario Draghi all’Europa, encontra-se no caderno 4065, pp. 220-233, Ano 2019, Volume IV, e é assinado pelo jesuíta Guido Ruta, doutor em Economia pela New York University. No referido artigo, Mario Draghi é considerado «protagonista de uma das fases mais complexas da história recente da Europa» e o seu serviço como Presidente do Banco Central Europeu é reconhecido como «decisivo para salvar a União Económica e Monetária».          

Segundo a revista dos jesuítas, o precioso contributo de Draghi poderia finalmente representar, hoje, a «extraordinária oportunidade de completar» definitivamente tal união, rejeitando de uma vez por todas as «instância populistas» eurocépticas e implementando as «necessárias reformas» para completar a construção europeia.        

Os elogios ao Super Mario, por parte do jesuíta Ruta, perdem-se: «Em contextos completamente novos, dominados pela incerteza e pelo cepticismo, Draghi soube tomar decisões com base em análises rigorosas, com audácia e orientado por uma visão muito elevada da Europa, unida muito além do dinheiro, como no projecto dos Pais fundadores. Criou, assim, as condições para que o processo de união dos nossos Países chegue a cumprimento».     

No artigo chega-se a pedir o seu envolvimento directo na política: «Mario Draghi surge como policymaker de altíssima estatura: à gratidão acrescenta-se a esperança de que a sua maneira de proceder sem retórica, com aprofundamento e visão, seja assumida em áreas mais amplas da política, seja europeia ou italiana». Seguem-se exaltados elogios ao euro e ataques às «desarticuladas instâncias populistas de um regresso à autonomia monetária», que actualmente se registam em Itália. Se não fosse pela capa, pareceria o Wall Street Journal ou o Financial Times. Seja como for, agora parece suficientemente claro por que Bergoglio nomeou Draghi para a Pontifícia Academia das Ciências Sociais.      

Recordamos que, depois de ter sido Director Executivo do Banco Mundial, como Diretor Geral do Banco de Itália foi o artífice das privatizações das sociedades públicas participadas. Esteve no iate Britannia, da Rainha Isabel, ao largo de Civitavecchia, com os representantes das finanças internacionais para definir o programa de venda ao desbarato do património industrial e empresarial italiano, a começar pelo IRI, pela ENI, pela Telecom, pela Enel, pela Comit e pelo Credit. Em 2002, foi nomeado Vice-Presidente do Goldman Sachs, o maior Banco de investimento privado do mundo. Em 2005, foi nomeado Governador do Banco de Itália e, em 2011, foi nomeado Presidente do Banco Central Europeu. Um currículo estrelar, de todos os aspectos, para delinear o perfil de um “poderoso”.

Gianfranco Amato      

Através de La Nuova Bussola Quotidiana

terça-feira, 11 de agosto de 2020

«A persona Papae está em cisma com o Papado» – Mons. Viganò a Weinandy



Publica-se, a pedido do Arcebispo Carlo Maria Viganò, uma carta que Sua Excelência Reverendíssima enviou, ontem, ao P. Thomas Weinandy, franciscano capuchinho norte-americano, por ocasião do debate iniciado sobre o Concílio Vaticano II.

10 de Agosto de 2020
São Lourenço, mártir

Reverendo Padre Thomas,        

Li com atenção o seu ensaio Vatican II and the Work of the Spirit, publicado, a 27 de Julho de 2020, em Inside the Vatican (aqui). Parece-me que o seu pensamento pode ser resumido nestas duas frases:           

«Partilho muitas das preocupações expressas e reconheço a validade de algumas problemáticas teológicas e questões doutrinárias enumeradas. Sinto-me, todavia, incomodado em concluir que o Vaticano II seja, de alguma forma, a fonte e a causa directa do actual estado desanimador da Igreja».

Permita-me, Rev. Padre, usar como auctoritas ao responder-lhe a um seu interessante escrito, Pope Francis and Schism, publicado, no passado 8 de Outubro de 2019, em The Catholic Thing (aqui). As suas observações permitem-me evidenciar uma analogia que espero que possa ajudar a esclarecer o meu pensamento e a demonstrar aos nossos leitores que algumas aparentes divergências possam ser resolvidas graças a uma profícua disputatio que tenha como objectivo principal a glória de Deus, a honra da Igreja e a salvação das almas.      

Em Pope Francis and the Schism, você observa, muito oportunamente e com a perspicácia que distingue as suas intervenções, que há uma espécie de dissociação entre a persona Papae e Jorge Mario Bergoglio, uma dicotomia em que o Vigário de Cristo se cala e deixa fazer, enquanto fala e age o exuberante argentino que hoje mora em Santa Marta. Referindo-se à gravíssima situação da Igreja na Alemanha, escreve:       

«Em primeiro lugar, muitos dentro da hierarquia alemã sabem que, tornando-se cismáticos, perderiam a sua voz e a sua identidade católica. Não se podem permitir a tal. Precisam de estar em comunhão com o Papa Francisco, porque foi precisamente ele que promoveu o conceito de sinodalidade que estão a tentar implementar. Ele é, portanto, o seu último protector.  

Em segundo lugar, embora o Papa Francisco possa impedi-los de fazer algo escandalosamente contrário ao ensinamento da Igreja, ele permitirá que façam coisas ambiguamente contrárias, porque tal ensinamento e prática pastoral ambíguos estariam de acordo com os de Francisco. É nisto que a Igreja se encontra numa situação em que nunca esperaria estar
». 

E ainda:       

«É importante recordar que a situação alemã deve ser vista num contexto mais amplo: a ambiguidade teológica dentro de Amoris Laetitia; o avanço não tão subtil da agenda homossexual; a “refundação” do Instituto (romano) João Paulo II sobre o matrimónio e a família, isto é, o enfraquecimento do ensinamento coerente da Igreja sobre os absolutos morais e sacramentais, especialmente no que diz respeito à indissolubilidade do matrimónio, à homossexualidade, à contracepção e ao aborto.        

E, ainda, há a afirmação de Abu Dhabi, que contradiz directamente a vontade do Pai e mina o primado de Jesus Cristo, seu Filho, como Senhor definitivo e Salvador universal.     

Além disso, o actual Sínodo da Amazónia está repleto de participantes solidários e apoiantes de
tudo o que precede. Devemos também levar em conta os muitos cardeais, bispos, sacerdotes e teólogos teologicamente discutíveis
​​que Francisco apoia e promove a altos cargos eclesiais». 

E conclui:    

«Considerando tudo isto, percebemos uma situação, de intensidade cada vez maior, em que, por um lado, a maioria dos fiéis do mundo – tanto clero como leigos – são leais e fiéis ao Papa, porque ele é o seu pontífice, mesmo se são críticos sobre o seu pontificado, e, por outro lado, um grande número de fiéis do mundo – clero e leigos – que apoiam com entusiasmo Francisco precisamente porque permite e promove o seu ensinamento e práticas eclesiais ambíguas.  

Terminar-se-á, portanto, com a Igreja que se encontrará com um papa que é o papa da Igreja Católica e, ao mesmo tempo, o líder de facto, para todos os efeitos práticos, de uma igreja cismática. Por ser ele o chefe de ambas, permanece o aspecto de uma só igreja, quando, na realidade, são duas
».     

Tentemos agora substituir o Papa com o Concílio e Bergoglio com o Vaticano II: penso que você achará interessante o paralelismo, quase servil, resultante. De facto, tanto pelo Papado como por um Concílio Ecuménico, o Católico nutre aquela veneração e aquele respeito que a Igreja lhe pede: por um lado, para com o Vigário de Cristo, por outro, por um acto solene do Magistério em que é a voz de Nosso Senhor que fala através do Romano Pontífice e dos Bispos com ele reunidos. Se pensarmos em São Pio V e no Concílio de Trento, ou em Pio IX e no Vaticano I, não será difícil encontrar a perfeita correspondência entre aqueles Papas e o Papado, e entre aqueles Concílios e o Magistério infalível da Igreja. Melhor, só o pensar numa possível dicotomia recairia justamente em sanções canónicas e ofenderia os piedosos ouvidos dos fiéis.      

No entanto, como você mesmo releva, com Jorge Mario Bergoglio, nas surreais vestes de Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, «a única expressão que posso encontrar para descrever esta situação é “cisma dentro do Papado”, porque o Papa, precisamente como Papa, será, efectivamente, o líder de um segmento da Igreja que, através da sua doutrina, do ensinamento moral e da estrutura eclesial, é, em todos os efeitos práticos, cismático».          

Por isso me pergunto: se você admite, caro Padre Thomas – que prova dolorosa a que a Providência submete a Igreja para puni-la pelos pecados dos seus membros mais indignos e, especialmente, dos seus líderes –, que o próprio Papa está em estado de cisma com a Igreja, ao ponto de poder falar de um «cisma dentro do Papado», por que motivo não pode aceitar que o mesmo aconteceu por um acto solene, como um Concílio, e que o Vaticano II representou um caso de “cisma dentro do Magistério”? Se este Papa pode ser, «em todos os efeitos práticos, cismático» – e eu diria também herege –, porquê que não o pode ter sido também aquele Concílio, não obstante ambos terem sido instituídos por Nosso Senhor para confirmar os irmãos na Fé e na Moral? O quê que impede, pergunto-lhe, os Actos do Vaticano II de se desviarem do sulco da Tradição, quando o próprio Supremo Pastor pode renegar o ensinamento dos seus Predecessores? E se a persona Papae está em cisma com o Papado, porquê que um Concílio, que se quis pastoral e que se absteve de promulgar dogmas, não poderia contradizer os outros Concílios canónicos, entrando em cisma de facto com o Magistério Católico?                   

Também é verdade que esta situação é um hapax, um caso em si que nunca se viu na história da Igreja; mas se isto vale para o Papado – num crescendo de Roncalli a Bergoglio –, não vejo por que não deveria valer para o Vaticano II, que, graças aos últimos Pontífices, se configurou como um evento em si mesmo e, como tal, foi usado pelos seus defensores?          

Para retomar as suas palavras, «aquilo com que a Igreja acabará» é um Concílio que é um Concílio da Igreja Católica e, ao mesmo tempo, o primeiro concílio de facto, para todos os efeitos práticos, de uma igreja cismática, ou seja, aquela “igreja conciliar” que se considera nascida do Vaticano II. Visto que o Vaticano II é um Concílio Ecuménico e um conciliábulo, permanece o aspecto de um único Concílio, embora, na realidade, sejam dois. E acrescentaria: um legítimo e ortodoxo, abortado ao nascer com a subversão dos esquemas preparatórios, e um ilegítimo e herético (ou, pelo menos, favens haeresim) ao qual todos os Inovadores se referem, incluindo Bergoglio, para legitimar os seus desvios doutrinários, morais e litúrgicos. Exactamente como «muitos cardeais, bispos, sacerdotes e teólogos teologicamente discutíveis que Francisco apoia e promove a altos cargos eclesiais» argumentam que se deve reconhecer a autoridade do Vigário de Cristo nos actos de governo e de magistério realizados por Jorge Mario, precisamente no momento em que, com aqueles actos, ele se mostra, «em todos os efeitos práticos, cismático».

E se de um lado é verdade que «embora o Papa Francisco possa impedi-los de fazer algo escandalosamente contrário ao ensinamento da Igreja, ele permitirá que façam coisas ambiguamente contrárias, porque tal ensinamento e prática pastoral ambíguos estariam de acordo com os de Francisco», é igualmente verdade – parafraseando as suas palavras – que «embora João XXIII e Paulo VI pudessem ter impedido os modernistas de fazer algo escandalosamente contrário ao ensinamento da Igreja, eles permitiram-lhes que fizessem coisas que são ambiguamente contrárias, porque tal ensinamento e prática pastoral ambíguos estavam de acordo com os de Roncalli e de Montini».      

Parece-me, assim, Rev. Padre, que encontra a confirmação do que afirmei no meu ensaio que esteve na origem da disputatio sobre o Concílio, ou seja, que o “recipiente-concílio” foi usado para dar aparente autoridade a um evento deliberadamente subversivo, exactamente como hoje, diante dos nossos olhos, o Vigário de Cristo é usado para dar aparente autoridade a uma operação deliberadamente subversiva. Em ambos os casos, o senso inato de respeito pela Igreja de Cristo por parte dos fiéis e do Clero foi utilizado como um estratagema infernal – um cavalo de Troia introduzido na Cidadela Sagrada – para dissuadir qualquer forma de obrigatória divergência, qualquer crítica, qualquer legítima denúncia.        

É doloroso observar que esta constatação, longe de reabilitar o Vaticano II, confirma uma profunda crise de toda a instituição eclesiástica, obra de renegados que abusaram da sua autoridade contra a própria Autoridade, do poder papal contra o próprio Papado, da autoridade dos Padres Conciliares contra a Igreja. Uma tortuosa e covarde traição operada de dentro da própria Igreja, como já havia predito e condenado São Pio X na Encíclica Pascendi, indicando os modernistas como os inimigos mais nocivos da Igreja.          

Dante coloca os fraudulentos no Nono Círculo do Inferno, não o esqueçamos.      

Receba, reverendo e caro Padre Thomas, a minha Bênção.                   

Carlo Maria Viganò, Arcebispo

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

«Se morrer, dá muito fruto»


As proezas gloriosas dos mártires, que por todo o lado ornamentam a Igreja, permitem-nos compreender que «é preciosa, aos olhos do Senhor, a morte dos seus fiéis» (Sl 115, 15). Com efeito, a sua morte é preciosa aos nossos olhos e aos olhos daquele em nome de quem morreram.  

Mas o preço de todas aquelas mortes é a morte de um só, [...] pois, se o grão de trigo não tivesse morrido, não se teria multiplicado! Ouvistes o que Ele disse quando se aproximava a sua Paixão, isto é, a nossa redenção: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto». Quando o seu lado foi ferido pela lança, o que dele jorrou foi o preço do Universo (cf Jo 19, 34).         

Os fiéis e os mártires foram resgatados; mas a fé dos mártires deu provas e o seu sangue é disso testemunho. «Cristo deu a sua vida por nós; também nós devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16); e também: «Quando te sentas a uma mesa magnífica, repara bem no que te servem, pois terás de preparar o mesmo» (cf Pr 23, 1). É uma mesa magnífica aquela em que comemos com o Senhor do banquete. Ele é o anfitrião que convida, Ele próprio é o alimento e a bebida. Os mártires prestaram atenção ao que comiam e bebiam, para poderem dar o mesmo. Mas como teriam podido fazê-lo se Aquele que fez a primeira oferta lhes não tivesse dado o que eles depois Lhe dariam?      

Santo Agostinho, in Sermão 329, para a festa dos mártires, 1-2; PL 38, 1454

domingo, 9 de agosto de 2020

«Homem de pouca fé, porque duvidaste?»



Os discípulos são de novo joguete das vagas e cai sobre eles uma tempestade semelhante à primeira (Mt 8, 24); anteriormente, porém, tinham Jesus com eles, enquanto desta vez estão sozinhos e entregues a si mesmos. [...] Penso que o Salvador pretendia reanimar-lhes o coração adormecido; deixando-os cair na angústia, inspirou-lhes um desejo mais vivo da sua presença [...]. Por isso, não foi imediatamente em auxílio deles, mas apenas «na quarta vigília da noite», «caminhando sobre o mar». [...]

Pedro, sempre fervoroso, adiantou-se aos outros discípulos e disse-Lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». [...] Não Lhe disse: «Manda-me caminhar sobre as águas», mas «manda-me ir ter contigo», porque ninguém amava Jesus como ele. E fez a mesma coisa depois da ressurreição: não aguentando seguir lentamente com os outros na barca, deitou-se à água para satisfazer o seu amor por Cristo. [...] Descendo, pois, da barca, Pedro avançou para Jesus, mais feliz de se Lhe dirigir do que de caminhar sobre as águas. Mas, depois de superar o perigo maior, o do mar, acabou por sucumbir a um menos grave, o do vento. Tal é a natureza humana: muitas vezes, depois de termos dominado os perigos mais sérios, deixamo-nos abater por outros menos importantes. [...] Pedro não estava ainda totalmente livre do temor [...], apesar da presença de Cristo perto dele. De nada nos serve estarmos ao lado de Cristo se não estivermos próximos dele pela fé. [...]    

«Homem de pouca fé, porque duvidaste?» Se a fé de Pedro não tivesse enfraquecido, ele teria resistido ao vento sem dificuldade. E a prova foi que Jesus o segurou, deixando que o vento continuasse a soprar. [...] Da mesma forma que a mãe sustenta, com as suas asas, o passarinho que saiu do ninho antes do tempo, quando ele vai a cair no chão, e o volta a pôr no ninho, assim fez Cristo a Pedro.

São João Crisóstomo, in Homilias sobre o Evangelho de Mateus

sábado, 8 de agosto de 2020

Membros da TFP polaca defendem estátua de Nosso Senhor Jesus Cristo



Ontem, sexta-feira, 7 de Agosto, uma manifestação LGBT percorreu a Avenida Krakowskie Przedmieście, no centro de Varsóvia, na Polónia. Enquanto gritavam slogans contra a Igreja e a religião, os militantes LGBT profanaram diversas estátuas ao longo do percurso. Chegados à frente da Igreja da Santíssima Trindade, em frente à sede local da TFP polaca, a horda LGBT tentou atacar uma estátua de Nosso Senhor Jesus Cristo que está localizada no adro da igreja.           

Os membros da TFP correram para defendê-la. A eles juntaram-se, imediatamente, alguns transeuntes. O resultado foi uma disputa acirrada, que só se resolveu quando a polícia chegou em força, cercando a estátua e, portanto, impedindo os militantes LGBT de lhe tocar. Naquela noite, os membros da TFP rezaram um Santo Rosário em reparação pelo acto sacrílego, felizmente neutralizado à nascença.  

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

«São cegos a guiarem cegos»



Quando, nos últimos dias, o Verbo de Deus nasceu de Maria revestido de carne e Se mostrou neste mundo, aquilo que se via d’Ele não era o que a inteligência podia discernir. Ver a sua carne era para todos, mas o conhecimento da sua divindade era dado apenas a alguns. Do mesmo modo, quando o Verbo de Deus Se dirige aos homens através da Lei antiga e dos profetas, apresenta-Se coberto de vestes adequadas. Na sua encarnação, vestiu-Se de carne; nas Sagradas Escrituras, está vestido com o véu das letras. O véu das letras é comparável à sua humanidade e o sentido espiritual da Lei à sua divindade. No livro do Levítico, encontramos os ritos do sacrifício, as diversas vítimas, o serviço litúrgico dos sacerdotes [...]; bem-aventurados os olhos que veem o Espírito divino oculto no interior do véu. [...]     

Quando alguém se vira para o Senhor, diz o apóstolo Paulo, o véu é tirado, pois «onde está o Espírito do Senhor há liberdade» (2 Cor 3, 17). É, portanto, ao próprio Senhor, ao próprio Espírito Santo, que devemos rezar, para que Se digne remover toda a obscuridade e possamos contemplar em Jesus o admirável sentido da Lei, como aquele que disse: «Abri os meus olhos para que possa contemplar as maravilhas da vossa Lei» (Sl 118, 18).

Orígenes, in Homilia 1 sobre o Levítico; PG 12, 405

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo



«Transfigurou-Se diante deles». Molda-te como a cera, segundo o modelo desta figura, a fim de imprimires a imagem de Cristo, sobre o qual está dito: «o seu rosto ficou resplandecente como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz». Nesta passagem, há quatro coisas a considerar: o rosto, o sol, as vestes e a luz. Na parte anterior da cabeça, que se chama o rosto do homem, há três sentidos, que estão ordenados e dispostos de maneira admirável; são eles a vista, o olfato e o paladar. De maneira análoga, no rosto da nossa alma, temos a visão da fé, o olfacto da discrição e o gosto da contemplação.  

No sol, há claridade, brancura e calor. A claridade do sol convém na perfeição à visão da fé, que, com a claridade da sua luz, percepciona e crê nas realidades invisíveis. Que o rosto da nossa alma resplandeça como o sol. Que aquilo que vemos pela fé brilhe nas nossas obras; que o bem que percepcionamos com o nosso olhar interior se realize no exterior, na pureza das nossas acções; que aquilo que saboreamos de Deus na contemplação se transforme em calor no amor ao próximo. Assim, à semelhança do de Jesus, o nosso rosto ficará «resplandecente como o sol».           

Santo António de Lisboa, in Sermão do Domingo da Septuagésima

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Um Cardeal eminente, mas não muito prudente



O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun é um eminente Prelado que ama sinceramente a sua pátria e a Igreja. Nascido, em 1932, em Xangai, foi ordenado sacerdote, em 1961, na Congregação Salesiana; foi nomeado Bispo, em 1996, por João Paulo II, e, em 2006, criado Cardeal por Bento XVI. Foi Coadjutor, entre 1996 e 2002, e, depois, Bispo da Diocese de Hong Kong. Ninguém como ele conhece a complexidade da situação política e religiosa da China.    

A 9 de Janeiro de 2016, o Cardeal Zen, hoje Bispo emérito de Hong Kong, expressou uma severa crítica à política vaticana em relação à China desenvolvida durante o pontificado do Papa Francisco. O vaticanista Sandro Magister resume a situação nos seguintes termos: «Desde que está no poder, o Partido Comunista Chinês quis dotar-se de uma Igreja sujeita a si e separada de Roma, com bispos indicados por si, ordenados sem a aprovação do Papa, enfeudados a uma Associação Patriótica Católica Chinesa que Bento XVI definiu “irreconciliável” com a doutrina católica. Uma Igreja “oficial”, portanto, no limite do cisma. Entrelaçada a uma Igreja “subterrânea” dirigida por Bispos não reconhecidos por Pequim e fidelíssimos ao Papa que, no entanto, pagam todos os preços da clandestinidade: assédio, perseguições, prisões, sequestros».

O Cardeal Zen é, hoje, a voz mais representativa desta Igreja “subterrânea”. «São a voz dos sem voz não apenas para protestar contra as autoridades comunistas. Também o são para fazer certas questões às autoridades romanas. Nos últimos anos, têm sido realizados actos directamente contra a doutrina e a disciplina da Igreja: bispos ilegítimos e excomungados que pontificam solenemente, que conferem a sagrada ordem mesmo mais de uma vez; Bispos legítimos que tomam parte em consagrações episcopais ilegítimas até quatro vezes e a participação quase total dos bispos da comunidade oficial na Assembleia dos Representantes dos Católicos Chineses. Não se ouviu a voz de Roma. Os nossos irmãos na China não têm o direito de se admirar e fazer perguntas?».   

A Igreja subterrânea chinesa foi sacrificada sobre o altar de uma estratégia política que representa o retorno ao apogeu da Ostpolitik vaticana. Numa intervenção, a 13 de Fevereiro de 2018, em Asia News, Zen afirmou que o Secretário de Estado Parolin «ama a diplomacia da Ostpolitik do seu mestre Casaroli e despreza a fé genuína daqueles que, com firmeza, defendem a Igreja, fundada por Jesus sobre os Apóstolos, de qualquer ingerência de poder secular».     

Numa sucessiva carta a todo o Colégio Cardinalício de 27 de Setembro de 2019, o purpurado chinês acusou a Secretaria de Estado de incentivar «os fiéis na China a entrarem numa Igreja cismática (independente do Papa e às ordens do Partido Comunista)», concluindo com uma pergunta dramática: «podemos assistir passivamente a este assassinato da Igreja na China por parte de quem deveria protegê-la e defendê-la dos inimigos?».

Com estas declarações, o Cardeal Zen colocou-se na linha de tantas corajosas testemunhas da fé, a começar pelo Cardeal József Mindszenty, que, a 1 de Novembro de 1973, resistiu diante de Paulo VI, opondo uma respeitosa recusa ao seu pedido de renúncia da cátedra primacial de Esztergom. A 18 de Novembro do mesmo ano, Paulo VI removeu-o do cargo, mas o Cardeal não se calou e denunciou a Ostpolitik vaticana nas suas Memórias. Está em andamento a sua causa de beatificação.     

O Cardeal Zen enfraqueceu, no entanto, a lógica das suas afirmações quando, numa recente entrevista à CNA, quis advertir contra o “perigo” de interpretações polémicas do Concílio Vaticano II, afirmando que, depois de cinquenta anos, «a luz do Concílio conduz ainda hoje a Igreja na escuridão do seu caminho». A Ostpolitik que o Cardeal Zen critica é, de facto, filha e fruto do Concílio Vaticano II. Esta é uma evidência histórica que não admite negações.           

Nos anos em que se realizou o Vaticano II, de 1962 a 1965, o comunismo representou uma ameaça para a Igreja e para humanidade nunca conhecida na história. A assembleia dos Padres Conciliares, que se reuniu para discutir as relações entre a Igreja e o mundo moderno, não disse uma palavra sobre o comunismo, apesar de centenas deles terem pedido uma condenação pública e solene deste flagelo. O Cardeal Zen pediu para se redescobrir os textos do Concílio, que definiu os verdadeiros frutos do Vaticano II. «Através desses documentos sente-se a verdadeira voz do Espírito Santo», disse, e «o Espírito Santo de hoje não contradiz o Espírito Santo de ontem». No entanto, o Espírito Santo não levantou a sua voz contra o comunismo no Concílio. Então, talvez muitos teólogos e historiadores tenham razão, de Mons. Gherardini ao Cardeal Brandmüller, segundo os quais o valor magisterial e a autoridade vinculativa dos textos conciliares ainda se devem discutir, sem excluir que muitos desses documentos podem, um dia, terminar num cesto do lixo. Mas o que é mais importante é que o Concílio Vaticano II é um evento histórico que não pode ser reduzido a textos pesados
​​e ambíguos. A sua nota distintiva é o espírito que o moveu: um espírito segundo o qual mais importante que a doutrina era o modo pelo qual a doutrina deveria ser apresentada aos fiéis.

Afirma o Cardeal Zen: «Creio que seria muito profícuo ler o discurso de abertura do Vaticano II do Papa João XXIII, onde explica o verdadeiro significado de “aggiornamento”: diante de todas as ameaças da civilização moderna, a Igreja não deve ter medo, mas encontrar os meios adequados para mostrar ao mundo o verdadeiro rosto de Jesus, o Redentor do homem». Pois bem, naquele discurso, que abriu o Vaticano II, a 11 de Outubro de 1962, João XXIII explicou que «uma coisa é a substância do “depositum fidei”, isto é, as verdades contidas na nossa doutrina, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance». O modo diferente era a passagem “do anátema ao diálogo”. No caso do comunismo, era necessário pôr de lado décadas de condenações para passar à nova estratégia da mão estendida. A convicção era que a colaboração com o inimigo teria produzido melhores resultados do que a luta contra ele. E o discurso de João XXIII, que agrada ao Cardeal Zen, foi a magna charta da política de “détente” que lhe desagrada.    

A primeira expressão da Ostpolitik, simbolizada pelo então Mons. Agostino Casaroli, foi o “compromisso” assumido pela Santa Sé com o governo soviético de não condenar de nenhuma forma o comunismo. Era esta a condição exigida pelo Kremlin para permitir a participação de observadores do Patriarcado de Moscovo no Vaticano II.         

Não há necessidade de grande sagacidade para compreender que a Ostpolitik em relação à Rússia foi fruto de uma precisa escolha política de João XXIII e de Paulo VI, assim como a Ostpolitik em relação à China é fruto da estratégia política do Papa Francisco. Os Secretários de Estado são executores das indicações dos Pontífices e os Pontífices assumem, porém, a responsabilidade das escolhas políticas da Santa Sé. A este respeito, João XXIII e Paulo VI, como o Papa Francisco hoje, cometeram relevantes erros pastorais e políticos.    

Não é a primeira vez na história que isto acontece. O ralliement de Leão XIII à terceira República maçónica foi um erro desastroso, do qual, hoje, os historiadores destacam as graves consequências. Mas criticar as escolhas estratégicas e pastorais de um Papa é legítimo e o Cardeal Zen fá-lo criticando a política, de ontem e hoje, da Santa Sé em relação ao comunismo. Se alguém lhe objectasse que os Papas são sempre guiados pelo Espírito Santo, ele poderia facilmente replicar que um Papa pode errar, como aconteceu e poderá ainda acontecer na história. E também nós estamos convencidos de que o Espírito Santo não assiste a Ostpolitik do Papa Francisco, mas ilumina as críticas do Cardeal Zen à Ostpolitik. Se, no entanto, um Papa pode errar, tal pode, por maioria de razão, valer para um Concílio, que continua a ser um Concílio válido. Válido, sim, mas catastrófico, como foi o vigésimo primeiro Concílio Ecuménico da Igreja. Se, por outro lado, devemos aceitar acriticamente o espírito e os textos deste Concílio, também seremos obrigados a aceitar a política de Francisco em relação à China, expressa pelas palavras de Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências e da Pontifícia Academia das Ciências Sociais: «Neste momento, os que melhor colocam em prática a doutrina social da Igreja são os chineses [...]. Os chineses procuram o bem comum, subordinam as coisas ao bem geral». A China «está a defender a dignidade da pessoa». E, com a louvável China, é urgente encontrar as melhores relações.    

Mons. Sánchez Sorondo é um homem de confiança do Papa Francisco, enquanto que o Cardeal Zen foi severamente criticado pelo establishment vaticano pela posição que assumiu sobre o acordo entre a Santa Sé e a China comunista. Diante destas críticas, no passado dia 29 de Fevereiro, o Arcebispo Carlo Maria Viganò escreveu uma carta de apoio ao Cardeal Zen, na qual recorda que «o Vaticano fez tudo e mais alguma coisa para entregar nas mãos do Inimigo a Igreja Mártir Chinesa: fê-lo assinando o pacto secreto; fê-lo legitimando “bispos” excomungados, agentes do regime; fê-lo com a demissão de Bispos legítimos; fê-lo exigindo que os Sacerdotes fiéis se registassem na igreja dominada pela ditadura comunista; fá-lo diariamente calando sobre a fúria persecutória que, a partir daquele infeliz Acordo, entrou num crescimento sem precedentes. Fá-lo agora com esta ignóbil missiva a todos os Cardeais com o objectivo de acusá-lo, denegri-lo e isolá-lo. Nosso Senhor assegura-nos que nada nem ninguém poderá jamais arrancar da Sua mão aqueles que resistem ao inimigo infernal e aos seus acólitos, triunfando sobre eles “pelo sangue do Cordeiro e pelo testemunho da sua palavra” (Ap 12, 11)».     

Mons. Viganò é o mesmo Prelado que, com Mons. Athanasius Schneider, abriu recentemente um debate sobre o Concílio Vaticano II. Se o Cardeal Zen não partilha da utilidade deste debate, teria sido mais prudente que se tivesse calado, porque as suas declarações de acrítica exaltação do Vaticano II não lhe valeram nenhum apoio, mas correm o risco de fazê-lo perder muitos e, sobretudo, ofendem a verdade e tiram credibilidade à sua sacrossanta crítica da Ostpolitik vaticana.         

Roberto de Mattei      

Através de Corrispondenza Romana