quinta-feira, 4 de junho de 2020

«A agressão à família também se tem manifestado na Igreja» – Mons. Viganò



O Arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América, concedeu, anteontem, uma muito interessante entrevista ao portal católico norte-americano LifeSite News. Partindo de uma afirmação presente na entrevista que o Dies Iræ fez a Sua Excelência em Abril, o portal apresentou inúmeras questões ao Arcebispo Viganò sobre as aparições de Nossa Senhora em Civitavecchia, uma localidade na província de Roma, iniciadas em 1995.

Ao longo da entrevista, num total de dezasseis questões, o Prelado italiano relatou o contexto em que tais aparições ocorreram, começando por referir que, praticamente desde logo, «o Pontífice, João Paulo II, deu a conhecer ao Bispo o seu interesse e convidou-o a não ser céptico», sendo que, em 2005, ano da morte do Papa polaco, a estátua lacrimou nos dias da agonia do Pontífice.

Questionado sobre qual teria sido a principal mensagem da Virgem Santíssima em Civitavecchia, Monsenhor Carlo Maria Viganò respondeu aquilo que Jessica, uma das testemunhas das aparições, respondeu quando questionada sobre o mesmo: «A principal mensagem é que se quer destruir a família. E, depois, a apostasia na Igreja e o risco de uma terceira guerra mundial». Impressionante é, igualmente, aquilo que Nossa Senhora diz sobre Itália: «A vossa nação está em grave perigo. Em Roma, as trevas descem cada vez mais sobre a Rocha que o Meu Filho Jesus vos deixou para edificar, educar e fazer crescer espiritualmente os seus filhos. Bispos, a vossa missão é continuar o crescimento da Igreja de Deus, sendo vós os herdeiros de Deus».

«Consagrai-vos todos a mim, ao meu Imaculado Coração, e eu protegerei a vossa Nação sob o meu manto agora cheio de graças. Ouvi-me, peço-vos, suplico-vos! Eu sou a vossa Mãe celestial, peço-vos: não me façais chorar novamente ao ver tantos filhos morrerem pelos vossos pecados, não me aceitando e permitindo que Satanás aja», pediu a Mãe de Deus em Civitavecchia.

Aquando das primeiras manifestações, o Bispo diocesano, Mons. Girolamo Grillo, instituiu uma Comissão Diocesana que, depois de se ter pronunciado maioritariamente pela sobrenaturalidade do acontecimento, transmitiu a sua decisão à Congregação para a Doutrina da Fé, que, por sua vez, estabeleceu uma Comissão liderada pelo Cardeal Camillo Ruini. Tendo em conta que esta última Comissão foi extinta sem ter emitido um veredicto – algo que o Cardeal Bertone tentou negar, ao dizer que a Comissão vaticana teria dado o seu non constat, tendo sido prontamente desmentido por Mons. Grillo –, tal significa, do ponto de vista legal, a confirmação tácita da decisão da Comissão Diocesana.

«A batalha decisiva entre o Reino de Cristo e o reino de Satanás diz respeito ao matrimónio e à família. Atacar a família significa destruir a célula fundamental da sociedade, mas também da Igreja. A agressão à família também se tem manifestado na Igreja, explicitamente com a Exortação Apostólica Amoris laetitia, com a possibilidade de negar a indissolubilidade do matrimónio, com a legitimação da homossexualidade e com a promoção da ideologia de género», defende o ex-Núncio Apostólico.

Monsenhor Carlo Maria Viganò, que várias vezes se tem dirigido ao povo português, conclui a longa entrevista citando o Papa Pio XII: «Quantos aí de joelhos, aos pés da Imaculada, Lhe jurastes redobrada fidelidade e amor, é mister que vos levanteis campeões decididos da sua maternal Soberania, apostados a não descansar, enquanto não A virdes reinar soberana em tudo e em todos: primeiro em vós mesmos, na própria vida e actividades, como filhos amantes que se gloriam de imitar as virtudes maternas; depois, em torno de vós, nas famílias, nas classes e agremiações sociais, e em todas as actividades particulares e públicas» (7 de Setembro de 1954).   

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