quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

São João, o discípulo bem-amado



É justo e bom que aquele que foi mais amado por Cristo que todos os mortais seja objecto de um amor particular por parte dos amigos de Cristo, tanto mais que João deu provas de um amor tão grande por nós que partilhou connosco as riquezas da vida eterna que ele próprio tinha recebido. Com efeito, foram-lhe dadas as chaves da sabedoria e do conhecimento (cf Lc 11, 52).

O espírito de João, iluminado por Deus, concebeu a incomparável altura da sabedoria divina quando, na Última Ceia, repousou sobre o peito do Redentor (Jo 13, 25). E, porque no coração de Jesus se encontram «todos os tesouros da sabedoria e da ciência» (Col 2, 3), foi aí que ele foi buscar e daí que tirou os conteúdos com que enriqueceu grandemente a nossa miséria de pobres e distribuiu amplamente os bens tomados da fonte para a salvação do mundo. E, porque o bem-aventurado João fala de Deus de maneira maravilhosa, que não pode ser comparada com nenhuma outra entre os mortais, é compreensível que tanto os gregos como os latinos lhe tenham dado o nome de o Teólogo. Maria é Theotokos porque foi verdadeiramente Mãe de Deus, e João é Theologos porque viu, de maneira que não pode ser descrita, que o Verbo de Deus estava junto de Pai antes de todos os séculos e era Deus (Jo 1, 1), e também porque no-lo revelou com extraordinária profundidade.     

S. Pedro Damião, in Sermão 63; PL 144. 857ss.

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