terça-feira, 21 de maio de 2019

Discurso de encerramento da Marcha pela Vida



Queridos Amigos, 

Agradeço a todos pelo extraordinário espectáculo que hoje nos ofereceis. A Marcha pela Vida cresce. Cresce no número: queremos fugir ao baile dos números, mas somos muitos mais do que nos anos anteriores.

Cresce com um impacto nacional e internacional, como é evidente nas mensagens de vídeo que recebemos: a maior emissora católica americana está a transmitir em todo o mundo a nossa marcha.       

Mas o que especialmente cresce é a nossa consciência de combater uma grande batalha moral e civil, é a nossa determinação a não recuar, a não aceitar compromissos, porque não são possíveis compromissos sobre a vida humana inocente. Não se pode aceitar que uma só criança seja retirada com violência do ventre da mãe. E subscreve-se este crime quando se aceita uma lei que prevê o aborto.       

Queremos revogar esta lei. É evidente que o objectivo requererá algum tempo, mas, enquanto isso, começamos a desmantelar a lei peça por peça.

E a primeira peça a desmantelar é a do financiamento: não é admissível que, todos os anos, para matar os nossos filhos nos hospitais, gastemos entre 200 e 300 milhões de euros. Quando temos uma saúde que não funciona: qualquer um de nós teve a experiência, uma consulta urgente, uma ecografia, um controlo… se queremos fazê-lo rapidamente, temos de pagar porque os tempos de espera são, muitas vezes, dramáticos. Poderíamos fazer uma longa lista das coisas que não funcionam na área da Saúde. Mas se uma mulher decide fazer um aborto, é imediatamente hospitalizada e tudo é comparticipado, tudo lhe é pago. Mas será possível que, se se quiser abortar, se tenha um tapete vermelho e tudo seja fácil e organizado, e se se quiser continuar com a gravidez o caminho tenha tantos obstáculos e seja particularmente oneroso?  

Certamente estamos aqui porque somos a favor da vida, porque amamos a vida, porque a vida é um dom precioso que todos nós aqui presentes recebemos porque nos foi dado por Deus e porque tivemos pais que amavam a vida.                    

Mas estamos aqui hoje também para protestar contra as leis injustas, contra as leis que matam pessoas inocentes, que matam pessoas que não podem reagir, que não se podem defender.              

Temos diante de nós um movimento ideológico organizado que prega e pratica a cultura da morte, que, depois de ter introduzido o aborto, quer passar ao infanticídio e à eutanásia. A justificação para o aborto, há quarenta anos, era que o embrião que se desenvolvia no útero da mãe não era um ser humano, mas apenas um coágulo indistinto de células, sem alma, sem uma identidade humana.           

O progresso da ciência demonstrou que, desde o primeiro momento da concepção, aquele ser humano tem a sua identidade própria, tem em si características que são únicas e irrepetíveis: é um Homem!      

Os abortistas que quiseram a introdução da lei 194, em Itália, mentiam quando negavam a identidade humana ao feto; e que foi uma mentira deliberada demonstra-o o facto de que se ontem exigiam a supressão desse embrião, hoje pedem a morte do ser humano até aos nove meses, quando está perfeitamente formado, e até mais tarde. Ontem diziam que o aborto era lícito porque não matava um Homem, hoje dizem que se pode matar um Homem pelos interesses da comunidade, repetindo o raciocínio de Caifás: «Nem vos dais conta de que vos convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira» (cf. Jo 11, 50). É o raciocínio com que se justifica a eutanásia activa: os idosos são inúteis, são um fardo para a comunidade: “é melhor que pereça algum desses, e não pereça a nação inteira”.                       

Rejeitamos este sofisma de Caifás com todas as nossas forças e temos diante dos nossos olhos o Cordeiro inocente, Nosso Senhor Jesus Cristo, injustamente condenado e imolado. Também neste caso não houve ninguém que o defendesse e até mesmo Pedro se colocou da outra parte.           

Na Argentina, está-se a desenvolver, como ouvimos, um grande movimento contra o aborto; no Brasil, o novo governo bloqueou todos os pedidos de legalização do aborto, nos Estados Unidos, acaba de ser aprovada, no Alabama, uma lei fortemente restritiva, que praticamente proíbe o aborto. E outros Estados estão a caminhar na mesma direcção. Não há dúvida de que isso se deve à constância, à perseverança com a qual todos os anos centenas de milhares de americanos saem às ruas para protestar contra a lei Roe/Wade. Bem, devemos também nós fazer a mesma coisa. Ano após ano, devemos continuar a sair às ruas, devemos ter clara a ideia de que a lei 194 deve ser abolida na sua totalidade, assim como na América querem abolir a Roe/Wade.    

Isto mostra que o processo histórico não é irreversível, porque a história é feita pelo livre arbítrio dos homens e pela intervenção de Deus.   

Estamos aqui na praça como cidadãos italianos que amam o seu país e sabem que um Estado que permite leis que matam os seus filhos destrói o futuro da nação. A Itália sempre foi vista como o berço da vida, das famílias numerosas. Muitos estrangeiros observam: não vemos mais crianças em Itália, vemos pessoas cada vez mais idosas. De facto, a alegria de viver que caracterizava o nosso país está-se a extinguir.  

Mas, assim como os restantes cidadãos, a maioria de nós somos católicos e orgulhosos de sê-lo. Devemos desejar uma sociedade que respeite a lei natural e divina e devemos amar uma sociedade que reconheça a realeza social de Cristo, porque esse é o fim último da nossa acção.    

O aborto atropela a lei divina e natural. Como imaginar que possa faltar a ajuda de Deus àqueles que, generosamente, se comprometem a defender a vida, material ou espiritualmente, qual é o primeiro bem que Deus nos deu, aquele de que todos os outros bens dependem?  

Nós temos uma imensa fé no êxito vitorioso da nossa batalha. A vitória que lemos nos olhos de tantos jovens e menos jovens que hoje marcharam connosco, nos olhos das crianças, que representam o futuro, e nos dos idosos, que não querem repetir os erros do passado.      

Nos olhos dos leigos, dos religiosos, dos grupos, das associações que, hoje, se manifestam. Constituímos uma grande família e rejeitamos qualquer tentativa de nos dividir e fragmentar, na convicção de que a união em torno da verdade constitui uma força irresistível: a força do bem que avança e que nada nem ninguém poderá parar. Portanto, reencontrar-nos-emos a 23 de Maio de 2020!      

Virginia Coda Nunziante, porta-voz da Marcha Nacional pela Vida

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