quinta-feira, 23 de abril de 2020

A redescoberta da liturgia tradicional em tempo de Coronavírus


Como sabemos, o Senhor também escreve nas linhas tortas e, neste tempo de isolamento eclesiástico devido à emergência do Coronavírus, sem Santas Missas públicas, baptismos, matrimónios e funerais, muitos jovens sacerdotes, tanto diocesanos como pertencentes a congregações ou ordens religiosas, aproveitam o silêncio das ruas e das igrejas para celebrar diariamente, em privado ou na presença de alguns fiéis, a Santa Missa em Vetus Ordo. Um fenómeno verdadeiramente interessante e para reflectir.          

Não bastando, sem aqui mencionar nomes, vimos a saber que os mesmos jovens sacerdotes, seja em Itália ou no exterior, fazem compras na Internet para ter paramentos litúrgicos adequados para as liturgias tradicionais e móveis sagrados em estilo clássico... que “nunca passam de moda”, e, entre eles, comunicam-se, através dos vários canais de comunicação, dando sugestões e conselhos sobre o assunto. Há mais tempo e mais espaço privado, portanto, fora dos olhos inquisitivos dos Bispos intolerantes, estes sacerdotes podem-se dedicar à Santa Missa de sempre, alinhando-lhe também uma doutrina católica em honra do mundo sobrenatural. A Providência opera quando e como quer e está sempre activa, mesmo quando se propaga um vírus que Deus permitiu para abalar os homens muito concentrados nos seus pecados veniais e mortais, e os homens da Igreja muito ocupados com as coisas deste mundo, que não se insurgem face às leis de massacre, como o aborto, e às ideologias que clamam por vingança aos olhos de Deus, como a da homossexualidade.                  

As Casas Editoras aperceberam-se disso há algum tempo e, agora, nestes dias de distanciamento social, o fenómeno intensificou-se, agita-se e desenvolve-se. A própria Livraria Editora Vaticana publica e põe em venda online o Missale romanum ex decreto SS. Concilii Tridentini restitutum summorum Pontificum cura recognitum (Editio Typica). Se não houvesse procura, não seria posto em circulação um texto que, por exemplar, custa 200€. Da mesma forma, encontra-se à venda o Missae Defunctorum, reedição do Missal de 1962 para as Santas Missas dos defuntos, impresso pela Abadia beneditina de Santa Madalena de Le Barroux.      

Na prolífica escolha de livros, encontramos identicamente o Martyrologium Romanum, o Martirológio Romano em latim, das Edições Piane, um subsídio que é frequentemente partilhado entre seminaristas e novos sacerdotes, mas não só. O gosto pelas raízes avança lentamente, em silêncio, como as árvores nas florestas. Enquanto, do lado de fora, rugem as conversas complacentes e demagógicas, mas também o caos e os delírios, os jovens apreciam o essencial da Igreja. Do mesmo modo, procuram para os seus fiéis, atraídos pelas coisas de bom gosto litúrgico, o Missal romano quotidiano, que está disponível na irmã Internet, e ainda o Missal Festivo Tradicional “SummorumPontificum”, editado pela Fede & Cultura, com o prefácio do Cardeal Darío Castrillón Hoyos. Existe ainda o Liber usualis (Edições Piane), a síntese do Gradual Romano e do Antifonário Romano, um livro que contém as partituras gregorianas do ano litúrgico: domingos, festas, férias... com encadernação rígida e 8 marcadores.       

Estão-se a formar ou a consolidar muitas amizades espirituais nestas semanas de paragem forçada, estabelecendo, à distância, contactos e relações de enriquecimento que não são indiferentes. Outrora, quando as vidas eram menos apressadas, produziam-se, de facto, correspondências belíssimas entre almas vocacionadas ao sacerdócio e à vida consagrada, algumas das quais ainda hoje constituem um corpus da literatura cristã de admirável profundidade. «O vento sopra onde quer; ouves a voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito» (Jo 3, 8).      

Cristina Siccardi          

Através de Corrispondenza Romana.

1 comentário:

  1. Aggiungo anche che il Signore prende sempre le pietre scartate da coloro che di duro come le pietre hanno il cuore, per diffondere il fuoco dello Spirito, proprio come i ronin, i samurai che ormai senza padrone come mine vaganti, non hanno più niente da perdere, perchè tutto gli è stato tolto, e così sono liberi di lottare fino alla morte, speriamo mai però accadesse nulla di male a nessuno. Ecco, che chi vuole dire la verità che porta dentro, non teme di perdere altro che... tanto tempo, per diffondere, dialogare, studiare da persona libera e autonoma, in piena e assoluta dignità intellettuale.

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