sábado, 29 de dezembro de 2018

Valeu a pena!



Quando eras menino, não recebeste certas explicações a respeito da religião católica? Ainda te lembras da tua mãe? Ainda te lembras da sua aula de religião? Ainda te lembras da tua primeira comunhão? Ainda te lembras de tal imagem de Nossa Senhora? Ainda te lembras de tal igreja em que entraste em tal ocasião? Ainda te lembras de tal vida de santo que contaram, certa vez, diante de ti e ainda te lembras de algo que mexeu contigo nessas horas? E que te disse, a fundo:       

Ouve e presta atenção: o caminho deve ser outro. É um caminho árduo, mas é um caminho de lógica a partir da verdade e do bem, a partir da fé e da moral.

Segue esse caminho, por mais árduo que seja, e uma luz acompanhar-te-á ao longo da vida. Não será a luz do ouro, não será a luz dos olhos risonhos do bajulador, não será a luz dos fogos da propaganda, não será a luz fictícia ou factícia deste mundo terreno. Mas é uma luz interna, que os olhos não vêem, mas que a alma percebe. É uma paz, é uma segurança em que poderás sentir que, em torno a ti, todos os riscos se levantam, todos os perigos ameaçam desabar sobre ti.        

Contudo, continuando firme, continuando no teu propósito, no teu último alento sentirás que valeu a pena teres vivido, que cumpriste o teu dever e que poderás fazer tuas as palavras de São Paulo: Percorri o caminho que deveria percorrer, cheguei até ao fim do meu caminho, combati o bom combate, ó Deus, dai-me, agora, o prémio da Vossa glória.

Esse momento, o momento da morte que todos temem, valerá por toda a tua vida. Morrerás a poder dizer: “benditas as estrelas que me viram pequenino, bendito o momento em que a minha mãe disse: ‘nasceu um homem’! Porque eu cumpri o meu dever! Eu compareço diante de Deus, talvez sangrando na alma por tudo quanto sofri: pelas ingratidões, pelo abandono, pela negação, pela incompreensão, pela perseguição. Mas, ao menos, ao meu Deus, eu nunca disse ‘não’, eu sempre disse ‘sim’ e sinto que chegou o momento em que Ele olhará para mim e me dirá: “Meu filho, efectivamente sim! Tomo-te nos Meus braços”!        

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, encerramento da XI Semana Especializada para a Formação Anti-Comunista, da TFP, 17 de Julho de 1972

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Santos Inocentes, os companheiros do Cordeiro



Não sabemos aonde é que o Deus-Menino nos quer conduzir neste mundo e não devemos perguntar-Lhe antes do tempo. A nossa certeza é de que «tudo concorre para o bem dos que amam a Deus» (Rom 8, 28), e, ainda, que os caminhos traçados pelo Senhor conduzem para além deste mundo. Ao tomar um corpo, o Criador do género humano oferece-nos a Sua divindade. Deus fez-Se homem para que os homens se pudessem tornar filhos de Deus. Oh, troca maravilhosa!  

Ser filho de Deus significa deixar-se conduzir pela mão de Deus, fazer a vontade de Deus e não a nossa, depositar na mão de Deus todas as nossas preocupações e todas as nossas esperanças, não nos preocuparmos mais connosco nem com o nosso futuro. É sobre este alicerce que assentam a liberdade e a alegria dos filhos de Deus.         

Deus fez-se homem para que nós pudéssemos participar na sua vida. A natureza humana que Cristo assumiu tornou possível que Ele sofresse e morresse. Todos os homens têm de sofrer e morrer mas, se forem membros vivos do Corpo de Cristo, o seu sofrimento e a sua morte recebem força redentora da divindade d’Aquele que é a cabeça.           

Na noite do pecado, brilha a estrela de Belém. E sobre a luz resplandecente que brota do presépio desce a sombra da cruz. A luz extingue-se nas trevas de Sexta-Feira Santa, mas surge mais brilhante ainda, qual sol de graça, na manhã da Ressurreição. O caminho do Filho de Deus feito carne passa pela cruz e pelo sofrimento, até à glória da Ressurreição. O caminho para chegar à glória da Ressurreição com o Filho do homem passa pelo sofrimento e pela morte, para cada um de nós e para toda a humanidade.      

Sta. Teresa Benedita da Cruz, in O Presépio       

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

São João, o discípulo bem-amado



É justo e bom que aquele que foi mais amado por Cristo que todos os mortais seja objecto de um amor particular por parte dos amigos de Cristo, tanto mais que João deu provas de um amor tão grande por nós que partilhou connosco as riquezas da vida eterna que ele próprio tinha recebido. Com efeito, foram-lhe dadas as chaves da sabedoria e do conhecimento (cf Lc 11, 52).

O espírito de João, iluminado por Deus, concebeu a incomparável altura da sabedoria divina quando, na Última Ceia, repousou sobre o peito do Redentor (Jo 13, 25). E, porque no coração de Jesus se encontram «todos os tesouros da sabedoria e da ciência» (Col 2, 3), foi aí que ele foi buscar e daí que tirou os conteúdos com que enriqueceu grandemente a nossa miséria de pobres e distribuiu amplamente os bens tomados da fonte para a salvação do mundo. E, porque o bem-aventurado João fala de Deus de maneira maravilhosa, que não pode ser comparada com nenhuma outra entre os mortais, é compreensível que tanto os gregos como os latinos lhe tenham dado o nome de o Teólogo. Maria é Theotokos porque foi verdadeiramente Mãe de Deus, e João é Theologos porque viu, de maneira que não pode ser descrita, que o Verbo de Deus estava junto de Pai antes de todos os séculos e era Deus (Jo 1, 1), e também porque no-lo revelou com extraordinária profundidade.     

S. Pedro Damião, in Sermão 63; PL 144. 857ss.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Santo Estêvão, o primeiro a seguir os passos de Cristo



«Cristo também padeceu por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos» (1 Pe 2, 21). Qual é o exemplo do Senhor que devemos seguir? O de ressuscitar os mortos? O de caminhar sobre as águas? Não, não serão esses, mas o de sermos mansos e humildes de coração (Mt 11, 29) e amarmos tanto os amigos como os inimigos (Mt 5, 44). 

«Para que sigais os seus passos», escreve São Pedro. Disse-o também São João evangelista: «Quem diz que permanece em Cristo também deve caminhar como Ele caminhou» (1 Jo 2, 6). Como caminhou Cristo? Rezou na cruz pelos seus inimigos, dizendo: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Eles perderam, de facto, o juízo e foram possuídos por um espírito maligno, e, enquanto nos perseguem, sofrem perseguição bem maior do diabo. Por isso, muito devemos rezar pela sua libertação e não pela sua condenação.  

Foi o que fez o beato Estêvão, que foi o primeiro a seguir, em toda a glória, os passos de Cristo. Pois, enquanto o apedrejavam em saraivada, por si próprio gritou de pé; mas, ao pedir pelos seus inimigos, pôs-se de joelhos, gritando com todas as forças: «Senhor Jesus Cristo, não lhes atribuas este pecado» (Act 7, 60). Portanto, se nos parecer que não conseguimos imitar a Nosso Senhor, ao menos imitemos aquele que era Seu servo como nós.       
S. Cesário de Arles, in Sermões ao povo, n.º 37

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Jesus nascido de Maria



No reinado de César Augusto, quando o silencioso repouso de uma paz universal serenava tempos até então perturbados, permitindo a este príncipe ordenar o recenseamento de todo universo, aconteceu, pelos cuidados da Divina Providência, que José, esposo da Virgem, conduziu a sua jovem esposa de cepa real, que estava prestes a ser mãe, à cidade de Belém. E eis que, nove meses após a sua concepção, o rei pacífico, trazido à luz sem qualquer alteração da sua mãe, tal como tinha sido concebido sem que nenhuma parte fosse entregue à volúpia, saiu do seio virginal «como um esposo do seu leito» (Sl 19, 6). Embora fosse poderoso e rico, escolheu, por amor a nós, tornar-se pequeno e pobre (cf Cor 8, 9), nascer fora de sua casa, num estábulo, ser envolto em pobres paninhos, alimentado do leite virginal e deitado num presépio, entre um boi e um burro. Foi então que nasceu para nós o dia da nova redenção, da reparação dos dias antigos e da felicidade eterna; foi então que em todo o mundo os Céus se tornaram doces como o mel.     

Abraça agora, ó minha alma, este presépio divino, aplicando os teus lábios aos pés do Menino e redobrando os teus beijos. Depois, revê no teu espírito a vela dos pastores, admira o exército dos anjos que acorre, participa nas melodias celestes e canta com a boca e o coração: «Glória a Deus no mais alto dos Céus e paz na Terra aos homens de boa vontade».                   

S. Boaventura, in A Árvore da Vida, cap. I
§ 4

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Aquilo que era humilde tornou-se sublime



Nos Padres da Igreja, é possível encontrar um comentário surpreendente ao cântico com que os anjos saúdam o Redentor. Até àquele momento – dizem os Padres – os anjos tinham conhecido Deus na grandeza do universo, na lógica e na beleza do cosmos que provêm d’Ele e O reflectem. Tinham acolhido por assim dizer o cântico de louvor mudo da criação e tinham-no transformado em música do céu. Mas agora acontecera um facto novo, até mesmo assombroso para eles. Aquele de quem fala o universo, o próprio Deus que tudo sustenta e traz na sua mão, Ele mesmo entrara na história dos homens, tornara-Se um que age e sofre na história. Do jubiloso assombro suscitado por este facto inconcebível, por esta segunda e nova maneira em que Deus Se manifestara – dizem os Padres – nasceu um cântico novo, tendo o Evangelho de Natal conservado uma estrofe para nós: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens». Talvez se possa dizer, segundo a estrutura da poesia hebraica, que este versículo nas suas duas frases diz fundamentalmente a mesma coisa, mas duma perspectiva diversa. A glória de Deus está no alto dos céus, mas esta sublimidade de Deus encontra-se agora no curral, aquilo que era humilde tornou-se sublime. A sua glória está sobre a terra, é a glória da humildade e do amor. Mais ainda: a glória de Deus é a paz. Onde está Ele, lá está a paz. Ele está lá onde os homens não querem fazer, de modo autónomo, da terra o paraíso, servindo-se para tal fim da violência. Ele está com as pessoas de coração vigilante; com os humildes e com aqueles que correspondem à sua elevação, à elevação da humildade e do amor. A estes dá a sua paz, para que, por meio deles, entre a paz neste mundo.          

Bento XVI, in Homilia da Missa da Noite, 25 de Dezembro de 2008     

domingo, 23 de dezembro de 2018

Confirmações em Rito Tradicional









Fotografias do Instituto do Bom Pastor – Brasília

Quarto Domingo do Advento – Estação na Igreja dos Doze Apóstolos



Ciclo da Encarnação – Tempo do Advento

Estação (do latim Státio, lugar de reunião, assembleia) era a Igreja de Roma onde se congregavam o Papa, o Clero e os fiéis, em dia previamente designado, para a celebração da Missa Solene. Estas Estações tiveram início em fins do século II. Até meados do século III a concentração era feita com certa reserva, atendendo às perseguições. Depois da paz constantiniana o Cerimonial tornou-se mais solene. Reuniam-se em determinada igreja, onde era cantada a Colecta, dirigindo-se para o lugar da Estação em Procissão, ao som das preces litânicas, recitadas pelo Clero e fiéis. No lugar da Estação era celebrada a Missa própria do dia, durante a qual se fazia a Homilia. No século V estas cerimónias haviam assumido grande relevo. Presentemente tais Missas estacionais são ainda celebradas nos lugares indicados no Missal, embora sem o esplendor dos primeiros séculos, nos seguintes dias: Domingos do Advento e Férias das Têmporas deste Tempo, Vigília e Dia do Natal, Circuncisão, Epifania, Septuagésima, Sexagésima, Quinquagésima, Domingos e Férias da Quaresma, Domingo da Páscoa e seu Oitavário, Dias das Rogações e da Ascensão, Vigília e Festa de Pentecostes, assim como o seu Oitavário. A indicação destas Estações já figurava nos Sacramentários e noutros livros usados na celebração da Missa no século VII e foi incluída nos primeiros Missais editados.                

Mons. João Chrysóstomo de Freitas Barros (1951)

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Ó céus, derramai dessas alturas o Vosso orvalho: e que as nuvens chovam o Justo! Abra-se a terra e floresça o Salvador! Os céus proclamam a glória de Deus: e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Como era no princípio, e agora, e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Ámen.

Domingo Gaudete em Portland








Missal Pontifical, celebrada por D. Alexander Sample, Arcebispo de Portland, nos Estados Unidos, no passado dia 16 de Dezembro, Domingo Gaudete.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Luz nas trevas



Luz que dissipa e vence as trevas é, com efeito, o Natal do Senhor no seu significado essencial, que o Apóstolo São João expôs e compendiou no sublime exórdio do seu Evangelho, eco da solenidade da primeira página do Génesis ao aparecer da primeira luz. “O Verbo fez-se carne e habitou entre nós; e nós fomos testemunhas da sua glória, daquela glória que o Unigénito recebe do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 14). Vida e luz em si mesmo, resplandece nas trevas e concede – a todos aqueles que para Ele abrem os olhos e o coração, àqueles que o recebem e crêem nele – o poder de se tornarem filhos de Deus (cf. Jo 1, 2).         

Não obstante, porém, tão generosa fulguração de luz divina que promana do humilde presépio, deixa-se ao homem o poder tremendo de mergulhar nas antigas trevas, causadas pelo primeiro pecado, nas quais o espírito se estiola com obras aviltantes da morte. Para estes cegos voluntários, que se tornaram tais por haverem perdido ou debilitado a fé, o próprio Natal não conserva outro atractivo senão o de uma festa puramente humana, reduz-se a pobres sentimentos e a recordações puramente terrenas, embora ordinariamente se envolva de carinho, mas como realidade sem conteúdo ou fruto sem substância. Em volta do Radioso berço do Redentor, persistem, portanto, zonas de trevas e movem-se homens de olhos fechados ao celestial fulgor. Não porque o Deus Encarnado não tenha, mesmo no mistério, luz para iluminar cada homem que vem a este mundo, mas porque muitos, deslumbrados pelo efémero esplendor dos ideais e das obras humanas, circunscrevem o olhar aos limites do criado, incapazes de levantá-lo ao Criador, princípio, harmonia e fim de tudo o que existe.           

Pio XII, in Radiomensagem do Natal de 1953

Maria deu graças ao Senhor



O Magnificat — que é um retracto, por assim dizer, da sua alma — é inteiramente tecido com fios da Sagrada Escritura, com fios tirados da Palavra de Deus. Assim se manifesta que Ela se sente verdadeiramente em casa na Palavra de Deus, d’Ela sai e a Ela volta com naturalidade. Fala e pensa com a Palavra de Deus; esta torna-se palavra d’Ela, e a Sua palavra nasce da Palavra de Deus. Além disso, fica patente que os Seus pensamentos estão em sintonia com os de Deus, que o d’Ela é um querer juntamente com Deus. Vivendo intimamente permeada pela Palavra de Deus, Ela pôde tornar-se Mãe da Palavra encarnada.          

Enfim, Maria é uma mulher que ama. E como poderia ser de outro modo? Enquanto crente que, na Fé, pensa com os pensamentos de Deus e quer com a vontade de Deus, não pode ser senão uma mulher que ama. Intuímo-lo nos gestos silenciosos que nos referem os relatos evangélicos da infância. Vemo-lo na delicadeza com que, em Caná, se dá conta da necessidade em que se acham os esposos e a apresenta a Jesus. Vemo-lo na humildade com que aceita ser esquecida no período da vida pública de Jesus, sabendo que o Filho deve fundar uma nova família e que a hora da Mãe chegará apenas no momento da Cruz, que será a verdadeira hora de Jesus (cf. Jo 2,4; 13,1); então, quando os discípulos tiverem fugido, Maria permanecerá junto da Cruz (cf. Jo 19,25-27); e, mais tarde, na hora de Pentecostes, serão eles a juntar-se ao redor d’Ela à espera do Espírito Santo (cf. Act 1,14).     

Papa Bento XVI, in Carta Encíclica Deus Caritas est     

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Entrevista ao Superior Geral da FSSPX




No último sábado, 15 de Dezembro de 2018, o Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Padre Davide Pagliarani (PDP), concedeu uma admirável entrevista ao jornal austríaco Salzburger Nachrichten (SN).       

SN: O fundador da Fraternidade São Pio X, Dom Marcel Lefebvre, foi excomungado, em 1988, por ter ordenado quatro Bispos sem permissão. No ano de 2009, Bento XVI levantou estas excomunhões. O que é que isso significa para si?           
PDP:
Para nós, não mudou nada, porque nunca consideramos que essas excomunhões tivessem fundamento. No entanto, algumas pessoas sentiram-se encorajadas a juntar-se a nós, coisa que, até então, não ousavam fazer. Isso facilitou, igualmente, as nossas relações com alguns Bispos e com parte do Clero, sobretudo com os padres mais jovens.

SN: Francisco também fez algumas concessões. O que é que o senhor ainda espera?                       
PDP:
Esperamos aquilo que todos os católicos pedem à Igreja no seu Baptismo: a Fé. A revelação divina está encerrada, é dever do Papa transmitir fielmente o depósito da fé. O Papa deve, pois, pôr fim à terrível crise que agita a Igreja há 50 anos. Esta crise foi desencadeada por uma nova concepção da Fé centrada na experiência subjectiva de cada um: julga-se que o indivíduo é o único responsável pela sua Fé e pode, livremente, optar por qualquer religião, sem distinção entre o erro e a verdade. Ora, isso contradiz a lei divina objectiva.

SN: A Fraternidade São Pio X pode, por sua vez, mostrar-se conciliadora no que se refere ao Papa?       
PDP:
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mesmo quando se opõe aos erros do Concílio Vaticano II, está profundamente ligada ao Sucessor de Pedro. No entanto, estamos verdadeiramente consternados com uma característica fundamental deste pontificado: a aplicação completamente nova do conceito de Misericórdia. Este conceito foi reduzido a uma panaceia para todos os pecados, sem levar a uma verdadeira conversão, à transformação da alma pela graça, mortificação e oração. Na sua Exortação apostólica pós-sinodal, Amoris laetitia, o Papa estende aos católicos a possibilidade de decidir, caso por caso, segundo as suas consciências pessoais, questões de vida moral no Matrimónio. Isso contradiz, muito nitidamente, a orientação necessária e clara dada pela Lei de Deus. Nós vemos nisso um eco da espiritualidade de Lutero: um cristianismo sem exigência de renovação moral, um subjectivismo que não reconhece mais nenhuma verdade universalmente válida. Isso causou uma confusão profunda entre os fiéis e o Clero. Todos os homens procuram a verdade. Mas, para isso, tem necessidade da direcção de um Padre, como o aluno tem necessidade da direcção do Professor.

SN: O que representou, nesse sentido, o Ano Lutero 2017?      
PDP:
Desde o século XVI, a Igreja Católica dirigiu-se aos protestantes para convertê-los e reconduzi-los à verdadeira Igreja. O ano Lutero não serviu para esse objectivo primordial de procurar o retorno dos protestantes. Pelo contrário, foram confirmados no seu erro. A razão disso é que, desde o Concílio Vaticano II, a Igreja pensa que todos os homens podem encontrar Deus na sua religião. É uma premissa que reduz a Fé a uma experiência pessoal e interior, uma vez que a Fé não é mais considerada como a adesão da inteligência à revelação divina.     

SN: Nas outras religiões encontramos muitos que vivem moralmente bem na sua alma e consciência. Deus reconhecerá os seus méritos?         
PDP:
A Igreja é essencialmente missionária. Cristo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Os homens somente serão salvos por meio de Nosso Senhor. Ele fundou uma única Igreja, que é a Igreja Romana. Esta verdade teológica deve ser proclamada, assim como a rectidão moral e o esplendor da Missa Tradicional no Rito Tridentino. A procura sincera pela verdade nas outras religiões não basta para produzir a verdade. É preciso, portanto, ajudar essas almas a salvarem-se. Se uma alma puder ser salva fora da Igreja Católica, isso ocorrerá apesar dos erros nos quais se encontra, e não graças a eles e, em todo o caso, somente por Jesus Cristo.          

SN: O seu predecessor, Bernard Fellay, qualificou os judeus, maçons e modernistas como inimigos da Igreja. Os judeus também têm de se converter à Igreja Católica, como o senhor afirmou que devem fazer os protestantes?
PDP:
O modernismo é um dos erros mais perigosos. Assim, até ao Concílio Vaticano II, a Igreja ordenava a todos os Padres fazerem um juramento anti-modernista, que eu mesmo fiz. Quanto ao judaísmo, seria um pecado imperdoável excluir o povo judeu dos bens e tesouros da Igreja Católica. A missão salvífica da Igreja é universal e não pode deixar de lado nenhum povo.                       

SN: O senhor rejeita os documentos essenciais do Concílio Vaticano II, tais como os que versam sobre a liberdade religiosa e o ecumenismo. Trata-se apenas de uma divergência de interpretação ou o senhor rejeita completamente esses textos do Concílio?
PDP:
O Vaticano II apresentou-se, ele mesmo, como um Concílio puramente pastoral. No entanto, algumas decisões dogmáticas maiores foram tomadas, como as que o senhor mencionou. Isso levou a uma transformação completa da fé. O Papa Bento XVI estimou que as divergências entre Roma e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X se limitavam a um problema de interpretação dos textos do Concílio, de modo que bastaria debruçar-se sobre esses textos para que um acordo fosse possível. Ora, não é essa a nossa posição. A Fraternidade São Pio X rejeita do Concílio Vaticano II tudo o que não está de acordo com a Tradição católica. O Papa deveria declarar que o decreto sobre a liberdade religiosa é erróneo e corrigi-lo de seguida. Estamos convencidos de que um dia um Papa o fará e retornará à pura doutrina que era a referência antes do Concílio. Questões como liberdade religiosa, ecumenismo e constituição divina da Igreja foram tratadas pelos Papas antes do Vaticano II. Basta retomar os seus ensinamentos Não se pode conceber que a Igreja se tenha enganado por dois milénios e que somente tenha encontrado a verdade sobre estas questões nos anos do Concílio, entre 1962 e 1965. 

SN: Pesa-lhe na consciência o facto de que, desde o ponto de vista Romano, o senhor esteja em estado de cisma com a Igreja?           
PDP: Na verdade, Roma não nos considera como cismáticos, mas como “irregulares”. Em todo o caso, se eu não tivesse a certeza de trabalhar na Igreja Católica Romana e em proveito dela, imediatamente abandonaria a Fraternidade. 

As más companhias



Meus queridos irmãos, eu chamo “má companhia” ao homem que está sem religião, que não se preocupa com os Mandamentos de Deus ou com os da Igreja, que não reconhece a Quaresma ou a Páscoa, que raramente vem à Igreja ou, se o faz, vem apenas para escandalizar os outros pelos seus caminhos sem religião.  

Deves evitar a sua companhia, caso contrário, não vais demorar muito a tornar-te como ele, sem sequer te aperceberes.  Ele vai-te ensinar, com a sua má conversa e com o seu mau exemplo, a desprezar as coisas mais sagradas e a negligenciares os teus próprios deveres mais sagrados. Começará a transformar as tuas devoções em algo ridículo e a fazer algumas piadas sobre a religião e os seus ministros.     

Falará contigo, durante um tempo, em termos escandalosos, sobre os Sacerdotes ou sobre a Confissão e, como consequência, vai-te fazer perder completamente o gosto pela recepção frequente dos Sacramentos.    

Ele discutirá as instruções dos teus pastores, apenas a fim de transformá-las em algo ridículo, e tu podes estar certo de que, se mantiveres a companhia por qualquer período de tempo, vais ver que, mesmo sem te aperceberes, vais começar a perder o gosto por tudo que é rentável para a salvação da tua alma.   

Eu chamo “má companhia”, meus queridos irmãos, a este jovem ou velho caluniador, que nada tem além de palavras más e impuras na sua boca. Tende atenção, meus filhos, em relação a este tipo de pessoas têm veneno nas suas próprias bocas! Se frequentas a sua companhia, podes estar certo de que absorverás isso e que, sem um milagre da graça, morrerás espiritualmente. O Diabo vai fazer bom uso desse desgraçado para manchar a tua imaginação e corromper o teu coração.    

Eu chamaria “má companhia”, meus queridos irmãos, àquela pessoa que está sempre curiosa, agitada ou que calunia, que quer saber tudo o que se passa na casa de outras pessoas e que está sempre pronta para fazer julgamentos sobre o que não vê. O Espírito Santo diz-nos que estas pessoas não são apenas odiosas para o mundo inteiro, mas também são amaldiçoadas por Deus. Afastem-se deles, meus queridos irmãos, caso contrário, tornar-se-ão como eles e perecerão como eles. 

S. João Maria Vianney

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Português ordenado sacerdote na Suíça









No passado dia 8 de Dezembro – dia festivo de preceito, em que a Santa Igreja celebra a Imaculada Conceição da B. Virgem Maria –, na Suíça, em Coira, foi ordenado o português Padre Nuno Bastos. A Santa Missa, um Pontifical no Trono, foi celebrada por D. Vitus Huonder, Bispo diocesano. Ao Padre Nuno Bastos, garantimos-lhe a nossa oração e peçamos que continue a rezar por Portugal e pela Tradição em terras de Santa Maria!

[Fonte: Senza Pagare]

Quarta-feira das Têmporas do Inverno – Estação em Santa Maria Maior



Ciclo da Encarnação – Tempo do Advento

Estação (do latim Státio, lugar de reunião, assembleia) era a Igreja de Roma onde se congregavam o Papa, o Clero e os fiéis, em dia previamente designado, para a celebração da Missa Solene. Estas Estações tiveram início em fins do século II. Até meados do século III a concentração era feita com certa reserva, atendendo às perseguições. Depois da paz constantiniana o Cerimonial tornou-se mais solene. Reuniam-se em determinada igreja, onde era cantada a Colecta, dirigindo-se para o lugar da Estação em Procissão, ao som das preces litânicas, recitadas pelo Clero e fiéis. No lugar da Estação era celebrada a Missa própria do dia, durante a qual se fazia a Homilia. No século V estas cerimónias haviam assumido grande relevo. Presentemente tais Missas estacionais são ainda celebradas nos lugares indicados no Missal, embora sem o esplendor dos primeiros séculos, nos seguintes dias: Domingos do Advento e Férias das Têmporas deste Tempo, Vigília e Dia do Natal, Circuncisão, Epifania, Septuagésima, Sexagésima, Quinquagésima, Domingos e Férias da Quaresma, Domingo da Páscoa e seu Oitavário, Dias das Rogações e da Ascensão, Vigília e Festa de Pentecostes, assim como o seu Oitavário. A indicação destas Estações já figurava nos Sacramentários e noutros livros usados na celebração da Missa no século VII e foi incluída nos primeiros Missais editados.                

Mons. João Chrysóstomo de Freitas Barros (1951)        


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Ó céus, derramai dessas alturas o vosso orvalho: e que as nuvens chovam o Justo! Abra-se a terra e floresça o Salvador! ― Os céus proclamam a glória de Deus: e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Como era no princípio, e agora, e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Ámen.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Quando os cegos guiam outros cegos...



Se, em determinados casos, se permite a comunhão aos divorciados que voltaram a casar, e que vivem, portanto, em adultério (assim o diz a Amoris Laetitia, do Papa Francisco); se se dão os Sacramentos a quem decidiu aplicar a eutanásia, atentando, como homicida, contra a sua própria vida*; cada vez se irão abrindo, mais e mais, as portas a outros sacrilégios de quem vive em constante pecado mortal, sem arrepender-se, nem mudar de vida, e se abeira indignamente para comungar. Começa-se a abrir uma rachadura à heresia doutrinária contra a Palavra de Deus e à abominável prática sacrílega, para, depois, se ir, pouco a pouco, abrindo cada vez mais até que, finalmente, fique totalmente aberta. Para culminar a traição, acabaram por oferecer o Corpo de Cristo, não só aos pecadores inveterados, mas também aos quem não professam a fé católica. É a lógica consequente da heresia que passa por tudo. É a nova traição a Cristo, que conduz à apostasia geral, profetizada nas Sagradas Escrituras. Disse Cristo: «Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?» (Lc 18, 8).        

Tu, estimado leitor-amigo, deixar-te-ás guiar por cegos que, em tal caso, te levarão ao precipício eterno? Há guias cegos que pecam por omissão, os que calam e toleram, e há os que pecam por acção, os que promovem e aprovam a heresia e o sacrilégio. Ambos participam, de forma diferente, nesta nova traição a Cristo. Por essa razão, só falam de “misericórdia”, sem necessidade de arrependimento, sem propósito de emenda, sem Confissão e sem penitência, e pouco ou nada de pecado, nem de inferno para quem morrer impenitente nos seus graves pecados.       

* NOTA: As novas e sacrílegas directrizes pastorais das dioceses canadianas permitem, sem nenhum direito, que os sacerdotes dêem a Comunhão, a Unção dos Enfermos e absolvam dos seus pecados aqueles que pretendem suicidar-se com auxílio médico, segundo a lei canadiana. A decisão será tomada por cada sacerdote, depois de um “encontro pastoral” com o interessado e a sua família.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Porquê que os homens vivem menos? Um mosteiro explica...


Para surpresa de um investigador alemão, da área da Demografia, os homens, que levam uma vida de isolamento e castidade, nos Mosteiros, conseguem viver mais tempo. Em média, cinco anos a mais que o resto da população. Em vez de apenas genética, decisivos são os factores não-biológicos, de acordo com o estudo.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Porquê que as pessoas deixam a Igreja?



Desde há algumas décadas que assistimos a uma constante diminuição do número de católicos na América Latina. Muitos dos que abandonam a Igreja, não o fazem por deixar de crer em Deus, mas para juntar-se a outros grupos religiosos, principalmente a seitas pentecostais.       

Em alguns Países, os dados são especialmente dramáticos: só 46% se declaram católicos na Guatemala e 66% no Brasil. Recordemos que, há não muitas décadas, eram Países em que mais de 90% da população era católica.   

Como se pode explicar este fracasso da pastoral da Igreja em Países de antiga condição católica? Naturalmente, a nossa resposta entra no terreno da conjectura. Mais que uma causa, há um conjunto de causas que explicam este fenómeno. Mas, agora, interessa assinalar a mais importante delas. E isto, é claro, depende daquele que opina.

Pessoalmente, penso que as pessoas procuram, na religião, na sua fé, segurança espiritual e sentido claro para a sua existência. Crenças sólidas que vêm de Deus e foram experimentadas positivamente ao longo dos séculos. Por sua vez, os católicos, desde há décadas, geralmente encontram, nos Bispos e nos Sacerdotes, relativismos, não certezas de fé: dúvidas e interpretações demasiado pessoais que diluem a verdade revelada por Deus e a fé partilhada pela comunhão da Igreja através dos séculos.     

Uma pessoa, que vive da fé católica, procura, além de solidez, uma harmonização entre esta fé e a razão. Esta fé «explicada» e «razoável» torna-se monolítica através da oração e dos sacramentos, a partir dos quais o relacionamento com Deus é aprofundado. Neste diálogo constante com o Senhor, vai-se crescendo na firmeza da fé que, por sua vez, se começa a transmitir aos demais quando os vemos vacilantes, desconcertados ou titubeantes.            

O relativismo e a formação doutrinal pobre – ainda que, por vezes, sofisticada – diluiu as certezas da fé e a intensidade da vida espiritual entre nós. A Igreja precisa de voltar à solidez doutrinal de outras épocas, se não quer desagregar-se ou sangrar em mil seitas, mesmo que estas subsistam dentro de si. 

É verdade que Jesus prometeu proteger a Igreja até ao final dos tempos. Mas também nos preveniu que, no Seu regresso, a fé de muitos se teria apagado e a Igreja se veria reduzida a um pequeno rebanho, a um punhado que conseguiu escapar à desagregação espiritual e doutrinal. A nós, compete-nos, em cada tempo, ser fiéis a Cristo e, assim, atrair ao mundo inteiro a luz da fé.    

Muitos, de forma errada, focalizaram-se no diálogo Igreja-mundo. Nós não fizemos nenhum favor ao mundo quando fomos para esse diálogo com as mesmas perplexidades deles. Um diálogo assim transforma-se, com frequência, numa troca de dúvidas.       

Onde realmente se realiza este diálogo com o mundo é nos nossos próprios corações, quando consideramos as coisas à luz da luminosidade de Cristo. Nós, cristãos, somos o mesmo mundo sacralizado, orientado para Deus e, por isso, pleno e feliz.  

Não me refiro ao mundo de que fala São João quando diz que três são os inimigos que temos: o mundo, o demónio e a carne. O mundo, neste caso, significa toda a criação que, todavia, ainda não foi redimido no coração do cristão por obra da graça.

Temos de viver como filhos de Deus e auxiliar os nossos irmãos, os demais homens, com esse conhecimento do Pai e do Seu enviado, Jesus Cristo, pelo Qual nos faz participar na vida eterna. O esplendor da verdade da fé deve ver-se reflectido na nossa conduta e explicado com razoabilidade no nosso diálogo com os outros homens. Além disso, precisamos de cultivar um tratamento humano que se preocupe com todas as coisas num espírito de simples convivência e sem pretender «pontificar» outras pessoas desde o primeiro encontro. Chegará o momento e as maneiras para que lhes possamos sugerir um encontro amável com as verdades que nos sistematiza o Catecismo da Igreja Católica ou, mais resumidamente, o Compêndio do Catecismo.      

Quando contribuímos, com as verdades de Deus, para o diálogo com os homens, a maioria respeita as nossas convicções e agradece pela nossa paz interior. Acontece, então, que vamos dialogar com o mundo a partir da verdade de que somos possuidores, não porque é nossa, mas porque é do nosso Pai e, portanto, de todos nós igualmente. A experiência mostra que, quando somos fiéis à verdade do Evangelho, em toda a sua plenitude e certeza, os homens começam a regressar à Igreja, da qual só saíram porque não encontraram alimento suficiente para as suas vidas. Cumpramos, então, o que o Senhor nos confiou: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura”.           

† Rogelio Livieres     

[Bispo, falecido em 2015, que, em 2014, foi injustamente afastado do seu Ministério, na Diocese de Ciudad del Este, no Paraguai, por parte do Papa Francisco.]

Terceiro Domingo do Advento – Estação em São Pedro


Ciclo da Encarnação – Tempo do Advento

Estação (do latim Státio, lugar de reunião, assembleia) era a Igreja de Roma onde se congregavam o Papa, o Clero e os fiéis, em dia previamente designado, para a celebração da Missa Solene. Estas Estações tiveram início em fins do século II. Até meados do século III a concentração era feita com certa reserva, atendendo às perseguições. Depois da paz constantiniana o Cerimonial tornou-se mais solene. Reuniam-se em determinada igreja, onde era cantada a Colecta, dirigindo-se para o lugar da Estação em Procissão, ao som das preces litânicas, recitadas pelo Clero e fiéis. No lugar da Estação era celebrada a Missa própria do dia, durante a qual se fazia a Homilia. No século V estas cerimónias haviam assumido grande relevo. Presentemente tais Missas estacionais são ainda celebradas nos lugares indicados no Missal, embora sem o esplendor dos primeiros séculos, nos seguintes dias: Domingos do Advento e Férias das Têmporas deste Tempo, Vigília e Dia do Natal, Circuncisão, Epifania, Septuagésima, Sexagésima, Quinquagésima, Domingos e Férias da Quaresma, Domingo da Páscoa e seu Oitavário, Dias das Rogações e da Ascensão, Vigília e Festa de Pentecostes, assim como o seu Oitavário. A indicação destas Estações já figurava nos Sacramentários e noutros livros usados na celebração da Missa no século VII e foi incluída nos primeiros Missais editados.         

Mons. João Chrysóstomo de Freitas Barros (1951)

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Regozijai-vos incessantemente no Senhor. Eu vo-lo repito: regozijai-vos. Que todos os homens vejam a vossa modéstia, pois o Senhor está perto. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas mostrai a Deus nas vossas orações e súplicas todas as vossas necessidades. ― Abençoastes, Senhor, a Vossa terra; e livrastes Jacob o cativeiro. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Como era no princípio, e agora, e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Ámen.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Tesourinhos



O Papa Francisco manifestou, recentemente, estas e outras ideias:

1. “Eu vou convencer outro para que seja católico? Não, não, não”.

2. “Não é lícito convencê-los da tua fé”.
3. “O proselitismo é o veneno mais forte contra o caminho ecuménico”.
4. “O proselitismo é uma caricatura da evangelização”.      

Partindo destes tesourinhos, cada um tire as suas conclusões.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O véu: respeito perante Deus e honra para a mulher


O uso do véu, por parte das senhoras, toma parte na tradição secular da Igreja, tradição aceite e vivida pacificamente. Recorda à mulher, e ao homem, a importância da modéstia, do pudor e do recolhimento, à semelhança da Santíssima Virgem, a quem devem imitar.         

O véu indica ao homem que, ao olhar para a mulher, contemplará a beleza do Criador e não a beleza do criado. São Paulo recorda-nos, no Evangelho, que as mulheres hão-de vestir-se decorosamente, arranjadas com modéstia e sobriedade, sem entrançar os cabelos com ouro, sem pérolas ou adereços caros, mas, como lhes compete, que manifestem a piedade por meio das boas obras.           

O véu, como todo o santo da nossa Mãe Igreja, não conhece modas, nem está, portanto, submetido a elas. O véu é um bem para todos, é fonte de santidade para a mulher e de edificação espiritual para quem a contempla.        

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Se pretender receber o DVD “O véu: respeito diante de Deus e honra para a mulher”, queira dirigir-se, por favor, a: agnusdeiprod@gmail.com.

Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci a Paulo VI



Roma, 25 de Setembro de 1969       

Santíssimo Padre:      

Após ter examinado cuidadosamente, e apresentado para escrutínio dos demais, o Novus Ordo Missæ (Novo Missal) preparado pelos especialistas do Consilium ad exequendam Constitutionem de Sacra Liturgiae após longa oração e reflexão, nós sentimos ser nossa obrigação, junto a Deus e de Sua Santidade, expor-lhe as seguintes considerações:           

1. O estudo crítico que acompanha o Novus Ordo Missæ (Novo Ordinário da Missa), o trabalho de um grupo de teólogos, liturgistas e pastores de almas, mostra claramente, apesar da sua brevidade, que, se nós considerarmos as inovações sugeridas ou dadas por definitivo, as quais podem naturalmente ser avaliadas de diferentes modos, o Novo Ordinário representa, tanto no seu todo como nos detalhes, uma nova orientação teológica da Missa, diferente daquela que foi formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento. Os “Canons” do rito, definitivamente fixados naquele tempo, proporcionavam uma intransponível barreira contra qualquer heresia dirigida contra a integridade do Mistério.

2. Os motivos pastorais alegados para apoiar tão grave ruptura com a tradição, ainda que os mesmos poderiam dizer respeito a uma maior participação em face de considerações doutrinárias, não nos parecem suficientes. As inovações propostas pelo Novo Ordinário, e o facto de que tudo aquilo que possui um valor perene é pouco valorizado, se permanecem como estão, poderiam converter em certezas as suspeitas já prevalecentes, em muitos círculos, de que aquelas verdades, que sempre foram acreditadas pelo povo cristão, podem ser mudadas e ignoradas sem que isso acarrete infidelidade ao Sagrado Depósito de Doutrina, do qual a Igreja é depositária eterna. Recentes reformas demonstraram amplamente que as novas mudanças na liturgia poderiam não nos levar a lugar algum, excepto a uma completa confusão por parte dos fiéis, os quais já demonstram claros sinais de reticência e de uma indubitável perda de fé.
No meio do melhor dos clérigos é praticamente resultante uma agonizante crise de consciência, a qual chega ao nosso conhecimento, diariamente, através de inúmeras instâncias.

3. Estamos certos de que estas considerações, as quais podem atingir Sua Santidade apenas através da viva voz de ambos, pastores e rebanho, encontrarão um eco no vosso paternal coração, o qual é sempre tão profundamente solícito pelas necessidades espirituais dos filhos da Igreja. Sempre foi o caso de que, quando uma lei formulada para o bem de quaisquer sujeitos, prove ser, ao contrário, perniciosa, tais sujeitos têm, por dever, solicitar, com confiança filial, a revogação da mesma.
Portanto, seriamente imploramos a Vossa Santidade – nesse tempo de tão dolorosas divisões e de um sempre crescente perigo para a pureza da Fé e a unidade da Igreja, o que é tão lamentado pelo nosso Pai Comum –, por favor, não nos prive da possibilidade de continuarmos a recorrer à frutífera integridade do Missal Romano de São Pio V, tão altamente louvado por Vossa Santidade e tão venerado por todo o mundo católico.
† Alfredo Cardeal Ottaviani 
† António Cardeal Bacci      

Oração à Chaga do ombro de Jesus



Perguntando, São Bernardo, ao Divino Redentor, qual era a dor que sofrera mais e a mais desconhecida do homem, Jesus respondeu-lhe: «Eu tinha uma Chaga profundíssima no ombro sobre o qual carreguei a minha pesada Cruz; essa Chaga era mais dolorosa que as outras. Honra, pois, essa Chaga e farei tudo o que me pedires».           

ORAÇÃO     
Ó amantíssimo Jesus, manso Cordeiro de Deus, apesar de eu ser uma criatura miserável e pecadora, Vos adoro e venero a Chaga causada pelo peso da Vossa Cruz, que, dilacerando as Vossas carnes, desnudou os ossos do Vosso ombro sagrado e da qual a Vossa Mãe Dolorosa tanto se compadeceu! Também eu, ó aflitíssimo Jesus, me compadeço da Vossa dor e, do fundo do meu coração, Vos louvo, Vos glorifico e Vos agradeço pela Chaga dolorosa do Vosso ombro em que quisestes carregar a Vossa Cruz pela minha salvação! Ah, pelos sofrimentos que padecestes e que aumentaram o enorme peso da Vossa Cruz, eu Vos rogo, com muita humildade, tende piedade de mim, pobre criatura pecadora, perdoai os meus pecados e conduzi-me ao Céu pelo caminho da Cruz! Assim seja.   

Rezam-se 7 Ave-Marias e acrescenta-se: «Minha Mãe Santíssima, imprimi no meu coração as Chagas de Jesus Crucificado» (indulgência de 300 dias cada vez). «Ó dulcíssimo Jesus!» (indulgência de 100 dias cada vez).           

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Ordenação de dois novos sub-diáconos










Na alegria da festa de S. Leôncio [1 de Dezembro], Bispo de Fréjus e Padroeiro da Diocese, D. Dominique Rey, Bispo diocesano, ordenou, sub-diáconos, Danka Pereira, da Comunidade de São José Gardian, e Przemyslaw Karczmarek, do Instituto do Bom Pastor, na Igreja de S. Trophyme, em Bormes-les-Mimosas, durante uma Missa Baixa Pontifical.

[Fonte: Instituto do Bom Pastor]