quarta-feira, 20 de maio de 2020

Comentário ao Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (XXI)


O primeiro capítulo do Tratado termina com estas palavras, aplicadas aos apóstolos dos últimos tempos, que merecem ser meditadas com atenção pela força e pela verdade que as inspira:        

«Sabemos, enfim, que serão verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, que seguirão as pegadas da sua pobreza, humildade, desprezo do mundo e caridade. Ensinarão o estreito caminho de Deus na completa fidelidade à verdade, segundo o santo Evangelho e não segundo as máximas do mundo, sem se desinquietarem e sem fazerem acepção de pessoas, e não hão-de poupar, escutar nem temer nenhum mortal, por poderoso que seja. Terão nos lábios a espada de dois gumes que é a palavra de Deus, e levarão aos ombros o estandarte sangrento da cruz, o crucifixo na mão direita, o terço na esquerda, os sagrados nomes de Jesus e Maria no coração, a modéstia e a mortificação de Jesus Cristo em toda a sua conduta.

Eis os grandes homens que hão-de vir, mas será Maria a moldá-los, por ordem do Altíssimo, para estender o seu império sobre o dos ímpios, idólatras e maometanos. Mas quando e como acontecerá isto?... Só Deus o sabe. Quanto a nós, apenas nos cabe calar, rezar, suspirar e esperar: Expectans expectavi
» (n. 59).    

A missão dos apóstolos dos últimos tempos é, portanto, uma missão de pregação, São Luís já o disse no número 58, e de ensino, reafirma-o no número 59: pregação e ensino numa sociedade em que a palavra de Deus é abandonada mesmo pelos homens da Igreja, que têm o dever principal de ensinar e de pregar. Os apóstolos dos últimos tempos não pretenderão substituir os homens da Igreja e nem sequer serão presunçosos e exibicionistas nas suas pregações, mas caracterizados por humildade, modéstia e mortificação na sua conduta. Terão, no entanto, na sua boca – é a segunda vez que o santo diz –, a espada de dois gumes da palavra de Deus, a espada da verdade, num mundo em que a lei é a mentira e a hipocrisia. E pregarão a verdade, que não é a sua opinião, mas a palavra de Deus, sem temerem algum mortal, por mais poderoso que seja. 

Com uma mão combaterão, com a outra edificarão, disse no número 48 e agora diz que levarão o crucifixo na mão direita e o terço na esquerda. Uma mão que reza ininterruptamente, que desfia o Rosário, que nunca se separa de Nossa Senhora; a outra mão, erguida, que agita o crucifixo como uma espada contra os inimigos.    

Empunhando o crucifixo, combaterão os ímpios, os idólatras e os maometanos; apertando o Rosário, edificarão o Império de Deus, o Reino de Maria sobre toda a sociedade. São Luís está certo de que isso acontecerá. O que é incerto é apenas quando e como deverá ocorrer. «Só Deus o sabe», diz. «Quanto a nós, apenas nos cabe calar, rezar, suspirar e esperar». 

Em Fátima, Nossa Senhora confirmou a certeza de São Luís com a divina promessa: Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. E também nos revelou o cenário de tragédia, por causa dos pecados do mundo, em que esta promessa se realizará.     

Também nós devemos desejar que isso aconteça, e que aconteça em breve, para a maior glória de Deus. E, para que isso aconteça, é necessário que se difunda uma verdadeira devoção a Maria, mais profunda, mais ardente e eficaz do que todas as devoções a Maria que a humanidade até agora conheceu. O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem foi escrito para isso.         

Roberto de Mattei      

Sem comentários:

Publicar um comentário

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
Para esclarecimentos e comentários, queira contactar: info@diesirae.pt