sexta-feira, 24 de abril de 2020

O Vaticano consagra-se ao ecologismo anti-humano



O que, ontem [anteontem, 22 de Abril, n. d. r.], se viveu no Vaticano, poderia ser referido como mais uma grandiosa manifestação de um pensamento ecologista que é a característica peculiar deste pontificado. O que já seria bastante grave, mas o que, ontem, aconteceu é muito mais: é a união definitiva do pensamento e da acção entre a Santa Sé e o lobby ecologista mundial.     

Ontem, celebrou-se o 50.º Dia da Terra, um acontecimento importante, como se costuma dizer, que ocorre num momento muito particular, devido à conhecida pandemia em curso. Devendo-se evitar as praças, apostou-se numa maratona multimédia de 12 horas, com o significativo título de #OnepeopleOneplanet (Um povo, um planeta), que contou com a participação dos media vaticanos (Vatican News, sobretudo) e da Tv2000 (a emissora da Conferência Episcopal Italiana). Não só: na quarta-feira, o Papa Francisco dedicou a sua audiência ao Dia da Terra, interrompendo o ciclo de catequeses que está a realizar. Se a ser notícia foi a inédita e discutível definição dos «pecados contra a terra», ainda é mais significativo o horizonte religioso que propôs, referindo-se, embora sem mencioná-la, à Hipótese de Gaia (a deusa grega da Terra): isto é, a ideia da terra como um organismo vivo que reage às agressões, melhor, que se vinga.        

Um motivo para tanta atenção do Papa e dos media vaticanos também foi o facto de o Dia da Terra ter sido dedicado à encíclica Laudato Si’, de que ocorre o quinto aniversário. E é aqui que a questão se torna interessante, porque concretiza o processo de integração entre um certo cato-ecologismo, promovido, in persona, pelo Papa e pelos movimentos que estão por trás do Dia da Terra.         

A este ponto, é interessante saber como nasceu e o que é, efectivamente, o Dia da Terra. O Vatican News define-o como um movimento nascido “de baixo” que, após um acidente petrolífero no mar, decidiu unir todas as forças que já protestavam contra a degradação ambiental. A primeira grande manifestação pela defesa do meio ambiente realizou-se, a 22 de Abril de 1970, com a participação de 20 milhões de americanos. Um movimento espontâneo, nascido “de baixo”, que o Papa gostaria (disse-o ontem) que continuasse, actualmente, a nível mundial.     

Pena que as coisas não sejam absolutamente assim. Se é verdade que nos Estados Unidos eram já muito activos vários movimentos ambientalistas, que reagiam, sobretudo, à elevada poluição atmosférica das grandes cidades americanas, a sua convergência num movimento político de forte impacto foi uma operação “de cima”, que tinha, principalmente, dois protagonistas: o senador (democrata) de Wisconsin, Gaylord Nelson, e o milionário Hugh Moore. O primeiro era um ambientalista convicto, uma espécie de progenitor de Al Gore, e o outro, desde sempre, comprometido em direccionar a política americana para o controlo da natalidade. 

Foi o próprio Hugh Moore que, na década de 50 do século XX, cunhou a imagem da “bomba demográfica”, que se tornou universalmente conhecida pelo livro que, em 1968, escreveu o biólogo Paul Ehrlich. E também foi Hugh Moore que cunhou o slogan que dará a perspectiva definitiva para o Dia da Terra: “A população polui”. Deste modo, uniam-se o movimento ecologista e o movimento para o controlo da natalidade (para uma descrição mais completa sobre a origem do Dia da Terra, clique aqui), ambos herdeiros das Sociedades Eugenéticas nascidas, nos Estados Unidos, no final do século XIX. Desde então, os movimentos anti-natalistas e ambientalistas – do Sierra Club ao Worldwatch Institute, do Planned Parenthood ao Zero Population Growth – falam a mesma linguagem e, obviamente, trata-se de movimentos que se desenvolveram graças ao generoso financiamento das grandes fundações americanas.

Nestes 50 anos, as forças que estão por trás do Dia da Terra não só não diluíram a sua identidade, como cresceram tremendamente, ocupando posições-chave em muitos governos – a partir dos Estados Unidos – e assumiram o controlo das agências das Nações Unidas, tomando uma dimensão mundial.     

E é triste dizer que, nos últimos anos, ocuparam, efectivamente, o Vaticano, como denunciámos repetidamente. Quando falam da defesa do meio ambiente, tais pessoas não têm em mente o cuidado da Criação numa perspectiva cristã; têm, em vez disso, a ideia de que o homem é o verdadeiro inimigo da terra e, portanto, a sua presença deve ser limitada: seja quantitativamente (controlo da natalidade, especialmente nos países pobres), seja qualitativamente (freio no crescimento económico até à teorização do chamado “decréscimo da felicidade”). Estes também são os pilares das políticas ambientais globais elaboradas desde os anos 90 do século passado e o pano de fundo cultural dos acordos internacionais sobre mudanças climáticas.     

Assim, se o primeiro Dia da Terra marcou a união das diferentes correntes eugenéticas, o 50.º Dia da Terra, com a celebração da encíclica Laudato Si’ e a entusiástica participação vaticana, marca outra união histórica: aquela entre este movimento global e a Santa Sé, a única força que, entre os séculos XX e XXI, se opunha, em nome da defesa da dignidade humana, a esta homologação de pensamento. Por outras palavras, estamos a assistir à entrega da Igreja ao poder do mundo.              

Riccardo Cascioli        

Através de La Nuova Bussola Quotidiana.  

1 comentário:

  1. Vaticano?!
    Quem é essa gente?!
    São nada!
    Pequenos Pontos Negros dentro da Igreja que proclamam a falsa doutrina para confundir a Verdadeira Igreja de Cristo!
    Façamos nossa a determinação de Afonso Domingues “A abóbada não caiu, a abóbada não cairá!”

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