sábado, 30 de maio de 2020

“Mulheres-sacerdote”: Roma locuta, causa finita


Os textos são claros e não permitem interpretações: o não às ordenações femininas é definido e definitivo. João Paulo II dissipou qualquer possível incerteza a esse respeito com a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, onde está escrito no número 4: «Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja». Conceito também reafirmado no esclarecimento A propósito de algumas dúvidas sobre o carácter definitivo da Doutrina da Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, assinado pelo Cardeal Luis Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Lê-se no documento: «Cristo quis conferir este sacramento aos doze apóstolos, todos homens que, por sua vez, o transmitiram a outros homens. A Igreja sempre se reconheceu vinculada a esta decisão do Senhor, que exclui que o sacerdócio ministerial possa ser validamente conferido às mulheres. […] A Congregação para a Doutrina da Fé, em resposta a uma dúvida sobre o ensinamento da Ordinatio Sacerdotalis, reiterou que esta é uma verdade que pertence ao depósito da fé». E não só: «a Igreja reconhece que a impossibilidade de ordenar as mulheres pertence à “substância do sacramento” da Ordem».      

Ainda assim, há quem parece não querer fazer caso e continua a exercer pressões para que seja autorizado o que não poderá sê-lo. Mesmo à custa de manter tudo em aberto, como aconteceu na Diocese de Friburgo, na Suíça, onde, pela primeira vez, foi nomeada uma mulher, Marianne Pohl-Henzen, para o cargo de Vigário Episcopal, função tradicionalmente atribuído a um sacerdote.         

Pohl-Henzen, 60 anos, casada, mãe de 3 filhos e avó de muitos netos, colaborou muito tempo com o seu antecessor: agora dependerão totalmente dela todas as questões relacionadas com o clero diocesano. Segundo Il Messaggero, «aceitou o cargo como um sinal positivo que levará à promoção das mulheres na Igreja. Não escondeu a esperança de que esta passagem possa ser um prenúncio de notícias positivas também em Roma, onde se discute a possibilidade de abrir uma janela ao diaconado feminino». Se tal fosse verdade, a senhora Pohl-Henzen também terá sólidos estudos teológicos por trás dela, como especifica o quotidiano romano, mas, evidentemente, a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis nunca foi uma das suas leituras. Os estudos não a protegem, naturalmente, de erros, nem de interpretações ideológicas, resultado mais de um feminismo d’antan do que de uma verdadeira prudência pastoral. Especialmente sobre questões como esta, a que se aplica o ditado: “Roma locuta, causa finita”. Agrade ou não a Friburgo.          

Através de Corrispondenza Romana

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