sexta-feira, 12 de junho de 2020

A força propulsora da Contra-Revolução



Existe uma força propulsora da Contra-Revolução, assim como existe outra para a Revolução.           

1. Virtude e Contra-Revolução   

Apontamos como a mais potente força propulsora da Revolução o dinamismo das paixões humanas desencadeadas num ódio metafísico contra Deus, contra a virtude, contra o bem e, especialmente, contra a hierarquia e contra a pureza. Simetricamente, existe também uma dinâmica contra-revolucionária, mas de natureza inteiramente diversa. As paixões, enquanto tais – tomada aqui a palavra no seu sentido técnico – são moralmente indiferentes; é o seu desregramento que as torna más. Porém, enquanto reguladas, são boas e obedecem fielmente à vontade e à razão. E é no vigor de alma que vem ao homem pelo facto de Deus governar nele a razão, a razão dominar a vontade, e esta dominar a sensibilidade, que é preciso procurar a serena, nobre e eficientíssima força propulsora da Contra-Revolução.         

2. Vida sobrenatural e Contra-Revolução   

Tal vigor de alma não pode ser concebido sem se tomar em consideração a vida sobrenatural. O papel da graça consiste, exactamente, em iluminar a inteligência, em robustecer a vontade e em temperar a sensibilidade de maneira que se voltem para o bem. De sorte que a alma lucra incomensuravelmente com a vida sobrenatural, que a eleva acima das misérias da natureza decaída e do próprio nível da natureza humana. É nessa força de alma cristã que está o dinamismo da Contra-Revolução.

3. Invencibilidade da Contra-Revolução      

Pode-se perguntar de que valor é esse dinamismo. Respondemos que, em tese, é incalculável, e certamente superior ao da Revolução: «Omnia possum in eo qui me confortat» (Fl 4, 13).   

Quando os homens resolvem cooperar com a graça de Deus, são as maravilhas da História que assim se operam: é a conversão do Império Romano, é a formação da Idade Média, é a reconquista da Espanha a partir de Covadonga, são todos esses acontecimentos que se dão como fruto das grandes ressurreições de alma de que os povos são também susceptíveis. Ressurreições invencíveis porque não há o que derrote um povo virtuoso e que verdadeiramente ame a Deus. 

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, in Revolução e Contra-Revolução (brevemente em Portugal)

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