segunda-feira, 6 de abril de 2020

Cardeal birmanês ataca o Partido Comunista Chinês



O Cardeal na linha de frente. O Cardeal Charles Bo é Arcebispo da Arquidiocese de Yangon, em Myanmar. É o primeiro Cardeal birmanês, nasceu em 1948, foi eleito Bispo em 2003, Cardeal em 2015 e preside à Conferência da Federação dos Bispos Asiáticos.       

Localização. A antiga Birmânia, hoje República da União de Myanmar, com 678 mil km2, por volta de 55 milhões de habitantes, tem fronteiras com a China. Cerca de 700 mil dos seus habitantes são católicos.

Declaração histórica contra o despótico PCC. O Cardeal-Arcebispo, cujo país tem fronteiras com a China (quase 10 milhões de km2, 1,5 bilião de habitantes), divulgou, em fins de Março, a propósito da crise do coronavírus, uma corajosa e esclarecedora declaração contra o Partido Comunista Chinês. A declaração foi enviada à imprensa e teve, em particular, repercussão na Europa e encontra-se, na íntegra, no site da Arquidiocese. Logo no começo, afirma o Purpurado: «Vozes no mundo inteiro levantam-se contra a atitude tomada pela China, em especial pelo despótico Partido Comunista Chinês, liderado pelo homem forte Xi Jinping».

Estudos demolidores. Continua o Arcebispo de Yangon: «O London Telegraph, de 29 de Março, divulgou que o Ministro da Saúde inglês acusou a China de esconder a escala verdadeira do coronavírus naquele país. James Kraska, reputado professor de Direito, escreveu, na última edição do “War on Rocks”, que a China é legalmente responsável pelo COVID-19 e os pedidos de indemnização estariam na casa dos triliões (de dólares)».  

Prossegue Mons. Charles Bo, citando estudos: «Um modelo epidemiológico realizado na Universidade de Southampton concluiu que se a China tivesse agido responsavelmente, apenas uma, duas ou três semanas antes, o número de pessoas afectadas pelo vírus teria sido menor em 66%, 86% e 95%, respectivamente. A sua atitude desencadeou um contágio universal, matando milhares».  

O PCC é réu. Pondera o hierarca: «Quando estudamos os danos causados a vidas no mundo inteiro, precisamos de procurar o responsável. Muitos governos estão a ser acusados de omissão por saberem do problema do coronavírus em Wuhan. Mas existe um governo que tem a responsabilidade primeira, resultado do que fez e do que deixou de fazer: o governo do Partido Comunista Chinês, em Pequim. Vou ser claro – o respons
ável é o Partido Comunista Chinês, não o povo da China. O povo chinês é a primeira vítima do vírus e, há muito tempo, tem sido a primeira vítima do seu regime repressivo».          

Mentiras disseminadas, verdades escondidas. Avança o Cardeal: «Quando o vírus apareceu, as autoridades chinesas censuraram as notícias. Em vez de proteger o público, e apoiar os médicos, o Partido Comunista Chinês silenciou os denunciantes. Pior ainda, os médicos que tentaram dar o alarme – como o Dr. Li Wenling, no Hospital Central de Wuhan, que advertiu colegas a 30 de Dezembro – foram silenciados. A polícia ordenou-lhes que “parassem de espalhar rumores falsos”. A polícia mandou o Dr. Li, oftalmologista, “parar de divulgar comentários falsos”; foi obrigado a assinar uma confissão. Morreu infectado pelo vírus. Desapareceram jornalistas jovens, que tentaram noticiar a pandemia. Li Zehua, Chen Qiushi, Fang Bin, ao que parece, foram e continuam presos por dizer a verdade».

Crescente perseguição religiosa. Mons. Charles Bo denuncia a crescente perseguição na China: «As mentiras e a propaganda colocaram em perigo milhões de vidas no mundo inteiro. A conduta do Partido Comunista Chinês evidencia a sua natureza crescentemente repressiva. Nos últimos anos, houve grave diminuição da liberdade de expressão na China. Advogados, bloggers, dissidentes e activistas foram perseguidos e desapareceram. Em particular, o regime desencadeou uma campanha contra a religião, da qual resultou a destruição de milhares de igrejas e cruzes e a prisão de, pelo menos, um milhão de muçulmanos em campos de concentração. Um tribunal independente de Londres, presidido por Sir Geoffrey Nice, acusa o Partido Comunista Chinês de, pela força, colectar órgãos humanos de objectores de consciência».     

O PCC, ameaça para o mundo. O Cardeal sobe o tom: «Durante a sua conduta irresponsável e inumana na crise do coronavírus, o Partido Comunista Chinês provou que é uma ameaça para o mundo». 

Responsabilização lógica. E conclui: «Por causa da sua negligência criminosa e da sua repressão, o regime chinês, dirigido pelo Partido Comunista Chinês e pelo poderoso Xi Jinping, é responsável pela disseminação da pandemia. Deve-nos uma compensação pela destruição que causou, isto é, deve, pelo menos, pagar os gastos dos países no combate ao COVID-19. Com base na nossa humanidade comum, não devemos ter medo de responsabilizá-lo pelo que fez».         

Exemplo para ser imitado. O Purpurado desafiou os perseguidores, evidenciou clareza, firmeza e coragem. É o que, infelizmente, falta a um sem-número de dirigentes ocidentais, comodamente instalados a milhares de quilómetros de Pequim. Que sigam o exemplo do Purpurado birmanês, voz desassombrada a ecoar de um país fraco e limítrofe com a China. O seu brado soa como o de um guerreiro solitário que resiste à investida de chusmas soldadescas. Que Deus o proteja!        

Péricles Capanema

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