quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O Sínodo da Juventude ─ ou o naufrágios dos jovens



Enquanto que a liturgia tradicional celebrava a festa de Cristo, Rei do Universo, Dono e Senhor de todas as coisas, que reina através o madeiro da Cruz e dos méritos infinitos da Sua Paixão, o sítio web oficial do Vaticano Publicava como notícia principal desse dia: “O Sínodo dos Jovens agradece ao Papa Francisco com o show no Vaticano”.           

As fotos publicadas não deixam lugar a dúvidas quanto ao ambiente do evento: os quadris ondulantes dos jovens e dos príncipes da Igreja, por igual, falam mais alto que as palavras. Jovens a dançar e, inclusive, a convidarem vários prelados a dançarem com eles num espectáculo grotesco e vergonhoso.    

Na tarde anterior, a sexta-feira 5 de Outubro, o Cardeal Luis Antonio Tagle, Arcebispo de Manila, publicou um vídeo. Enquanto estalava os dedos, agradecia aos jovens por ensinarem aos bispos “lições importantes sobre a humanidade e sobre seguir Jesus. Espero que continuem a ensinar-nos e que nós, os maiores, tenhamos também algo para ensinar-lhes” para construir uma nova Igreja e um mundo melhor. Uma triste situação, donde a Igreja mestra – os bispos são os sucessores dos Apóstolos – está pronta para ouvir o “povo de Deus”. ─ Onde cabem aqui as verdades reveladas que compõem o depósito da fé e que os bispos devem transmitir?      

Na sexta-feira à noite, o Sínodo da Juventude ofereceu um espectáculo ao Papa, onde lhe disseram: “as novas ideias precisam de espaço, e o senhor deu-nos. O mundo de hoje, que apresenta aos jovens oportunidades sem precedentes, mas também muitos sofrimentos, precisa de novas respostas e de um novo poder de amor. É necessário redescobrir a esperança e viver a felicidade que se experimenta ao dar mais que ao receber”. ─ Parece que correr atrás das novidades converteu-se num hábito na Igreja desde o Concílio Vaticano II, e é uma corrida que continua a uma velocidade vertiginosa. Mas a Igreja não pode reduzir-se a um “espaço para ideias novas” ao serviço deste mundo.           

A mensagem continuou a dizer: “Queremos reafirmar que partilhamos o seu sonho de uma Igreja extrovertida, aberta a todos, especialmente aos mais débeis, uma Igreja tipo hospital de campanha. Já somos parte activa deste Igreja e queremos continuar fazendo um compromisso concreto para melhorar as nossas cidades, as nossas escolas, o mundo social e político e os ambientes de trabalho, difundindo uma cultura de paz e solidariedade e colocando os pobres no centro, em quem se reconhece O próprio Jesus”. ─ Nem uma só palavra sobre a fé, a salvação das almas ou o combate espiritual. Só se fala sobre o sonho de uma nova Igreja, para a qual o Papa está a contribuir. Um sonho que se está a converter em pesadelo.       

Enquanto esperamos o documento do Sínodo da Juventude (entretanto já publicado, ver aqui), na nossa era tão amigável com os meios de comunicação, onde as imagens assumem um papel extremamente importante, este espectáculo não é nada prometedor. A Santa Igreja de Deus não ganha nada se faz de si mesma um espectáculo.            

Será que estes discursos bem preparados e convencionais, cheios de palavras elegantes e sentimentos bonitos, cultura e solidariedade, farão algo para promover o Reino de Deus e vencer a barbárie? O lamentável espectáculo de sexta-feira à noite indica que é muito pouco provável.

[Fonte: FSSPX]

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