quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Apelo às verdadeiras elites contra a mediocridade

Existe alguma relação entre o vírus que, nos últimos dez meses, agrediu dois biliões de pessoas e a pandemia de erros que, desde há muitas décadas, afecta o mundo? Em ambos os casos, estamos diante de agentes patogénicos que agridem o organismo social. No primeiro caso, o agressor é um vírus que ataca os corpos e que só o microscópio pode identificar; no segundo caso, é um germe que infecta e corrompe as almas, mas cuja identidade já nos foi revelada pelo Céu quando, em 1917, Nossa Senhora, em Fátima, anunciou que, se a humanidade não se emendasse, a Rússia espalharia o seus erros e seguir-se-iam guerras, revoluções e a aniquilação de inteiras nações.

A Virgem Santa Maria tinha diante dos olhos não apenas duas assustadoras guerras mundiais e as centenas de milhões de mortes vítimas do totalitarismo comunista e do nacional-socialista, mas também a crise sanitária que o mundo atravessa hoje, com todas as consequências políticas e sociais que já se delineiam com clareza. Um horizonte não de controlo social, através da ditadura sanitária, como muitos pensam, mas, pelo contrário, de colapso social e, antes ainda, psicológico da sociedade moderna que, afastando-se de Deus, escolheu o caminho da própria autodissolução.    

Este trágico cenário parece irreversível, porque à impenitência da humanidade junta-se a apostasia dos líderes da Igreja, que não pregam a necessidade da oração, da penitência e da conversão à única Igreja de Cristo, mas anunciam um novo Evangelho ecológico, ecuménico e globalista. Como evitar o castigo, previsto por Nossa Senhora, em Fátima, quando nos encontramos perante homens da Igreja, como o novo Cardeal Raniero Cantalamessa, que, desde há anos, persistem em repetir que as calamidades nunca são um castigo divino (cf. Avvenire, 23 de Abril de 2011 e, recentemente, Corriere della Sera, 10 de Abril de 2020)? Deus non irridetur! De Deus não se zomba, adverte São Paulo na Carta aos Gálatas (6, 7).     

Cantalamessa, como tantos outros Prelados, é um digno filho do Concílio Vaticano II. Mas mesmo aqueles que negam as responsabilidades do Vaticano II não podem negar a existência de uma crise de valores sem precedentes, que se expressa na perda da noção do bem e do mal, no relativismo, no ateísmo prático em que vive a humanidade, que, depois de ter deixado de acreditar em Deus, professa a fé em ídolos como a Mãe Terra.

A reviravolta dos princípios expressos pela protecção jurídica e social conferida à homossexualidade é uma expressão eloquente e dramática do processo de degradação moral em curso. Mas ainda mais grave é a aprovação, ou a condescendência, que as supremas autoridades da Igreja parecem manifestar por esta degeneração da sociedade.     

O rebanho está sem guias religiosos e políticos, mas tem, afinal, os pastores que merece. Com efeito, não basta protestar contra as autoridades públicas, religiosas ou políticas, se não se começar a reformar, antes de mais, a si próprio, os próprios hábitos de vida, o próprio modo de pensar, rompendo todos os compromissos com aquele mundo moderno em que reside a causa profunda da crise.

Hoje, a nota dominante parece ser a mediocridade, que é a rejeição da grandeza e da superioridade de ânimo, que é substituída pela procura do sucesso e do próprio interesse. O escândalo que, nos últimos dias, está a varrer a Secretaria de Estado do Vaticano traz à tona um modo vulgar e interessado de servir a Igreja, na qual os erros teológicos e morais encontram o seu natural terreno fértil.        

Não erradamente, Ernesto Galli della Loggia, num artigo intitulado La Chiesa cattolica e l’Italia svanita, no Corriere della Sera de 17 de Outubro de 2020, valendo-se da desastrosa gestão das finanças vaticanas, observa «o desaparecimento de uma certa Itália católica de estilo aristocrático e burguês cujas habilidades, até tempos não muito distantes, a Igreja utilizou de várias maneiras e que serviu à Igreja e ao destino do catolicismo como ensinamento de um forte compromisso ético e de um substancial desinteresse pessoal». «A falta de competências reais de carácter extra-religioso e, ao mesmo tempo, a impossibilidade de contar com as competências de uma sociedade civil católica agora inexistente ou distante, condenam não só a gestão financeira da Santa Sé, mas, de um modo geral, todas as suas relações com o “século” para viver perigosamente, sempre à beira da fraude ou da ilegalidade ou, quando tudo vai bem, da mais desalentadora falta de jeito».    

A 30 de Outubro de 1993, foi realizada, em Roma, no Palácio Pallavicini, uma conferência internacional por ocasião da publicação do livro, do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana (Marzorati, Milão 1993). O Cardeal Alfonso Maria Stickler lançou um apelo às elites tradicionais para uma corajosa batalha em defesa dos valores humanos e cristãos (cf. Tommaso Monfeli, Cattolici senza compromessi, Fiducia 2019, pp. 137-138). Poucos aceitaram o apelo, mas a resistência desses poucos, que continuam a lutar, aponta um caminho para o renascimento moral da Itália e da Europa; formar hoje as elites de amanhã. Verdadeiras elites, sobretudo espirituais, mas também políticas e sociais, uma aristocracia da alma, do pensamento, da educação, que erga a bandeira da Contra-Revolução católica enquanto são subvertidos, desde baixo, os alicerces da sociedade. Este é o caminho que seguimos e que indicamos a quem não queira ser sugado pelos remoinhos do pântano que enfrentamos.          

Roberto de Mattei      

Através de Corrispondenza Romana

#USElection2020 – O paradoxo da padronização em massa

«Pode-se ver melhor a força propulsora da intemperança frenética na padronização em massa dos produtos. O gigantismo desequilibrado só é possível se houver um consumo desequilibrado capaz de absorver a sua produção maciça.        

Admitimos, desde já, que se faça, normalmente, uma padronização em todas as economias, a fim de garantir produção adequada. Não é razoável esperar que todos os produtos sejam artesanais e diferentes, e a padronização comum proporciona estabilidade aos mercados, pois ajuda a manter a regularidade e a unidade da produção. Os diversos tipos de gasolina padrão, por exemplo, asseguram o funcionamento uniforme e eficiente do combustível.  

Dentro da unidade dessa padronização existe também um grande desejo de diversidade, pelo qual o Homem pode exprimir a sua individualidade. Por esta razão procura maneiras de personalizar, individualizar e produzir sob medida para satisfazer as necessidades específicas essenciais ao seu desenvolvimento pessoal e limitar o efeito nivelador da padronização. As modas sem graça e padronizadas dos países comunistas foram justamente criticadas pelo seu flagrante desrespeito ao Homem e à sua dignidade.        

Uma economia saudável equilibra a padronização com a individualidade e a unidade com a diversidade. Esse equilíbrio perde-se quando entra a intemperança frenética, tornando-se norma aquilo que chamamos de padronização em massa
».    

John Horvat II, in Retorno à Ordem, p. 34

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Carta de apoio enviada ao Presidente Donald Trump

28 de Outubro de 2020
S. Simão e S. Judas, apóstolos

Senhor Presidente,

Aproximando-se as eleições presidenciais dos Estados Unidos da América, nós, católicos portugueses, gostaríamos de garantir a Vossa Excelência, por meio desta brevíssima carta, que estamos espiritualmente unidos à nação americana e, de modo particular, ao Senhor Presidente, rezando, de forma intensa, pela sua reeleição já no próximo dia 3 de Novembro.

Para nós, enquanto católicos e portugueses, tem sido muito gratificante assistir a todos os esforços que a administração Trump tem encetado para rejeitar firmemente a nova ordem mundial, as perversas ideologias que a sustentam, nomeadamente os lobbys LGBT e abortista, para defender a liberdade da Igreja Católica e rejeitar a política belicista que, desde sempre, tem caracterizado a nefasta acção política dos Democratas. Por tudo isto, é-nos grato poder elevar ao Céu as nossas ardentes preces para que o seu trabalho possa continuar.

Entre os dias 31 de Outubro e 1 e 2 de Novembro, em Portugal, decorrerá um tríduo de oração, sobretudo por intercessão da Virgem Santa Maria, para que se possa confirmar a sua reeleição, que significará, inquestionavelmente, mais um passo no reconhecimento colectivo do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Somos, de Vossa Excelência, afeiçoadamente, in Christo Rege,           

A Administração do portal católico Dies Iræ

Católicos pedem clareza a Bergoglio sobre uniões sodomitas




No seguimento das confusas declarações do Papa Francisco sobre as uniões civis entre sodomitas, o Instituto São Bonifácio, coordenado pelo austríaco Alexander Tschugguel, conhecido por, aquando do Sínodo sobre a Amazónia, ter atirado um ídolo pagão ao Tibre, promoveu, no passado sábado, junto à Praça de São Pedro, um momento de oração e, através de uma faixa, exigiu ao Pontífice clareza sobre esta questão que tanto escândalo tem gerado. 

#USElection2020 – Rejeição do sublime

«O sublime consiste naquelas coisas de excelência transcendente, cuja magnificência causa nos homens uma espécie de temor reverencial. O sublime convida homens e nações a olhar para os princípios mais elevados, para o bem comum – em última análise, para Deus – colocando-os além do interesse pessoal e da própria satisfação, e dando, assim, sentido e finalidade às suas vidas. Manifestando-se através de obras de arte, fabulosas realizações culturais, grandes feitos humanos ou da piedade religiosa, o sublime tem a capacidade de suscitar em nós sentimentos de lealdade, dedicação e devoção que podem preencher o vazio do nosso deserto moderno.      

Infelizmente, a nossa sociedade secularizada oferece forte resistência à opção pelo sublime. Geralmente, apresenta apenas o bem físico ou económico, levando os indivíduos e as nações a perderem a noção do sublime. Este torna-se um assunto abstracto ou poético, enquanto as coisas concretas são apresentadas como a única realidade
».

John Horvat II, in Retorno à Ordem, p. 77

terça-feira, 27 de outubro de 2020

As raízes católicas dos Estados Unidos da América

A presença católica em território americano afirmou-se ao longo de cerca de meio milénio. Testemunham-no, hoje, alguns importantes lugares de culto que têm sido cenário de milagres e de importantes etapas do processo de evangelização do continente.          

É o caso do Santuário de Chimayo, localizado no Novo México, nos Montes Sangre de Cristo, um segmento das Montanhas Rochosas. Tal estrutura é meta de peregrinação, principalmente durante a Semana Santa, e foi rebaptizada de «Lourdes do continente americano». A área em que se encontra parece já ter sido habitada desde o século XII. Quando os conquistadores lá chegaram, trouxeram o Cristianismo aos povos indígenas (em particular, aos índios Pueblo). Após alguns confrontos tempestuosos, no entanto, os espanhóis foram repelidos e forçados a recuar.

Alguns anos depois, entre 1692 e 1696, as tropas espanholas foram novamente engajadas no território do Novo México. Desta vez, eram comandadas pelo governador Diego de Vargas. Os índios Pueblo ainda tentaram rebelar-se, mas com menos força e tenacidade do que no passado. Foi assim que, no início do século XVIII, a Coroa Espanhola já se impunha nesta região. Na verdade, parece que o Cristianismo aqui não entrou em eclipse no período entre o primeiro desembarque dos conquistadores e o segundo. Diego de Vargas, a esse respeito, contou ter identificado, entre os índios americanos, um depósito de preciosidades pertencentes à tradição cristã, aparentemente ainda usadas diariamente.  

As famílias dos conquistadores estabeleceram-se ao longo das margens do rio Santa Cruz e na aldeia de El Potrero, onde foram lançadas as fundações do mencionado Santuário e no qual se difundiu, durante o século XIX, uma especial devoção a uma imagem milagrosa conhecida como “Nosso Senhor de Esquipulas”.

A estátua, ainda hoje preservada no Santuário, foi encontrada por um penitente, que ficou surpreso ao ver um raio de luz vindo, ao que parecia, do solo, sobre uma das quatro colinas acima mencionadas. Intrigado, escavou com as próprias mãos e encontrou um crucifixo no chão. Imediatamente, alguns homens foram até um sacerdote, frei Alvarez, para inteirá-lo desse acontecimento prodigioso. Era a noite de Sexta-Feira Santa de 1810. O religioso levou consigo a escultura e transportou-a para a sua igreja. No dia seguinte, o artefacto foi dado como desaparecido: inexplicavelmente, foi encontrado, mais tarde, no exacto local onde havia sido encontrado algumas horas antes. O episódio repetiu-se algumas vezes. As curas milagrosas, ligadas à visita àquele lugar de culto, foram tantas e tais que, passados
​​apenas três anos, se julgou oportuno erigir, no seu lugar, um Santuário de maiores dimensões: aquele que, ainda hoje, é visitado por milhares de fiéis. A sagrada imagem de Cristo é conservada atrás do altar-mor.

Também merece destaque o milagre ocorrido no pátio do convento franciscano de Santa Cruz, em Querétero, no vizinho México. Aqui, fora nomeado superior o P. Antonio Margil, homem conhecido pelo seu zelo e pela sua fé. Já estivera numa missão junto dos nativos americanos da Guatemala. Ainda em vida, contavam-se dele feitos prodigiosos. Quando os índios Talamanca o colocaram em cima de uma pira e a incendiaram, a imagem do crucifixo que ele segurava ficou carbonizada, mas o religioso saiu ileso. Além disso, segundo o testemunho de um sacerdote, o P. António carregava consigo uma bolsa cheia de trigo, para comer e para partilhar com as pessoas que encontrava durante a sua missão.         

Tal reserva foi-lhe milagrosamente suficiente para um período de cerca de três meses. No referido mosteiro de Santa Cruz, o religioso, voltando de uma pregação numa aldeia próxima, implantou no solo a sua bengala. Depois de alguns dias, a partir dela cresceu uma planta que, em vez de flores e frutos, produziu pequenos ramos em forma de cruz. De cada um deles brotaram três ramos menores, como que imitando a coroa de espinhos que Cristo usara no Calvário. Este prodígio foi lido como uma imagem eficaz daqueles missionários que se dedicaram e deram a vida pela conversão do Novo Mundo.     

Rino Zabiaffi      

Através de Radio Roma Libera

#USElection2020 – Perda do espírito de família

«Pelo fim da Idade Média, as corporações de ofício começaram a perder esse espírito de família. Também sucumbiram à intemperança frenética e perderam a solicitude fraterna de uns para com os outros. Reduzindo-se à flexibilidade de tipo familiar, adoptaram um rígido e excessivo controlo sobre os seus membros e sobre a tecnologia do ofício. Desapareceu o fervor religioso, tão essencial à temperança.

O historiador Joel Mokyr relata que “pode muito bem ter acontecido que no século XVI as corporações das cidades começaram a sufocar o progresso tecnológico para proteger a sua posição de monopólio e interesses”. Algumas corporações tornaram-se extremamente ricas, entrando no ritmo frenético da economia monetária.   

Mesmo nesse estado, ainda mantinham algo do espírito de família. Os inimigos da ordem de cristã viram naqueles restos as brasas de um fogo que se podia reacender. Por essa razão, a Revolução Francesa, e outros governos mais tarde, proibiram impiedosamente as corporações de ofício.    

Nos tempos modernos, muitos têm proposto que repitamos o sucesso das antigas corporações, ainda que sem o espírito de família. Alguns confundem o espírito de caridade cristã com o da ‘fraternidade’ socialista e propõem caricaturas do modelo de corporações, pelas quais os trabalhadores se uniriam em conselhos laicos para organizar a produção ou formar equipas autogestionárias.  Socialismo corporativo, corporativismo (especialmente na sua forma fascista) e outos movimentos do género acabariam por colocar as corporações sob o controlo do Estado.         

Por serem muito mais próximas do trabalhador, as corporações de ofício, sem o espírito de família, podem potencialmente controlar a produção e as vidas dos seus membros muito mais intensamente do que um governo socialista distante. Ou o mestre da corporação se comporta como um pai ou facilmente se torna um tirano.      

É por tudo isso que qualquer retorno às corporações deve ser feito com muito cuidado
».      

John Horvat II, in Retorno à Ordem, p. 138          

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

A clamorosa ingerência de Bergoglio nas Presidenciais dos EUA

Ainda esta manhã, Bergoglio anunciou a criação de 13 novos Cardeais (incluindo 9 eleitores). São todos ultra-bergoglianos. A apressada escolha do momento, na véspera da votação dos EUA, é significativa: Trump está numa forte recuperação e, agora, o Vaticano bergogliano teme fortemente que possa vencer novamente. A Trump, Bergoglio, com todo o establishment globalista, declarou guerra total. Se Trump realmente ganhasse, este pontificado, já no fim, estaria efectivamente encerrado, esmagando-se na China, e totalmente desacreditado. Na vaga eleitoral pró-Biden, de que falo no artigo, perto do fim é apresentado o Cardeal Tagle como aquele que Bergoglio quer como seu sucessor. Tudo é explícito. Com os novos Cardeais, Bergoglio quer garantir o resultado do próximo Conclave.

O documentário “Francesco” causou enorme alvoroço pelo “sim” papal às uniões civis para as parelhas homossexuais. Mas era esse o objectivo principal?

Não exactamente. Certamente, era intenção do Vaticano dar o máximo destaque a este produto. De facto, na passada quarta-feira, antes da Audiência Geral, o Papa Bergoglio recebeu – com a presença de fotógrafos – o realizador Evgeny Afineevsky e os seus colaboradores, «dando, assim, a sua bênção ao trabalho», como escreve o Il Fatto Quotidiano, num clima de tal familiaridade que o papa argentino até ofereceu um bolo ao realizador por ser o seu aniversário.

Depois, no dia seguinte, houve a apresentação do documentário apologético no Festival de Cinema de Roma, dirigido por Antonio Monda, irmão do director do Osservatore Romano, Andrea (presente na sala), e a cerimónia de premiação do filme nos Jardins Vaticanos, onde recebeu o Prémio “Kinéo Movie for Humanity”, atribuído a quem promove temas sociais e humanitários.

Mas que objectivo se perseguia? O óbvio era o propósito de auto-celebração: o Papa Bergoglio tem sede de popularidade e de consenso mundano, especialmente hoje que o seu pontificado está em declínio e – de acordo com os seus próprios apoiantes – está totalmente atolado (basta considerar o Sínodo sobre a Amazónia e o alemão). Sobretudo, quer reconquistar o favorecimento mundano nestas semanas, quando o seu Vaticano está no centro das notícias escandalosas que mostram – também do lado da reforma interna – o fracasso do actual pontificado.

O isco usado, para ter o maior destaque possível e obter o grande e unânime aplauso dos media mainstream e das elites progressistas, foi o clamoroso sinal sobre a questão homossexual.

Era sabido que Bergoglio – como Cardeal de Buenos Aires – era a favor das “uniões civis” na Argentina. E sabemos que, como Papa, «orientou, em 2015 e em 2016, a posição da Conferência Episcopal Italiana sobre a lei desejada pelo governo italiano de Matteo Renzi, aceitando a sua formulação» (escreveu Maria Antonietta Calabrò no The Huffington Post).

No entanto, nunca tinha tido um pronunciamento público assim tão explícito, pois contradiz o magistério oficial, de sempre, da Igreja. A novidade é, portanto, enorme.

À esquerda, em Itália, há quem até o interprete como um sinal positivo para a aprovação do Projecto de Lei Zan (que, segundo a CEI, corre o risco de uma «deriva liberticida» contra as opiniões não alinhadas).

A externalização papal atirou o mundo católico para a perplexidade e para a confusão. Mas Bergoglio não está preocupado com isso. Para ele, as questões doutrinais, morais ou espirituais servem apenas instrumentalmente para atingir uma meta que é sempre, única e totalmente política.

O recente livro do professor Loris Zanatta, publicado pela Laterza, Il populismo gesuita (Peron, Fidel, Bergoglio), mostra muito bem a natureza inteiramente política do jesuitismo sul-americano e, em particular, de Bergoglio.

Então, qual era o principal objectivo político desta operação? O maior alvo, aquele contra o qual todo o sistema mediático e as elites globalistas estão lançados: Donald Trump.

É ele quem mina o projecto obamiano e clintoniano que, na frenética financeirização da economia ocidental, impôs a China como a fábrica do mundo às custas da classe média e dos trabalhadores ocidentais (e, curiosamente, o ataque mais mortal à reconfirmação de Trump – que estava seguro em Janeiro – veio da China: o COVID-19).

O pontificado de Bergoglio é filho da época Obama/Clinton e partilha a sua ideologia globalista, dentro da qual há imigracionismo e fanatismo ecológico. A eventual reconfirmação de Trump seria um golpe duríssimo para esta ideologia e para este bloco de poder.

Assim, estão a causar estragos e Bergoglio participa na campanha anti-Trump porque o eleitorado católico americano é decisivo. Deste modo, poucos dias antes da votação, foi lançado este incrível super spot a favor de Biden.

Basta ver o trailer do filme. De facto, começa com o COVID-19 em tom ecológico, porque na ideologia bergogliana o vírus seria um produto não do regime chinês, mas das nossas ofensas ao ambiente (também há imagens do terramoto que não se sabe o que tem a ver com a ecologia).

Depois, há a glorificação de Bergoglio como estrela mundial, “purificador” da Igreja e “salvador” da humanidade. E aqui estão as imagens escolhidas ad hoc: aquelas relacionadas a George Floyd (cujo trágico caso foi usado, sem razão, contra Trump); de seguida, “casualmente”, aparece o actual candidato democrata, Biden, que está ao lado de Bergoglio enquanto fala ao Congresso americano. Finalmente, é a vez da “profetisa” da religião ecologista, Greta Thunberg, enquadrada na Praça de São Pedro enquanto cumprimenta Bergoglio.

Neste ponto, inicia um longo comício imigracionista, culminando no muro entre os EUA e o México. Aqui aparece a imagem de Trump e ouvem-se as palavras de fogo de Bergoglio, que troveja: «uma pessoa que só pensa em construir muros, e não em fazer pontes, não é cristã».

É o famoso ataque a Trump que Bergoglio fez na campanha eleitoral de 2016. É reproposto, hoje, neste trailer “eleitoral”, apesar de se saber que o muro com o México foi desejado (também) pelos Democratas e, sobretudo, após quatro anos em que Trump, ao contrário dos seus predecessores, não fez sequer uma guerra e realizou muitos acordos de paz no mundo. No fim, aparece o Cardeal Tagle (filipino de origem chinesa), que é o candidato de Bergoglio à sua sucessão.

Esta é a clamorosa intrusão de Bergoglio na campanha presidencial a dez dias da votação. Como nos recordamos, há poucos dias, Bergoglio recusou-se a receber o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, que chegara a Roma para evitar a renovação do acordo Vaticano/China, porque – disse Bergoglio – teria sido uma interferência a favor de Trump na campanha presidencial.

Ele – que, entretanto, renovou o nefasto acordo com a China – tinha reservado um clamoroso comício: pró Biden.

Antonio Socci    

Através de Lo Straniero

domingo, 25 de outubro de 2020

A Alma e a Cruz

Vivendo num mundo que, a cada dia que passa, mais “soluções” apresenta para as gerações cada vez mais desejosas de rápidas respostas e de opções aparentemente fáceis, para nós, católicos, a única opção que se pode considerar como sendo segura e verdadeira é a que passa pelo caminho da Cruz. Assim, e como forma de incentivo, partilhamos, de seguida, um breve texto que uma leitora nos fez chegar. Confiámo-lo à protecção de Nossa Senhora e, neste dia da festa de Cristo Rei, pedimos-lhe que nos ajude a sermos fiéis ao Reinado de Nosso Senhor.

 

«Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!» (Jo 16, 33). Cada ser humano, ao longo da sua vida, enfrentou ou enfrentará batalhas espirituais, sendo que existem duas opções: ou desistimos ou lutamos e seguimos em frente. Durante 16 anos da minha vida, achei que o caminho que estava a seguir era o correcto, mas enganei-me. O verdadeiro caminho é o caminho de Deus, não outro.

Por vezes, a nossa vida é um mar de escuridão que não desaparece e, nessas situações, achamos que o ideal será obter respostas mais rapidamente, pois o que pretendemos é que essa escuridão se transforme em luz e perceber o motivo pelo qual estamos a atravessar tamanho sofrimento. Somos seres-humanos e, como tal, cometemos erros, somos frágeis, não conseguimos superar obstáculos, entramos em depressão e, certas vezes, em colapso emocional. Há momentos em que não conseguimos explicar a dor que sentimos, o vazio, a tristeza que invade a nossa alma, há momentos assim, momentos que podem durar horas, momentos que podem durar dias, meses ou até mesmo anos.
Madre Teresa de Calcutá, durante cinquenta anos, vivenciou um vazio espiritual. Contou ela: «Chamo, aferro-me, quero e ninguém me responde. Quando tento elevar os meus pensamentos ao céu, há tal convicção de vazio que esses mesmos pensamentos retornam como facas afiadas e danificam a minha alma». Pegando no seu exemplo, ao longo da nossa vida experienciamos estes momentos, um vazio interior sem explicação, uma espécie de buraco negro – acredita-se que esteja relacionado com o fim de vida de uma estrela, isto é, esta torna-se instável, entra em colapso e explode, transformando-se, assim, num conhecido buraco negro. Podem questionar o porquê desta analogia, podem até achar que não faz qualquer tipo de sentido, todavia é interessante. E porquê? Nós, humanos, em certas circunstâncias da vida, somos essa estrela, ou seja, deparámo-nos com situações difíceis de resolver, entramos em colapso espiritual e a nossa alma parece que desvanece, parece que ficamos sem rumo, que demos início a um vazio infinito que se torna numa escuridão sem sentido. Pois bem, podia dar-vos a conhecer um livro que inclui tudo o que precisamos de saber e fazer para terminar com tamanho sofrimento, para eliminar por completo o vazio espiritual, mas não existe: a única solução, o único caminho, a única “luz ao fundo do túnel” é a Palavra de Deus.

«Cristo Crucificado fez do seu corpo uma escada, a fim de que subamos às alturas da vida celeste» (Santa Catarina de Sena). Nesta citação, podemos encontrar a nossa resposta, mas poderão questionar-se de que forma. É simples, mas, ao mesmo tempo, complexo, pois encarar a situação e vivenciá-la torna-se numa tarefa árdua. Jesus sofreu, carregou a sua cruz, foi crucificado e morreu nela por nós, que somos eternos pecadores, e Ele sabia que a vida terrena nada se compara à vida celeste, à própria eternidade. Por vezes, a resposta não é óbvia, por muito que rezemos, por muitas orações que façamos, a resposta pode não existir, mas isso não significa que Deus não nos ouça. Deus ouvir-nos-á sempre, nós é que não o ouvimos, ou melhor, nós não o escutamos e, muitas das vezes, quando sentimos o nosso mundo a desabar, quando o vazio se propaga rapidamente na nossa alma, achamos que o ideal é a procura apressada de respostas tal e qual como a propagação desta escuridão. Todavia, e falo por experiência própria, essa procura muitas das vezes leva-nos a determinados locais e pessoas que não seguem o caminho de Deus e nessas situações o mais correcto a fazer é fugir e não olhar para trás.  

Maria Martins  

Tríptico de Mantegna: Cristo desceu e venceu ascendendo

«Ora, este “subiu” que quer dizer senão que também desceu às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é, precisamente, o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, a fim de encher o universo» (Ef 4, 9-10).    

«...uma tábua [de Mantegna], na qual há histórias de figuras não muito grandes, mas belíssimas [...] no castelo de Mântua, para a capela». Segundo Vasari e outros documentos historiográficos, o tríptico de Andrea Mantegna, agora na Galeria degli Uffizi, representando a Ascensão, a Adoração dos Magos e a Circuncisão, teria sido realizado para a capela privada do Marquês Luís III Gonzaga, no Castelo mantuano de San Giorgio. O condicional é obrigatório porque, ao pronunciar-se sobre a concepção e o destino das três tábuas, que, efectivamente, apresentam diferenças e incongruências, tanto no formato quanto no estilo, os estudiosos ainda são muito cautelosos.        

O certo é que, em 1827, as três pinturas foram reunidas numa mesma moldura neo-renascentista, entalhada e dourada. Arbitrariamente, de acordo com alguns; não para nós que, levando em grande consideração os autorizados juízos dos historiadores da arte, olhamos e lemos a obra à luz da fé e das palavras de Paulo aos Efésios: «Aquele que desceu é, precisamente, o mesmo que subiu muito acima de todos os céus…». O tríptico da Galeria degli Uffizi parece-nos uma perfeita transcrição pictórica da passagem epistolar.          

Aquele que desceu, portanto, e a quem os Magos vieram adorar. A cena central retrata um colorido e exótico cortejo – do qual fazem parte homens de diferentes nacionalidades, a julgar pelos chapéus – que serpenteia por um caminho tortuoso até ao limite da gruta. Aqui, a Virgem, rodeada de querubins, tem nos braços Jesus que abençoa: o gesto maternal já parece aludir à oferta do Filho, portanto, ao sacrifício de Cristo, do qual a gruta rochosa se torna, ao mesmo tempo, lugar de nascimento e sepulcro. Até o cometa, aqui forjado como uma longa espada que pende sobre a cabeça de Maria, refere-se à dor de Nossa Senhora, como Simeão teria profetizado pouco depois.           

Aqui está, de facto, o idoso sacerdote, no centro do sumptuoso interior clássico do Templo da Circuncisão, enquanto, com um gesto firme e decidido, se dirige ao Menino nos braços da Mãe, sob o olhar atento da profetisa Ana e de São José que, fiel à tradição do rito hebraico de purificação da mãe, traz como dom duas rolas. O ambiente, detalhadamente descrito, inclui também duas lunetas decoradas com desenhos monocromáticos, cujos temas, o Sacrifício de Isaac e a Entrega das Tábuas da Lei, remetem ao cumprimento da antiga promessa de Deus que, com a apresentação de Jesus, sanciona a Nova Aliança.   

Uma aliança estreita para a Redenção do Homem, definitivamente confirmada na Ascensão de Cristo que venceu a morte. Sinal inequívoco desta vitória é o vexilo cruzado do Jesus de Mantegna: dentro de uma matéria amendoada de nuvens e querubins, Ele eleva-se acima do grupo orante dos Apóstolos e da Virgem que, cheios de espanto, acompanham, com os olhos, a subida ao céu d’Aquele em quem se cumpre a plenitude de todas as coisas.       

Margherita del Castillo       

Através de La Nuova Bussola Quotidiana