quinta-feira, 16 de abril de 2020

Reacção à entrevista do Cardeal Marto e à postura do episcopado português



«Quia Christi bonus odor sumus Deo in his, qui salvi fiunt, et in his, qui pereunt:
aliis quidem odor ex morte in mortem, aliis autem odor ex vita in vitam
»
 (2 Cor 2, 15-16).
Como é de conhecimento geral e à semelhança de outros episcopados que seguiram o nocivo exemplo da Conferência Episcopal Italiana, fortemente influenciada por quem, no dizer de Monsenhor Viganò, está «protegido pelas muralhas leoninas», Portugal, por meio da sua Conferência Episcopal, proibiu, através de um comunicado de 13 de Março p. p., a celebração da Santa Missa com a presença de fiéis e reduziu praticamente por completo o acesso destes aos Santos Sacramentos, abandonando, assim, os católicos à própria sorte e abdicando voluntariamente do cuidado das almas que é exigido aos Pastores a quem Nosso Senhor confiou o Seu Povo. Assim se pode mais uma vez constatar que, nos momentos de maior ebulição social, a Igreja do ominoso aggiornamento, ao curvar-se servilmente perante um poder bárbaro, rapidamente olvida o «cheiro das ovelhas» (Francisco, Homilia na Santa Missa Crismal de 28 de Março de 2013), de que tanto fala quando tudo aparenta correr bem, e prontamente os seus seguidores, conscientemente ignorando o grave dever que lhes compete de zelar pelo bem espiritual das almas, abandonam as suas “ovelhas” «enquanto o lobo as arrebata e dispersa, porque é mercenário e não se importa das ovelhas» (Jo 10, 12-13).                

Se dúvidas houvesse, certamente que já todos nos sentimos mais esclarecidos quanto à orientação do ilustre episcopado nacional, considerando que, passada segunda-feira, o Cardeal António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, concedeu uma funesta entrevista ao espanhol Religión Digital, o principal portal de informação religiosa em castelhano, onde começa por dizer que, perante a pandemia do COVID-19, não se «sente só», mas também não sai da casa episcopal de Leiria, dedicando «mais tempo à oração, especialmente à intercessão pelos que sofrem, à leitura, à preparação de assuntos pastorais futuros, ao despacho diário de assuntos diocesanos, ao contacto telefónico com os colaboradores mais próximos e com os sacerdotes mais idosos». D. António Marto, que foi feito Cardeal, pelo Papa Francisco, a 28 de Junho de 2018, menciona pretensiosamente que acompanha a vida do mundo e da Igreja «através da Internet e da televisão».        

Questionado sobre o temor diante da possibilidade da morte, D. António Marto, ao invés de tratar a questão de um ponto de vista rigorosamente doutrinal, isto é, recorrendo às verdades da Fé e defendendo que o mais premente é não permitir a morte eterna da alma, em detrimento da do corpo, que é passageiro e limitado, consente no raciocínio mundano ao reiterar que «o medo é uma coisa muito humana diante de um perigo iminente e ameaçador, especialmente quando enfrentamos tão duramente o temor de uma morte inesperada». Onde ficaram os Novíssimos do Homem e a certeza de que o Pai Eterno jamais abandonará a Sua Igreja e, simultaneamente, os Seus filhos (cf. Mt 16, 18)?                    

Reagindo aos sábios pronunciamentos de alguns Prelados que advertem, com toda a clareza, que o COVID-19 é uma punição divina perante as nossas misérias e os sofrimentos que continuamente infligimos a Nosso Senhor, o purpurado, seguidor acérrimo das mudanças bruscas e quase sem precedentes do pontificado de Francisco, acusa-os de não serem cristãos, uma vez que «só o diz quem não tem na mente e no coração a verdadeira imagem de Deus Amor e Misericórdia, revelada em Cristo, por ignorância, fanatismo sectário ou loucura». São aterradoras as alegações de Marto face aos Cardeais e Bispos que, de forma fiel a Nosso Senhor, têm demonstrado a perenidade da Santa Tradição e analisado, de um ponto de vista autenticamente católico, a situação presente que a todos diz respeito e, em alguns casos, aflige, ainda mais do que seria necessário e justificável, concorrendo, para isso, o contributo dos hierarcas incrédulos. D. António Marto prefere continuar a propagar a «ecologia integral» de Francisco e, no seguimento das mensagens que Bergoglio tem feito chegar a sectores políticos e sociais manifestamente anti-católicos, como sucedeu no Domingo de Páscoa, com a carta aos movimentos populares, desbaratar tempo na salvaguarda de uma fantasiosa «sociedade mais justa e mais solidária», colocando de parte a primazia absoluta de Cristo e tentando desmembrar a Igreja, o «único porto de salvação» (Encíclica Mystici Corporis Christi de 29 de Junho de 1943)!              

São também muito reveladores os desatinos pronunciados com relação aos Sacramentos, mormente ao da Penitência, nomeadamente quando fazem ecoar que o Prelado «não tem nenhuma objecção à confissão por videoconferência», crendo que «o Espírito Santo também actuará por estes meios». Outras imprudências são pronunciadas a respeito dos Sacramentos, a título de exemplo quando é dito que «foi muito doloroso para as famílias ver morrer os seus entes queridos sem a possibilidade de despedir-se e sem ter um funeral religioso digno», sendo capital frisar que tal resolução foi perfeitamente acolhida pelo episcopado português, tornando-se, inclusive, motivo de tenaz perseguição aos sacerdotes que, e justamente, a não respeitassem; ou quando atira que os «sacerdotes devem respeitar o confinamento, como cidadãos responsáveis, para não infectarem os outros ou serem infectados», procurando quase desculpar o abandono dos fiéis por parte do Clero, principiando pelos hierarcas, com um hipotético sentimento de alguns sacerdotes que terá dado origem a «um novo desejo de evangelização através das redes sociais e da comunicação digital», tratando-se de «uma forma de exercer o ministério pastoral e de estar próximo das pessoas nesta jornada no deserto». Quantos fiéis têm efectivamente acesso às redes sociais? E, particularmente, quantos fiéis morrem privados dos Sacramentos e, desgraçadamente não raras vezes, afastados da graça de Deus? Quantas almas se estão a perder devido à ingerência de um Clero mundano e relativista?             

Quase a terminar, o Bispo de Leiria-Fátima limita-se a dizer que, pensando no mundo que emergirá após a pandemia, o essencial é «repensar o sistema económico e financeiro para obter mais justiça e eliminar a flagrante desigualdade entre a minoria rica do mundo e a maioria dos pobres e descartados», não preterindo «a ecologia integral» e, ostensivamente, «a fraternidade universal» propagada por Francisco aquando dos seus célebres encontros inter-religiosos.                

A machadada final é dada quando é explanado que, diante da situação actual, «se abre uma oportunidade para que a Igreja leve a cabo a sua reforma pastoral como proposto pelo Papa Francisco», isto é, «a Igreja como hospital de campanha, misericordiosa, samaritana; a Igreja em saída, missionária; a Igreja do diálogo, do encontro entre todos, da fraternidade universal e da paz». Em suma, a criação de uma Igreja, qual ONG, que, mediante a acção dos seus Pastores rendidos aos ideais do mundo, salvo honrosas excepções, arregaça as mangas e continua a lançar as bases para a nova ordem mundial tão desejada por quem, com tanta pompa, pertence à medíocre cúpula dos que proclamam ser fãs do Pontífice reinante a «200%»!       

Perante esta situação, que nos escandaliza mas não nos deve abater, nem muito menos fazer perder a Fé e a confiança n’Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6), serve-nos de bálsamo a garantia do triunfo do Imaculado Coração de Maria, nosso refúgio nos tempos de incerteza e de apostasia por parte daqueles que, à imitação dos Apóstolos, deveriam conduzir os fiéis pelas vias da verdade, da justiça e da rectidão, sem terem onde «reclinar a cabeça» (Mt 8, 20), mas preferiram render-se às frivolidades terrenas. Apelamos, pois, a que o Povo de Deus em Terras de Santa Maria não pactue com a indiferença homicida dos seus Pastores e, por outro lado, não cesse de invocar fervorosamente a protecção e a mediação da Virgem Santíssima, a Senhora do Rosário de Fátima, do Santo Anjo Custódio de Portugal e de todos os Santos, particularmente de S. José, Patrono e Protector da Santa Madre Igreja, para que, junto do Trono do Altíssimo, aplaquem a Sua ira e nos obtenham o Seu imerecido perdão!     

16 de Abril, quinta-feira de Páscoa de 2020

1 comentário:

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
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