quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Maria aparece na Rue du Bac, em Paris


Segunda aparição de Nossa Senhora a Catarina Labouré. No dia 27 de Novembro de 1830, sábado, antes do primeiro domingo do Advento, a Santíssima Virgem apareceu mais uma vez na capela onde Catarina estava a rezar. Dessa vez, foi às 17h30, durante a oração das Irmãs e das Noviças.          

“Eu tive a impressão de ouvir, vindo do lado direito do santuário, um fru-fru como se de um vestido de seda. Percebi, então, a Virgem Santíssima, próxima ao quadro de São José (hoje, o local onde se encontra a Virgem do Globo). De estatura mediana, era tão bela, que não consigo descrever tamanha beleza.   

A Santíssima Virgem estava de pé. O seu vestido de seda era branco-aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu branco, descendo, de cada lado, até aos pés. Tinha os cabelos em camadas e, sobre a cabeça, uma espécie de fita guarnecida com uma rendinha. A sua figura, tão clara, tinha os pés apoiados sobre um globo, ou melhor, sobre a metade de um globo. As mãos, elevadas à altura do peito, seguravam, de uma forma bem agradável, outro globo. Os seus olhos estavam voltados para o céu e a sua figura iluminava-se ao mesmo tempo em que oferecia o globo a Nosso Senhor. De repente, os seus dedos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de belíssimas pedras preciosas.           

Jorravam raios das suas mãos, reflectindo-se por todos os lados, envolvendo-a com uma claridade tão intensa, que não dava para ver nem os pés e nem a roupa que ela portava. As pedrarias eram grandes e os raios que delas manavam eram, proporcionalmente, mais ou menos resplandecentes. Não sei dizer o que eu estava a sentir, nem tudo o que aprendi em tão pouco tempo. Como eu estava enredada em contemplá-la, a Virgem Santíssima dirigiu os seus olhos para mim e uma voz disse-me, no fundo do coração: ‘Este globo, que estás a ver, representa o mundo inteiro, particularmente a França e todas as pessoas’”.                    

“A Santa Virgem acrescentou: ‘Estes raios são as graças que distribuo sobre as pessoas que as solicitam’. A Mãe Santíssima fez-me compreender o quanto lhe é agradável que nos dirijamos a Ela, em oração, e o quanto Ela é generosa para com as pessoas que solicitam a Sua ajuda. Quantas Graças eram concedidas e que alegria Maria sentia em concedê-las.         

Naquele momento, eu estava, ou não estava, não sei, sentia-me em êxtase de felicidade! Imediatamente surgiu um quadro, ligeiramente oval, em torno da Virgem, onde pude ler, em letras de ouro, a seguinte invocação: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós’! Então, uma voz fez-se ouvir e explicou: ‘Fazei cunhar uma medalha exactamente assim, como este modelo. As pessoas que a usarem com confiança, e fizerem uma pequena e piedosa oração, gozarão de especial protecção da Santa Mãe de Deus e receberão muitas Graças’.   

Parecia movimentar-se e eu pude ver o reverso da medalha: um dia, curiosa em saber o que deveria ser colocado no outro lado da medalha, após muitas orações, enquanto eu meditava, tive a impressão de ouvir uma voz a dizer: ‘A letra M (Monograma de Maria), encimado por uma cruz e os dois corações, um, coroado de espinhos, o outro, trespassado por uma lança, já dizem tudo’ ”.           

Relato de Santa Catarina Labouré, vidente da Virgem Maria na Rue du Bac

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Santa Missa e comunhão para sufragar as Almas do Purgatório



Há substâncias que extinguem os incêndios melhor que outras, melhor que a própria água. Para o fogo do Purgatório não há melhor refrigério, não há sufrágio mais eficaz do que o próprio Sangue de Cristo nele vertido, a todos os momentos, através do Santo Sacrifício da Missa. É o meio mais poderoso, porque é o sangue do Próprio Filho de Deus, imolado no Calvário em expiação dos pecados dos homens. Esse sangue derramado sobre as benditas Almas dulcifica-lhes os tormentos e abrevia-lhes a duração das suas penas cruciantes.    

No Cânone da Santa Missa há uma oração em que se roga para as Almas da Igreja Purgante “um lugar de refrigério, de luz e de paz”. O Santo Sacrifício do Altar é o melhor meio, porque o maior resgate, para alcançar esse lugar de refrigério para quem sofre ardor tão intenso; um lugar de luz para os que não podem gozar ainda o esplendor da eterna luz da visão beatífica; e um lugar de paz para aqueles que se debatem em angústias pelos remorsos dos pecados cometidos na terra, onde poderiam ter sido expiados.

O Santo Sacrifício da Missa, que tem o mesmo sacerdote e a mesma vítima do Sacrifício da Cruz, diferindo apenas na forma incruenta como é realizado, tem os mesmos fins do Sacrifício do Calvário: adorar a Deus, agradecer-Lhe, pedir-Lhe as graças necessárias e expiar as nossas penas. Não há, portanto, melhor súplica pela libertação dos nossos mortos que a que é feita pelo próprio Filho de Deus, nem melhor satisfação pelos nossos delitos que a expiação do Sangue do Cordeiro de Deus Imolado.

A comunhão é a participação do cristão na Carne e no Sangue do Cordeiro Divino. Esta união eucarística com Jesus, fonte de graças para a nossa vida, penhor de vida eterna para cada um de nós, pode também sufragar imenso as benditas Almas do Purgatório.

Orações pelas Almas do Purgatório

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Alguns factos sobre Satanás



Satanás e os seus demónios seguidores são figuras misteriosas do reino espiritual. Atormentam-nos diariamente, embora, geralmente, as suas acções sejam invisíveis aos nossos olhos. A Escritura pode-nos dizer muito sobre Satanás e os seus subalternos. Ao longo dos séculos, a Igreja também aumentou os seus conhecimentos sobre esses seres malévolos. Eis aqui cinco factos que ajudarão a lançar mais luz sobre essas criaturas:      

1 – Quem era Satanás antes de cair nas trevas?       
O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus” (CIC 391). Tradicionalmente, ele chama-se Lúcifer, era o “portador da luz”, quando era um brilhante anjo de luz (Is 14, 12-15).      

Além disso, há tradições na Igreja que divergem sobre o tipo de anjo que era Satanás. São Tomás de Aquino, na sua Summa, argumenta que querubim significa “plenitude de ciência”, serafim designa “aquele que arde ou incendeia”. Portanto, é evidente que o querubim toma o seu nome da ciência, compatível com o pecado mortal, e serafim toma o título do ardor do amor, que não pode conviver com o pecado. “Por isso, o primeiro anjo pecador não pode ser chamado de serafim, mas de querubim”. No entanto, não há declaração dogmática da Igreja em relação ao facto de Satanás ser um querubim ou um serafim.   

2 – Satanás ou qualquer demónio pode prever o futuro?
O Catecismo declara: “o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus” (CIC 395).                  

A resposta é “não”. Os anjos caídos, e também os anjos bons, não têm acesso ao futuro, a não ser que Deus lhes revele. Como dizia Jesus, no Evangelho de Marcos: “A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13, 32).          

Por outro lado, podem fazer profecias sobre o futuro, baseando-se na observação. Os demónios são, por natureza, extremamente inteligentes e podem observar as pessoas e os acontecimentos de muito perto, o que lhes dá uma ideia do que poderá acontecer. Essencialmente, podem “prever” o futuro com precisão limitada, não porque conheçam algo oculto, mas, sim, porque são capazes de observar e oferecer uma previsão geral, como qualquer ser humano astuto.

3 – Podem mover objectos físicos?

Os seres angelicais têm um poder limitado em relação à matéria física. Na maioria das vezes, os demónios realizam truques visuais, influenciando negativamente as nossas mentes com ilusões e fazendo parecer que algo se move.        

Por outro lado, podem movimentar os objectos físicos, fazendo-os voar, como aparece em alguns filmes de terror. É um fenómeno raro, mas pode acontecer. São Tomás de Aquino dedica uma questão, na sua Summa, para explicar como isso ocorre.     

4 – Qual é a aparência de Satanás?
       
Todos os anjos são espíritos puros, o que significa que eles não possuem corpo físico, embora possam assumir a aparência de um ser humano ou alguma outra criatura. A forma visível que geralmente traz a Escritura ou contos populares é uma mera representação, para que possamos ver esses anjos com os nossos olhos. Em outras palavras: são seres invisíveis por natureza.

Os artistas usam várias imagens para representar Satanás: dragão, serpente ou qualquer outra criatura mística. No entanto, de acordo com a sua natureza, Satanás não tem forma física.     

5 – Satanás pode mandar as pessoas para o inferno?
       
O Catecismo é muito claro: “Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d'Ele para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno»”. (CIC 1033).       

Resumindo: Satanás não pode forçar ninguém a ir para o inferno. Nós escolhemos ir para lá com a nossa própria negação a Deus. Satanás talvez nos influencie durante o nosso tempo aqui na Terra. Mas continuamos a ser livres para fazermos uma escolha no fim das nossas vidas. Se um ser humano vai para o inferno, é porque escolheu esse destino livremente.

sábado, 24 de novembro de 2018

É necessário que Maria reine!



São Domingos. Pode-se afirmar que este grito de amor – É necessário que Ela reine! – era a divisa deste grande santo. Estender o culto a Maria e ganhar corações para a sua doce Rainha era o fim da sua existência.   

Desde a sua mais tenra infância, escolheu Maria como Mãe e tomou-a como modelo de todas as suas acções. Acostumou-se a viver na intimidade da sua carinhosa Mãe e colocou a sua tranquilidade resignada e o zelo ardente, que nele admiramos, na vida de união a Ela.           

Desconfiando de si mesmo, no entanto, foi reconhecido como um apóstolo de Maria e, como tal, esperava tudo da sua protecção. O seu nome bendito não caía dos lábios do santo e, ao pronunciá-lo ou ao pensar na sua Mãe celestial, derretia-se em amorosas lágrimas e era arrebatado em doces êxtases. Dava início a todas as suas obras com a invocação: “Permiti que Vos louve, oh Virgem, santa! Dai-me fortaleza contra os Vossos inimigos!”.                 

Esta vida de intimidade produziu na sua alma um zelo ardente por fazer os demais participantes das suas convicções pessoais. É necessário que Ela reine, exclamava com sagrado entusiasmo. É necessário que Ela reine, primeiro, para estabelecer, por seu meio, o reinado do seu Filho. E, para realizar esta aspiração, nunca pregava sem dizer algo da sua divina Rainha, nem dava início a sermão algum sem pedir-lhe antes que abençoasse a sua palavra. A ele se atribui o costume, tão antigo, dos pregadores terminarem o exórdio com a Ave-Maria.   

No início da sua pregação, o resultado não correspondia ao trabalho; os hereges, a cuja conversão se tinha consagrado, permaneciam surdos às suas exortações e, apesar dos prodígios de fé e de penitência, o santo derramava frequentes e inconsoláveis lágrimas ao ver a esterilidade do seu apostolado.        

Permitiu o Senhor estes primeiros fracassos porque tentou revelar ao mundo o poder da Sua Santa Mãe e os frutos admiráveis que a sua devoção produz.         

Certo dia, em que o santo se dirigia confiadamente à Santíssima Virgem e lhe implorava que abençoasse os seus trabalhos, foi arrebatado em êxtases. Maria mostrou-se-lhe formosa e radiante e mandou-lhe que terminasse imediatamente o seu pranto inconsolável. “Aqui tens o meu Rosário – disse-lhe: fala dele em todas as partes; ele será eficaz remédio para todos os males”. O santo tomou o Rosário com piedosa avidez e começou a pregar em toda a parte sobre esta devoção. Nada é capaz de conter o seu zelo em propagá-lo e logo o êxito mais impensado coroa os seus esforços. Os hereges convertem-se em massa.

Estes pacíficos triunfos inflamaram o seu zelo de tal maneira que o santo não admitia descanso e os seus resultados eram tão brilhantes que numa só região de Itália, na Lombardia, converteu pelo Rosário cem mil hereges.         

Foi assim que São Vicente Ferrer nos disse que, desde São Domingos, a Santíssima Virgem foi usada para salvar e alegrar o mundo.       

Pe. Lombaerde, in Espírito da vida de intimidade com a Santíssima Virgem     

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Morrer de felicidade



Em 1331, com apenas 8 anos de idade, segundo o costume da época, Imelda entrou no convento. Aos 10, recebeu o hábito de monja dominicana. Embora fosse tão jovem, era uma monja exemplar em todas as actividades da vida religiosa. Porém, algo a intrigava: o facto de que as pessoas recebiam a Sagrada Comunhão e continuavam vivas.            

Como Imelda não tinha idade para comungar, só podia perguntar às religiosas: “Irmã, a senhora recebeu Jesus e não morreu?”. As monjas respondiam assustadas: “O que é isso, menina, porquê morrer?”. A pequena religiosa respondia: “Como pode a senhora receber Jesus, na comunhão, e não morrer de amor e de tanta felicidade?”. Aconteceu que na madrugada de 12 de Maio de 1333, véspera do Domingo da Ascensão do Senhor, Imelda estava na Santa Missa e já não aguentava mais com tanta vontade de comungar. Perguntava-se: “Se Jesus mandou ir a Ele as criancinhas, por que não posso comungar?”. O sacerdote acabava de dar a Sagrada Comunhão às religiosas quando todos viram: uma hóstia saiu do Sacrário e voou pela capela. Parou sobre a cabeça de Imelda. O sacerdote, então, entendeu que era hora de dar-lhe a comunhão.

Ao receber a Santíssima Eucaristia, Imelda colocou-se em profunda adoração. Depois de horas de oração, a Madre Superiora foi ter com a monja e disse-lhe: “Está bem, Soror Imelda? Já adorou bastante Jesus, podemos continuar, vamos a outras actividades do convento”. Imelda, porém, permaneceu imóvel. Depois da insistência da Superiora, nada acontecia. A Madre, então, pegou amorosamente Imelda pelos braços e Imelda caiu sobre ela. Imelda tinha morrido na sua Primeira Comunhão. Cumpriu-se a indagação da pequena grande Imelda: “Como pode alguém receber Jesus, na Sagrada Comunhão, e não morrer de felicidade?”. Aos 11 anos, Imelda morreu de amor e de felicidade por ter recebido Jesus.     

O corpo da Beata Imelda Lambertini encontra-se incorrupto na Capela de São Segismundo, em Bolonha, em Itália. Foi beatificada, em 1826, pelo Papa Leão XII, sendo autorizado o seu ofício litúrgico e a Missa própria. Foi declarada patrona das crianças da Primeira Comunhão, em 1910, pelo Papa São Pio X que, nesse ano, decretou que as crianças poderiam fazer a sua primeira comunhão numa idade inferior àquela estabelecida anteriormente.     

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Breve história do canto gregoriano desde o rei David até aos nossos dias



Poder-se-ia pensar que o chamado canto simples não daria muito tema de conversa. Na realidade, o canto gregoriano é tudo menos simples, porque as suas bonitas melodias foram criadas para serem cantadas sem acompanhamento, nem harmonia, como corresponde à antiga cultura monástica em que nasceram. O que conhecemos como canto gregoriano é uma das formas mais ricas e delicadas de arte na música ocidental; melhor dizendo, na música de qualquer cultura.        

A tradição de cantar as Escrituras, prática conhecida como teamim ou cantilena, nasceu, pelo menos, mil anos antes do nascimento de Cristo. Vários livros do Antigo Testamento, em particular os Salmos e as Crónicas, atestam o papel central da música no culto celebrado no templo. Algumas melodias gregorianas ainda em uso são surpreendentemente parecidas às que se entoavam nas sinagogas, em particular o tonus peregrinus do Salmo 113, In exitu Israel; a antiga tonalidade do Evangelho e a do Prefácio.      

Tendo em conta que o Saltério davídico foi composto com a mesma finalidade de prestar culto a Deus e era considerado o livro messiânico por excelência, observamos que São Pedro, São Paulo e os Padres Apostólicos o citam com muita frequência nas suas pregações. Os primeiros cristãos elegeram espontaneamente o Saltério como livro devocionário. E, assim, a liturgia cristã em geral surgiu da combinação do Saltério e do Sacrifício. O Saltério é o incenso verbal das nossas orações e louvores, uma homenagem prestada pelo nosso intelecto a Deus. O sacrifício sangrento, a morte e a aniquilação de um animal, representa a entrega incondicional do nosso ser a Deus. Ambas as coisas estão maravilhosamente combinadas na Missa, conforme o sacrifício racional que consiste na oferta perfeita de Jesus Cristo no altar, que torna os nossos louvores e orações dignos da Santíssima Trindade.                     

O canto conheceu um desenvolvimento prodigioso durante o primeiro milénio da cristandade. Para a época de São Gregório Magno, que reinou entre 590 e 604, já existia todo um repertório de cantos para o Santo Sacrifício da Missa e as orações diárias (Ofício Divino). Ao dar a sua forma definitiva ao Cânone Romano, que é a marca distintiva do Rito Latino, São Gregório organizou o repertório musical, graças ao qual, desde então, o canto é homenageado com o seu nome: canto gregoriano.                     

Com o tempo, não só se recitavam salmodicamente os salmos e as antífonas, mas também a leitura das Escrituras, orações, intercessões, litanias, instruções (por exemplo, flectamus genua) e, em geral, todo o que tivesse de ser proclamado em voz alta. O núcleo do repertório gregoriano remonta a antes do ano 800; a maior parte foi concluída por volta de 1200.                 

Como o canto era, nem mais nem menos, a música feita à medida, por assim dizer, que se tinha desenvolvido conjuntamente com a liturgia, onde quer que esta chegasse, chegava também a primeira. Ninguém teria pensado dissociar os textos litúrgicos da música; eram algo assim como um composto de corpo e alma ou como um matrimónio feliz. Também se poderia comparar o canto com as vestes sagradas. Uma vez desenvolvida a indumentária cerimonial, ninguém no seu perfeito juízo pensaria em livrar-se da casula, da estola, da alba, do amito ou do manípulo. São os paramentos com os quais os ministros do Rei têm o privilégio de se adornar. E, assim também, o canto é a indumentária que engalana os textos litúrgicos.                     

O Concílio de Trento (1545-1563) corroborou a função do canto na liturgia e desaconselhou o uso de uma polifonia excessivamente complexa, sobretudo quando esta se baseava em melodias seculares.                  

Em todo o caso, com o passar do tempo as melodias tradicionais do canto foram-se abreviando ou corrompendo, porque se viram obrigadas a adaptar-se a um ritmo regular como a música com métrica da época. No início do século XIX, o canto tinha sido objecto de grave deterioração e negligência.                    

Era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, se realizasse a restauração de tão imenso tesouro da Igreja, que também é parte integral da sua solene liturgia! Esta restauração foi obra conjunta de um monge e de um pontífice. Dom Prosper Guéranger (1805-1875) fundou, em 1833, a abadia de Solesmes e tornou-a um centro nevrálgico de observância monástica, no qual não faltava o canto do Ofício Divino e a Missa na sua totalidade. Os monges de Solesmes estudaram manuscritos antigos e recuperaram as distintas melodias e ritmos do canto.                        

Pouco depois de ascender ao solo pontifício, São Pio X reuniu-se, em Roma, com os monges de Solesmes e encomendou-lhes a tarefa de publicar todos os livros de canto litúrgico, fazendo as correcções pertinentes à melodia e ao ritmo. Os monges puseram mãos à obra e Pio X colocou o seu selo de aprovação no trabalho realizado. Essa instrução pontifícia deu lugar a uma larga série de publicações influentes de Solesmes ou autorizadas pela referida abadia, a maioria das quais continuam em uso, em particular o Liber usualis, o Graduale romanum e o Antiphonale monasticum.              
Desde Solesmes e Pio X até à constituição sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, estende-se uma linha directa e lógica. O Concílio disse o seguinte sobre o tema:         

A acção litúrgica reveste-se de maior nobreza quando é celebrada de modo solene com canto. (…) Guarde-se e desenvolva-se com diligência o património da música sacra. Promovam-se com empenho, sobretudo nas igrejas catedrais, as «Scholae cantorum». (…) A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar. Não se excluem todos os outros géneros de música sacra, mormente a polifonia, na celebração dos Ofícios divinos, desde que estejam em harmonia com o espírito da acção litúrgica.                       

O movimento litúrgico original, do qual procedem estas comovedoras palavras, tinha por objectivo restabelecer e recuperar as mais ricas e bonitas tradições da oração católica. Desgraçadamente, uma perigosa combinação de falsa arqueologia e modernismo ávido de novidades fez tudo ao contrário, dando amplo lugar a uma batalha campal de opiniões conflituosas em que ainda estamos envolvidos, em que o canto se tornou uma espécie em via de extinção. Felizmente que se estão a mudar as coisas aqui e ali. O canto nunca morrerá, porque é a música litúrgica perfeita.           

Peter Kwasniewski

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Declaração do ano de 1974



Lida por Dom Marcel Lefebvre, no seminário internacional São Pio X de Écône,
a 21 de Novembro de 1974

Aderimos com todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a conservação dessa fé; à Roma eterna, mestra da sabedoria e da verdade.        

Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante, que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e, depois do Concílio, em todas as reformas que dele surgiram.     

Todas essas reformas, com efeito, contribuíram e continuam a contribuir para a demolição da Igreja, a ruína do sacerdócio, a destruição do sacrifício e dos sacramentos, a desaparição da vida religiosa e a implantação de um ensino naturalista e teilhardiano nas universidades, seminários e na catequese, um ensino surgido do liberalismo e do protestantismo, condenados inúmeras vezes pelo magistério solene da Igreja.      

Nenhuma autoridade, nem sequer a mais elevada da hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja durante dezanove séculos.                     

Se eu mesmo, diz São Paulo, ou um anjo do céu vos anunciar um Evangelho diferente daquele que vos ensinei, seja anátema” (Gl 1, 8).                

Não é isso que o Santo Padre nos repete hoje? Mas se certa contradição se manifestar nas suas palavras e acções, bem como nos actos dos dicastérios, escolheremos o que sempre foi ensinado e far-nos-emos de surdos diante das novidades destruidoras da Igreja.                            

Não é possível modificar profundamente a lex orandi sem modificar a lex credendi. À Missa nova corresponde catecismo novo, sacerdócio novo, seminários novos, universidades novas e uma Igreja carismática ou pentecostal, coisas que se opõem à ortodoxia e ao magistério de sempre.          

Esta reforma, por ter surgido do liberalismo e do modernismo, está inteiramente envenenada. Surge da heresia e acaba na heresia, ainda que nem todos os seus actos sejam formalmente heréticos. É, pois, impossível para um católico consciente e fiel adoptar, de qualquer forma que seja, essa reforma e submeter-se a ela.            

A única atitude de fidelidade à Igreja e à doutrina católica, para o bem da nossa salvação, é uma negativa categórica a aceitar a reforma.    

Por isso, sem nenhuma rebelião, amargura ou ressentimento, prosseguimos a nossa obra de formação sacerdotal à luz do Magistério de sempre, convictos de que não podemos prestar maior serviço à Santa Igreja Católica, ao Sumo Pontífice e às gerações futuras.        

Por isso, aderimos com firmeza a tudo o que a Igreja de sempre creu e praticou em matéria de fé, costumes, culto, ensino do catecismo, formação dos sacerdotes e na instituição da própria Igreja e que foi codificado nos livros publicados antes da influência modernista do Concílio, à espera que a verdadeira luz da Tradição dissipe as trevas que obscurecem o céu da Roma eterna.       

Agindo assim, com a graça de Deus, o socorro da Virgem Maria, de São José e de São Pio X, estamos convictos de permanecer fiéis à Igreja Católica e Romana e a todos os sucessores de Pedro e de que somos os fideles dispensatores mysteriorum Domini Nostri Iesu Christi in Spiritu Sancto. Amen.  

Écône, 21 de Novembro de 1974     
† Marcel Lefebvre

Homens livres!


terça-feira, 20 de novembro de 2018

Um macabro altar de cabeças cortadas



O novo altar da Basílica de Santa Maria Assunta, em Gallarate, Província de Varese, em Itália, foi feito com 120 esculturas de cabeças cortadas. O autor da assustadora obra é Claudio Parmiggiani, um artista que representa, na sua produção escultural, cabeças cortadas de todo o tipo: partidas, ensanguentadas, empilhadas no pavimento.      

Neste altar estão todos representados. Cristãos e pagãos, santos e pecadores. Esta é a mesa do Senhor que acolhe a todos”, declarou o Arcebispo de Milão, D. Mario Delpini, que, no último Domingo, consagrou o altar. No monte está a cabeça mutilada de Nossa Senhora da Piedade, de Miguel Ângelo, ao lado da do imperador gay Adriano e de outras cabeças copiadas da obra de Bernini, Borromini e Canova com referências à escultura clássica e até às obras contemporâneas. A dessacralização contemporânea, fomentada pela Hierarquia Eclesiástica, já não conhece limites.            

Há algo de diabólico naqueles que não estão unidos a Cristo



Palavras dirigidas por São João Maria Vianney a Ernest Hello e a Jorge Seigneur, que pediam conselhos sobre a fundação de um jornal católico, em 1859.   

O começo de uma grande obra deve ser pequeno. Não é a questão financeira que vos deve afligir. Tudo o que Deus quer, acontece, não se sabe como. Tereis o auxílio necessário e, ainda que este falte, deveis começar”.                

Vivemos num mundo miserável. Deveis expor esta miséria e dizer a verdade sem acepção de pessoas. Há uma massa de mentiras e de erros que deveis dissipar, sem olhar às pessoas que os difundem. Deveis combater o erro, mesmo entre os católicos, pois estes têm menos direito – se posso falar de direito – de que os outros a pregar ideias erradas. Amai os vossos adversários. Rezai por eles, mas não deveis cumprimentá-los. É tempo perdido. Não procureis agradar a todos, nem a todos podeis agradar. Procurai agradar a Deus, aos seus anjos e aos seus Santos. Esse é o vosso público!”.       

Pois bem, meus filhos, mãos à obra! Os que se afastam de vós, os que vos censuram por falta de amor, intimamente vos darão razão: talvez vos defendam publicamente. Se os homens pudessem ver como trato o “Grappin” (palavra depreciativa regional com a qual o Santo tratava o demónio), diriam que não o amo. Meto-lhe medo, causo-lhe espanto, lanço-o por terra e digo-lhe: “Grappin, tu atacas-me muito bem, mas eu também me defendo”.      

Mas vós, meus filhos, dir-me-eis que os homens não são demónios. Sem dúvida, muitos não são demónios. Mas em todos os que não estão unidos intimamente a Cristo há algo latente de diabólico; contra esses deveis levantar-vos como executores de justiça. O erro é um obstáculo para a união. Meu Deus, quão inescrutável é a verdade, quão inacessível, quão repleta de vida! Uma vez mais, não deixeis de combater o erro. E, para isso, gastai a maior parte do vosso tempo. Começai, pois, e perseverai! Não vos deixeis intimidar pela contradição. A contradição não vale nada. Fareis bem e muito bem”.       

São João Maria Vianney, Cura d’Ars

Viganò reaparece para animar os Bispos americanos a serem “valentes pastores”



“Queridos Irmãos Bispos dos Estados Unidos”, começa a breve nota do ‘desaparecido’ Viganò dirigida aos prelados norte-americanos, reunidos, em Baltimore, em Assembleia Plenária. “Escrevo-vos para vos recordar o sagrado mandato que recebestes no dia da vossa ordenação episcopal: levar o rebanho a Cristo.  

Meditai as palavras de Provérbios 9, 10: O temor do Senhor é o prin­cípio da sabedoria. Não vos comporteis como ovelhas assustadas, mas como valentes pastores. Não temais levantar-vos e fazer o correcto pelas vítimas, pelos fiéis e pela vossa própria salvação. O Senhor actuará com cada um segundo as nossas acções e omissões”. E, conclui: “Jejuo e rezo por vós”.                      

Se parecia impossível retesar ainda mais a situação entre a hierarquia norte-americana, esta nota, sem dúvida, conseguiu-o. A mensagem do ‘arcebispo em fuga’ surge apenas um dia depois de se ter iniciado uma esperadíssima Assembleia Plenária da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, da qual o Vaticano, apenas 24 horas antes do seu início, obrigou a retirar o assunto central, quase único: a estratégia para responder à crise de abusos e encobrimento de abusos sexuais por parte de clérigos.        

Os Bispos tinham já preparadas duas propostas, uma para fixar as directrizes de conduta dos Bispos neste assunto e outra, ainda mais importante, para criar uma comissão de investigação permanente, liderada por leigos, para tratar das denúncias contra os Bispos por encobrimento. O Cardeal DiNardo, visivelmente contrariado, não pôde deixar de expressar a sua “decepção” por esta ordem de última hora, supostamente emitida pela Congregação dos Bispos, liderada pelo Cardeal canadiano Ouellet.    

Supostamente, o Vaticano prefere que o assunto seja tratado no sínodo ad hoc agendado para Fevereiro, de modo a que seja aplicável à Igreja Universal, mas a surpresa das peremptórias instruções sugere que Sua Santidade não confia no episcopado norte-americano, nem tem o menor desejo de que os leigos tenham voz neste assunto.    

Também se especula que, na Cúria, não tenha caído bem a quantidade de Bispos norte-americanos que tenham testemunhado a integridade de carácter de Viganò, devido à publicação do seu testemunho demolidor, ou tenham feito público o seu pedido ao Vaticano para que se esclareçam as acusações feitas pelo Arcebispo.        


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O Papa Francisco é o problema



Na edição impressa de USA Today do dia de hoje (18 de Novembro), encontra-se um triste comentário de Melinda Henneberger, antiga correspondente do New York Times no Vaticano, em que anuncia a sua apostasia.

Henneberger, conhecida como de centro-esquerda, através dos seus escritos, ao longo de muitos anos, culpou “estes homens” e “os homens que conduzem a Igreja” pela sua decisão de apostatar, evitando culpar o homem que dirige a Igreja. 

Quem dirige a Igreja? Quem é o Sumo Pontífice? Quem proibiu, esta semana, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos de avançar com um plano para levar a sério a crise dos abusos? Até Tom Resse, S.J., considerado demasiado liberal pela revista America, denominou as movimentações desta semana como um “desastre” que resultará em “terrível dano de imagem para o Papa”.                   

O Papa Francisco é o líder. O Papa Francisco toma as decisões. Não basta culpar “o Vaticano” ou, como fez esta semana o actual dissidente favorito dos media, John Gehring, misturar Francisco num grupo maior: “O Vaticano, incluindo o Papa Francisco, tampouco fez o suficiente”.    

Um edifício, ou uma cidade-estado independente, ou uma burocracia sem resto, não têm a culpa. O Papa Francisco tem a culpa. É ele quem toma as decisões. É ele quem deve enfrentar as consequências de uma decisão como a de dizer aos Bispos dos Estados Unidos que não devem considerar uma reforma pelos abusos de menores.           

É hora de deixar de encobrir o Papa Francisco. Ele é o problema.             


[Fonte: Rorate Cæli]

A estátua no seu nicho



Se uma estátua, que tivesse sido colocada num nicho no meio de uma sala, pudesse falar e se lhe fosse perguntado: “Por que estás aqui?”. Responderia: “Porque o escultor, meu mestre, me pôs aqui”. “E por que não te moves?”. “Porque ele quer que eu permaneça imóvel”. “Para que serves estando aí? Que proveito tiras sendo assim?”. “Eu não estou aqui para meu próprio proveito; estou para servir e obedecer à vontade do meu mestre”. “Mas tu nunca o vês”. “Não – responderá a estátua – mas ele vê-me e é um prazer para ele que eu esteja onde ele me pôs”. “E não gostarias de dispor de movimento para te aproximares dele?”. “De forma alguma, a não ser que ele me mandasse”. “Então, não queres nada?”. “Não, porque eu estou onde me pôs o meu mestre e a sua vontade é o único contentamento do meu ser”.               

Meu Deus, querida Filha, que oração tão boa e que modo mais excelente de manter-se na presença de Deus, de permanecer na Sua vontade e no Seu agrado. A meu ver, a Madalena era uma estátua no seu nicho, quando, sem pronunciar palavra, sem se mover e, talvez, sem sequer olhá-Lo, escutava o que dizia Nosso Senhor, sentada aos Seus pés. Quando Ele falava, ela escutava; quando Ele deixava de falar, Ela deixava de escutar; e, mesmo assim, permanecia ali. Um menino pequenino que está no regaço da sua mãe, enquanto esta dorme, encontra-se verdadeiramente no melhor lugar e no mais apetecível, ainda que ela não lhe dirija palavra, nem ele a ela.                

S. Francisco de Sales, in Carta a Sta. Joana Francisca de Chantal (16/01/1610)

Oração para libertar Almas do Purgatório

domingo, 18 de novembro de 2018

O comunista convertido em Fátima



A Santíssima Virgem, no seu Santuário de Fátima, não só dispensa múltiplas graças, ao curar as doenças físicas de quem fervorosamente recorre a Ela; dispensa também outro género de graças, para nós com muitos mais quilates, graças tão necessárias para a nossa salvação.           

Estes milagres morais, milagres em sentido espiritual, são consoladoramente mais numerosos que as curas instantâneas de enfermidades materiais. Não há peregrinação em que não se registem vários destes milagres morais. Referiremos os principais, extraídos do livro do padre Luís G. da Fonseca, professor do Instituto Bíblico, em Roma.

O comunista convertido.     

Vivia, no Porto, um jornaleiro, que, ainda que não tendo mau carácter, por seguir os conselhos dos seus companheiros, se fez comunista. Abandonou os seus deveres cristãos, chegando a destruir todas as imagens piedosas da sua casa. Nunca era visto na igreja; em vez disso, eram frequentes as suas visitas às tabernas. A sua má conduta trouxe a miséria e a desordem ao seu lar, sendo vítimas inocentes da sua má conduta a mulher e os filhos.        

Apesar dos seus condenáveis hábitos, conservava boas relações com uma família vizinha muito católica. Uma jovem, membro dessa família, adoeceu seriamente e a doença era tão grave que os médicos a diagnosticaram como incurável. Com tão doloroso aviso, os pais da jovem recorreram à Santíssima Virgem. Apenas tinham passado poucos dias quando a paciente disfrutava de plena saúde.  

Encontrando-se com o comunista do nosso relato, que a pensava quase morta, surpreendido, ao vê-la, perguntou-lhe:            

─ Como está viva?    

A jovem respondeu-lhe alegremente:           

─ Gostava que eu tivesse morrido? É verdade que me encontrava muito mal, mas Nossa Senhora de Fátima fez aquilo que os médicos pensavam impossível.           

O comunista, ridicularizando, disse-lhe:      

─ As coisas que se referem a Fátima são puras invenções de padres e frades. Aí tem!     

A jovem, apesar de tal resposta, disse-lhe:   

─ Quer fazer-me um favor?  

─ Não posso negar-me, menina! – respondeu-lhe de seguida.        

─ Mas, cuidado para não se arrepender.      

─ Eu não conheço o arrependimento; o que prometo, cumpro, apesar de todas as dificuldades! – concluiu num tom de grande masculinidade.     

─ Pois bem – disse-lhe a jovem –, virá comigo a Fátima.    

Quis desculpar-se, mas recordou-se das suas palavras tão solenemente pronunciadas e, embora queimado por dentro de uma impaciência comprimida, respondeu a sorrir:          

─ Bem, que seja, irei!

Ao chegar a casa, comunicou à sua esposa:  

─ Depois de amanhã irei a Fátima.   

─ Não digas disparates! – disse-lhe a senhora.        

─ É verdade – afirmou o homem; comprometi-me com a menina Maria e não tenho remédio a não ser cumprir. Depois de amanhã irei a Fátima.       

E esteve em Fátima. Assistiu à procissão de velas, participou na adoração, contemplou com os seus próprios olhos aquela fé ardente e fervorosa daquela multidão enorme, admirava a ordem e a disciplina que reinava naquela onda humana e tudo o impressionou tão profundamente que repetia uma e outra vez:  

─ Aqui está a coisa!  

No dia seguinte, a sua admiração crescia; quando contemplou os mais de 200 mil peregrinos a aclamar e a aplaudir a Santíssima Virgem, sentiu-se possuído por uma comoção e, espontaneamente, sem dar conta, saudava também com o seu lenço a Sagrada Imagem. Nesse momento, o respeito humano deteve-o e baixou o lenço, secando as lágrimas que, apesar do seu esforço para reprimi-las, molhavam o seu duro rosto.   

Um senhor, que estava junto a ele, perguntou-lhe:  

─ Que lhe parece tudo isto?  

─ Realmente – disse – aqui está a coisa!      

Não se confessou, nem tampouco rezou, mas, na viagem e nos dias seguintes, mostrou-se pensativo, muito pensativo. Esqueceu as suas idas à taberna e abandonou os seus companheiros de outros tempos. No primeiro sábado entrou numa igreja e, aos pés de um ministro de Deus, confessou o peso das culpas de vários anos.      

Ao entrar na sua casa, contou aos seus familiares que se tinha reconciliado com Deus e convidou-os a rezar com ele o Santo Rosário. Na manhã seguinte, acompanhado pela sua esposa e pelos seus filhos, recebeu o Pão dos Anjos. Regressou à sua casa o bem-estar e a alegria e, desde aquele momento, a educação dos seus filhos abraçou todos os seus desejos.  

Pe. Leonardo Ruskovic, in Aparições da Santíssima Virgem em Fátima          

A verdadeira situação dos católicos na China







Pai-nosso, Pai misericordioso e cheio de amor, olhai os Vossos filhos e filhas que, por causa da fé no Vosso Santo Nome, sofrem perseguição e discriminação no Iraque, na Síria e em tantos lugares do mundo. Que o Espírito Santo os preencha com a Sua força nos momentos mais difíceis de perseverar na fé. Que os torne capazes de perdoar aos que os oprimem. Que os encha de esperança para que possam viver a sua fé em alegria e liberdade. Que Maria, Auxiliadora e Rainha da Paz, interceda por eles e os guie pelo caminho da santidade. Pai Celestial, que o exemplo dos nossos irmãos perseguidos aumente o nosso compromisso cristão, que nos faça mais fervorosos e agradecidos pelo dom da fé. Abri, Senhor, os nossos corações para que, com generosidade, saibamos levar-lhes o apoio e mostrar-lhes a nossa solidariedade. Nós Vos pedimos por Cristo, Senhor Nosso. Ámen. 

Novena de Nossa Senhora das Graças



Acto de contrição        
Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, por Vos ter ofendido e pesa-me também por ter perdido o Céu e merecido o inferno. Proponho, firmemente, com o auxílio de Vossa divina graça e pela poderosa intercessão de Vossa Mãe Santíssima, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão das minhas culpas, pela Vossa infinita misericórdia. Assim seja.       

1.º dia – Primeira aparição (Meditação)
Contemplemos a Virgem Imaculada na sua primeira aparição a Santa Catarina Labouré. A piedosa noviça, guiada pelo seu Anjo da Guarda, é apresentada à Imaculada Senhora. Consideremos a sua inefável alegria. Seremos também felizes como Santa Catarina se trabalharmos com ardor na nossa santificação. Gozaremos as delícias do Paraíso se nos privarmos dos gozos terrenos.     

Súplica a Nossa Senhora     
Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-Vos de braços abertos derramando graças sobre os que Vo-las pedem, cheios de confiança na Vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de Vossos pés para Vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada). Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes Vos solicitamos, para maior glória de Deus, engrandecimento do Vosso nome, e o bem das nossas almas. E para melhor servirmos ao Vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmarmos sempre verdadeiros cristãos. Ámen.                      

Rezar três Ave-Marias com a jaculatória:       
“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.     

Oração final
Santíssima Virgem, eu reconheço e confesso a Vossa Santa e Imaculada Conceição, pura e sem mancha. Ó puríssima Virgem Maria, pela Vossa Conceição Imaculada e gloriosa prerrogativa de Mãe de Deus, alcançai-me do Vosso amado Filho a humildade, caridade, obediência, castidade, santa pureza de coração, de corpo e espírito; alcançai-me a perseverança na prática do bem, uma santa vida, uma boa morte e a graça de (pede-se uma graça) que peço com toda a confiança. Ámen.       

Meditação para cada dia da Novena. O resto tudo igual ao primeiro dia:   

2.º dia – Lágrimas de Maria
Contemplemos Maria chorando sobre as calamidades que viriam sobre o mundo, pensando que o coração do seu Filho seria ultrajado na cruz, escarnecido, e os seus filhos predilectos perseguidos. Confiemos na Virgem compassiva e também participemos do fruto das suas lágrimas.

3.º dia – Protecção de Maria
Contemplemos a Nossa Imaculada Mãe, dizendo, nas suas aparições, a Santa Catarina: “Eu mesma estarei convosco: não vos perco de vista e concerder-vos-ei abundantes graças”. Sede para mim, Virgem Imaculada, o escudo e a defesa em todas as necessidades.     

4.º dia – Segunda aparição   
Estando Santa Catarina Labouré em oração, a 27 de Novembro de 1830, apareceu-lhe a Virgem Maria, formosíssima, esmagando a cabeça da serpente infernal. Nessa aparição, vemos o seu desejo imenso de nos proteger sempre contra o inimigo da nossa salvação. Invoquemos a Imaculada Mãe com confiança e amor.        

5.º dia – As mãos de Maria   
Contemplemos, hoje, Maria desprendendo das suas mãos raios luminosos. “Estes raios, disse Ela, são a figura das graças que derramo sobre todos aqueles que mas pedem e aos que trazem com fé a minha medalha”. Não desperdicemos tantas graças! Peçamos, com fervor, humildade e perseverança, pois Maria Imaculada nos alcançará.         

6.º dia – Terceira aparição    
Contemplemos Maria aparecendo a Santa Catarina, radiante de luz, cheia de bondade, rodeada de estrelas, mandando cunhar uma medalha e prometendo muitas graças a todos que a trouxerem com devoção e amor. Guardemos fervorosamente a Santa Medalha, pois, como um escudo, proteger-nos-á dos perigos.        

7.º dia – Súplica  
Ó Virgem Milagrosa, Rainha Excelsa Imaculada Senhora, sede minha advogada, meu refúgio e asilo nesta terra, meu consolo nas tristezas e aflições, minha fortaleza e advogada na hora da morte.              

8.º dia – Súplica
  
Ó Virgem Imaculada da Medalha Milagrosa, fazei com que esses raios luminosos que irradiam das Vossas mãos virginais iluminem a minha inteligência para melhor conhecer o bem e abrasem o meu coração, vivos sentimentos de fé, esperança e caridade.      

9.º dia – Súplica  
Ó Mãe Imaculada, fazei com que a cruz da Vossa Medalha brilhe sempre diante dos meus olhos, suavize as penas da vida presente e me conduza à vida eterna.

As mulheres casadas não deveriam trabalhar fora de casa


Sei que nestes tempos que correm nos parece normal que a mulher trabalhe fora de casa a par do homem e que ambos são sustentadores.                 

Mas se alguém analisar a história humana, dar-se-á conta de que é um feito recente e que este novo modelo social acabou por prejudicar a família em geral. Desde que o ser humano existe na terra, era o homem quem se encarregava de ser o sustentador, na época das cavernas eles saíam de casa e a mulher ficava na caverna a cuidar dos filhos. Tal comportamento está nos genes de ambos os sexos porque se produziu durante milénios. No fundo, isso nunca mudou até meados do século 20, onde o homem continuava o seu papel de sustentador.

Mas, então, apareceram os movimentos feministas, dando uma explicação cultural a um comportamento biológico e assegurando que os papéis de género são resultado do meio e não da natureza humana. Nada mais falso.         

A mensagem tomou conta da sociedade e iniciou-se uma transformação sem precedentes nas famílias. As mulheres abandonaram as suas casas para ocuparem cargos em fábricas e oficinas e serem tão competitivas como os seus pares masculinos. Os filhos ficaram ao cuidado da TV e das amas. Curiosamente, desde meados do século 20, a taxa dos divórcios dispararam de 15% para 50% e o fenómeno das famílias disfuncionais tornou-se algo normal. Filhos loucos, drogados, atormentados e inseguros são produto destas casas de mães ausentes.

Para saber se esta experiência social funcionou, basta comparar as famílias de há um século com as actuais. As de então eram estáveis, seguras, sólidas, isto porque a mãe estava presente em casa e assumia um rol feminino (não o de “mulher homem”, que existe actualmente). Não é o mesmo ter uma casa com uma mãe presente ou ter uma casa com uma mãe a “part time”. O conto de que “se pode trabalhar e ser mãe ao mesmo tempo” é uma falácia. A grande quantidade de casas disfuncionais e filhos sem rumo assim o demonstra. Um filho, sobretudo nos primeiros anos de vida, requer a mãe a tempo inteiro. Hoje em dia vemos mulheres que acabaram de dar à luz e no primeiro mês voltam ao trabalho, deixando um recém-nascido nas mãos de terceiros que não poderão cumprir o papel insubstituível da mãe.   

Seguramente alguns me chamarão machista e retrógrado, mas se analisarem profundamente o tema, no fundo verão que tenho razão. Uma casa com pais ausentes não funciona. Ainda que a mãe o faça com boa-fé, o facto é que não está e o filho é criado sabe-se por Deus quem. Por isso, as famílias agora estão em crise, porque adoptamos um modelo de família que é anti-natural, que responde às posturas do feminismo extremista e cujos lamentáveis resultados podemos ver hoje em dia.

[Fonte: enfemenino]

sábado, 17 de novembro de 2018

Pecado que brada aos Céus



“Todas as escolas públicas escocesas receberão apoio para ensinar a igualdade e a inclusão da comunidade LGBTI” a diferentes grupos de idade e conteúdos agrupados por vários temas, que “incluirão terminologia e identidades LGBTI, abordando a homofobia, a bifobia e transfobia, preconceitos em relação à comunidade LGBTI, e promovendo a consciencialização sobre a história dos direitos e dos movimentos LGBTI”.        

Agora, o governo deverá estabelecer os prazos e os métodos de implementação das modificações na SER. John Swinny, Vice-Primeiro-Ministro da Escócia, disse que “a Escócia já se considera um dos países mais progressistas da Europa para a igualdade LGBTI”.   

De acordo com informações oficiais, as recomendações do grupo de trabalho de educação inclusiva LGBTI incluem melhorar a inclusão da comunidade “sexodiversa”, melhorar a prática e a orientação para docentes, outorgar a formação profissional para actuais e futuros docentes e monitorizações e inspecções escolares de inclusão LGBTI”.
           
[Fonte: Catapulta]
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ACTO DE REPARAÇÃO AO SACRATÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefastas injúrias com que é de toda parte alvejado o Vosso amorosíssimo coração.           

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não Vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do baptismo, sacudiram o suavíssimo jugo da Vossa santa lei.          

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia no vestir, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfémias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da Vossa Igreja. Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades!    

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre os nossos altares.          

Ajudai-nos Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e pelo nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias da Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.           

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria, santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento dos nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Ámen.   

A Santa Sé não se opõe à exumação dos restos de Franco



De acordo com um comunicado do governo espanhol, publicado a 29 de Outubro de 2018, “o Cardeal Parolin assegurou à vice-presidente do governo espanhol que não se oporá à exumação dos restos mortais de Francisco Franco no Vale dos Caídos”.

A vice-presidente do governo, Carmen Calvo, reuniu-se, no Vaticano, com o Secretário de Estado da Santa Sé, o Cardeal Pietro Parolin, na manhã de 29 de Outubro de 2018. Esta foi a primeira reunião entre os representantes do Estado espanhol e o Vaticano, depois da chegada do socialista Pedro Sánchez ao poder, no passado mês de Junho.            

Depois de tratar de assuntos como os abusos de menores, o sistema tributário da Igreja em Espanha e o processo de revisão dos bens registados pela Igreja, abordou-se o tema da transladação dos restos do General Franco.

Segundo o comunicado do governo espanhol, o Cardeal Parolin teria garantido que a Santa Sé não se oporá à exumação dos restos morais do Caudilho, que repousam na Basílica do Vale dos Caídos, segundo a sua vontade.            

Importa recordar que a vitória de Francisco Franco sobre os comunistas espanhóis, depois da guerra civil de 1936, restabeleceu os direitos da Igreja e pôs fim à sangrenta perseguição cujas primeiras vítimas foram os cristãos.   

Debaixo do regime do Caudilho, a Santa Sé assinou com o Estado espanhol, em 1953, uma concordata muito favorável à Igreja.     

Cinco anos mais tarde, em 1958, a lei fundamental do país proclamou: “a nação espanhola orgulha-se do seu temor à lei divina segundo a única e verdadeira doutrina da Santa Igreja católica, apostólica e romana e da fé inseparável da consciência moral, que inspira a sua legislação”.      

Passaram sessenta anos, e os herdeiros dos comunistas, que recuperaram o poder, conservam o mesmo ódio à Espanha católica e à sua história. Talvez esta acção vil permitirá ao General Francisco ser finalmente enterrado na Catedral de Madrid, próximo dos seus.       

[Fonte: FSSPX]