domingo, 11 de novembro de 2018

Negócio da China



Mas, ao mesmo tempo, é nosso dever denunciar abertamente – e fazemo-lo com profunda tristeza – a nova e mais insidiosa tentativa de aumentar e levar às extremas consequências o mesmo erro que nós claramente reprovamos. Com efeito, com premeditação cuidadosamente disposta, foi fundada junto de vós uma “associação patriótica”, à qual os católicos são obrigados a aderir com toda a espécie de pressões. Essa – como já foi dito várias vezes – teria a finalidade de unir o clero e fiéis em nome do amor à pátria e à religião, para propagar o espírito patriótico, defender a paz entre os povos e, ao mesmo tempo, cooperar na “construção do socialismo” já estabelecido no país, também para ajudar as autoridades civis a aplicar a assim chamada política de liberdade religiosa. Mas é já por demais claro que sob essas expressões de paz e de patriotismo que poderiam enganar os ingénuos, o movimento que se diz patriótico propugna teses e promove iniciativas que miram a bem precisas finalidades perniciosas.  

Sob o falso pretexto de patriotismo, com efeito, a associação quer gradualmente levar os católicos a aderir e a apoiar os princípios do materialismo ateu, negador de Deus e de todos os princípios sobrenaturais. Sob o pretexto de defender a paz, essa organização faz seus e difunde falsas suspeitas e acusações contra muitos eclesiásticos, contra pastores venerandos, contra a própria sede apostólica, atribuindo-lhes propósitos insanos de imperialismo, de aquiescência e de cumplicidade na exploração dos povos, de hostilidade preconcebida contra a nação chinesa. Enquanto por um lado se afirma que é necessária uma liberdade religiosa absoluta, e se proclama de querer facilitar as relações entre a autoridade eclesiástica e a civil, de facto a associação pretende que a Igreja, pospostos e descuidados os seus direitos, permaneça completamente submetida às autoridades civis. Os membros, portanto, são levados a aceitar e justificar providências injustas, como a expulsão dos missionários, a prisão dos bispos, de sacerdotes, de religiosos e religiosas, de fiéis; igualmente são obrigados a consentir às medidas tomadas para impedir pertinazmente a jurisdição de tantos pastores legítimos; são levados a defender princípios que repugnam à unidade e universalidade da Igreja e à sua constituição hierárquica, assim como admitir iniciativas dirigidas a subverter a obediência do clero e a dos fiéis aos Ordinários legítimos, a separar as várias comunidades católicas da unidade com a Sé Apostólica.           

Pio XII, in Carta Encíclica Ad Apostolorum Principis

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