segunda-feira, 22 de julho de 2019

Santa Maria Madalena, a testemunha de Cristo



Quando o Filho de Deus entrou na história, Maria Madalena estava entre aqueles que mais o amaram, demonstrando-o. Quando chegou o tempo do Calvário, Maria Madalena estava com Maria Santíssima e com São João sob a Cruz (Jo 19, 25). Não fugiu por medo como fizeram os discípulos, não o negou por medo como fez o primeiro Papa, mas permaneceu presente a cada hora, desde o momento da sua conversão até ao Santo Sepulcro. A Igreja celebra a sua festa a 22 de Julho.           

Não palavras de amor, mas actos de amor dão-nos os Evangelhos sobre a figura de Madalena, aquela que lavou (com as lágrimas do arrependimento), secou e beijou os pés de Cristo. Ao ver isso, o fariseu, escandalizado, que convidara Jesus para sua casa, pensou consigo mesmo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!». Jesus leu esse juízo errado e disse-lhe: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama» (Lc 7, 39-47).       

Não foi por acaso que, para o Missal Romano, no dia dedicado a Maria Madalena, foi escolhida uma leitura do Cântico dos Cânticos: «Vou levantar-me e dar voltas pela cidade: pelas praças e pelas ruas, procurarei aquele que o meu coração ama. Procurei-o e não o encontrei. Encontraram-me os guardas que fazem ronda pela cidade: “Vistes aquele que o meu coração ama?”» (Ct 3, 2-3), um amor perseverante que o Senhor permeou, tornando-a digna de ser “apóstola dos apóstolos”: foi a primeira a anunciar a sua ressurreição.

São Gregório Magno tem palavras extraordinárias (Om. 25, 1-2, 4-5; PL 76, 1189-1193) para aquela que fez de Cristo a única razão de viver. «Ela foi ao Sepulcro no Domingo de Páscoa, com os unguentos, para honrar o Senhor. Mas não o encontrou: “Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar” (Jo 20, 11). Neste facto, devemos considerar quanta força de amor havia invadido a alma desta mulher, que não se separava do sepulcro do Senhor, mesmo depois que os discípulos se afastaram. (...) A força da boa obra está na perseverança, como afirma a própria voz da Verdade: “Aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo” (Mt 10, 22). Procurou, portanto, uma primeira vez, mas não encontrou, perseverou em procurar e foi-lhe dado a descobrir. (...) Os santos desejos crescem com o passar do tempo. Se, em vez, enfraquecem na espera, é sinal que não eram verdadeiros desejos. (...) “Mulher, porque choras? Quem procuras?” (Jo 20, 15). É-lhe perguntada a causa da dor, para que o desejo cresça e, chamando pelo nome o que procura, se inflame mais no seu amor. “Disse-lhe Jesus: Maria!” (Jo 20, 16). Depois de chamá-la com o nome comum (...) sem ser reconhecido, chama-a pelo nome como se dissesse: Reconhece aquele por quem és reconhecida. Eu conheço-te, não como se conhece uma pessoa qualquer, mas de modo muito especial».          

Maria desperta do pesadelo: «Rabbuni!» («Mestre!»). A humilde penitente Madalena torna-se uma testemunha do triunfo do Crucificado. Fostaria de estar ali, em adoração, mas não: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: “Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus”» (Jo 20, 17). Levará ela o anúncio aos Apóstolos.

Cristina Siccardi

1 comentário:

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
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