domingo, 18 de novembro de 2018

O comunista convertido em Fátima



A Santíssima Virgem, no seu Santuário de Fátima, não só dispensa múltiplas graças, ao curar as doenças físicas de quem fervorosamente recorre a Ela; dispensa também outro género de graças, para nós com muitos mais quilates, graças tão necessárias para a nossa salvação.           

Estes milagres morais, milagres em sentido espiritual, são consoladoramente mais numerosos que as curas instantâneas de enfermidades materiais. Não há peregrinação em que não se registem vários destes milagres morais. Referiremos os principais, extraídos do livro do padre Luís G. da Fonseca, professor do Instituto Bíblico, em Roma.

O comunista convertido.     

Vivia, no Porto, um jornaleiro, que, ainda que não tendo mau carácter, por seguir os conselhos dos seus companheiros, se fez comunista. Abandonou os seus deveres cristãos, chegando a destruir todas as imagens piedosas da sua casa. Nunca era visto na igreja; em vez disso, eram frequentes as suas visitas às tabernas. A sua má conduta trouxe a miséria e a desordem ao seu lar, sendo vítimas inocentes da sua má conduta a mulher e os filhos.        

Apesar dos seus condenáveis hábitos, conservava boas relações com uma família vizinha muito católica. Uma jovem, membro dessa família, adoeceu seriamente e a doença era tão grave que os médicos a diagnosticaram como incurável. Com tão doloroso aviso, os pais da jovem recorreram à Santíssima Virgem. Apenas tinham passado poucos dias quando a paciente disfrutava de plena saúde.  

Encontrando-se com o comunista do nosso relato, que a pensava quase morta, surpreendido, ao vê-la, perguntou-lhe:            

─ Como está viva?    

A jovem respondeu-lhe alegremente:           

─ Gostava que eu tivesse morrido? É verdade que me encontrava muito mal, mas Nossa Senhora de Fátima fez aquilo que os médicos pensavam impossível.           

O comunista, ridicularizando, disse-lhe:      

─ As coisas que se referem a Fátima são puras invenções de padres e frades. Aí tem!     

A jovem, apesar de tal resposta, disse-lhe:   

─ Quer fazer-me um favor?  

─ Não posso negar-me, menina! – respondeu-lhe de seguida.        

─ Mas, cuidado para não se arrepender.      

─ Eu não conheço o arrependimento; o que prometo, cumpro, apesar de todas as dificuldades! – concluiu num tom de grande masculinidade.     

─ Pois bem – disse-lhe a jovem –, virá comigo a Fátima.    

Quis desculpar-se, mas recordou-se das suas palavras tão solenemente pronunciadas e, embora queimado por dentro de uma impaciência comprimida, respondeu a sorrir:          

─ Bem, que seja, irei!

Ao chegar a casa, comunicou à sua esposa:  

─ Depois de amanhã irei a Fátima.   

─ Não digas disparates! – disse-lhe a senhora.        

─ É verdade – afirmou o homem; comprometi-me com a menina Maria e não tenho remédio a não ser cumprir. Depois de amanhã irei a Fátima.       

E esteve em Fátima. Assistiu à procissão de velas, participou na adoração, contemplou com os seus próprios olhos aquela fé ardente e fervorosa daquela multidão enorme, admirava a ordem e a disciplina que reinava naquela onda humana e tudo o impressionou tão profundamente que repetia uma e outra vez:  

─ Aqui está a coisa!  

No dia seguinte, a sua admiração crescia; quando contemplou os mais de 200 mil peregrinos a aclamar e a aplaudir a Santíssima Virgem, sentiu-se possuído por uma comoção e, espontaneamente, sem dar conta, saudava também com o seu lenço a Sagrada Imagem. Nesse momento, o respeito humano deteve-o e baixou o lenço, secando as lágrimas que, apesar do seu esforço para reprimi-las, molhavam o seu duro rosto.   

Um senhor, que estava junto a ele, perguntou-lhe:  

─ Que lhe parece tudo isto?  

─ Realmente – disse – aqui está a coisa!      

Não se confessou, nem tampouco rezou, mas, na viagem e nos dias seguintes, mostrou-se pensativo, muito pensativo. Esqueceu as suas idas à taberna e abandonou os seus companheiros de outros tempos. No primeiro sábado entrou numa igreja e, aos pés de um ministro de Deus, confessou o peso das culpas de vários anos.      

Ao entrar na sua casa, contou aos seus familiares que se tinha reconciliado com Deus e convidou-os a rezar com ele o Santo Rosário. Na manhã seguinte, acompanhado pela sua esposa e pelos seus filhos, recebeu o Pão dos Anjos. Regressou à sua casa o bem-estar e a alegria e, desde aquele momento, a educação dos seus filhos abraçou todos os seus desejos.  

Pe. Leonardo Ruskovic, in Aparições da Santíssima Virgem em Fátima          

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