segunda-feira, 8 de junho de 2020

A pandemia e a agenda LGBT



Nada como um bom banho de realidade.    

Com a pandemia do COVID-19 já em debandada, começa um período de reflexão. Podemos aprender alguma coisa com o que aconteceu? Entre as lições que nos deixa este vírus chinês, há uma que provocará muita discussão: seja o que for que digam as feministas e o lobby LGBT, homens e mulheres não são iguais.   

A essência da ideologia LGBT é, de facto, o conceito de “fluidez de género”: não nasci com um sexo determinado pela minha natureza e, portanto, invariável, mas posso ser o que a minha fantasia sonha que eu seja. E eis que, dos dois sexos naturais, se passa para as dezenas, senão centenas, de possíveis “géneros”. A imaginação, sabe-se, é muito fértil.      

De vez em quando, porém, a Mãe Natureza (ou seja, Deus Criador da natureza) vinga-se.        

A actual pandemia deixou clara uma coisa que já tinha sido observada por ocasião das precedentes epidemias da SARS-1, em 2003, e da MERS, em 2016: os homens e as mulheres reagem de maneira diferente. E isto por um motivo muito simples: os seus sistemas imunitários não são os mesmos.         

«Mais fortes, mas também mais frágeis – escreve Elena Meli no Corriere della Salute –, as mulheres não são iguais aos homens quando se trata de se defender das infecções. Têm, de facto, um sistema imunitário super eficiente. (...) Tais defesas ferozes, no entanto, se ficarem fora de controlo, podem-se tornar um problema sério. Assim, as mulheres têm um maior risco de adoecer com doenças auto-imunes, aquelas em que o sistema imunitário “enlouquece”. (...) O sistema que nos defende dos germes tem uma vantagem no sexo feminino»[1]. De facto, 80% dos pacientes com doenças auto-imunes são do sexo feminino.      

Esta diferença entre os sexos foi revelada com a actual pandemia: «Os dois sexos sofrem de modo diverso e o COVID-19 não é excepção – diz o Prof. Carlo Selmi, responsável de Reumatologia e Imunologia Clínica do Hospital Humanitas de Milão. Aliás, é mais um caso de doença infecciosa em que os homens têm piores resultados em relação às mulheres. (...) Parece possível que os homens e as mulheres respondam de modo diverso ao SARS-CoV-2, como já tinha acontecido no caso da SARS-1»[2]. O Prof. Selmi acaba de publicar um livro dedicado ao sistema imunitário feminino: Fortissime per natura (Piemme, 2020).       

Desde o início da pandemia, observou-se que, em toda a parte, os homens morriam mais do dobro em relação às mulheres. «Isso deve-se a um mix de factores: genes, hormonas, sistema imunitário e comportamento, que são diferentes entre homens e mulheres», explica a Prof.ª Jenny Graves, docente de Genética na Universidade La Trobe, em Melbourne. «Homens e mulheres são biologicamente diferentes, são diferentes nos cromossomas e nos genes. (...) São as hormonas, produzidas do diverso património genético, que controlam as tantas e óbvias diferenças entre homens e mulheres (...) influenciando também os respectivos comportamentos». Conclui a catedrática australiana: «As diferenças entre os sexos determinam diferenças na frequência, gravidade e tratamento de muitas doenças. O caso do COVID-19 insere-se nesse critério (...) que é comum a todos os mamíferos»[3].

Um estudo com 5700 pacientes com COVID-19 internados em hospitais de Nova Iorque mostrou que 61% eram do sexo masculino. E também a taxa de mortalidade masculina era quase o dobro da feminina[4].     

«O novo coronavírus tende a afectar os homens muito mais severamente do que as mulheres – explica Laura Geggel no LifeScience e é possível que as hormonas sexuais estrogénio e testosterona possam desempenhar um papel, segundo uma precedente pesquisa sobre doenças respiratórias. Ou talvez seja porque o cromossoma X (as mulheres têm dois, enquanto que os homens apenas um) tem um número maior de genes imuno-correlatos, o que dá às mulheres um sistema imunitário mais robusto para combater o coronavírus, o SARS-CoV-2. Ou talvez o vírus se esconda nos testículos, que têm uma abundante quantidade de receptores ACE2, que consentem que o SARS-CoV-2 entre nas células»[5].        

O mesmo fenómeno já tinha sido observado na epidemia da MERS (Síndrome Respiratória do Médio Oriente), uma SARS que, em 2016, atingiu o Médio Oriente, matando muito mais homens do que mulheres. Tanto que os árabes, em forma de piada, lhe chamaram “a gripe dos homens”[6].        

Os exemplos, todos extraídos de publicações académicas, poder-se-iam multiplicar.

Apesar disso, os Governos reagiram elaborando protocolos sanitários iguais para homens e mulheres. Tal está a enfurecer as militantes feministas e os militantes LGBT, que lamentam «uma falta de perspectiva de género».       

«Para atender às necessidades das mulheres durante a pandemia do COVID-19, precisamos de desenvolver uma visão de género e de compreender os diferentes papeis dos géneros e as desigualdades entre homens e mulheres, mesmo no quotidiano. (...) Devemos incorporar uma visão de géneros na nossa estratégia em tempo de pandemia», escreve a feminista espanhola Elena Marbán[7]. Propõe, portanto, uma «desigualdade de géneros na resposta ao novo coronavírus», talvez sem se perceber que, desse modo, se destroem as raízes das ideologias feminista e LGBT, fundadas precisamente na igualdade dos géneros.  

Nada como um bom banho de realidade.    

Julio Loredo      

Através de Fatima Oggi             



[1] Elena Meli, Donne fragili perché forti, Corriere della Salute, 20 de Maio de 2020
[2] Cit. in id.
[3] Jenny Graves, Why do more men die from coronavirus than women?, The Conversation
[4] Safiya Richardson et al., Presenting Characteristics, Comorbidities, and Outcomes Among 5700 Patients Hospitalized With COVID-19 in the New York City Area, JAMA, 22 de Abril de 2020
[5] Laura Geggel, Why are more men dying from COVID-19?, LifeScience
[6] Matsuyama et al., Clinical determinants of the severity of Middle East respiratory syndrome (MERS): a systematic review and meta-analysis, BMC Public Health, 16, 2016
[7] Elena Marbán, Gender Inequality in Response to the New Coronavirus, ISGlobal

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