quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Hoje, a Confissão frequente é um perigo


A Igreja afirmou sempre, com inequívoca incisividade, o valor fundamental do Sacramento da Penitência: instituído pelo Senhor e transmitido por Ele à Igreja Católica como meio indispensável para a concretização da remissão dos pecados mortais cometidos depois do Baptismo; o seu divino poder regenerador socorre providencialmente a natureza humana caída e, prevendo a sua fácil disposição a encerrar-se numa justificação das suas culpas, fortalece-a, impulsionando-a a secundar a acção da Graça.        

Com o afirmar-se, em ambientes autorizados, de aberturas ao clima dessacralizado da secularização moderna, desde meados do século passado, assistiu-se ao diabólico intento de alterar o carácter divino e sobrenatural da Igreja, que, pelos promotores de um “aggiornamento” anti-natural, tem sido insidioso com as interpretações deformadoras de uma filantropia vazia, cúmplice de um poder ateu e, consequentemente, anti-humano.    

As implicações que derivam da funesta influência do progressismo podem identificar-se no predomínio de uma desordem que difunde a própria contagiosidade em medida inversamente proporcional às reticências de quem, por divina missão, estaria obrigado a denunciar os males.
       
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Pelo que se refere às trágicas reviravoltas da apostasia que afecta uma amplíssima parte dos baptizados, será suficiente recordar o desaparecimento quase total do matrimónio religioso, escandalosamente equiparado ao concubinato e às uniões contra-natura, a profanação do divino Sacrifício da Missa; banalizada numa atmosfera festivamente convivial, representativa de uma genérica solidariedade humana, a confissão fica privada da sua conotação penitencial e dissolve-se num diálogo que pode variar segundo a vivacidade da disputa verbal até à apatia da introspecção psicanalítica.           
Em relação ao último ponto, não são poucos os sacerdotes imprudentemente propensos a atenuar ou a calar a necessidade da confissão sacramental para quem, tendo-se privado da Graça divina, com o pecado mortal, queira aceder dignamente à Santa Comunhão.       

A quem escreve sucedeu-lhe ser advertido por um padre franciscano acerca das consequências espiritualmente danosas que derivariam de um recurso frequente ao Sacramento da Penitência; isto parece verdadeiramente surpreendente, se se pensa que o dito sacerdote, para sustentar a sua afirmação, apelava à sua larga experiência de confessor sem ter em conta o Magistério da Igreja e o exemplo dos Santos.

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O terceiro segredo de Fátima, no centenário das aparições (1917-2017) da Virgem Santíssima aos três pastorinhos, dissipa a obscuridade que envolve o nosso tempo marcado pelo desolador esquecimento do fim redentor da verdadeira religião, animando-nos a prosseguir, com espírito de oração e de milícia, o combate contra as potências das trevas.      

Jesus Christus, heri, hodie et insaecula.
[Fonte: R.Pa.]

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