sábado, 12 de janeiro de 2019

Falsas notícias sobre Pio XII



Um pequeno, mas significativo, novo passo para a verdade histórica da II Guerra Mundial foi dado, na Grã-Bretanha, pela prestigiada BBC. Com um gesto de honestidade intelectual, a transmissora inglesa admitiu que um seu programa televisivo, que acusava a Igreja Católica de ter ficado inerte diante das perseguições aos judeus por parte dos nazis, era baseado em falsas notícias.                               

O programa em questão foi transmitido no passado dia 29 de Julho [de 2016], no telejornal da noite, durante a visita do Papa Francisco a Auschwitz por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. O jornalista que estava a acompanhar o evento, em nome da BBC, comentou: “Osilêncio foi a resposta da Igreja Católica quando a Alemanha nazi demonizou a população judaica e, depois, tentou erradicar os judeus da Europa”.         

Esta narração dos factos foi contestada, com uma denúncia formal, pelo lord David Alton, parlamentar católico dos liberais democratas, e pelo padre beneditino Leo Chamberlain, historiador e ex-director do Ampleforth College. Lord Alton fez presente à BBC que, ironicamente, parte do serviço de acompanhamento da visita de Bergoglio foi transmitido na cela de Auchwitz em que esteve detido São Maximiliano Maria Kolbe, o qual, enquanto sacerdote católico, foi preso pelos nazis por causa da sua obra de acolhimento dos refugiados e feridos, tanto cristãos como judeus, e por ter denunciado as atrocidades do Terceiro Reich na revista que ele mesmo fundou: Il Cavaliere dell’Immacolata.           

O mesmo deputado inglês sublinhou, depois, que diversos historiadores elogiaram o Papa Pio XII pelas suas iniciativas no seguimento da II Guerra Mundial. O historiador judeu Pinchas Lapide escreveu que o Papa Pacelli “foi determinante ao salvar, pelo menos, 700 mil judeus, mas, mais provavelmente, 860 mil judeus da morte certa por parte dos nazis”. O empenho do Pontífice foi também o empenho das instituições vaticanas e das bases católicas. Como é que se pode falar de cumplicidade quando cerca de mil sacerdotes católicos, dos 31 mil presentes na Alemanha, em 1931, foram eliminados pelo regime?          

A pergunta histórica coincide, pois, com uma constatação. A Santa Sé, destaca Alton, ajudou os judeus a fugirem das perseguições na Europa oriental, dando-lhes certificados de Baptismo e acolhimento dentro da Cidade do Vaticano. Além disso, prossegue o parlamentar, mais de 6 mil polacos, quase todos católicos, foram reconhecidos, em Israel, como “Justos entre as Nações” pelo trabalho desenvolvido no seu país com o objectivo de salvarem judeus.            

Judeus, esses, que, depois da guerra, agradeceram publicamente a Pio XII pela ajuda que lhes disponibilizou. Leo Kubowitzki, à época secretário do World Jewish Congress, a 23 de Setembro de 1945, apresentou publicamente a gratidão da associação que representava. No dia 30 de Novembro seguinte, o Osservatore Romano publicou a crónica de um encontro entre o Santo Padre e cerca de 80 sobreviventes judeus que expressaram a grande honra de lhe poderem agradecer “pela generosidade para com aqueles que foram perseguidos no período nazi-fascista”.            

À luz destes e de outros testemunhos, o lord Alton não usou meios-termos para definir o programa da BBC, de Julho de 2016, como: “Um comentário desleixado, preguiçoso, desperdiçado – indicativo do tipo de analfabetismo que pode causar tal ofensa; e parte de um embaçamento entre notícias em directo e o desejo de acrescentar um pouco de melodrama”. Mas “menos caridoso – acrescenta –, o programa da BBC pode ser visto como o mais recente exemplo de uma longa tentativa de reescrever a história”.         

Nos últimos dias, depois de quatro meses após a transmissão do programa e após ter estudado a documentação histórica, fornecida pelo lord Alton e pelo padre Chamberlain, acerca do empenho da Igreja em favor dos judeus durante a II Guerra Mundial, a transmissora britânica fez 
um público mea culpa. Admitiu, numa nota enviada ao lord Alton, que o jornalista autor do programa não deu “o justo peso às declarações públicas dos Papas sucessivos e aos esforços levados a cabo por Pio XII para salvar os judeus da perseguição nazi, e perpetuou, assim, uma visão que contrasta com o equilíbrio das provas”. De resto, como o próprio São Maximiliano Kolbe escreveu no último número de Il Cavaliere dell’Immacolata, “ninguém no mundo pode mudar a verdade”.  
            

[Adaptado de: Zenit]

Sem comentários:

Publicar um comentário

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
Para esclarecimentos e comentários, queira contactar: info@diesirae.pt