segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Carta dirigida por jovens católicos portugueses a D. Joaquim Mendes


Por ocasião das declarações confusas de D. Joaquim Mendes acerca da preparação da Jornada Mundial da Juventude de 2022, que decorrerá em Lisboa, um grupo de jovens portugueses decidiu endereçar uma carta ao autor das referidas declarações que também exerce o cargo de Presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família.      


18 de Fevereiro de 2019, memória litúrgica de S. Teotónio

Excelência Reverendíssima,      

Aquando da realização da Jornada Mundial da Juventude do Panamá, de 22 a 27 de Janeiro do presente ano, acompanhámos com grande alegria a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora do Rosário de Fátima à iniciativa que reúne tantos milhares de jovens católicos de todo o mundo em torno do Santo Padre. A Maria Santíssima, Mãe de Jesus, quisemos confiar as intenções da Santa Igreja e do Sucessor de Pedro, pedindo pela fidelidade de todos os membros do Clero e pela nossa santificação. E, no final do encontro, foi com grande alegria que acolhemos a notícia de que Lisboa, em 2022, acolherá a primeira edição da Jornada realizada em Terra de Santa Maria. 

Recentemente, V. Ex.a Rev.ma, em declarações à Agência ECCLESIA, na qualidade de Presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família, disse que pretende “alargar a participação não só aos católicos mas também aos não-crentes, aos jovens de outras confissões religiosas. É um acontecimento com dimensão universal, ecuménico e inter-religioso”. Estas declarações proferidas por V. Ex.a são muito graves e, naturalmente, espalham a confusão e o erro, sobretudo junto dos principais destinatários da JMJ: a juventude católica. E porquê? Porque V. Ex.a Rev.ma pretende abrir esta iniciativa aos inimigos declarados da Santa Igreja de Cristo, como é o caso concreto dos protestantes, seguidores de Lutero, a quem S. João Bosco, fundador da Congregação a que V. Ex.a Rev.ma pertence, classificou como sendo o primeiro Anticristo. A este respeito, convém recordar as palavras do próprio Lutero que incitam claramente ao pecado: “Sê um pecador e deixa que os teus pecados sejam fortes”. Mais de cinco séculos após o cisma de Martinho Lutero e dos seus esbirros, os erros protestantes continuam bem presentes na sociedade e, pasme-se, no seio da Santa Igreja devido a declarações semelhantes às de V. Ex.a Rev.ma que promovem uma enganadora unidade entre a Igreja de Cristo e aqueles que a traíram e abandonaram. Assim sendo, como poderemos convidar para a nossa casa aqueles que dela nos querem tirar? Ou, melhor, aqueles que dela quiseram sair, espalhando voluntariamente o erro e a contradição? Este é um contra-senso de todo o tamanho e ao qual, de forma consciente e responsável, não podemos ficar, de forma alguma, indiferentes, movendo-nos a caridade cristã a fazer esta correcção fraterna a V. Ex.a Rev.ma que, em Portugal, tem a responsabilidade do sector tão importante da Juventude. Poderíamos também falar longa e detalhadamente da questão diabólica do diálogo inter-religioso, mas tomamos apenas a iniciativa de citar o Papa Calisto III acerca dos muçulmanos: “Comprometo-me a exaltar a verdadeira Fé e a extirpar a seita diabólica do réprobo e infiel Maomé no Oriente”. Mais de quinhentos anos depois, para além do Oriente, o combate da Santa Igreja deve ser o de neutralizar esta seita diabólica também no Ocidente e não de promover qualquer tipo de diálogo que apenas conduz a uma humilhação da Igreja de Cristo, como aquela a que assistimos nos Emirados Árabes Unidos, por ocasião da visita do Papa Francisco e do documento assinado com o “Grande Imã de Al-Aazhar”, Ahmad Al-Tayyeb. Por isso, estamos frontalmente contra a participação de muçulmanos e de outras seitas na Jornada Mundial da Juventude de 2022.         

Ex.a Rev.ma, acolher uma Jornada Mundial da Juventude é uma grande responsabilidade e, por conseguinte, exige um adequado percurso de preparação que se deve centrar, essencialmente, em Jesus Sacramentado, através da adoração ao Santíssimo Sacramento e uma participação consciente e digna no Santo Sacrifício, e numa filial e sincera devoção a Nossa Senhora que, também em Portugal, pediu insistentemente a oração diária do Santo Terço e o oferecimento de sacrifícios pelos pecadores e pelos infiéis. 

Não precisamos de festas nas igrejas, nem na JMJ, precisamos, sim, de um ambiente de silêncio, de oração e de adoração; não precisamos de Bispos e Sacerdotes que nos digam que estar na Igreja ou fora dela é a mesma coisa e que todos seremos salvos pela Misericórdia de Deus, ignorando que Nosso Senhor, para além de Misericordioso, é Justo; não queremos ser comparados aos que negam a Fé Católica, pedimos, sim, que o Clero pregue a verdade e feche o coração a todas as heresias; não queremos passar um bom momento, queremos que nos falem do grande prémio do Céu, mas também da existência do Inferno e das tentações que pretendem destruir a nossa Juventude.
  

Não podemos continuar a ignorar o pedido que a Virgem Maria fez, a 13 de Julho de 1917, da Consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração. Asseguramos, desde já, que a Consagração da Rússia é uma das intenções por que rezamos diariamente e requeremos que, em 2022, este pedido esteja muito presente no decorrer da JMJ. Ignorar os pedidos de Nossa Senhora, sabemo-lo, tem-nos trazido uma conta muito pesada. Não nos podemos continuar a recusar cumprir os pedidos do Céu! O Episcopado Português fica obrigado a ser fiel ao Bom Pastor que confiou a Sua Mãe Santíssima a João: “Eis a tua mãe!” (Jo 19, 27). Nós, jovens católicos portugueses, não nos esquecemos das divinas Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo e não ignoramos as responsabilidades dos nossos Bispos enquanto sucessores directos dos Apóstolos. Cá estaremos para rezar por V. Ex.a Rev.ma, mas também para lhe recordar aquilo que Nosso Senhor disse aos Onze: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15). Seja fiel ao ministério que a Santa Igreja lhe confiou e não hesite em colocar-se do lado da Verdade: Nosso Senhor e todas as verdades ensinadas pela Sua única Igreja. Só assim, de facto, poderemos ter jovens que desejem sinceramente a Santidade e que se empenhem efectivamente a fazer da JMJ um encontro de Fé Católica.     

De Vossa Excelência Reverendíssima, muito dedicados, em Jesus e Maria.  

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