sábado, 4 de abril de 2020

«Tu o disseste» – Comunicado do Arcebispo Carlo Maria Viganò



O Dies Iræ publica, em exclusivo para Língua Portuguesa, um comunicado do Arcebispo Carlo Maria Viganò. 

«Em verdade vos digo: Um de vós me há-de entregar. Profundamente entristecidos, começaram a perguntar-lhe, cada um por sua vez: “Porventura serei eu, Senhor?”. Ele respondeu: “O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará. O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor que esse homem não tivesse nascido!”. Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: “Porventura serei eu, Mestre?”. “Tu o disseste” – respondeu Jesus» (Mt 26, 21-25).       

Foi publicado, a 25 de Março, com uma autêntica novidade, o Anuário Pontifício 2020. Pode parecer uma futilidade tipográfica, na parte dedicada ao Pontífice reinante, mas não é assim. Até ao ano passado, de facto, os títulos de Francisco eram elencados no topo da página, começando com «Vigário de Cristo», «Sucessor do Príncipe dos Apóstolos», etc., para terminar com o nome secular e uma brevíssima biografia.   

Na nova edição, por outro lado, destaca-se, em letras grandes, o nome secular Jorge Mario Bergoglio, seguido da biografia, da data da eleição e do início do «ministério de Pastor universal da Igreja». Separados por um traço e pela menção «Títulos históricos», são, depois, elencados todos os títulos do Romano Pontífice, como se já não fossem parte integrante do munus petrinum que legitima a autoridade reconhecida pela Igreja ao Papa.      

Esta mudança na paginação e no conteúdo de um texto oficial da Igreja Católica não pode ser ignorada, nem é possível atribuir-se a um gesto de humildade da parte de Francisco, que, por outro lado, mal se concilia com o seu nome bem em evidência. Parece, em vez disso, poder ver-se a admissão – sob silêncio – de uma espécie de usurpação, onde não reina o «Servus servorum Dei», mas a pessoa de Jorge Mario Bergoglio, que negou oficialmente ser o Vigário de Cristo, o Sucessor do Príncipe dos Apóstolos e o Sumo Pontífice, como se se tratassem de irritantes pompas do passado: apenas «títulos históricos», de facto.      

Um gesto quase desafiador – poder-se-ia dizer – em que Francisco transcende cada título; ou pior: um acto de oficial alteração do Papado, com o qual ele já não se reconhece guardião, mas torna-se dono da Igreja, livre para demoli-la por dentro sem ter que responder a ninguém. Em suma, um tirano.          

Não escape aos Pastores e aos fiéis o alcance deste gravíssimo gesto, com o qual o doce Cristo na terra – como Santa Catarina tratava o Papa – se desvincula do seu papel de Vigário para se proclamar, num delírio de orgulho, um monarca absoluto também em relação a Cristo.

Aproximamo-nos dos dias sagrados da Paixão do Salvador, que começa, no Cenáculo, com a traição de um dos Doze; não é ilegítimo perguntar se as palavras de compreensão com que, a 16 de Junho de 2016, Bergoglio tentou reabilitar Judas, não foram uma desajeitada tentativa de desculpar-se a si mesmo.           

Este arrepiante pensamento é também confirmado pela terrível decisão de proibir a Catolicidade de celebrar, pela primeira vez, a Páscoa dois mil anos após a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.          

«O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue» (Mt 26, 24).            

Carlo Maria Viganò, Arcebispo         
Sexta-Feira da I Semana da Paixão de 2020

Através de Corrispondenza Romana.

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