segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Um dos últimos Romanos



No dia 30 de Outubro [de 1962], dia seguinte ao seu 72.º aniversário, o Cardeal Ottaviani interveio para protestar contra as modificações radicais que se estava a propor fazer à Missa: “Estamos a procurar suscitar o espanto, até o escândalo no povo cristão, introduzindo modificações num rito tão venerável que foi aprovado através de tantos séculos e que continua a ser tão familiar? Não está certo tratar o rito da Santa Missa como se fosse um pedaço de pano que se submete à moda, segundo a fantasia de cada geração”. Mesmo falando sem ler, por razão da sua cegueira parcial, ultrapassou os dez minutos a que se tinha pedido que todos se limitassem. O Cardeal Tisserant, decano dos Presidentes do Concílio, mostrou o seu relógio ao Cardeal Alfrink, que presidiu à sessão. Quando o Cardeal falava há quinze minutos, o Cardeal Alfrink tocou a sineta, mas o orador estava tão empolgado com o assunto que não a escutou – a não ser que a tenha deliberadamente ignorado. A um sinal do Cardeal Alfrink, um técnico desligou o microfone. O Cardeal Ottaviani verificou o facto, ao apalpar o seu microfone, e, humilhado, teve que voltar ao seu lugar. O mais poderoso Cardeal da Cúria tinha sido reduzido ao silêncio e os Padres Conciliares aplaudiram com alegria”.                  

Pe. Ralph M. Wiltgen, in O Reno lança-se no Tibre – O Concílio Desconhecido

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