quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A voz profética de Pio XI sobre a “educação sexual”



Mormente perigoso é, portanto, aquele naturalismo que, nos nossos tempos, invade o campo da educação em matéria delicadíssima como é a honestidade dos costumes. Assaz difuso é o erro dos que, com pretensões perigosas e más palavras, promovem a pretendida educação sexual, julgando erradamente poderem precaver os jovens contra os perigos da sensualidade, com meios puramente naturais, tais como uma temerária iniciação e instrução preventiva, indistintamente para todos, e até publicamente, e pior ainda, expondo-os por algum tempo às ocasiões para os acostumar, como dizem, e quase fortalecer-lhes o espírito contra aqueles perigos.                     

Estes erram gravemente, não querendo reconhecer a natural fragilidade humana e a lei de que fala o Apóstolo: contrária à lei do espírito, e desprezando até a própria experiência dos factos, da qual consta que, nomeadamente nos jovens, as culpas contra os bons costumes são efeito, não tanto da ignorância intelectual, quanto e principalmente da fraqueza da vontade, exposta às ocasiões e não sustentada pelos meios da Graça.       

Se consideradas todas as circunstâncias se torna necessária, em tempo oportuno, alguma instrução individual, acerca deste delicadíssimo assunto, deve, quem recebeu de Deus a missão educadora e a graça própria desse estado, tomar todas as precauções, conhecidíssimas da educação cristã tradicional, e suficientemente descritas pelo já citado Antoniano, quando diz: «Tal e tão grande é a nossa miséria e a inclinação para o mal, que muitas vezes até as coisas que se dizem para remédio dos pecados são ocasião e incitamento para o mesmo pecado. Por isso, importa sumamente que um bom pai quando discorre com o filho em matéria tão lúbrica, esteja bem atento, e não desça a particularidades e aos vários modos pelos quais esta hidra infernal envenena uma tão grande parte do mundo; não seja o caso que, em vez de extinguir este fogo, o sopre ou acenda imprudentemente no coração simples e tenro da criança. Geralmente falando, enquanto perdura a infância, bastará usar daqueles remédios que juntamente com o próprio efeito, inoculam a virtude da castidade e fecham a entrada ao vício».      

Papa Pio XI, in Carta Encíclica Divini Illius Magistri

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Disparidade entre os fiéis da Missa Tradicional e os da Missa de Paulo VI



Uma nova pesquisa realizada pelo P. Donald Kloster, da Igreja de Santa Maria, em Norwalk, Connecticut, Estados Unidos, em parceria com um estatístico e com Brian Williams, de LiturgyGuy.com, realçou alguns dados interessantes de um grupo sub-representado de católicos: aqueles que regularmente assistem à Missa Tradicional.           

O sacerdote que iniciou a pesquisa celebra “tanto a Missa de Paulo VI – Novus Ordo Missae — como a Missa Tradicional há cerca de 20 anos e afirma, na introdução dos resultados, que “observou variações entre as pessoas que assistem às duas Missas do Rito Romano”.       

Observando que os “católicos americanos que assistem à Missa de Paulo VI têm sido questionados repetidamente acerca das suas ideias e práticas (Pew Research e Center for Applied Research in the Apostolate at Georgetown University – CARA)”, também observa que “o corpo de pesquisas não parece incluir uma descrição de católicos que assistem à Missa Tradicional” que compreende “cerca de 100 mil católicos”, assistindo “ao menos a 489 Missas dominicais em todo o país”. Foram questionadas, tanto presencialmente como online, um total de 1773 pessoas.

Os resultados em questões-chave revelam que:      

1. 2% dos católicos que assistem à Missa Tradicional aprovavam a contracepção, contra 89% dos católicos que assistem à Missa pós-conciliar;          

2. 1% dos católicos que assistem à Missa Tradicional aprovavam o aborto, em comparação a 51% dos que assistem à Missa pós-conciliar;        

3. 99% dos católicos que assistem à Missa Tradicional afirmaram ir à missa semanalmente, contra 22% dos que assistem à Missa pós-conciliar;     
                 

4. 2% dos que assistem à Missa Tradicional aprovavam o “casamento gay”, contra 67% dos que assistem à Missa pós-conciliar.

Também é de se destacar a taxa de doação entre católicos que assistem à Missa Tradicional, que era cerca de 6 vezes o total de doações (6% do orçamento) dos católicos de Missa pós-conciliar (1,2%). Os católicos tradicionais também possuíam uma taxa de natalidade de 3,6 contra 2,3 dos católicos pós-conciliares — indicando “uma família aproximadamente 60% maior”.                   

Como afirmam os autores do estudo, as diferenças entre os dois grupos eram “dramáticas, quando comparadas as ideias, a frequência na igreja, a generosidade financeira e as taxas de natalidade”.           

A pesquisa inicial, conduzida durante alguns meses de 2018, foi curta, mas P. Kloster pretende dedicar-se ao estudo de assuntos adicionais na sua próxima pesquisa — tal como a propensão para as vocações — que deseja iniciar neste ano.             

Os resultados serão, provavelmente, pouco surpreendentes para os católicos que frequentam as capelas em que a Missa Tradicional é disponibilizada no País. Estes indicam que essas capelas são terreno fértil para a ortodoxia católica, famílias numerosas e uma prática autêntica da fé, e continuarão a prover o crescimento e o alimento da Igreja no futuro próximo.      

[Adaptado de: Fratres in Unum]

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Tabernáculo e altar são inseparáveis!



“Separar o Tabernáculo do altar seria o mesmo que separar duas coisas que, pela sua origem e natureza, devem permanecer unidas!”

Papa Pio XII

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Satanás tem realmente poder?



Nos tempos em que vivemos, o mundo laico, herdeiro do Iluminismo, do racionalismo e da difusão do ateísmo, tende a afastar os homens da fé, especialmente na velha Europa, em países como a Itália, a Espanha, a França, a Áustria, a Irlanda e assim por diante, onde a fé vai enfraquecendo. O homem de todas as épocas percebe a insuficiência das coisas humanas e, por isso, precisa de Deus; mas, no momento em que está afastado de Deus, busca outro ponto de apoio, sendo então lançado para a superstição, para o espiritismo, para as seitas satânicas e, em geral, para tudo o que definimos como ocultismo. Ao longo da história, tem sido quase matemático que, quando a fé se cala, aumenta a superstição. Parece que é precisamente o mundo laico que, privado de pontos de referência, se aproxima da magia, do oculto, das mais diversas formas de religiosidade ou até directamente do próprio Demónio. Mas o problema de fundo continua a ser o baixíssimo nível de fé neste período histórico. Frequentemente, quando o homem abandona a fé, lança-se no mundo do ocultismo, um mundo perigoso para a psique humana não somente porque numerosas perturbações psíquicas dependem exactamente da frequência deste tipo de práticas, mas também porque pode abrir a porta a males de carácter maléfico. Portanto, nos nossos dias, Satanás não tem mais poder, nem maior poder; o homem é que simplesmente, com essas suas atitudes de aproximação do oculto, dá maior espaço ao Demónio do que no passado.   

P. Gabriele Amorth, in Vade Retro, Satanás!

Da negação de si mesmo, do amor aos inimigos e da obediência



Devemos aborrecer o nosso corpo com os seus vícios e pecados, pois o Senhor diz no Evangelho que todos os vícios e pecados procedem do coração (Mt 15, 38 18-19; Mc 7, 23). Devemos amar aos nossos inimigos e fazer bem àqueles que nos odeiam (Mt 5, 44; Lc 6, 27). Devemos observar os preceitos e conselhos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos, além disso, renunciar a nós mesmos e submeter o nosso corpo ao jugo da servidão e da santa obediência, conforme prometemos ao Senhor. Mas ninguém está obrigado por obediência a obedecer àquele que lhe manda o que é pecado ou delito.         

S. Francisco de Assis, in Carta a todos os Fiéis (2CF)

domingo, 24 de fevereiro de 2019

O Santo Sacrifício



Mas, dizem, o povo não entende nada da Missa. Responde-se: a Santa Missa é uma acção, não um curso de instrução religiosa. No Calvário não havia explicações e o altar é um Calvário. Todo o cristão sabe o que significa imolar-se!           

P. Johann Baptist Reus, in Curso de Liturgia       

Ordenado novo sacerdote da Fraternidade de São Vicente Ferrer










Ontem, dia em que a Igreja fez memória de São Policarpo, bispo e mártir discípulo do Apóstolo São João, foi ordenado, em Rito Tradicional, em Chémeré-le-Roi – França, o frei Antoine-Marie de Araujo, um frade da Fraternidade de São Vicente Ferrer. A cerimónia decorreu no Convento de São Tomás de Aquino e a Missa foi celebrada por Mons. François Bacqué, Núncio Apostólico e Arcebispo Titular de Gradisca. Damos graças a Deus por mais um sacerdote católico e rezamos para que o frei Antoine-Marie, que celebrará a primeira Santa Missa nesta manhã de Domingo, seja um incansável defensor da Santa Tradição. Deo gratias!

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Sacerdotes, sede cada vez mais sacerdotes!



Poderão os inimigos de Deus e da Igreja arrebatar-nos os templos e as nossas casas, os nossos bens e até as nossas vidas, mas o que não poderão tirar-nos, agora nem nunca, é o nosso sacerdócio! Somos e seremos sacerdotes em favor deles, com eles e apesar deles! O que eu vos diria como lema desta hora de dura batalha, quando tudo parece indicar – pelo menos humanamente é assim – que vamos perder, e que eu quisera gravar com o fogo do meu coração no coração de todos os meus bons irmãos, é isto: Sacerdotes, sede cada vez mais sacerdotes!           

S. Manuel González García, Bispo de Málaga e Palência

Festa da Cátedra de São Pedro



Ontem, dia 22 de Fevereiro, a Santa Igreja celebrou a festa da Cátedra de São Pedro. De seguida, reproduzimos alguns excertos de um artigo do Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado originalmente a 17 de Janeiro de 1966.         

É por um desígnio soberano de Deus que a cidade de Roma foi escolhida para ser a cidade do Papa. Era uma cidade estratégica, onde o benefício da salvação podia tomar-se mais geralmente conhecido. Daí vem a celebração da Cátedra, que se trata de venerar. Posta no ponto nevrálgico e no centro de influência do mundo, a Cátedra “inoculou” a regeneração católica, a verdadeira fé, e disseminou a Igreja.                    

Quando se fala de Cátedra de São Pedro, alude-se naturalmente ao móvel que constitui essa cátedra. Na Igreja de São Pedro há uma cátedra de bronze, feita por Bernini. Dentro encontra-se o pequeno trono de madeira que São Pedro usava em Roma, e que até hoje se conserva para veneração dos fiéis.          

Simbolicamente, cátedra lembra poder, instituição, Papado, Pontificado. Recorda a continuidade dessa instituição mantida por tantos homens, tão diferentes, que a têm ocupado. Lembra o supremo governo da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, lembra a cabeça da Igreja. Se as vicissitudes humanas podem dar-lhe brilho maior ou menor, ou até rodeá-la de trevas, essa Cátedra é sempre a mesma. E o supremo governo da Igreja é a sua Cabeça, que sobretudo deve ser amada quando se ama a Igreja. 

Portanto, o nosso amor à Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana — que é um amor absolutamente sem limites e acima de todas as coisas da Terra — deve incidir especialmente sobre o Papado e a Cátedra de São Pedro, qualquer que seja o seu ocupante. Porque esse é Pedro — a quem foram dadas as chaves dourada e prateada (símbolos do poder espiritual e temporal) — a quem nós, em espírito, osculamos os pés, como expressão de homenagem e de adesão, porque em relação à Cátedra de São Pedro o nosso amor, a nossa obediência e veneração absolutamente não têm limites. Eis o que é especialmente conveniente acentuar sobre a Cátedra de São Pedro. 

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira

Carta do Arcebispo Viganò ao Papa e aos Bispos reunidos no Vaticano



Não podemos deixar de ver como um sinal da Providência que vós, Papa Francisco e Irmãos Bispos que representais toda a Igreja, vos tenhais reunido precisamente no mesmo dia em que celebramos a memória de São Pedro Damião. Este grande monge, no século XI, usou toda a sua força e o seu zelo apostólico para renovar a Igreja do seu tempo, profundamente corrompida pelos pecados de sodomia e simonia. Fê-lo com a ajuda de fiéis Bispos e leigos, em particular com o apoio do Abade Hildebrand, da Abadia de São Paulo fora dos Muros, o futuro Papa São Gregório Magno.        

Permiti que proponha para a vossa meditação as palavras do nosso caro Papa Emérito Bento XVI endereçadas ao povo de Deus na audiência geral de quarta-feira 17 de Maio de 2006, comentando exactamente o excerto do Evangelho de Marcos 8, 27-33 que proclamamos na Missa de hoje.  

“Pedro vive outro momento significativo no seu caminho espiritual nas proximidades de Cesareia de Filipe, quando Jesus faz aos discípulos uma pergunta concreta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» (Mc 8, 27). Mas para Jesus não era suficiente a resposta do ter ouvido dizer. Daqueles que aceitaram comprometer-se pessoalmente com Ele pretende uma tomada de posição pessoal. Por isso insiste: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» (Mc 8, 29).         

Responde Pedro também em nome dos outros: «Tu és o Messias» (ibid.), isto é, Cristo. Esta resposta de Pedro, que não veio “da carne e do sangue” dele, mas foi-lhe concedida pelo Pai que está no céu (cf. Mt 16, 17), tem em si, como que em gérmen, a futura confissão de fé da Igreja. Contudo, Pedro ainda não tinha compreendido o conteúdo profundo da missão messiânica de Jesus, o novo sentido desta palavra: Messias.         

Demonstra-o pouco depois, deixando compreender que o Messias que persegue nos seus sonhos é muito diferente do verdadeiro projecto de Deus. Perante o anúncio da paixão escandaliza-se e protesta, suscitando uma reacção enérgica de Jesus (cf. Mc 8, 32-33).          

Pedro quer um Messias “homem divino”, que cumpra as expectativas do povo impondo a todos o seu poder: é também nosso desejo que o Senhor imponha o seu poder e transforme imediatamente o mundo; Jesus apresenta-se como o “Deus humano”, o servo de Deus, que altera as expectativas da multidão encaminhando-se por uma via de humildade e de sofrimento.       

É a grande alternativa, que também nós devemos aprender sempre de novo: privilegiar as próprias expectativas recusando Jesus ou acolhendo Jesus na verdade da sua missão e abandonando as expectativas demasiado humanas.     

Pedro, impulsivo como é, não hesita em repreender Jesus separadamente. A resposta de Jesus abala todas as suas falsas expectativas, quando o chama à conversão e ao seguimento: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens» (Mc 8, 33). Não me indiques tu o caminho, eu sigo o meu percurso e tu põe-te atrás de mim.            

Pedro aprende, desta forma, o que significa verdadeiramente seguir Jesus. É a sua segunda chamada, análoga à de Abraão em Gn 22, depois de Gn 12: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la, mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la» (Mc 8, 34-35). É a lei exigente do seguimento: é preciso saber renunciar, se for necessário, ao mundo inteiro para salvar os verdadeiros valores, para salvar a alma, para salvar a presença de Deus no mundo (cf. Mc 8, 36-37). Mesmo com dificuldade, Pedro aceita o convite e prossegue o seu caminho seguindo os passos do Mestre. 

Parece-me que estas diversas conversões de São Pedro e toda a sua figura são de grande conforto e um forte ensinamento para nós. Também nós sentimos o desejo de Deus, também nós queremos ser generosos, mas também nós esperamos que Deus seja forte no mundo e transforme imediatamente o mundo segundo as nossas ideias, segundo as necessidades que vemos.                  

Deus escolhe outro caminho. Deus escolhe o caminho da transformação dos corações no sofrimento e na humildade. E nós, como Pedro, devemos converter-nos sempre de novo. Devemos seguir Jesus em vez de o preceder: é Ele quem nos indica o caminho.                        

Assim, Pedro diz-nos: Tu pensas que tens a receita e que deves transformar o cristianismo, mas é o Senhor quem conhece o caminho. É o Senhor que diz a mim, diz a ti: segue-me! E devemos ter coragem e humildade para seguir Jesus, porque Ele é o caminho, a Verdade e a Vida”.

Maria, Mater Ecclesiae, Ora pro nobis.       
Maria, Regina Apostolorum, Ora pro nobis.         
Maria, Mater Gratiae, Mater Misericordiae, Tu nos ab hoste protege et mortis hora suscipe.           

 Carlo Maria Viganò            
Arcebispo Titular de Ulpiana      
Núncio Apostólico      

21 de Fevereiro de 2019, memória de São Pedro Damião     

Uma tradução de Dies Iræ. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Um pasquim LGBT contra a Igreja


Um pasquim LGBT contra a Igreja. O título é Sodoma [No Armário do Vaticano, em Portugal] e o autor Frédéric Martel, um conhecido activista LGBT francês. O livro, no entanto, nasceu em Itália, durante uma conversa entre o autor e o editor Carlo Feltrinelli, filho de Gian Giacomo, o editor-terrorista que morreu a 14 de Março de 1972, enquanto colocava uma bomba numa treliça da Enel[1] em Segrate[2]. Sodoma será apresentado nos próximos dias em oito idiomas e em vinte países.  

O lançamento oficial ocorrerá no dia 21 de Fevereiro, coincidindo com a abertura da cimeira do Vaticano dedicada ao abuso sexual de menores. É, portanto, uma poderosa operação mediática que tem como alvo a Igreja Católica. O autor do livro, Frédéric Martel, apresentado pela imprensa com os títulos, de vez em quando diferentes, de sociólogo, investigador, historiador, alcançou uma certa popularidade com o seu mais recente ensaio, traduzido em várias línguas, Global Gay, dedicado à marcha triunfante de hoje do movimento gay em todo o mundo.        

Envolvido directamente em inúmeras associações activas na difusão da agenda LGBT, Martel trabalha há anos na linha da frente no processo de promoção e “normalização” da homossexualidade. A “militância” LGBT do autor de Sodoma levou-o a ser um dos principais promotores da lei n.º 99-944 de 15 de Novembro de 1999 (Dupacte civil de solidarité et du concubinage), o chamado PACS, que introduziu as uniões civis em França. Nos anos seguintes, o activista LGBT continuou a contribuir para a causa homossexual, dedicando numerosos artigos a favor da introdução do pseudo-casamento homossexual em França até à sua completa legalização, ocorrida a 18 de Maio de 2013.                        
Martel aborda agora a sodomia na Igreja, alegando ter realizado um inquérito sobre o tema, com duração de 4 anos, entrevistando cerca de 1500 pessoas no Vaticano e em vários países do mundo. Na realidade, o que falta no livro é precisamente a documentação. Nada sabemos, depois da sua leitura, para além do que já se sabia sobre a difusão da homossexualidade na Igreja.     

Este gravíssimo problema, trazido à luz pelo testemunho do Arcebispo Carlo Maria Viganò, foi analisado cientificamente e documentado por dois estudiosos polacos, o P. Dario Oko e o P. Andrzej Kobyliński, autores de estudos que foram ignorados pela imprensa internacional. Mas Martel não procura a verdade, tem uma tese ideológica para provar e nas suas páginas não demonstra, mas sugere, insinua, calunia, denigre.       

Monsenhor Battista Ricca, definido por Sandro Magister como «o prelado do lobby gay», abriu-lhe as portas do Vaticano. «Explica-me minuciosamente como passar o controlo dos gendarmes e, depois, dos guardas suíços. Encontrarei frequentemente este prelado de olhos líquidos, um atirador próximo de Francisco que conheceu a glória e a desgraça. Como veremos, é a ele que devo ter podido estar alojado numa das residências do Vaticano». O autor conta que se instalou em Roma uma semana por mês, «permanecendo regularmente dentro do Vaticano graças à hospitalidade de outros prelados que muitas vezes revelaram ser “da paróquia”[3]; “cerca de quarenta cardeais e centenas de bispos, monsenhores, padres e núncios (os embaixadores do Papa) aceitaram encontrar-se comigo. Entre estes, supostos homossexuais, presentes todos os dias no Vaticano, fizeram-me penetrar no seu mundo de insiders».             

Entre os seus informadores está o P. Antonio Spadaro, «um jesuíta considerado como uma das eminências cinzentas do papa, com quem eu falava regularmente na sede da revista La Civiltà Cattolica, da qual é o director». Foi ele quem lhe explicou que «o cardeal Burke está à frente da oposição ao Papa». O cardeal Raymond Leo Burke, a quem Martel dedica um capítulo do seu livro, representa logicamente um dos seus alvos. A sua culpa? A de condenar categoricamente a homossexualidade.          

A tese de Martel é que por trás de cada “homofóbico” esconde-se, na verdade, um homossexual, mas como nada desse tipo pode ser demonstrado contra o cardeal americano, o activista francês contenta-se com uma descrição minuciosa e caricatural do normalíssimo apartamento cardinalício. «O cardeal – escreve – evoca irresistivelmente, no seu modo de vestir e na sua forma de ser, uma drag-queen[4]». No entanto, admite Martel, «Burke é um dos poucos a ter a coragem das suas opiniões», como também o Arcebispo Viganò, que lhe aparece «como testemunha fiável e a sua carta irrefutável»; «parece-me, no entanto – acrescenta –, que o gesto de Viganò seja mais irracional e solitário do que se acreditava: um acto desesperado, uma vingança pessoal que é, antes de mais, fruto de uma profunda ferida interna».

De que coisa são culpados os clérigos homossexuais? Não de terem violado a lei moral, mas de serem hipócritas e não terem dado testemunho público do seu vício. «Que fique claro que para mim um padre ou um cardeal não deveria ter vergonha de ser homossexual; acho, pelo contrário, que deveria ser um possível status social entre tantos outros». Os homens da Igreja deveriam dizer: somos homossexuais e gabamo-nos disso; e a Igreja deveria dizer: errei ao condenar a homossexualidade.

Esta é a razão pela qual Martel é um defensor da “reforma” do Papa Francisco: «A renúncia de Bento XVI e a vontade de reforma do Papa Francisco contribuem para a liberdade de expressão». «Este papa latino é o primeiro a ter usado a palavra “gay” – e não apenas o termo “homossexual” – e pode ser considerado, comparando-o com os seus predecessores, como o mais “gay-friendly” entre os papas modernos. Teve palavras mágicas e contorcidas sobre a homossexualidade: «Quem sou eu para julgar?». E pode-se também pensar que este Papa não tem sequer as tendências ou inclinações que foram atribuídas a quatro dos seus recentes predecessores. No entanto, Francisco é, hoje, o objecto de uma campanha violenta devido ao seu alegado liberalismo em questões de moralidade sexual, levada a cabo por cardeais conservadores que são muito homofóbicos – e, em grande parte, secretamente homofílicos».        

«O que não tolera Francisco não é tanto a homofilia difundida, quanto a vertiginosa hipocrisia daqueles que apoiam uma moralidade austera apesar de terem um parceiro, das aventuras e, às vezes, até dos acompanhantes. Por esta razão, flagela incessantemente os falsos devotos, os fanáticos, os fariseus. Esta duplicidade, esta esquizofrenia, têm sido frequentemente denunciadas por Francisco nas suas homilias matinais em Santa Marta. A sua fórmula merece ser colocada em primeiro plano neste livro: «Por trás da rigidez, há sempre algo oculto; em muitos casos, uma vida dupla».           

Martel, tal como o Papa Francisco, está convencido de que por trás de cada “homofóbico” existe um “homófilo”, um homem atraído, ou obcecado, pela homossexualidade, quer a pratique ou não. «Poder-se-ia também dizer que há uma regra não escrita que é quase sempre verdadeira em Sodoma: quanto mais um prelado é homofóbico, maior é a probabilidade de que ele mesmo seja homossexual». «Quanto mais um prelado é veemente contra os gays, mais forte é a sua obsessão homofóbica, mais é provável que ele não seja sincero e que a sua veemência nos esconda algo».           

O propósito do livro? Derrubar a Bastilha da moral católica. «Cinquenta anos depois de Stonewall, a revolução gay dos Estados Unidos, o Vaticano é o último bastião a libertar! Muitos católicos já intuíram a mentira antes mesmo de lerem a descrição de Sodoma».           

Os passos a seguir são: apoiar e encorajar a “reforma” bergogliana; desqualificar os homens da Igreja fiéis à Tradição; impedir que na Igreja se discuta a praga da homossexualidade, especialmente na próxima cimeira. Deve-se notar, no entanto, que o apoio LGBT ao Papa Francisco certamente não o ajudará na situação das graves dificuldades em que se encontra; os cardeais e os bispos demonizados no livro, sairão mais fortes depois deste ataque tão mal conduzido; e se os presidentes das Conferências Episcopais mundiais não lidarem com a questão da homossexualidade, aquele de 21 a 24 de Fevereiro será um encontro fracassado. Mas o que pode ser considerado um fiasco a partir deste momento é o pasquim de Frédéric Martel.    

Roberto de Mattei      

Uma tradução de Dies Iræ.



[1] A Enel é uma empresa italiana, com sede em Roma, que actua na geração e distribuição de energia eléctrica e na distribuição de gás.
[2]  Município italiano da região da Lombardia e província de Milão, no Norte de Itália.
[3] Expressão italiana que significa “ser homossexual”.
[4] Personagem que se traveste.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Quem os viu e quem os vê...



Os jesuítas clássicos, baseando-se nos ensinamentos de Inácio, viram perfeitamente delineada a missão da sua ordem. Tratava-se de um estado perpétuo de guerra na terra entre Cristo e Lúcifer. Aqueles que lutaram ao lado de Cristo, os combatentes verdadeiramente escolhidos, serviam diligentemente o Romano Pontífice, estavam à sua inteira disposição. Eles eram os “homens do Papa”. O “Reino” pelo qual lutavam era a glória do Céu de Deus. O inimigo, o arquiinimigo, o único inimigo, era Lúcifer. As armas usadas pelos jesuítas eram sobrenaturais: os sacramentos, pregar, escrever, sofrer. O objectivo era espiritual, sobrenatural, estava além do mundo. Tratava-se simplesmente disto: que tantos indivíduos quanto possível morressem em estado de graça sobrenatural e amizade com o seu Salvador, para que, deste modo, pudessem passar toda a eternidade com Deus, seu Criador.     

P. Malachi Martin (ex-jesuíta, falecido em 1999), in The Jesuits

Entrevista exclusiva a Roberto de Mattei sobre a cimeira no Vaticano



No dia 21 de Fevereiro terá início no Vaticano um encontro dos Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, desejado pelo Papa Francisco, para tratar o tema dos “abusos sexuais de menores”. Na véspera do evento, uma coligação internacional de leigos, Acies Ordinata, promoveu uma manifestação pública na Praça de S. Silvestre, no centro de Roma. Colocamos algumas questões ao Professor Roberto de Mattei, Presidente da Fondazione Lepanto e promotor desta iniciativa.            

Corrispondenza Romana: Qual é, antes de mais, a sua opinião sobre a cimeira que decorrerá no Vaticano entre 21 e 24 de Fevereiro?      

Roberto de Mattei: A cimeira do Vaticano é dedicada aos abusos sexuais, um tema absolutamente redutor, porque a grave crise moral que existe no interior da Igreja não se limite ao problema da pedofilia. Parece-me escandaloso que não seja oficialmente afrontada a questão da homossexualidade, que é um problema muito mais extenso do que a pedofilia e é uma das suas causas. A homossexualidade não só é praticada, como é teorizada por redes organizadas, como afirmou justamente o Arcebispo Carlo Maria Viganò.                            

Corrispondenza Romana: Essa parece ser a mesma tese do activista gay Frédéric Martel, no livro Sodoma, que sai nestes dias…    

Roberto de Mattei: O livro de Martel representa, a meu ver, um ataque frontal do lobby gay internacional à Igreja Católica, à sua doutrina e às suas instituições. Martel afirma ter trabalhado durante quatro anos nesta obra, tendo viajado para trinta países e entrevistado 1500 pessoas. Se isto for verdade, não o fez, certamente, à sua custa. Quem é que o financiou? Quem é que organizou a espectacular operação mediática que vê o seu livro ser publicado contemporaneamente nas maiores casas editoras em sete línguas e vinte países? E porquê que o livro sai na véspera da cimeira no Vaticano, se não para exercer uma ameaçadora pressão sobre os bispos reunidos em Roma? A tese do livro é que quem condena a homossexualidade é um homofóbico que esconde em si um homossexual reprimido. Portanto, todos são homossexuais e aquilo que é preciso derrubar é a hipocrisia, como de resto afirma o Papa Francisco, que é elogiado pelo autor por ser “gay friendly”. É preciso “normalizar” a sodomia no interior da Igreja, desqualificando todos aqueles que se opõem a este processo, a começar pelo Cardeal Burke, que é ridicularizado num capítulo vulgar e inconsistente.        

Corrispondenza Romana: Quais são as razões pelas quais o Vaticano minimiza o problema da sodomia no clero enquanto enfatiza a pedofilia? 

Roberto de Mattei: A razão de fundo é a reversão das relações entre a Igreja e o mundo. Para a Igreja existe uma lei absoluta e universal, os Dez Mandamentos, que não se podem violar porque estão impressos na consciência de cada homem. Para o mundo, no entanto, não existe nenhuma lei moral. A regra da convivência civil é resumida pelo artigo 4 da Declaração dos direitos do homem e do cidadão da Revolução Francesa, que diz: “A liberdade consiste em poder fazer tudo aquilo que não prejudique os outros”. O ponto de referência não é uma lei superior, comum a todos os homens, mas o “outro”, considerado como o único limite para a afirmação da vontade de poder de alguém. O Estado é o supremo regulador dos interesses egoístas individuais, e crimes como a pedofilia são condenáveis, não porque violam a lei moral, mas apenas porque representam uma violência para com o nosso próximo. Quem pratica a homossexualidade ou o concubinato com um adulto que consente não prejudica o seu próximo e, portanto, é completamente livre de satisfazer os seus desejos, por mais desordenados que sejam. Esta filosofia iluminista é hoje aceite pelas supremas autoridades eclesiásticas que ignoram o conceito de lei moral e reconhecem como crimes apenas aqueles que são sancionados pelos Estados seculares. A consequência é que, no que diz respeito a crimes como a pedofilia, a Santa Sé hoje está em conformidade com os juízos de culpa e inocência da sociedade civil, renunciando a investigar e a processar por contra própria, excepto quando isso for necessário para não perder a “credibilidade” nos seus confrontos com o mundo, como aconteceu com o “caso McCarrick”. Parece que para Francisco a Igreja, se quer ser credível, deve adaptar-se aos critérios do mundo, em vez de se contrapor a eles.    

Corrispondenza Romana: Que coisa deveria fazer em concreto a cimeira do Vaticano para evitar o falhanço?

Roberto de Mattei: Os Pastores da Igreja, que têm a responsabilidade do seu rebanho diante de Deus, devem recordar que existe uma lei moral válida para todos os homens, que não é permitido violar, e, consequentemente, devem condenar e sancionar crimes graves, como a homossexualidade, mas também afirmar a existência de virtudes cristãs esquecidas, como a castidade, indispensável para aqueles que dedicam as suas vidas ao Senhor. Se o Sínodo se limitasse ao problema dos abusos sexuais, sem dizer uma palavra sobre a praga da homossexualidade que infesta a Igreja, se tivesse de fazer silêncio sobre lobbys homossexuais e a omissão dos círculos eclesiásticos “gay friendly”, este Sínodo trairia a sua missão. O Sínodo trairia a sua missão se se limitasse a denunciar alguns sintomas da crise mantendo o silêncio sobre as suas causas profundas, que remontam aos anos do Concílio e do pós-Concílio, quando o processo de desintegração da moral católica começou.  

Corrispondenza Romana: O slogan da vossa manifestação foi: “Em silêncio para derrubar o muro do silêncio”. A que silêncio se referem?       

Roberto de Mattei:
O muro do silêncio é aquele que nós encontramos na Igreja, onde o Papa Francisco sistematicamente se recusa a responder aos apelos, às dúvidas, às petições e até mesmo às correcções que lhe foram dirigidas desde o início do seu pontificado. Alguns estudiosos, como Eric Voegelin e Augusto Del Noce, identificaram na proibição de fazer perguntas a característica do totalitarismo. No choque entre a utopia e a realidade, para os ditadores é a realidade que se deve curvar à utopia. Trata-se de uma estratégia do silêncio que nasce da arrogância e consiste em ignorar todos aqueles que ousam, não digo opor-se, mas simplesmente fazer perguntas. O silêncio é, nesse sentido, a recusa de reconhecer no interlocutor a possibilidade de expressar uma verdade, simplesmente porque só existe a verdade do mais forte. Há um segundo tipo de silêncio, difundido hoje, o dos temerosos, os Pastores que não se atrevem a enfrentar os lobos, mesmo quando eles entram no redil. Dirigimo-nos a eles no nosso manifesto de 5 de Janeiro: “Ouse, monsenhor”. São Gregório Magno, na Regra Pastoral, define os maus Pastores como cães mudos, incapazes de ladrar” (Is 56, 10) “O que é para um pastor o medo de dizer a verdade, se não virar as costas ao inimigo com o seu silêncio?”. Os ditadores tiram a palavra, os covardes desistem de falar, nós gostaríamos de conversar, mas a palavra é-nos tirada, ou, melhor, a nossa palavra não é aceite, opõe-se-nos o muro do silêncio.

Corrispondenza Romana: Qual é o significado do silêncio que opondes ao muro do silêncio?                       

Roberto de Mattei: O termo Acies Ordinata, que escolhemos para a nossa iniciativa, quer honrar Nossa Senhora, a quem este título é atribuído pelo Cântico dos Cânticos (6, 3; 6, 9), e expressa a ideia de um exército organizado para a batalha, de maneira calma e ordeira. Filhos da Igreja militante, queremos romper o silêncio sepulcral dos Pastores da Igreja diante de uma crise doutrinária e moral sem precedentes. A nossa é uma atitude de oposição e resistência que não confiamos à palavra, mas a um gesto. O nosso testemunho público, combativo e orante, é, na verdade, palavra. Falar não é mover os lábios, mas manifestar exteriormente a própria fé. As palavras pronunciadas sem fé e contra a fé, diz Ernest Hello, são o suicídio da palavra. O nosso acto simbólico é, antes de mais, uma profissão de fé católica que quer devolver a Deus a honra que lhe é tirada. É também um apelo aos Presidentes das Conferências Episcopais, para que algum entre eles tenha a coragem de se levantar no Sínodo e romper o silêncio, dizendo ao Papa a verdade. Se assim não acontecer, o nosso silêncio ressoará no tempo como uma advertência, expressa por uma imagem simbólica: a imagem de um exército que toma partido na batalha e está pronto para lutar. Tomando partido, já combate, e escolhendo pegar em armas, já ganhou, porque não nos é pedido para vencer, mas para combater. A vitória é Deus quem a dá, como quer e quando quer.      

[Tradução de Dies Iræ. Fonte: Corrispondenza Romana]

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Dia dos Santos Francisco e Jacinta Marto



São Francisco Marto, uma alma mergulhada em Deus       

Ao beato Francisco, o que mais o impressionava e absorvia era Deus naquela luz imensa que penetrara no íntimo dos três. Só a ele, porém, Deus Se dera a conhecer «tão triste», como ele dizia. Certa noite, seu pai ouviu-o soluçar e perguntou-lhe porque chorava; o filho respondeu: «Pensava em Jesus que está tão triste por causa dos pecados que se cometem contra Ele». Vive movido pelo único desejo 
 tão expressivo do modo de pensar das crianças ― de «consolar e dar alegria a Jesus».          

Na sua vida, dá-se uma transformação que poderíamos chamar radical; uma transformação certamente não comum em crianças da sua idade. Entrega-se a uma vida espiritual intensa, que se traduz em oração assídua e fervorosa, chegando a uma verdadeira forma de união mística com o Senhor. Isto mesmo leva-o a uma progressiva purificação do espírito, através da renúncia aos próprios gostos e até às brincadeiras inocentes de criança.        

Suportou os grandes sofrimentos da doença que o levou à morte, sem nunca se lamentar. Tudo lhe parecia pouco para consolar Jesus; morreu com um sorriso nos lábios. Grande era, no pequeno Francisco, o desejo de reparar as ofensas dos pecadores, esforçando-se por ser bom e oferecendo sacrifícios e oração. E Jacinta sua irmã, quase dois anos mais nova que ele, vivia animada pelos mesmos sentimentos.      

Santa Jacinta Marto, vítima entregue pelos pecadores      

A pequena Jacinta sentiu e viveu como própria esta aflição de Nossa Senhora [de não ofender mais a Nosso Senhor], oferecendo-se heroicamente como vítima pelos pecadores. Um dia ― já ela e Francisco tinham contraído a doença que os obrigava a estarem pela cama ― a Virgem Maria veio visitá-los a casa, como conta a pequenita: «Nossa Senhora veio-nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito breve para o Céu. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-lhe que sim». E, ao aproximar-se o momento da partida do Francisco, Jacinta recomenda-lhe: «Dá muitas saudades minhas a Nosso Senhor e a Nossa Senhora e diz-lhes que sofro tudo quanto Eles quiserem para converter os pecadores». Jacinta ficara tão impressionada com a visão do inferno durante a aparição de 13 de Julho, que nenhuma mortificação e penitência era demais para salvar os pecadores.      

Bem podia ela exclamar com São Paulo: «Alegro-me de sofrer por vós e completo em mim própria o que falta às tribulações de Cristo, em benefício do seu Corpo, que é a Igreja» (Col 1, 24). No domingo passado, junto ao Coliseu de Roma, fizemos a comemoração de tantas testemunhas da fé do século XX, recordando as tribulações por elas sofridas, através de significativos testemunhos que nos deixaram. Uma nuvem incalculável de testemunhas corajosas da fé legou-nos uma herança preciosa, que deve permanecer viva no terceiro milénio. Aqui em Fátima, onde foram vaticinados estes tempos de tribulação pedindo Nossa Senhora oração e penitência para abreviá-los, quero hoje dar graças ao Céu pela força do testemunho que se manifestou em todas aquelas vidas. E desejo uma vez mais celebrar a bondade do Senhor para comigo, quando, duramente atingido naquele dia 13 de Maio de 1981, fui salvo da morte. Exprimo a minha gratidão também à beata Jacinta pelos sacrifícios e orações oferecidas pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento.     

Excertos da homilia do Papa João Paulo II, a 13 de Maio de 2000, em Fátima, na beatificação dos Pastorinhos

Carta aberta dos Cardeais Brandmüller e Burke



Estimados Irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,   

Dirigimo-nos a vós com profunda angústia! O mundo católico está à deriva e, com angústia, surge a questão: para onde vai a Igreja?          

Diante da deriva, parece que a dificuldade se reduz à do abuso de menores, um crime horrível, especialmente quando é perpetrado por um sacerdote, que é, no entanto, só uma parte de uma crise muito maior. A praga da agenda homossexual difundiu-se dentro da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e uma conspiração de silêncio. As raízes deste fenómeno encontram-se claramente nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, na qual se questiona abertamente a existência de uma lei moral absoluta, ou seja, sem excepções.   

O abuso sexual é atribuído ao clericalismo. Mas a primeira e principal culpa do clero não se baseia no abuso de poder, mas em ter-se afastado da verdade do Evangelho. A negação, inclusive pública, por palavras e actos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos círculos na Igreja. Diante desta situação, os cardeais e os bispos guardam silêncio. Também ficarão em silêncio por ocasião da reunião convocada, no Vaticano, para o próximo dia 21 de Fevereiro?           

Estamos entre os que, em 2016, apresentaram ao Santo Padre algumas perguntas, dubia, que dividiam a Igreja como resultado das conclusões do Sínodo sobre a Família. Hoje em dia, esses dubia não só não tiveram nenhuma resposta, mas são parte de uma crise da Fé mais geral. Por isso, encorajamos-vos a que levanteis as vossas vozes para salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja.          

Peçamos ao Espírito Santo para que possa ajudar a Igreja e trazer luz aos pastores que a guiam. Um acto resolutório agora é urgente e necessário. Confiamos no Senhor que prometeu: «E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20).        

Walter Cardeal Brandmüller

Raymond Leo Cardeal Burke

Oração a S. Tomás para obter o dom da pureza



Ó Puríssimo São Tomás, branco como um lírio, que conservaste sempre incontaminada a estola baptismal; que, rodeado por dois Anjos, foste verdadeiramente um anjo em carne; recomenda-me, peço-te, a Jesus, Cordeiro sem mancha, e a Maria, Rainha das Virgens, para que, cingindo-me também eu do teu sagrado cíngulo, me torne participante da mesma pureza e teu imitador na terra, e seja no fim, contigo, nobre defensor da minha virtude, coroado com os Anjos no Céu. Amen.            

(15 Ave-Marias por si mesmo e por todos os associados da Milícia Angélica de S. Tomás de Aquino)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Em silêncio na praça para derrubar o silêncio dos Bispos








Conforme foi anunciado, hoje, na Praça de S. Silvestre, no coração de Roma, cem pessoas provenientes de todo o mundo estiveram na praça, em oração e em silêncio, para pedir que seja derrubado o muro do silêncio de muitos pastores sobre a crise moral e doutrinária da Igreja. Disponibilizamos algumas imagens da manifestação, a que se seguiu uma conferência de imprensa na sede da Stampa Estera, com a participação de personalidades católicas de Itália (Roberto de Mattei, Presidente da Fondazione Lepanto), de França (Jean-Pierre Maugendre, Presidente de Renaissance Catholique), dos Estados Unidos (Michael Matt, Director da Revista Remnant), do Canadá (Scott Schittl, representante do portal LifeSiteNews), da Polónia (Arkadiusz Stelmach, Vice-Presidente do Instituto Piotr Skarga), da Grã-Bretanha (John Smeaton, Presidente da Society for the Protection of Unborn Child) e do Peru (Julio Loredo, Sócio-Fundador de Tradición y Acción por un Perú Mayor). Nos quatro cantos da praça estavam imagens dos quatro Evangelistas.            

Aos transeuntes foi distribuído um panfleto, cujo texto é o seguinte:  

Em silêncio para derrubar o muro do silêncio!  

Somos leigos católicos, provenientes de toda a Itália e de todo o mundo. Participamos nesta manifestação a título pessoal, ou em nome de associações e revistas jornalísticas unidas pelo amor pela Igreja, a sua doutrina e as suas instituições. Estamos reunidos neste evento sob o nome de Acies ordinata, um nome que a tradição da Igreja reserva a Maria Santíssima, que reúne o exército dos seus fiéis e derrota os seus inimigos: terribilis ut castrorum acies ordinata (Cântico dos Cânticos, 6, 3; 6, 9). Filhos da Igreja militante, estamos aqui para professar publicamente a nossa fé católica, mas também para derrubar o muro do silêncio. O silêncio sepulcral dos Pastores da Igreja diante de uma crise doutrinária e moral sem precedentes.        

A Igreja de San Silvestro in Capite (Basílica de São Silvestre Primeiro), nesta praça, contém a relíquia da cabeça de São João Baptista. O precursor do Messias foi reduzido ao silêncio por Herodes, mas a sua linguagem silenciosa continua a falar aos nossos corações. Estamos em pé, de maneira respeitosa e ordenada, para exprimir simbolicamente a resistência de quem, diante do silêncio, não se curva. Temos nas mãos o Santo Rosário e lemos textos da Tradição católica, porque alimentamos a nossa resistência pela oração e pelo estudo, convictos de que só no recolhimento se prepara a acção.        

A cúpula dos presidentes das Conferências Episcopais, que se abrirá no dia 21 de Fevereiro na presença do Santo Padre, é uma ocasião histórica para afrontar não só o tema dos abusos sexuais de menores, mas o tema da corrupção moral, que inclui cada violação da lei divina e natural, a começar pela terrível praga da homossexualidade.       

O nosso é um apelo aos Bispos silenciosos para que algum entre eles tenha a coragem de romper o silêncio. Haverá algum pastor que ousará dizer a verdade ao Santo Padre? A Igreja não teme a Verdade, porque a Igreja anuncia ao mundo a Verdade do Seu Chefe e Fundador, Jesus Cristo. É sobretudo a Ele que nos dirigimos com este acto simbólico, a fim de que, nestes tempos calamitosos, venha em auxílio da nossa debilidade e, com uma só Palavra, salve a Sua Igreja.

Domine ne sileas (Ps 34, 22) Senhor, não fiques calado!            

[Tradução de Dies Iræ. Fonte: Marco Tosatti]

Papa escolhe Cardeais liberais para conferências em encontro no Vaticano



O Cardeal Blase Cupich, de Chicago, o Cardeal Reinhard Marx, da Alemanha, e o Cardeal Antonio Tagle, das Filipinas, serão oradores no próximo encontro do Vaticano, sobre os abusos sexuais cometidos por membros do Clero, intitulado “A protecção dos menores na Igreja”, que terá início no final desta semana.    

O Cardeal Cupich, um dos principais organizadores do encontro e líder da delegação dos Estados Unidos, emergiu como um defensor imediato do encontro do Vaticano quando, ao último minuto, a Santa Sé proibiu a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos de levar por diante a sua agenda para abordar os abusos sexuais por membros do Clero na reunião de Novembro passado.                     

A nomeação do Arcebispo de Chicago para um alto cargo no encontro causou surpresa desde o início, particularmente depois de ter descartado o testemunho do arcebispo Viganò sobre o encobrimento de McCarrick como um mero “buraco do coelho” que distrai a Igreja. Como evidenciado na conferência de imprensa de hoje, o Cardeal Cupich continua a acreditar que a homossexualidade não é um factor que contribui significativamente para o abuso de menores, apesar das estatísticas mostrarem o contrário.   

[Tradução de Dies Iræ. Fonte: LifeSite]

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Os muçulmanos e os cristãos não adoram o “mesmo Deus”



De acordo com o ex-responsável do mais importante Tribunal do Vaticano, o Cardeal Raymond Burke, muçulmanos e cristãos não adoram o mesmo Deus, já que Alá é um “governador”, enquanto que o cristianismo foi “fundado no amor”.  

A crença moderna de que o islamismo e o cristianismo são fundamentalmente os mesmos “é muito influenciada por um relativismo de uma ordem religiosa”, disse o cardeal numa recente conferência de imprensa.                      

“Eu oiço as pessoas dizerem-me: bem, todos nós estamos a adorar o mesmo Deus. Todos nós acreditamos no amor. Mas eu digo: pare um minuto e vamos examinar cuidadosamente o que é o Islão e o que é que a nossa fé cristã nos ensina”.                

“Eu não acredito que seja verdade que todos nós estamos a adorar o mesmo Deus, porque o Deus do Islão é um governador”, disse Burke. “A sharia é a lei deles, e essa lei, que vem de Alá, deve dominar todo o homem eventualmente”.                 

O Cardeal disse que, diferentemente do cristianismo, a sharia “não é uma lei fundada no amor. Dizer que todos nós acreditamos no amor não é correcto ”.                   

O cristianismo e o islamismo não apenas diferem quanto à natureza das suas leis, propôs Burke, mas também na sua abordagem ao proselitismo e à vitória sobre os convertidos.  

No final, disse que nós temos de entender que “o que eles acreditam mais profundamente, o que atribuem nos seus corações, exige que eles governem o mundo”.         

As palavras do Cardeal ecoaram as recentes declarações de um prelado católico da Hungria, que advertiu que as enormes ondas de migrantes que chegam à Europa devem-se, em grande parte, a uma “vontade de conquista” muçulmana.   

“A jihad é um princípio para os muçulmanos, o que significa que precisam de se expandir”, disse o Arcebispo Gyula Marfi numa entrevista em Agosto. “A terra deve-se tornar islâmica, isto é, território islâmico, introduzindo a sharia, a lei islâmica”.          

As duas palavras dos prelados, de facto, encontram confirmação em recentes afirmações do próprio Estado Islâmico na última edição da sua revista de propaganda, Dabiq.      

“De facto, travar a jihad – espalhar o governo de Alá pela espada – é uma obrigação encontrada no Alcorão, a palavra do nosso Senhor”, diz o texto.  

O Estado Islâmico estava a reagir especificamente às alegações do Papa Francisco de que a guerra travada por terroristas islâmicos não é de natureza religiosa, assegurando ao Pontífice que a sua única motivação é religiosa e sancionada por Alá no Alcorão.   

“Esta é uma guerra divinamente garantida entre a nação muçulmana e as nações de descrença”, afirmam os autores num artigo intitulado ‘Pela Espada’”.                     

O ISIS atacou Francisco pela sua afirmação de que “o Islão autêntico e a leitura adequada do Alcorão se opõem a toda a forma de violência”.     

O Papa Francisco “lutou contra a realidade” nos seus esforços para retractar o Islão como uma religião de paz, insiste o artigo, antes de exortar todos os muçulmanos a assumirem a espada da jihad, a “maior obrigação” de um verdadeiro muçulmano.        

Numa conferência de imprensa em Julho, o Papa Francisco disse aos jornalistas que o mundo está em guerra, mas que não é uma guerra religiosa.    

“Toda a religião quer a paz”, disse ele.          

Na sua conferência de imprensa, o Cardeal Burke insistiu que “o que é mais importante para nós, hoje, é entendermos o Islão a partir dos seus próprios documentos e não presumir que já sabemos do que estamos a falar”.             

[Uma tradução do Dies Iræ. Fonte: Breitbart]