quinta-feira, 18 de abril de 2019

Meditar a Sagrada Escritura na Semana Santa – Quinta-feira Santa



A liturgia dos três últimos dias da Semana Santa assume um carácter emocionante. Por meio dos ofícios litúrgicos, que são dos mais belos do ano, a Igreja recorda os feitos que assinalaram os últimos dias da vida do Salvador e convida-nos a celebrar com ela o augusto mistério da nossa Redenção. Celebração maravilhosa em que a Paixão se nos apresenta misteriosamente actual para renovar a nossa vida nas próprias fontes de que brotou. 

A Quinta-feira Santa é consagrada à instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Foi na véspera da sua morte que Jesus, o Sumo Sacerdote da Nova Lei, celebrando a Páscoa com os seus discípulos, transformou a refeição ritual dos Judeus numa refeição mais sagrada ainda, em que Ele próprio se deu em alimento daqueles cujo resgate ia operar morrendo na cruz.  

No mesmo dia, o bispo procede à bênção dos Santos Óleos, pelo que mais evidente se torna que os Sacramentos têm a sua própria origem em Cristo, representado agora pelo bispo, e que a sua fecundidade é toda haurida no mistério pascal.     

É hoje ainda, durante a missa vespertina, que se desenrola a cerimónia do mandato ou lava-pés, rememoração comovedora do gesto de humilde caridade com que Jesus assinalou o «mandamento novo» do amor fraterno.

EVANGELHO segundo São Marcos (Mc 6, 7-13) – 1.ª Missa, Missa dos Santos Óleos                       
Chamou os Doze, começou a enviá-los dois a dois e deu-lhes poder sobre os espíritos malignos. Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado: nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto; que fossem calçados com sandálias e não levassem duas túnicas. E disse-lhes também: «Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos numa localidade, se os seus habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles». Eles partiram e pregavam o arrependimento, expulsavam numerosos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos.            
      
EVANGELHO segundo São João (Jo 13, 1-15) – 2.ª Missa, Missa do Memorial da Ceia           
Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar. Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?». Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois». Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!». Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo». Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!». Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos». Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.

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