quinta-feira, 11 de junho de 2020

«Nosso Senhor também viu estas profanações», o apoio de Mons. Viganò



10 de Junho de 2020
Santo Anjo da Guarda de Portugal

Caríssimos,

Soube com grande pena que praticamente nenhum Bispo considerou apropriado apoiar a vossa louvável iniciativa de convocar, na festa do Sagrado Coração de Jesus, um dia de penitência em espírito de expiação pelas ofensas e pelos sacrilégios que a administração da Sagrada Comunhão na mão, segundo a modalidade imposta pela Autoridade civil e avalizada pelos Pastores, inevitavelmente comporta.        

Desconcerta-nos profundamente constatar quão zelosos são muitos Pastores em adaptar-se às disposições sanitárias dadas pela Autoridade civil e quantas derrogações conhece o seu respeito pelo Augustíssimo Sacramento e pelo Culto Divino. A mera eventualidade de um possível contágio de COVID-19 – admitindo e não outorgando que este vírus seja mais grave do que uma qualquer gripe sazonal e que, como tal, mereça maiores cautelas do que normalmente é feito – não legitima minimamente a certeza do sacrilégio perpetrado contra as Sagradas Espécies, administrando a Sagrada Comunhão usando luvas e colocando a Sagrada Hóstia nas mãos do fiel. Nada há de mais grave, de mais detestável, de mais abominável do que saber que são responsáveis
​​de tais sacrilégios não os adoradores do demónio, mas os próprios Ministros de Deus, e até os Bispos, nos quais também deveria brilhar a plenitude do Sumo Sacerdócio de Cristo.   

Na Oração dolorosíssima do Getsémani, Nosso Senhor também viu estas profanações realizadas por aqueles a quem Ele confiaria a perpetuação dos Sacramentos, fonte das inesgotáveis graças
​​que daquele Getsémani e, depois, sumariamente sobre o madeiro da Cruz, jorraram do lado do Salvador. A sua traição, como a do Apóstolo Simão, seja, para nós, um estímulo para multiplicar penitências e sacrifícios, jejuns e orações, para que aqueles que o Senhor se dignou fazer ascender os graus do Sacerdócio possam compreender a gravidade da sua culpa, chorar amargamente e confessar, com São Pedro, «Tu es Christus, Filius Dei vivi». Seja este vosso apelo, talvez apenas aparentemente abandonado pela maioria, como o aviso evangélico do cantar do galo.    

Uno-me de todo o coração a esta vossa louvável iniciativa, implorando sobre todos aqueles que nela participarão as graças que jorram do divino Coração de Nosso Senhor e Redentor. Desça sobre todos vós, pela intercessão e pela mediação da Imaculada e Dolorosa Mãe, a Bênção da Santíssima Trindade.    

Carlo Maria Viganò, Arcebispo

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