quinta-feira, 2 de maio de 2019

Santo Atanásio: tenaz adversário da heresia ariana!



Atanásio foi, sem dúvida, um dos Padres da Igreja antiga mais importantes e venerados. Mas, sobretudo, este grande santo é o apaixonado teólogo da encarnação do Logos, o Verbo de Deus, que, como diz o prólogo do quarto Evangelho, “se fez carne e veio habitar entre nós” (Jo 1, 14).           

Precisamente por este motivo Atanásio foi também o mais importante e tenaz adversário da heresia ariana, que, então, ameaçava a fé em Cristo, reduzido a uma criatura “intermediária” entre Deus e o homem, segundo uma tendência recorrente na história e que vemos concretizada de diversas formas também hoje. Nascido provavelmente em Alexandria, no Egipto, por volta do ano 300, Atanásio recebeu uma boa educação antes de se tornar diácono e secretário do Bispo da metrópole egípcia, Alexandre. Estreito colaborador do seu Bispo, o jovem eclesiástico participou com ele no Concílio de Niceia, o primeiro de carácter ecuménico, convocado pelo imperador Constantino em Maio de 325 para garantir a unidade da Igreja. Os Padres nicenos puderam, assim, enfrentar várias questões e, principalmente, o grave problema causado alguns anos antes pela pregação do presbítero alexandrino Ário.                

Ele, com a sua teoria, ameaçava a fé autêntica em Cristo, declarando que o Logos não era verdadeiro Deus, mas um Deus criado, um ser “intermediário” entre Deus e o homem e, assim, o verdadeiro Deus permanecia sempre inacessível para nós. Os Bispos reunidos em Niceia responderam preparando e fixando o “Símbolo de fé” que, completado mais tarde pelo primeiro Concílio de Constantinopla, permaneceu na tradição das diversas confissões cristãs e na liturgia como o Credo niceno-constantinopolitano. Neste texto fundamental, que expressa a fé da Igreja indivisa e que recitamos também hoje, todos os domingos, na Celebração eucarística, encontra-se a palavra grega homooúsios, em latim consubstantialis: ele pretende indicar que o Filho, o logos, é da mesma substância do Pai, é Deus de Deus, é a sua substância, e assim é posta em realce a plena divindade do Filho, que tinha sido negada pelos arianos.           

Papa Bento XVI, in Audiência Geral de 20 de Junho de 2007

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