sexta-feira, 22 de maio de 2020

O juízo de Deus na história (I)


Terra infecta est ab habitatoribus suis,
propter hoc maledictio vastabit terram
Isaías 24, 6

Na época do coronavírus pode-se falar de tudo, mas há certos temas que continuam a ser proibidos, sobretudo no mundo católico. O principal desses temas é talvez o do juízo e da retribuição divina na história. A existência desta censura é uma boa razão para abordar o assunto.             

O Reino de Deus e a sua justiça 

Não parto do Antigo Testamento, onde as referências aos castigos divinos são inúmeras, mas das próprias palavras de Nosso Senhor, que nos diz: «Procurai primeiro o Seu reino e a Sua justiça e tudo o mais se vos dará por acréscimo» (Mt 6, 33).  

Estas palavras do Evangelho são um programa de vida para cada um e recordam-nos uma das bem-aventuranças: «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados» (Mt 5, 6).            

A noção de justiça é uma das primeiras noções morais da nossa razão: os filósofos definem-na como a inclinação da vontade de dar a cada um o que lhe é devido. O desejo de justiça está no coração de cada homem. Nós não procuramos apenas o que é verdadeiro, bom, bonito, mas também o que é justo. Toda a gente ama a justiça e detesta a injustiça. E como o mundo está cheio de injustiças e a justiça humana, aquela administrada pelos tribunais, é imperfeita, aspiramos a uma justiça perfeita, que não existe na terra e que somente em Deus podemos encontrar.     

O mais célebre processo da história, o de Nosso Senhor Jesus Cristo, sancionou a mais clamorosa injustiça de todos os tempos. Mas Deus é infinitamente justo, porque dá infalivelmente a cada um o seu. A beleza do universo está na sua ordem e a ordem é o reino da justiça, porque a ordem é dar a cada coisa o seu lugar e a justiça é dar a cada um o seu: unicuique suum, como estabelecia o direito romano.                   

Roberto de Mattei            

Através de Corrispondenza Romana

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