domingo, 30 de junho de 2019

Não, a Missa Tradicional não se está a “impor”!


Tornou-se uma espécie de teimosia ortodoxa dizer, dentro dos círculos católicos tradicionais, que, no fim, estamos destinados a ganhar as guerras da liturgia e da doutrina, mas isso não acontecerá sem evangelização. As comunidades tradicionais são fortalezas onde nos refugiamos, mas não podemos permanecer felizes simplesmente vivendo atrás das muralhas. 

Ouvi muitíssimos participantes da Missa Tradicional, incluindo sacerdotes, afirmar, em muitas ocasiões, que o Novus Ordo está a morrer. Há razões para pensar que a Igreja tornará à Tradição na sua liturgia. Uma pesquisa conduzida pelo Padre Donald Klosier, pelo Dr. Sha Balizet Fisher e por Bryan William, do LiturgyGuy.com, revelou alguns dados muito interessantes em relação à assistência à Missa Tradicional e ao Novus Ordo, mostrando que os fiéis que assistem à Missa Tradicional estão muito apegados à doutrina moral católica, enquanto que um grande número daqueles que assistem ao Novus Ordo não estão. Por exemplo, 99% dos católicos tradicionais disseram assistir semanalmente à Missa, em comparação com apenas 22% dos “católicos Novus Ordo”. 2% dos católicos tradicionais aceitam a contracepção na sua vida, em comparação com 89% dos católicos Novus Ordo.                                            
Os dados do Centro de Investigação Aplicada no Apostolado (CARA, na sua sigla em inglês), um grupo de investigação da Conferência dos Bispos Católicos (USCCB, na sua sigla em inglês), descrevem-nos um quadro sombrio. Desde 1970, quando o CARA começou a recolher dados e a Missa Novus Ordo foi introduzida, o número de Paróquias nos Estados Unidos diminuiu em mil. O número de Paróquias sem sacerdote residente aumentou de 571 para 3533. O número de auto-denominados “ex-católicos” aumentou de 3,5 milhões para 26,1 milhões e o número de sacerdotes diminuiu de 59192 para 36580. São perdas significativas, é claro, e são indicadores de problemas sérios dentro da Igreja, mas aqueles que estão a ponderar escrever o obituário da Igreja pós-conciliar podem pensar em deixar descansar as suas canetas.               

Tenho notado que aqueles que passam toda a sua vida religiosa dentro das comunidades católicas tradicionais, ou que estiveram fora de comunidades do Novus Ordo por um longo período de tempo, são tentados a ter uma visão tendenciosa de quão grande é o movimento. A Missa Tradicional está a crescer, com certeza, mas vamos examinar bem os números para obtermos uma perspectiva maior. Os dados do Centro de Investigação Aplicada no Apostolado mostram-nos que há 36580 sacerdotes nos Estados Unidos, dos quais 25254 são sacerdotes diocesanos, a grande maioria deles, provavelmente superior a 95%, celebram apenas a Missa Novus Ordo. Em comparação, a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, o Instituto de Cristo Rei, o Instituto do Bom Pastor e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (a maior das comunidades tradicionais) têm um total de, aproximadamente, 1035 sacerdotes em todo o mundo. São 25254 padres diocesanos nos Estados Unidos em contraste com 1035 padres tradicionalistas em todo o mundo. No mesmo site LiturgyGuy.com, a pesquisa que examina as atitudes dos católicos que assistem à Missa Tradicional compara-os com os católicos que assistem à Missa Novus Ordo e esses mesmos autores da pesquisa observam que os católicos da Missa Tradicional assistem, pelo menos, a 489 Missas dominicais em todo o país, e, em qualquer Domingo, estima-se que 100 mil católicos assistem à Missa Tradicional nos Estados Unidos.             

Este é, inquestionavelmente, um passo à frente de onde se encontrava a Missa Tradicional há 10 ou 20 anos atrás. É uma melhoria, sem dúvida. Mas comparemos as 489 Missas Tradicionais com as 17 mil Missas em todo o país. Das 489 Missas Tradicionais, nem todas estão inseridas no total de 17 mil Missas por todo o país (não se contam as da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, por exemplo); mesmo que fossem contadas, aumentaria apenas a percentagem total em 0,003%. Estima-se que 100 mil fiéis assistem às Missas Tradicionais todas as semanas, os tradicionalistas têm famílias muito mais numerosas que as famílias que assistem ao Novus Ordo e que apoiam os métodos contraceptivos (pelo menos, é o que os dados indicam), e a juventude parece ter uma maior preferência pela tradição que as gerações passadas, mas 100 mil fiéis não é um número tão grande se considerarmos que cerca de 556 mil Confirmações foram ministradas no ano passado.                                            

O propósito destas comparações não é desmoralizar os meus irmãos e irmãs que assistem à Missa Tradicional, já que eu gostaria de ver a sua proliferação. Pelo contrário, o meu desejo é dissipar a complacência e recordar que temos uma tarefa diante de nós. Temos muito trabalho a fazer. Não podemos ficar descansados e querer deixar que a Missa Tradicional faça todo o trabalho, esperando que simplesmente apareçam novos fiéis. A conversão requer um diálogo que seja persuasivo.             

Temos que evangelizar e temos que convencer. Quando crescia com o Novus Ordo, não fazia a menor ideia de que o Rito Antigo não tivesse sido extinto, como me quiseram fazer crer. Já sendo menino, na minha escola católica, o Concílio Vaticano II e os seus “frutos” foram-me apresentados como algo que fora aceite por unanimidade, algo inquestionavelmente positivo e apenas com bons frutos. Nunca tive a menor ideia de que havia opiniões que se opunham a esta percepção. E suspeito que um grande número de católicos estão na mesma situação, mas claramente muitos deles anseiam muito mais.                           

O facto de tantos católicos do Novus Ordo deixarem a Igreja por causa do protestantismo, supostamente mais desafiante, é prova disso. Precisamos que lhes apresentar isso. Temos que lhes apresentar esse desafio, já que para as comunidades tradicionais o catolicismo ainda é um desafio e um chamamento à acção. Isso não acontecerá se permanecermos enclausurados nas nossas paróquias, a salvo na nossa bolha de Missa Tradicional, esperando que as conversões aconteçam sem esforço algum da nossa parte. Como escreveu Monsenhor Charles Pope: “Na minha própria Arquidiocese, apesar de disponibilizarmos a Missa Tradicional em cinco lugares diferentes, nunca fomos capazes de atrair mais que um total de cerca de mil pessoas. Isso é apenas 0,5% do número total de católicos que assistem à Missa nesta Diocese todos os Domingos”. Isto não convence os Bispos de que a Missa Novus Ordo não é a liturgia do futuro e que a Missa Tradicional é o melhor caminho a seguir.                        

Analisemos deste modo: muitas vezes temos a sensação exagerada de que a Missa Tradicional é muito solicitada porque há pessoas que têm que viajar uma hora ou mais para assistir. “Se tivéssemos uma Missa Tradicional na nossa cidade…”, lamentamo-nos. Talvez a melhor maneira de analisar seja a seguinte: pensemos em quantos católicos residem a menos de uma hora da paróquia onde é disponibilizada a Missa Tradicional e a ela não assistem, apesar de terem esse tesouro tão próximo deles. Monsenhor Pope continua: “Se nós, que amamos a Missa Tradicional, pensámos que a Missa faria a sua própria evangelização sozinha, estamos errados. É bela e digna de Deus de várias maneiras. Mas, num mundo de prazeres e diversões momentâneas, devemos mostrar o valor perene de uma liturgia tão bela. A verdade é que uma liturgia antiga, falada numa língua antiga e na maioria das vezes em voz baixa, não é algo que a maioria das pessoas modernas apreciará imediatamente. E o mesmo com muitas das verdades da nossa própria Fé, que nos chamam ao sacrifício, a morrer para nós mesmos e a rejeitar os prazeres momentâneos do pecado pela eterna glória do Céu. Frequentemente, devemos argumentar com um mundo céptico e grosseiro”.      

O Novus Ordo está em apuros, é verdade, mas, se está a morrer, terá décadas, talvez séculos, de doença prolongada antes de sucumbir por completo. Não podemos esperar que isso aconteça. Se realmente sentimos que as falhas da Igreja moderna devem ser curadas, devemos convencer disso os nossos irmãos católicos. Devemos sair da nossa zona de conforto, de dentro das nossas comunidades tradicionais, para convencer as pessoas.               

Muitas vezes, a atitude das comunidades tradicionais, a minha incluída, é: “Porquê que a hierarquia da Igreja não vê o que está errado se é demasiado óbvio que devemos regressar à Tradição e à ortodoxia?”. É óbvio para nós, mas, ao ver os números de maneira integral, para aqueles que ainda não estão de acordo connosco a resposta é menos clara. Devemos estar dispostos a apresentar os nossos argumentos e precisamos dos números para sustentar esses argumentos. A batalha pelo futuro da Igreja Católica está longe de terminar. Seria um erro desembainhar a espada prematuramente!                               

Dan Banke          

sexta-feira, 28 de junho de 2019

As doze promessas do Sagrado Coração



Numa aparição a Santa Margarida Maria Alacoque, Nosso Senhor fez as seguintes promessas aos devotos do Seu Sagrado Coração:       

1 – Concederei as graças necessárias ao seu estado de vida.       
2 – Implantarei e conservarei a paz nas suas famílias.    
3 – Consolá-los-ei nas suas aflições.   
4 – Serei o seu refúgio na vida e, sobretudo, na morte.    
5 – Derramarei abundantes graças sobre todas as suas iniciativas.     
6 – Os pecadores encontrarão no Meu Coração uma fonte e um oceano infinito de misericórdia.           
7 – Os tíbios tornar-se-ão fervorosos.
8 – Os fervorosos alcançarão rapidamente grande perfeição.   
9 – A minha bênção descerá sobre os lares onde for exposta e venerada a imagem do Meu Sagrado Coração.      
10 – Concederei aos sacerdotes a graça de comover os corações mais endurecidos.           
11 – As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome escrito no Meu Coração.           
12 – A todos aqueles que durante nove meses consecutivos comungarem na primeira sexta-feira do mês, prometo, no excessivo da misericórdia do Meu Coração, a graça da penitência final. Eles não morrerão sem a Minha graça, mas receberão os Santos Sacramentos e o Meu Coração será o seu refúgio naquele momento.        

terça-feira, 25 de junho de 2019

Quem foi, afinal, D. Hélder Câmara?



Um projecto da revolução comunista para a América Latina          

Talvez o episódio que causou maior perplexidade foi o chamado “affaire Comblin”. Em Junho de 1968, um documento bomba, preparado, sob os auspícios de D. Hélder Câmara
, pelo padre belga José Comblin, professor do Instituto Teológico do Seminário de Recife, no Brasil, foi divulgado à imprensa brasileira. O documento propunha, de forma clara, um plano subversivo para desmantelar o Estado e estabelecer uma “ditadura popular” de matriz comunista. Aqui estão alguns pontos:       

Contra a propriedade. No documento, Comblin
defendia uma tripla reforma – agrícola, urbana e fiscal – partindo do pressuposto de que a propriedade privada e, portanto, o capital, são intrinsecamente injustos. Qualquer uso privado do capital devia ser proibido por lei.     

Total igualdade. O objectivo, afirma Comblin, era estabelecer a igualdade absoluta. Cada hierarquia, tanto no plano político-social como eclesial, devia ser abolida.  

A revolução política e social. No campo político-social, essa revolução igualitária propunha a destruição do Estado pelas mãos de “grupos de pressão” radicais, os quais, uma vez tomado o poder, deveriam estabelecer uma férrea “ditadura popular” para amordaçar a maioria, considerada “desleixada”.         

Revolução na Igreja. Para permitir que essa minoria radical governasse sem obstáculos, o documento propunha a anulação virtual da autoridade dos Bispos, que estariam submissos ao poder de um órgão composto apenas por extremistas, uma espécie de “politburo” eclesiástico.

Abolição das Forças Armadas. As Forças Armadas deveriam ser dissolvidas e as suas armas distribuídas pelo povo.   

A censura na imprensa, rádio e TV. Enquanto o povo não tivesse atingido um nível aceitável de “consciência revolucionária”, a imprensa, a rádio e a TV seriam estritamente controladas. As elites que discordassem deveriam deixar o País.    

Tribunais Populares. Acusando o Poder Judiciário de ser “corrompido pela burguesia”, Comblin propunha o estabelecimento de “tribunais populares extraordinários” para aplicar o processo sumário contra qualquer um que se opusesse a este vento revolucionário.          

Violência. No caso em que não fosse possível implementar este plano subversivo por meios normais, o professor do Seminário de Recife considerava legítimo recorrer às armas para estabelecer, pela força militar, o regime que teorizara.   

O apoio de D. Hélder Câmara      

No Brasil, o “Documento Comblin” teve o efeito de uma bomba atómica. Face à polémica que se seguiu, o P. Comblin não negou a autenticidade do documento, mas referiu que se tratava “só de um esboço”. Por seu lado, a Cúria de Olinda-Recife admitiu que o documento tinha saído do Seminário diocesano, mas afirmava que “não era um documento oficial”.   

Interpretando a legítima indignação do povo brasileiro, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu uma carta aberta a Mons. Hélder Câmara, publicada em 25 jornais. Lemos na carta: «Estou certo de interpretar o sentimento de milhões de brasileiros pedindo a Vossa Excelência que expulse, do Instituto Teológico do Recife e da Arquidiocese, o agitador que tira proveito do sacerdócio para apunhalar a Igreja, e abusa da hospitalidade brasileira para pregar o comunismo, a ditadura
e a violência no Brasil».               

Hélder Câmara respondeu evasivamente: «Toda a gente tem o direito de discordar. Eu, simplesmente, ouço todas as opiniões». Mas, ao mesmo tempo, confirmou o P. Comblin no cargo de professor do Seminário, protegendo-o com a sua autoridade episcopal. No final, o governo brasileiro revogou o visto do padre belga, que, de seguida, teve que deixar o País.            

E o quê que fez a Igreja face a esta atitude revolucionária de D. Hélder Câmara? Cerca de cinco anos após a sua morte, ocorrida em Agosto de 1999, D. Fernando Saburido, Arcebispo de Olinda-Recife, enviou uma carta à Santa Sé pedindo a abertura do processo de beatificação e de canonização de D. Hélder. Menos de dez dias depois da recepção da carta, a Congregação para a Causa dos Santos emitiu parecer favorável e, a 7 de Abril de 2015, o Bispo comunista recebeu o título de “Servo de Deus”. Segundo consta, o Papa Francisco deseja beatificá-lo em breve. Kyrie, eleison!

segunda-feira, 24 de junho de 2019

«E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo...» (Lc 1, 76)



O nascimento deste menino foi, para muitos, causa de alegria e ainda o é nos nossos dias. Dado a seus pais na velhice, ele veio pregar a um mundo envelhecido a graça de um novo nascimento. Por isso, a Igreja festeja solenemente esta natividade, fruto maravilhoso da graça, com o qual a natureza se maravilha.   

Esta lâmpada destinada a iluminar o mundo (Jo 5, 35) traz-me uma alegria nova, porque foi graças a ela que reconheci a verdadeira Luz, que brilha nas trevas mas que as trevas não quiseram receber (Jo 1, 5-9). Sim, o nascimento deste menino traz-me uma alegria indizível pois é uma fonte de enormes bens para o mundo. Ele foi o primeiro a instruir a Igreja, começando a formá-la pela penitência, preparando-a pelo Baptismo e, quando a tinha já preparada, entregando-a a Cristo e unindo-a a Ele (Jo 3, 29). Ensinou-a a viver na sobriedade e, com o exemplo da sua própria morte, deu-lhe forças para morrer com coragem. Desse modo, ele preparou para o Senhor um povo perfeito (Lc 1, 17).             

Beato Guerric de Igny, in Sermão 1 para a festa de São João Baptista

Traz sempre o nome de Maria na tua boca!



Saúda Maria, pensa em Maria, repete o nome de Maria, honra Maria, glorifica sempre Maria, dirige o teu olhar a Maria, recolhe-te na tua habitação com Maria, cala com Maria, alegra-te com Maria, entristece-te com Maria, trabalha com Maria, vigia com Maria, ora com Maria, caminha com Maria, descansa com Maria, procura Jesus com Maria, leva Jesus nos teus braços com Maria, vive em Nazaré com Jesus e Maria, vê Jerusalém com Maria, permanece ao pé da Cruz de Jesus com Maria, deseja viver e morrer com Jesus e Maria. Faz isto e viverás eternamente.      

Tomás de Kempis

domingo, 23 de junho de 2019

Os amigos e os inimigos de Bergoglio



A 31 de Maio, em Meca, 139 representantes de países muçulmanos assinaram a Declaração “Não à islamofobia”. O documento foi apresentado pelo Mufti da Arábia Saudita no final da XIV sessão ordinária da Organização para a Cooperação Islâmica. Na declaração afirma-se a necessidade de tutelar as diferenças culturais e religiosas para combater discursos e comportamentos islamofóbicos. Na Declaração enfatiza-se, entre outras coisas, o «estar ao lado daqueles muçulmanos que em países não-islâmicos sofrem perseguição, injustiça, coerção e agressões» (...) «apoiá-los e assumir a sua causa nos fóruns internacionais, para proteger o pleno exercício dos direitos políticos (o direito de constituir partidos islâmicos) e sociais nos seus países, e desenvolver programas e mecanismos que garantam a sua plena integração nas suas sociedades, longe de qualquer discriminação».        

Algo que a ONU, Bruxelas e não poucos governos ocidentais já acolheram há anos ao estabelecerem o crime de islamofobia. O facto de que os principais perseguidores dos cristãos são muçulmanos nem sequer é levado em consideração. Na Arábia Saudita, como noutros países muçulmanos, ainda é proibido erigir ou restaurar igrejas, é proibida a publicação de textos sagrados não-muçulmanos, é proibido mostrar o crucifixo em público, é proibido rezar mesmo dentro de casa. No Ocidente, os muçulmanos rezam nas ruas e, graças a Bergoglio, até nas igrejas. Os cristãos são considerados cidadãos de segunda. Em não poucos países muçulmanos, as mulheres não-muçulmanas, principalmente as cristãs, são sequestradas, violadas e forçadas a converter-se ao islamismo. Aos poucos missionários presentes no mundo muçulmano (não há nenhum na Arábia Saudita), é-lhes proibido usarem objectos e vestes religiosas, assim como converter os muçulmanos. Aqueles que não cumprem as leis da sharia arriscam-se a ser presos, chicoteados e decapitados.     

No mesmo dia em que os jornais publicaram a notícia sobre a declaração “Não à islamofobia”, publicou-se outra notícia, no jornal dos Bispos italianos, o Avvenire, intitulada: “Audiência. Papa Francisco aos Núncios: não aos luxos e fofocas”. Lendo o artigo percebemos que o destinatário é a clássica almôndega para ingénuos. Lamento enfatizá-lo, mas, como acontece frequentemente, os comentários do Bispo de Roma tendem mais a confundir que a esclarecer. Sobretudo porque o Catecismo é frequentemente preenchido de personalismos. Nos “mandamentos” que o Papa dirigiu aos 103 representantes pontifícios que participaram no terceiro encontro desejado pelo Bispo de Roma, realizado no Vaticano de 12 a 15 de Junho, Bergoglio disse que o Núncio tem a tarefa de interpretar «a solicitude do Romano Pontífice pelo bem do país em que exerce a sua missão; em particular, deve interessar-se com zelo pelos problemas da paz, do progresso e da colaboração dos povos, tendo em vista o bem espiritual, moral e material de toda a família humana». O oposto daquilo que afirmam os muftis muçulmanos, que, como vimos, não falam de família humana, mas apenas de respeito pelos muçulmanos onde quer que estejam.         

Para Bergoglio, o Núncio «é homem do Papa» (...) «enquanto Representante Pontifício, o Núncio não se representa a si mesmo, mas o Sucessor de Pedro e age em seu nome junto da Igreja e dos Governos, ou seja, concretiza, actua e simboliza a presença do Papa entre os fiéis e o povo». Sendo representante, «o Núncio deve continuamente actualizar-se e estudar, de modo a conhecer bem o pensamento e as instruções de quem representa (não a Sã Doutrina, mas o Papa). Também tem o dever de continuamente actualizar e informar o Papa sobre as diversas situações e as mudanças eclesiásticas e sócio-políticas do país a que foi enviado». (...) «É, portanto, inconciliável o ser Representante Pontifício com o criticar por trás o Papa, ter blogues ou até mesmo unir-se a grupos que lhe sejam hostis, assim como à Cúria e à Igreja de Roma».         

É claro que as críticas contínuas podem parecer excessivas, mas o Bispo de Roma parece fazer de tudo para provocá-las. Como acabámos de ver, enquanto os representantes muçulmanos se encontram em Meca para defender e promover o Islão, Bergoglio encontra os Núncios para se defender a si mesmo.                  

Não é necessário ser malicioso ou, como Francisco os define, «pessimistas, vitimistas e desiludidos» para relevar a política auto-referencial do Papa. Quando Pedro foi repreendido publicamente por Paulo, não se escondeu atrás do silêncio, nem o cobriu de insultos. Pedro comportou-se como verdadeiro líder da Igreja, humildemente: «Pedro expôs-lhes, então, o caso, do princípio ao fim, dizendo…» (Act 11, 4).       

Hoje, os Paulos são tratados como «velhas comadres, fomentadores de coprofagia, múmias de museus». Bergoglio não responde às perguntas e às preocupações dos católicos. Esconde-se. E, no momento oportuno, insulta e humilha quem não se curva ao seu neo-evangelho. Chegou a dizer que é «melhor viver como um ateu do que dar um contra-testemunho do ser cristão». Como se o ateu testemunhasse o bem e a rectidão evangélica. Não falemos dos ateus comunistas que mataram milhões de seres humanos. Algo que os crentes católicos «fofoqueiros», «moralistas» e «cristãos com cara de vinagre» jamais fariam, porque temem o Juízo Divino. Estamos convencidos que Bergoglio nunca se perguntou por que razão é questionado ou criticado pelos católicos, enquanto é obsequiado por laicos, muçulmanos e comunistas. Da forma como se comporta, parece mesmo estar ciente do seu verbo acatólico. Os repetidos “Dubia” que lhe chegam de todas as partes, enervam-no, por isso não dialoga e ergue as bandeiras do insulto e da vitimização. Não seria mais honesto seguir o exemplo de Cefas? «Pedro expôs-lhes, então, o caso, do princípio ao fim, dizendo…». Porquê que não o imita? Elementar, caro Watson!          

Os resultados estão diante dos nossos olhos. Enquanto o Papa tenta aniquilar a identidade dos católicos leais à Doutrina dos Santos, a rocha que sustentou a Igreja por dois mil anos, os muftis orgulham-se, ainda que discutivelmente, dos muçulmanos. Algo está errado. Somos muito suspeitosos se pensarmos que em tudo isto existe um projecto muito específico? É um programa que envolve a esquerda globalista, a maçonaria, o Vaticano, a ONU, Bruxelas e os países muçulmanos ricos? Quem pensa que sabe muito, falará de teoria da conspiração. Mas os factos dizem que, a partir de 13 de Março de 2013, o Papa tornou-se amigo dos inimigos da Igreja e inimigo de quem a apoia. Não elenco os nomes e os sobrenomes dos amigos de Bergoglio, a lista geralmente transborda de sangue, recordo apenas alguns inimigos, os mais conhecidos pelos católicos: os evangelistas São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. São Pedro, São Paulo, Santo Agostinho de Hipona, São Francisco de Assis, São Tomás de Aquino, São Bernardo de Claraval, Santa Catarina de Sena.

Agostino Nobile

sábado, 22 de junho de 2019

À Virgem do meio-dia


É meio-dia.
Vejo a igreja aberta e entro.
Mãe de Jesus Cristo, não venho rezar.
Nada tenho a oferecer, nem a pedir.
Venho simplesmente, Mãe, olhar-te.
Olhar-te, chorar de felicidade,
tomar consciência de que sou teu filho e que estás aí.
Desejo passar um instante contigo,
no meio do dia, quando tudo parece parar.
Meio-dia!

Quero ser teu, Maria, nesse lugar em que estás!
Nada dizer, apenas olhar o teu semblante.
Deixar o coração cantar a sua própria linguagem.

Nada dizer, apenas cantar,
por ter o coração repleto de júbilo.
Cantar como o melro que exprime
as suas ideias em versos improvisados.

Porque é meio-dia,
porque estamos neste dia de hoje!

Paul Claudel

sexta-feira, 21 de junho de 2019

O Cardeal Bagnasco proíbe actos de reparação pelo “orgulho gay”



O Cardeal Angelo Bagnasco, Arcebispo de Génova, ordenou o cancelamento de três actos de reparação pelo desfile do orgulho gay em Paróquias da sua Diocese, enquanto permite que se realizem jornadas de oração contra a homofobia.

Não é “apropriado”. Essa foi a razão dada pelo Cardeal Bagnasco para impedir que três Paróquias da sua Arquidiocese realizassem os actos de reparação previstos pelas ofensas contra Deus cometidas durante as celebrações do orgulho gay.          

Os actos de reparação consistiam na oração do Santo Rosário e na Adoração Eucarística convocadas para as Igrejas de Santa Marta, de São Pio X e de Santo Estêvão, mas que as Paróquias tiveram que suspender depois de terem recebido uma carta da Arquidiocese pedindo-lhes que cancelassem esses actos de piedade.         

Segundo noticia a La Nuova Bussola Quotidiana, a comunicação também chegou através do Bispo Auxiliar, Mons. Nicolò Anselmi, que comunicou por telefone às Paróquias em questão que o Cardeal considerava “inapropriadas” estas iniciativas.    

Tanto a Nuova Bussola como o americano National Catholic Register tentaram contactar Bagnasco e Anselmi para conhecerem as razões deste veto, mas nenhum deles quis fazer quaisquer declarações a respeito do assunto.      

É surpreendente que a Arquidiocese se preocupe em proibir actos de reparação por ofensas à fé e à moral católicas, que podem ser vistas no decorrer da celebração do orgulho, quando permite, pelo menos desde 2017, que se celebrem, em igrejas como a de San Pietro in Banchi, “vigílias contra a homofobia”. Essa mesma Paróquia, no passado dia 12 de Maio, celebrou uma jornada ecuménica de oração, com a aprovação da Arquidiocese, contra a discriminação de homossexuais e transexuais, organizada por um grupo LGBT.                    

No momento em que se debate a penetração do lobby lavanda nas fileiras da Igreja, em que explodem escândalos de abusos sexuais por parte de clérigos homossexuais e que ainda dura a ressaca do livro-denúncia de Frédéric Martel, No Armário do Vaticano, o estranho critério de uma figura como Bagnasco, que foi Presidente da Conferência Episcopal Italiana, é extraordinariamente significativo.          

Carlos Esteban 

De uma carta de São Luís Gonzaga a sua mãe



A graça e a consolação do Espírito Santo estejam sempre convosco. A vossa carta encontrou-me ainda vivo na região dos mortos; mas agora espero ir em breve louvar a Deus eternamente na região dos vivos. Pensava mesmo que a esta hora já teria dado esse passo. Se a caridade, segundo São Paulo, ensina a chorar com os que choram e a alegrar-se com os que estão alegres, muito grande deve ser a alegria de Vossa Senhoria, pela graça que Deus Vos concede na minha pessoa, chamando-me à verdadeira alegria e dando-me a segurança de O não poder perder jamais.     

Confesso-vos, ilustríssima Senhora, que me perco e arrebato na contemplaç
ão da divina bondade, mar sem praia e sem fundo, que me chama a um descanso eterno por um trabalho tão breve e pequeno; que me convida e chama ao Céu para aí me dar aquele soberano bem que tão negligentemente procurei, e que me promete o fruto daquelas lágrimas que tão parcamente derramei.    

Por conseguinte, ilustríssima Senhora, considerai bem e ponde todo o cuidado em não ofender esta bondade de Deus, como certamente aconteceria se viésseis a chorar como morto aquele que vai viver na contemplaç
ão de Deus e que maiores serviços vos fará com as suas orações do que em esta terra vos prestava. A nossa separação será breve; lá no Céu nos tornaremos a ver; lá seremos felizes e viveremos para sempre juntos, porque estaremos unidos ao nosso Redentor, louvando-O com todas as forças da nossa alma e cantando eternamente as suas misericórdias. Se Deus toma novamente o que nos tinha dado, não o faz senão para o colocar em lugar mais seguro e ao abrigo de qualquer perigo, e para nos dar aqueles bens que acima de tudo desejamos.     

Digo tudo isto para que Vós, Senhora minha Mãe, e toda a família, aceiteis a minha morte como um dom precioso da graç
a. A vossa bênção de mãe me assista e me ajude a alcançar com felicidade o porto dos meus desejos e esperanças. Escrevo-vos com tanto maior prazer quanto é certo que não me resta outra ocasião para vos testemunhar o respeito e o amor filial que vos devo.       

S. Luís Gonzaga, in Acta sanctorum, Junho, 5, 878

Senhores Cardeais e Bispos, quereis realmente esta Igreja?



As primeiras reacções perante o Instrumentum Laboris para o Sínodo sobre a Amazónia concentraram-se na abertura aos sacerdotes casados e na inclusão das mulheres na ordem sacramental da Igreja. Mas o Instrumentum Laboris é algo mais: é um manifesto da ecoteologia da libertação que propõe uma “cosmovisão” panteísta e igualitária inaceitável para um católico. As portas do Magistério, como bem apontou José Antonio Ureta, foram abertas «à Teologia Índia e à Ecoteologia, duas derivações latino-americanas da Teologia da Libertação, cujos corifeus, depois do colapso da URSS e do fracasso do “socialismo real”, atribuíram aos povos indígenas e à natureza o papel histórico da força revolucionária, em chave marxista». 

No documento, publicado pela Santa Sé a 17 de Junho, a Amazónia «irrompe» como «um novo sujeito» na vida da Igreja (n. 2). Mas o que é a Amazónia? Não é apenas um lugar físico, uma «biosfera complexa» (n. 10), mas é «uma realidade repleta de vida e sabedoria» (n. 5), que se eleva a um paradigma conceitual e que nos chama a uma conversão: «pastoral, ecológica e sinodal» (n. 5). A Igreja, para desempenhar o seu papel profético, deve colocar-se à escuta dos «povos amazónicos» (n. 7). Estes povos são capazes de viver em «intercomunicação» com todo o cosmo (n. 12), mas os seus direitos são ameaçados pelos interesses económicos das multinacionais que, como dizem os nativos de Guaviare (Colômbia), «cortaram as veias da nossa Mãe Terra» (n. 17). A Igreja ouve os «clamores dos povos e da terra» (n. 18), porque na Amazónia «o território é um lugar teológico a partir do qual se vive a fé, mas é também uma peculiar fonte de revelação de Deus» (n. 19). Uma terceira fonte da Revelação acrescenta-se, portanto, à Sagrada Escritura e à Tradição: na Amazónia, território onde «tudo está interligado» (n. 20), tudo está «constitutivamente em relação, formando um todo vital» (n. 21). Na Amazónia, o ideal do comunismo é realizado, porque, no colectivismo tribal, «tudo é partilhado, os espaços privados – típicos da modernidade – são mínimos».    

Os povos indígenas libertaram-se do monoteísmo e recuperaram o animismo e o politeísmo. De facto, como se lê no n. 25: «A vida das comunidades amazónicas ainda não atingidas pelo influxo da civilização ocidental reflecte-se na crença e nos ritos sobre a actuação dos espíritos, da divindade – chamada de inúmeras maneiras – com e no território, com e em relação à natureza. Esta cosmovisão resume-se no ‘mantra’ de Francisco: “Tudo está interligado” (LS, 16, 91, 117, 138, 240)».          

O documento insiste afirmando que a «cosmovisão» amazónica contém uma «sabedoria ancestral, reserva viva da espiritualidade e da cultura indígena» (n. 26). Portanto, «os povos amazónicos originários têm muito a ensinar-nos. (...) Os novos caminhos de evangelização devem ser construídos em diálogo com estas sabedorias ancestrais em que se manifestam as sementes do Verbo» (n. 29). A riqueza da Amazónia é não ser monocultural, mas ser «um mundo multiétnico, multicultural e multirreligioso» (n. 36) com que é necessário entrar em diálogo. Os povos da Amazónia «confrontam-nos com a memória do passado e com as feridas causadas durante longos períodos de colonização. Por isso, o Papa Francisco pediu “humildemente perdão, não só pelas ofensas da própria Igreja, mas também pelos crimes contra os povos nativos durante a chamada conquista da América”. Neste passado, às vezes a Igreja foi cúmplice dos colonizadores, sufocando a voz profética do Evangelho» (n. 38).      

A «ecologia integral» inclui «a transmissão da experiência ancestral, cosmologias, espiritualidades e teologias dos povos indígenas, em volta do cuidado da Casa Comum» (n. 50). «Na sua sabedoria ancestral cultivaram a convicção de que a criação inteira está interligada, o que merece o nosso respeito e responsabilidade. A cultura da Amazónia, que integra os seres humanos com a natureza, constitui-se um ponto de referência para construir um novo paradigma da ecologia integral» (n. 56). A Igreja deve despojar-se da sua romanidade e assumir «um rosto amazónico». «O rosto amazónico da Igreja encontra a sua expressão na pluralidade dos seus povos, culturas e ecossistemas. Esta diversidade tem necessidade da opção por uma Igreja em saída e missionária, encarnada em todas as suas actividades, expressões e linguagens» (n. 107). «Uma Igreja com rosto amazónico, nas suas muitas nuances, procura ser uma Igreja “em saída” (cf. EG 20-23), que deixa atrás de si uma tradição colonial monocultural, clericalista e impositiva, que sabe discernir e assumir sem medo as diversificadas expressões culturais dos povos» (n. 110). O sopro panteísta que anima a natureza amazónica é um leitmotiv do documento. «O Espírito criador que enche o universo (cf. Sb 1, 7) alimentou a espiritualidade destes povos ao longo dos séculos, ainda antes do anúncio do Evangelho, e é Ele que os leva a aceitá-lo a partir das suas próprias culturas e tradições» (n. 120). Portanto, «é preciso captar aquilo que o Espírito do Senhor ensinou a estes povos ao longo dos séculos: a fé no Deus Pai-Mãe Criador, o sentido de comunhão e a harmonia com a terra, o sentido de solidariedade para com os seus companheiros, o projecto do “bem viver”, a sabedoria de civilizações milenares que os anciãos possuem e que influi sobre a saúde, a convivência, a educação, o cultivo da terra, a relação viva com a natureza e a “Mãe Terra”, a capacidade de resistência e resiliência, em particular das mulheres, os ritos e as expressões religiosas, as relações com os antepassados, a atitude contemplativa e o sentido de gratuidade, de celebração e de festa, e o sentido sagrado do território» (n. 121).

Em função, ainda, de uma «salutar descentralização» da Igreja, «as comunidades pedem que as Conferências Episcopais adaptem o rito eucarístico às suas culturas». «A Igreja deve encarnar-se nas culturas amazónicas que possuem um elevado sentido de comunidade, igualdade e solidariedade, e por isso não se aceita o clericalismo nas suas diferentes formas de manifestação. Os povos originários possuem uma rica tradição de organização social, na qual a autoridade é rotativa e dotada de um profundo sentido de serviço. A partir desta experiência de organização, seria oportuno voltar a considerar a ideia de que o exercício da jurisdição (poder de governo) deve estar vinculado em todos os âmbitos (sacramental, judicial e administrativo) e de maneira permanente ao sacramento da ordem» (n. 127). Partindo da premissa de que «o celibato é uma dádiva para a Igreja», vem expresso o pedido que «para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas pela sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã» (n. 129). Além disso, é necessário «garantir às mulheres a sua liderança, bem como espaços mais amplos e relevantes no campo da formação: teologia, catequese, liturgia e escolas de fé e de política» e «identificar o tipo de ministério oficial que pode ser conferido às mulheres, tendo em conta o papel central que desempenham, hoje, na Igreja amazónica».

Que mais acrescentar? Calar-se-ão os Bispos, sucessores dos Apóstolos, e os Cardeais, conselheiros do Papa no governo da Igreja, perante este manifesto político-religioso que distorce a doutrina e a prática do Corpo Místico de Cristo?   

Roberto de Mattei

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Relatos de três Milagres Eucarísticos


1. Milagre Eucarístico de Santarém (Portugal, século XIII)  
Uma mulher vivia em Santarém e estava angustiada porque suspeitava que o seu marido lhe era infiel, por isso, decidiu recorrer a uma bruxa para que a pudesse ajudar. A feiticeira disse-lhe que o seu serviço custava uma hóstia consagrada. A mulher, então, foi à Missa, à Igreja de Santo Estêvão, e, no momento da Sagrada Comunhão, manteve a partícula consagrada na língua, retirou-a da boca, envolveu-a no seu véu e dirigiu-se para a porta da Igreja. Para sua grande surpresa, e antes de sair do templo, a hóstia começou a sangrar. Ainda assim, a mulher foi com a hóstia que sangrava até sua casa, tendo-a guardado num baú. Nessa noite, uma luz milagrosa emanava do baú. Arrependida do que havia feito, na manhã seguinte confessou ao sacerdote o que tinha feito. O sacerdote foi a sua casa e reconduziu o Santíssimo Sacramento de novo ao templo. Depois de uma investigação e da aprovação do milagre, a Igreja passou a chamar-se Santuário do Santíssimo Milagre e a hóstia que sangra pode ser vista.        

2. Milagre Eucarístico de Lanciano (Itália, século VIII)         
No século VIII, um padre sentia-se tentado sobre a presença real de Jesus na Santíssima Eucaristia. No decorrer de uma Santa Missa, enquanto dizia as palavras da consagração, viu o pão transformar-se em carne humana e o sangue coagular-se em cinco glóbulos – acredita-se que por causa das cinco Chagas de Cristo. A notícia do milagre difundiu-se rapidamente, o Arcebispo do local iniciou uma investigação e a Igreja aprovou este maravilhoso milagre. O professor de Anatomia Odoardo Linoli levou a cabo uma análise científica da carne, em 1971, e chegou à conclusão de que a carne era tecido cardíaco, o sangue parecia ser sangue fresco e não havia vestígios de conservantes. É possível visitar a carne e o sangue milagrosos na Igreja de São Francisco de Lanciano, em Itália.        

3. Milagre Eucarístico de Sena (Itália, século XVIII)   
A 14 de Agosto de 1730, enquanto os católicos de Sena, em Itália, assistiam a um festival especial para a véspera da festa da Assunção, alguns ladrões entraram na Igreja de São Francisco e roubaram uma âmbula de ouro que continha centenas de hóstias consagradas. Dois dias depois, alguém notou que algo branco saía de uma caixa de ofertório noutra Igreja de Sena. Os sacerdotes abriram a caixa e encontraram as hóstias perdidas no meio de teias de aranha e de sujidade. Depois de limpá-las o máximo possível, as hóstias foram colocadas numa âmbula e levadas para a Igreja de São Francisco, para serem rezadas orações de reparação e de veneração. As hóstias estavam muito sujas e os sacerdotes decidiram não consumi-las, deixando que se deteriorassem. Depois de algumas décadas, todos se surpreenderam ao verem que as hóstias não se deterioraram, mas, pelo contrário, pareciam bastante frescas. As hóstias estão intactas até hoje, mais de dois séculos passados, e podem ser contempladas na agora Basílica de São Francisco, em Sena.

Sequência de Corpus Christi (Português-Latim)


Louva, Sião, o Salvador,
o teu pastor e o teu guia,
com hinos e com cantares.

Lauda, Sion, Salvatórem,
lauda ducem et pastórem,
in hymnis et cánticis.

Louva-o o mais que puderes:
supera todo o louvor,
nem bastante O louvarás!

Quantum potes tantum aude:
quia major omni laude,
nec laudáre súfficis.

Não há mais sublime assunto,
que nos possa ser proposto:
o pão vivo que dá a vida!

Laudis thema speciális,
panis vivus et vitális
hódie propónitur.

O mesmo que já foi dado,
ao grupo dos doze Apóstolos,
quando da última Ceia!

Quem in sacrae mensa cenae,
turbae fratrum duodénae
datum non ambígitur.

Seja perfeito e sonoro
este louvor e alegria
que brota das nossas almas:

Sit laus plena, sit sonóra,
sit jucúnda, sit decóra
mentis jubilátio.

Porque é solene este dia
que nos lembra a instituição
deste banquete divino!

Dies enim solémnis ágitur,
in qua mensae prima recólitur
hujus institútio.

Nesta mesa de um Rei novo,
a Páscoa da Nova Lei
fez findar a Páscoa antiga,

In hac mensa novi Regis,
novum Pascha novae legis
phase vetus términat.

Suplantando os velhos ritos:
Dissipa a verdade as sombras
como a luz dissipa a noite!

Vetustátem nóvitas,
umbram fugat véritas,
noctem lux elíminat.

O que Cristo fez na Ceia,
ordenou que se fizesse
em memória de Si mesmo:

Quod in cena Christus gessit,
faciéndum hoc expréssit
in sui memóriam.

Com tão divinas lições,
realiza-se o sacrifício,
consagrando o pão e o vinho.

Docti sacris institútis,
panem, vinum in salútis
consecrámus hóstiam.

É um dogma p’ra os cristãos:
Converte-se o pão em Carne,
e o vinho passa a ser Sangue!

Dogma datur christiánis,
quod in carnem transit panis,
et vinum in sánguinem.

Não se vê nem compreende;
mas a fé viva garante-o
p’ra além das leis naturais!

Quod non capis, quod non vides,
animósa firmat fides,
praeter rerum órdinem.

Sob aparências diversas,
simples sinais e não coisas,
grandes mistérios se ocultam!

Sub divérsis speciébus,
signis tantum, et non rebus,
latent res exímiae.

Carne é o pão e vinho é o Sangue;
mas sob as duas espécies
palpita Jesus inteiro!

Caro cibus, sanguis potus:
manet tamen Christus totus
sub utráque spécie.

Não se parte nem divide
por aqueles que O recebem:
É tomado tal qual é!

A suménte non concísus,
non confráctus, non divísus:
integer accípitur.

Quer sejam mil, quer um só,
todos recebem o mesmo,
sem por isso O consumir!

Sumit unus, sumunt mille:
quantum isti tantum ille:
nec sumptus consúmitur.

Recebem-No os bons e os maus,
mas com efeitos diversos:
para a vida ou para a morte!

Sumunt boni, sumunt mali:
sorte tamen inaequáli,
vitae vel intéritus.

Morte aos maus e vida aos bons:
Quão diversos os efeitos
do mesmíssimo alimento!

Mors est malis, vita bonis:
vide paris sumptiónis
quam sit dispar éxitus.

Quando a hóstia é dividida,
não vacile a tua fé,
pois sob cada fragmento
está tanto como o todo!

Fracto demum Sacraménto,
ne vacílles, sed meménto
tantum esse sub fragménto,
quantum toto tégitur.

Não se corta a coisa em si,
mas a aparência do pão,
sem que em nada se lhe altere
ou o estado, ou a estatura!

Nulla rei fit scissúra:
signi tantum fit fractúra,
qua nec status, nec statúra
signáti minúitur.

Eis aqui o pão dos anjos,
dado em viático aos homens;
verdadeiro pão dos filhos,
nunca jamais para os cães!

Ecce panis Angelorum,
factus cibus viatórum:
vere panis filiórum,
non mitténdus cánibus.

Foi já predito em figuras:
Na imolação de Isaac,
e do Cordeiro pascal;
e no maná do deserto…

In figúris praesignátur,
cum Isaac immolátur,
agnus Paschae deputátur,
datur manna pátribus.

Ó bom Pastor, pão autêntico!
Ó Jesus, que olhais por nós!
Alimentai-nos! Valei-nos!
Dai-nos ver o bem supremo,
na Terra dos que já vivem!

Bone Pastor, panis vere,
Jesu, nostri miserére:
Tu nos pasce, nos tuére,
Tu nos bona fac vidére
in terra vivéntium.

Tudo sabeis e podeis,
Vós que nos alimentais:
Fazei-nos vossos convivas,
herdeiros e companheiros,
na pátria dos vossos santos!
Amen. Aleluia.

Tu qui cuncta scis et vales,
qui nos pascis hic mortáles:
tuos ibi commensáles,
cohaerédes et sodáles
fac sanctórum cívium.
Amen. Allelúia.

S. Tomás de Aquino

terça-feira, 18 de junho de 2019

Do imensurável valor da Santa Missa



Fica sabendo, ó cristão, que mais merece ouvir devotamente uma só Missa
do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar por toda a terra.    

S. Bernardo de Claraval

Novena Irresistível do Padre Cruz


Ó Jesus, confio ao Vosso Coração as minhas intenções (determinada pessoa, tentação, aflição). Ouvi as minhas preces e acolhei-as no Vosso Santíssimo Coração. Ó Jesus, conto convosco, confio em Vós, abandono-me a Vós, fico certo do Vosso acolhimento. Sagrado Coração de Jesus, eu tenho confiança em Vós!

Confiança nas Promessas de Cristo. Ó Jesus, que dissestes: «Em verdade vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e abrir-se-vos-á!», eu bato, procuro e peço a graça… Sagrado Coração de Jesus, eu espero e confio em Vós!        

Ó Jesus, que dissestes: «Em verdade vos digo, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá!», é ao Vosso Pai e em Vosso nome que peço a graça… Sagrado Coração de Jesus, eu espero e confio em Vós!  

Ó Jesus, que dissestes: «Em verdade vos digo, passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão-de passar!», confiado na infalibilidade das Vossas palavras, eu peço a graça… Sagrado Coração de Jesus, eu espero e confio em Vós!        

Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem é impossível não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, pobres pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por meio do Coração Imaculado de Maria, Vossa e nossa terna Mãe. S. José, rogai por nós! Salve-Rainha.    

P. Francisco Rodrigues da Cruz (Santo Padre Cruz)