quinta-feira, 9 de maio de 2019

Devoção ao Santo Rosário: a “arma” do contra-revolucionário



Como sabemos, um grande mérito da devoção ao Rosário é que ela foi revelada por Nossa Senhora, a São Domingos, como um meio para reavivar a fé nas regiões muito devastadas pela heresia dos albigenses.  

Realmente, a generalização da prática do Rosário obteve um reavivamento da fé. Com isto, o Rosário passou a ser, nas épocas em que houve fé verdadeiramente no mundo, uma das devoções clássicas católicas. A tal ponto que não só as imagens de Nossa Senhora do Rosário se generalizaram por toda a Terra, mas também a prática dessa devoção se tornou comum entre os fiéis. E o uso do Rosário pendente da cintura era um elemento oficial do hábito de muitas Ordens religiosas.    

De entre as mil coisas que se poderiam dizer a respeito, eu gostaria de acentuar exactamente esta ligação de origem entre o Rosário e a virtude da Fé, entre o Rosário e a derrota dos hereges. O Rosário sempre foi considerado uma arma potentíssima da Fé. Sabemos que a virtude da Fé é a raiz de todas as virtudes e as outras têm que brotar de uma Fé viva, ou, então, não são autênticas virtudes. Portanto, não nos adianta estar a cultivar as outras virtudes e negligenciar a Fé.         

Para nós, que levamos uma vida de luta legal e doutrinária em favor da ortodoxia, e que consideramos a vitória da ortodoxia e da Contra-Revolução no mundo um ideal da nossa vida, esta devoção diz muito. Precisamente porque ela estabelece o nexo entre a nossa vida e a devoção a Nossa Senhora, que aparece claramente aqui como sendo Aquela que, sozinha, esmagou todas as heresias, como diz a liturgia. Esmagou-as, em grande parte, pelo Rosário.  

O Rosário é a “arma” da ortodoxia, a “arma” do ultramontanismo, é a devoção pela qual esmagamos as raízes do mau espírito que em nós possa haver e derrotamos a heresia e o mau espírito na luta que estes movem contra nós. De maneira que o Rosário é uma prática típica para nós e é por esta razão que tanto insistimos sobre ela. De tal maneira que se deve considerar que a vida de um membro da nossa família de almas só é normal e só está em regra quando, entre outras coisas, reza diariamente os três Terços do Rosário.          

Não tem propósito alguém dizer o seguinte: “Prefiro rezar uma dezena bem rezada do que um Rosário inteiro simplesmente papagueando”. Houve um santo a quem uma pessoa disse isto e ele respondeu: “Está bem, reze com todo o recolhimento uma Ave-Maria”. A pessoa tentou rezá-la e não conseguiu. Alguém me afirmou que Santa Teresinha jamais conseguiu, em toda a sua vida, rezar uma Ave-Maria sem distracção.           

A verdade é que rezar sem distracção uma Ave-Maria é uma obra-prima. E uma vez que dificilmente se consegue rezar uma Ave-Maria sequer sem uma certa distracção, vale a pena compensar a falta de qualidade pela quantidade. Se sou capaz de apenas rezar Ave-Marias com distracção, é melhor rezar 50 Ave-Marias com distracção do que uma Ave-Maria com distracção: é evidente.                 

De maneira que a reza do Rosário tem muito valor. É uma oração humilde, não é presunçosa, não tem a mania protestante de excesso de prestar atenção às coisas. Pelo contrário, compreende a fragilidade humana e impulsiona as coisas para a frente. Por isso, a repetição que há no Rosário está longe, e até muito longe, de ser estéril. Ela tem o grande mérito da insistência. O próprio Nosso Senhor recomendou, como uma das qualidades da oração, que ela fosse insistente. A oração insistente consegue as coisas. Se insistirmos, ainda que verbalmente apenas, obteremos a graça. Recomendo, portanto, a oração do Rosário como sendo a “arma” do contra-revolucionário para perseverar, para se santificar e para derrotar as heresias.          

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira

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