domingo, 5 de maio de 2019

Novo barril de pólvora islâmico entre o Médio Oriente e a Ásia


Vislumbra-se uma nova frente de instabilidade entre o Médio Oriente e a Ásia Meridional, nas regiões em que o fundamentalismo islâmico estaria a procurar radicalizar os numerosos refugiados rohingya espalhados pela região. Diversos analistas internacionais soaram o alarme.                 

Entre eles, o editorialista sueco Bertil Lintner precisou que este processo, iniciado por volta de 1978, encontra agora um terreno fértil onde se enraizar numa população composta actualmente por refugiados permanentes, à qual, desde há quarenta anos, a rica e poderosa ONG islâmica, Rabitat-al-Alam-al-Islami (a Liga Islâmica Mundial), enviou ajuda e construiu um hospital, uma mesquita e uma madraça[1] em Ukhia, no Bangladesh. Entre os operadores que chegaram ao local havia alguns religiosos sauditas que, imediatamente, se ocuparam da doutrinação dos mais promissores líderes e activistas Rohingya. Doutrinação que, lamentavelmente, deu os seus frutos!                       

Já entre os anos oitenta e o início dos anos noventa, Rso-Rohingya Solidarity Organization, o principal grupo militante rohingya, fortaleceu os seus laços com o núcleo islâmico existente no Bangladesh, em particular com Jamaat-e-Islami, especialmente com o seu ramo juvenil, decididamente mais fundamentalista, o denominado Islami Chhatra Shibir. Rso entrou, assim, em contacto com o partido e com o grupo paramilitar afegão Hizb-e-Islami e com outras estruturas similares do Paquistão, Médio Oriente e Ásia Meridional. Graças à estreita colaboração, centenas de rohingya foram treinados por instrutores especializados, como por exemplo na província de Khost, no Afeganistão.    

Lintner está convencido de que uma aliança entre os diversos grupos islâmicos da região pode produzir graves consequências para a segurança interna do Bangladesh, embora não tenham conseguido vencer as últimas eleições parlamentares, que ocorreram a 30 de Dezembro: apesar dos confrontos violentos que eclodiram em diversas zonas do País, com um trágico balanço de 16 mortes, as urnas demonstraram um definido alinhamento “secular”, a Awami League da primeira-ministra Sheikh Hasina, o que provocou a reacção furiosa da oposição. A notícia de infiltrações de islamitas radicais na coligação contrária ao governo já provocou, no entanto, fortes dissensões internas e demissões. Más condições para o futuro do País...                

Certamente, as áreas na fronteira entre o Bangladesh e Mianmar poderiam converter-se em incandescentes com os frequentes ataques transfronteiriços por parte dos militantes do Arsa-Arakan Rohingya Salvation Arm – Exército de Salvação Rohingya de Arakán –, o mesmo que, já no último mês de Agosto, provocou uma violenta ofensiva do exército de Mianmar na área do Estado de Rakhine. O Arsa, conhecido localmente com o nome de Harakah al-Yaqin (Movimento da Fé), que representa, actualmente, a principal organização armada Rohingya: mergulha as suas próprias raízes nos ambientes mais radicais Karachi, no Paquistão, em cujas periferias vivem os mais desfavorecidos, sem qualquer direito à cidadania, centenas de milhares de primeira, segunda e terceira geração, dedicados a actividades ilegais. Alguns deles lutaram no Afeganistão. O próprio líder do Arsa, Ataullah Abu Ammar Junjuni, conhecido como Hafiz Tohar, nasceu em Karachi, mas foi educado numa madraça saudita.                             

De acordo com relatórios recentes sobre a situação nos campos de refugiados do Bangladesh, o Jmb-Jamaat-ul-Mujahideen, sigla islâmica que designa um dos grupos terroristas presentes no Reino Unido, estaria a cultivar, por sua vez, relações estreitas com os Rohingya A 13 de Dezembro, a Cttc – Unidade antiterrorismo e contra a criminalidade transnacional prendeu três membros do Jmb «a tentarem treinar os refugiados». Se esta notícia for confirmada, a recusa por parte das autoridades civis e militares de Mianmar de ceder às exigências dos refugiados – que solicitam a cidadania – poderia provocar uma resposta armada. Em suma, a ameaça de um novo barril de pólvora planetário parece agora acesa!



[1] Escola muçulmana onde se frequentam estudos religiosos.


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