quarta-feira, 13 de maio de 2020

Comentário ao Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (XIV)


São Luís expõe sete razões pelas quais Deus deve revelar o papel reservado a Maria nos últimos tempos.    

Nas duas últimas razões, ele explica que a Santíssima Virgem não foi criada apenas para ser a Mãe do Salvador, mas também para ser a Mãe dos Filhos de Jesus Cristo e, nesta maternidade carinhosa, ela manifestará a sua glória apoiando-os nas batalhas que, até ao fim dos tempos, deverão travar contra os filhos das trevas.  

Maria, diz o santo: «deve brilhar mais do que nunca em misericórdia, em força e em graça, nestes últimos tempos; em misericórdia, para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e extraviados, que se converterão e regressarão à Igreja Católica; em força, contra os inimigos de Deus, idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente, para seduzir e fazer cair, por meio de promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários; e, finalmente, ela deve brilhar em graça, para animar e suster os valorosos soldados e fiéis servos de Jesus Cristo, que combaterão pelos seus interesses» (n. 50).

A última razão pela qual ela deve ser revelada é a seguinte: «por fim, Maria, para o diabo e seus sequazes, deve ser terrível como um exército em boa formatura e pronto para a batalha, sobretudo nestes últimos tempos, porque o diabo bem sabendo que já lhe resta pouco tempo, muito menos do que nunca, para deitar as almas a perder, redobra cada dia os seus esforços e ataques. Muito em breve, suscitará perseguições cruéis e armará ciladas terríveis aos servos fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, a quem consegue vencer com muito mais dificuldade do que aos demais» (ibid.).       

O papel de Maria é, portanto, o de liderar uma grande batalha que caracterizará os últimos tempos. Maria deve resplandecer em misericórdia para acolher, nos seus braços, os pecadores arrependidos; em força para lutar contra os inimigos de Deus que o santo mais uma vez enumera: são os idólatras, ou seja, aqueles que prestam culto a ídolos e falsos deuses; os cismáticos, isto é, aqueles que, mesmo professando o nome cristão, se separam da Santa Igreja Romana; os maometanos, que seguem o Corão; os judeus, que não reconhecem Jesus Cristo como verdadeiro Messias; e os empedernidos, ateus e incrédulos de toda a espécie que odeiam Deus, Jesus Cristo e a sua Igreja. Mais uma vez, notamos que o santo não fala de heresias, mas de hereges, não de cismas, mas de cismáticos, e assim por diante, porque o mal é espalhado por homens concretos e deve ser combatido por homens concretos que defendem o bem.          

Por isso, Maria deve, por fim, resplandecer em graça para animar e sustentar os servos fiéis que, em nome dela e de Jesus, travarão a batalha, porque nenhuma vitória é possível sem a ajuda de Deus e esta ajuda vem através de Maria.

A visão conclusiva é a de Maria que, terrível como um exército em ordem de batalha, enfrenta os inimigos de Deus: terribilis ut castrorum acies ordinata, segundo a imagem do Cântico dos Cânticos (6, 3).          

Diz uma oração composta por São João Bosco: «Ó poderosa Virgem Maria. Vós, grande e ilustre protecção da Igreja; Vós, Auxílio maravilhoso dos Cristãos; Vós, terrível como um exército em ordem de batalha; Vós que, sozinha, destruístes cada heresia em todo o mundo, nas nossas angústias, na nossa luta, nas nossas necessidades, defendei-nos do inimigo e, na hora da morte, acolhei a nossa alma no Paraíso. Amen».       

Roberto de Mattei

Sem comentários:

Publicar um comentário

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
Para esclarecimentos e comentários, queira contactar: info@diesirae.pt